domingo, 30 de julho de 2017

O homem e suas limitações



 
As realidades passam apenas de “raspão” sobre nossas cabeças e na verdade nenhum ser humano vive na plenitude ou inteireza “das percepções” das realidades que compõem o mundo mesmo ao nosso redor. Conforme dito pelos cientistas protagonistas do filme “Quem somos nós?”, sendo um documentário científico: “O cérebro humano processa 400 bilhões de bits de informação por segundo, mas, só tomamos conhecimento (só nos conscientizamos) de 2000 bits. E esses 2000 bits são sobre o que está ao nosso redor, nosso corpo e o tempo. Vivemos em um mundo onde só enxergamos a ponta de um imenso iceberg de mecânica quântica. Isso significa que a realidade está acontecendo em nosso cérebro a todo o momento, mas nós não a integramos”.
Quem se utiliza de computador já está familiarizado com essa medida denominada de byte que é múltiplo de bit, e Kb, Mb, Gb e etc. que são múltiplos de byte. Muitas vezes ouvi dizer que nós só utilizamos dez por cento do cérebro. Se a capacidade dele for só até mais ou menos de dez por cento (como dizem) de sua utilização, isso é devido à forma com que nós, seres humanos somos constituídos. Pode ser que esses mais ou menos dez por cento de alcance de nosso cérebro já seja o suficiente para o que necessitamos conscientizar para o nosso viver.  
Muito do que existe à parte de nós “não nos é conhecido” pelos nossos sentidos objetivos: Visão, audição, tato, paladar e olfato. Eles são intermediários entre o nosso cérebro e as nossas percepções exteriores. E, é no cérebro que são realizadas as identificações do que percebemos. Também, “não nos é percebido” o que interiormente são partes de nós, como, a circulação do sangue, o metabolismo ou digestão e etc. Até dizem que o homem é o eterno desconhecido de si mesmo. E também, nunca sabemos quais serão os pensamentos que nos surgirão durante o dia. Mais são eles aleatórios do que controlados pelo nosso querer.
Sabe-se que à parte de nosso estado consciente, “outras coisas existem” que ultrapassam o nosso poder de percebê-las. A eletricidade, por exemplo, ninguém a percebe ou a vê correndo através de fios. Entretanto, como existem outras coisas além das que nos são perceptíveis, isso reforça a crença de existir também outro plano de existência além da física ou metafísica. Admitir fatos quando não há realidade correspondente, isso talvez corresponda ao que o Voltaire escreveu: O estudo da metafísica consiste em procurar num quarto escuro um gato preto que não está lá (risos).
                                                                       Altino Olimpio







terça-feira, 25 de julho de 2017

Deus nos livre dos parentes





Um homem da cidade grande, numa surpresa recebeu em sua casa um primo do interior, um sitiante que há muito tempo não via. Mas, ele tinha um compromisso muito importante: Uma recepção na casa do governador. Ao se desculpar para o primo que precisava se ausentar, ele explicou aonde ia. O primo demonstrou vontade de acompanhá-lo, mas, ele recusou dizendo que aonde ele ia o primo não poderia ir. Lá, disse ao primo, os maiores figurões da cidade e da política estarão presentes e você ficará sem ambiente, ainda mais que você tem um linguajar muito comum e mesmo vulgar e poderá me comprometer, me envergonhar. Entretanto, tanto o primo do interior insistiu para ir também dizendo que nunca tinha ido a esses lugares de gente fina e influente e se ele fosse também, ficaria calado.

O primo da cidade cedeu diante daquela insistência e promessa daquele parente de que ele nada faria ou diria que pudesse comprometê-lo. Até emprestou um traje adequado para o primo ir com ele. E lá foram eles para o palácio do governo. Que luxo, quantas madames sofisticadas, quantos comestíveis nunca vistos e saboreados pelo rapaz humilde do interior. E ele esteve se portando muito bem. Sendo parte de conversas, mesmo sem quase nada entender, ele só ouvia, assentia ou negava quando percebia que era preciso, mas, apenas com meneios de cabeça. O primo da cidade que esteve numa vigilância constante sobre ele começou a sentir remorso ao pensar que seu primo era um grosso e vulgar que só falava besteiras. Como ele estava tendo um comportamento exemplar, resolveu parar de vigiá-lo e assim despreocupado deixou-o sozinho numa conversa entre algumas mulheres e foi pra outro lugar conversar com outras pessoas.

