quarta-feira, 24 de maio de 2017

A praça, o banco e a pomba





Sábado à tarde, como de costume, saí para dar uma volta pelo bairro donde moro, Perus, São Paulo. Atravessei a avenida principal acercando-me da pequena praça sem jardim Pela primeira vez sentei-me num banco da pracinha ficando vendo transeuntes passando por ela. Logo vi próximo a mim um pombo. Pombos... Lembrei-me de não mais ter ouvido os arrulhos deles. E o pombo ou pomba se aproximando do banco donde eu estava revelou com o seu “andar” ter algum machucado, pois, mancava e suas penas estavam sujas, falta de asseio (risos).

Por causa da ave imediatamente me surgiram lembranças. Lembrei-me da pomba branca que Noé soltou depois do dilúvio para que ela pudesse encontrar terra firme. E logo ela voltou pra arca trazendo um ramo de oliveira, sinal que havia encontrado terra já vazia das águas do dilúvio. Também, no batismo de Jesus pelo João Batista no Rio Jordão, desceu do céu uma pomba branca e ela pousou no ombro de Jesus representando o Espírito Santo. Nossa! Fiquei religioso e nem sabia.

Só eu estive observando o pombo e ninguém mais. As pessoas destes tempos, observando suas expressões faciais, fácil são para perceber o como se tornaram importantes. Caminham falando ao telefone celular. Sabe-se que seus assuntos tão importantes não podem ser deixados para depois. Por isso, elas não podem mesmo notar a presença de uma simples pomba. Só mesmo um desocupado como sou para poder apreciar coisas simples. Havia chovido muito e notei o brilho tímido do sol que surgiu entre as nuvens. Parece que ele é sempre assim acanhado nas tardes de outono.

Quando dou minhas voltas pelo bairro para exibir o meu “não ter o que fazer na vida”, difícil é encontrar conhecidos. Eles foram, em número, superados pelos desconhecidos que por aqui agora vivem. Mas, cada vez mais, menos me interessam as pessoas (risos). Depois que aprendi a conviver só comigo mesmo fiquei sem carência de precisar de outros para falar ou ouvir futilidades, essas tantas do cotidiano de tantos.  Quando o sol logo se escondeu outra vez, eu também pensei em me esconder.

Voltei pra casa onde é o meu esconderijo e onde o “comigo mesmo” nunca me abandona. Meus gatos estiveram em frente de casa me esperando voltar. Miaram alegres quando me viram e carinhosamente se esfregaram em minhas pernas. Entramos juntos em casa, fechei a porta e o mundo ficou de fora.  Logo, como sempre, pensamentos brotaram querendo me separar do presente. Eles levaram-me para onde agora só se vai mentalmente. Para onde já estive e com quem estive. Pensamento e memória... Agora são os donos de minhas horas e me lembram de boas histórias.

                                                                            Altino Olimpio