Mas, estando à distância, ao olhar para onde estava o primo do interior ele viu que as mulheres que estavam com ele, apressadamente e resmungando se afastaram dele. E ele sozinho ficou sentado numa cadeira com uma cara de bocó. O primo cidadão correu pra lá para saber o que havia acontecido. Já nervoso descontrolado perguntou:
--O que você fez? O que você falou ai para que aquelas mulheres se retirassem daqui? Se você falou algo impróprio, você vai ver, você vai...
--Não fiz nada! Elas até gostaram de mim. Disseram que sou um belo rapaz e muito educado. Depois, a conversa aqui foi sobre veneno de matar rato. Aquela mulher do cônsul disse que na casa dela apareceu um rato e assustou todo mundo lá. Daí a esposa do governador falou que ela sabia de um veneno muito forte e era só colocar no buraco do rato e o rato logo morre. E eu só perguntei pra ela, se ela mesma segurava o rato ou se pedia para alguém segurá-lo para que ela colocasse o veneno no buraco dele. Foi só isso! Não sei o porquê delas saírem bufando daqui.

--Oh mente poluída, santa ignorância, caipira de merda. A esposa do governador esteve se referindo a algum buraco existente em algum lugar da casa onde o rato se esconde e era onde ela colocava o veneno. Burro! Burro! Ela não se referiu ao buraco que o rato tem debaixo do rabo.
--Calma... Calma primo. Não fique zangado comigo. Como é que eu iria adivinhar que era noutro buraco? Ela não explicou!
--Nunca mais vou te levar para onde vou. Você só me envergonha.
--Também não quero mais ir com você. Vir aqui de lá do mato para ouvir falar de buraco de rato? Eu hein? Nunca mais. Hoje mesmo volto pro meu sítio. Lá tudo é natural e não tem buracos confusos como tem por aqui.

                                                                                Altino Olimpio












 
  

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Reina paz entre os dois mundos





No Brasil existem dois mundos diferentes. O mundo do povo inculto, iludido, submisso, cúmplice e o mundo da política. Este, bem mais promissor, mas, apenas entre os políticos. O mundo da política atravessa como quer a fronteira entre esses dois mundos e faz o que quer com o mundo invadido. O mundo do povo, amante da tolerância e do futebol como é, nunca ultrapassa a fronteira entre eles para não perturbar os desmandos (abusos) do mundo da política. Se houvesse uma guerra entre esses dois mundos, o mundo da política venceria porque no mundo do povo, além de desarmados, quase todos são desertores (risos).

Democracia, essa padroeira do mundo do povo é quem favoreceu o criar e o manter do mundo da política “vivo”. Se no passado o mundo do povo colonizou o mundo da política, este, mesmo sem revolução (só armado com ilusão) conseguiu sua independência. Esses dois mundos só e sempre se irmanam em época de eleições e é quando os políticos se apresentam para o povo como sendo honestos e com os melhores projetos para melhorar o mundo do povo. Os meios de informação (mídia) totalmente imparciais orientam com precisão de acerto o povo para votar em candidatos dignos que possam melhor administrar os dois mundos que existem no Brasil. Depois das confraternizações, ou melhor, depois das eleições, cada qual (políticos e povo) retorna ao mundo que lhe pertence e voltam a ficar no “cada um na sua” conforme suas habilidades. Os políticos cuidando dos políticos e o povo cuidando de deixar tudo na mão de Deus.

                                                                                       Altino Olimpio

                                                                                        









domingo, 23 de julho de 2017

A banda da ilusão



O conhecido compositor Alberto Luiz, com suas letras de músicas, às vezes segue uma trajetória para “chamar a atenção” de como as ilusões sempre permeiam as nossas vidas, embora, sejam imperceptíveis enquanto na alegria e na euforia elas (as ilusões) estão sendo vividas. Uma das composições do Alberto, a Balada Nº 7 escrita para homenagear o famoso jogador de futebol Garrincha e gravada pelo cantor Moacyr Franco começa assim:

Sua ilusão entra em campo num estádio vazio
Uma torcida de sonho aplaude talvez
O velho atleta recorda as jogadas felizes
Mata a saudade no peito driblando as emoções...

Cadê você, cadê você, você passou
O que era doce, o que não era se acabou...

Essa música provoca uma lembrança triste em quem se lembra e gostava do jogador e constata que o que é passageiro e não perdura é ilusão. “Os seres humanos também são passageiros e não perduram, então...” (risos).

Outra música composta pelo citado compositor chama-se “Banda da ilusão” cantada pelo cantor Ronnie Von. Na música, banda é a vida significando que depois que se nasce não tem como se fugir da vida. Quando ele canta “São tantos instrumentos pela vida e essa gente distraída vai levando sua cruz. Tem uns que tocam tudo e outros nada. Vai tocando nesta estrada quem não toca não traduz... É a lei de a vida tocar pra não morrer...”. Os “tantos instrumentos” (da banda) podem representar as tantas passagens pela vida, sendo que muitas desiludem e deixam suas marcas ou dissabores (risos). Todos que vivem “tocam na banda”, mas, poucos são dados a refletir sobre ela. Para quem aprecia refletir, o link abaixo é da música em questão. Conforme a “bagagem” (cheia ou vazia, feliz ou infeliz) que cada um tenha da vida será sua reflexão sobre ela. Agradeço ao Oswaldo João Della Betta por ter-me enviado a música, pois, ela me inspirou para escrever estas poucas palavras sobre ela.  


                                                                                Altino Olimpio
                                                                 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

As noites dos ricos



Fala-se muito de justiça divina, mas, pelo que constatamos da miséria que existe no mundo, com muita gente tendo muita dificuldade para se alimentar enquanto outros vivem de fartura, só podemos supor que tal justiça só possa mesmo existir em algum lugar oculto e inacessível para os seres humanos que ainda estão vivos. Depois de vivermos poderemos saber donde ele se localiza para então sermos felizes com uma justiça real e perfeita para todos, muito melhor do que a justiça imperfeita humana. Eu já me encontro ansioso para ficar desfeito e ser elevado a esse lugar sublime.

A vida dos ricos seria bem mais invejável se os pobres tivessem mesmo consciência constante das disparidades entre eles. Mas, eles, prisioneiros de seus destinos, nem tempo eles têm para refletirem sobre isso. Suas vidas são como um martírio diário para poderem sobreviver e abastecer suas famílias. Trabalham e trabalham por muitos anos e ao final quando já estão velhos, para viverem ficam dependendo das migalhas da previdência social do governo. Se eles pudessem xeretar como vivem os ricos... Hoje mesmo por causa de um compromisso precisei seguir por um trajeto entre ruas e bairros onde a pobreza é alarmante. Sem entrar em detalhes, sempre me deparo com pobres em suas sinas diárias, mas, nunca me deparo com ricos, até parece que eles não existem.

Ricos sim são os que têm os melhores entretenimentos. Numa mansão houve o maior primor para receber os convidados para uma festa. Homens e mulheres da mais alta sociedade compareceram. Seus trajares até eram exorbitantes. Lá também esteve um rapaz inebriado com aquele ambiente. Devido algum exagero pelo que consumiu de quitutes e da refeição tão requintada ele se viu na necessidade de ir ao banheiro. Não conseguiu porque sempre todos os banheiros já estavam ocupados. A situação dele foi cada vez mais se tornando insuportável. Ocultamente retirou-se da festa e se dirigiu ao jardim daquela mansão. Lá, sobre o verde da grama e rodeado por lindas flores, às escondidas ele se aliviou do que interiormente o importunava. Mas, quis olhar para o que tinha despejado e não viu nada.

Que estranho, pensou. Eu me aliviei sim, com certeza. Olhou mais atentamente, procurou e procurou e nada encontrou. Será que tudo tão estranho foi causado pela embriaguês? Poderia ter sido sim e assim pensando naquele fato incógnito ele retornou para a festa. E naquele transcorrer entre música suave, bebidas finas e as conversas intelectuais entre os convidados a noite tranquilamente terminou para dar vez ao sol da manhã com todo o seu esplendor. Aquele rapaz ainda inebriado com aquele ambiente para os privilegiados pela vida foi o último a sair daquela mansão. Já estava esquecido daquela sua incógnita da madruga e ao ver um senhor muito simples no jardim, o jardineiro, e ele querendo demonstrar simpatia com o próximo, sorridente cumprimentou aquele senhor:
--Olá, Bom-dia, lindo dia, não?
--Bom-dia uma ova. Se eu visse o FDP que cagou encima da tartaruga eu o mataria. Coitada, ela já é bem velha e doente e teve que ficar andando pra cá e prá lá com aquele peso fedido sobre ela.
--Ah é? Nossa! Quem teria feito essa maldade e...
Na revolta do jardineiro ficou desfeita a incógnita vivida pelo rapaz durante a madrugada. Ainda bem que aquele caso insólito teve solução para ele. Com ou sem tartaruga as noites dos ricos são muito mais elegantes e deliciosas do que as noites dos pobres. Para estes as noites só servem para eles dormiram e para se esquecerem de suas rotinas diárias e enfadonhas.

                                                                                      Altino Olimpio
    

domingo, 16 de julho de 2017

Cocheira e política



Dizem que o nada ter a fazer, isso atrai lembranças que a gente ao se lembrar pode sentir prazer. Num dia assim vazio de necessidades me vi “vendo” a casa donde nasci lá no Bairro da Fábrica da Indústria Melhoramentos de papel do município de Caieiras. Meu olhar interior mais se focalizou no terreno, ou melhor, no quintal daquela casa. Como também era nova, construída em 1942, ela fazia parte da inesquecível Vila nova, embora se localizasse mais abaixo, na rua que ia dar numa outra vila, a Vila Leão. O quintal com uma leve subida era comprido. Terminava na cerca lateral do quintal da família do Senhor Amadeu Lucieto. Ele construía bacias, tachos, balde de lata vazia de óleo e etc., tudo bem soldado e resistente contra ferrugens. Já naqueles tempos de minha juventude ele também consertava rádios e por isso, tinha o apelido de Marconi. Só não sabia se ele os escutava depois que os consertava porque ele era surdo. Todos daquela Vila Nova o conheciam bem.

Não é sempre que cito nas crônicas o nome de alguém conhecido porque o dono deste Jornal “A Semana”, Senhor Edson Navarro, ele me enche o saco dizendo que é uma falta de respeito incluir nomes de conhecidos em crônicas, cujas histórias sejam ridículas ou vulgares. Numa ocasião lhe enviei uma crônica e logo ele me telefonou me admoestando:
--Você está louco?
--Eu? Louco por quê?
--Você escreveu “a cocheira do Hilário”. Seu burro! Certo é a cocheira do “cavalo” do Senhor Hilário. Por favor, não me crie complicações.
--Puxa-vida! Desculpe, nem me “toquei” sobre isso. Corrija, por favor.
Mas, ele não corrigiu e depois dessa conversa fiquei a pensar que a bronca foi descabida. Eu estava certo e não ele. Naqueles tempos em questão, todos daquele lugar, quando falavam daquela cocheira, falavam “a cocheira do Hilário” e nunca, repito, nunca falavam ‘a cocheira do “cavalo” do Hilário’. Também, quando o Senhor Hilário vendia ou ficava sem cavalo por uns tempos, a cocheira ficava vazia. Então se ele estava sem cavalo na cocheira, isto é, se a cocheira estava sem inquilino, então, ela só poderia ser a cocheira do Hilário. Mas, o Senhor Edson nunca iria entender isto.

Depois desse desabafo explicativo sobre quem tinha razão, se eu ou o Senhor Edson Navarro no entender de quem era a “cocheira do Hilário” (risos) fui mentalmente invadido por pensamentos úteis para a nação. Eu teria sido um advogado famoso para defender na “justiça” de hoje políticos vagabundos, corruptos, bandidos, ladrões e eles ficariam livres para continuarem com suas políticas de cocheira. Em outras eleições eles até poderiam ser reeleitos porque muitos eleitores domesticados apreciam e admiram os coices ladroeiros que o país recebe deles. Se algum político fosse acusado de possuir uma cocheira de luxo através de falcatruas, eu com minha lábia de advogado de defesa (com a argumentação igual a da cocheira do Hilário), eu contestaria “provando” que “uma cocheira sem cavalo não pode ser cocheira do cavalo” (risos).

Mas, voltando aos meus pensamentos sobre o lugar e na casa donde eu vim ao mundo sem querer e podendo me arrepender, no fim do quintal que terminava na cerca do quintal do Senhor Amadeu, meu pai vivia plantando bananeira. Mandioca e batata doce também. Lembrei-me de quando com um saco eu ia lá pra cima desenterrar, catar mandioca e batata doce para minha mãe e enchia mesmo o saco e eu voltava da horta com o saco cheio. À noite, diariamente depois da “Hora da Ave Maria”, a partir das dezenove até as vinte horas, quase todos daquele lugar “desligavam seus rádios” para não atrapalharem o programa “A Voz do Brasil” criado em 1935 denominado depois como “A Hora do Brasil” que era um programa nacional sobre política. Contudo, agora já está na “Hora do Brasil” reconquistar “A Voz do Brasil” que ficou muito tempo calada e por isso, “deu no que deu”.

Sem nada ter pra fazer o cérebro fica a se remexer no seu retroceder na memória e o agora fica sem sua hora para estar no presente que fica ausente da atualidade que sem novidade é um estado para se voltar ao passado e com ele parecendo criança se brinca com as lembranças que ainda estão na mente sem ser demente e que a gente guarda porque agrada na vida e ela se parece com novela embora com capítulos sem títulos assim com início e o fim quando a nossa sorte é a morte e então... Nossa! Esqueci do que estava “dizendo”. Ah, era sobre cavalo, cocheira, mandioca e políticos. Nada de interessante. Então é melhor eu me zarpar daqui.  Preciso arranjar alguma coisa pra fazer, senão, minha mente pode se poluir mais.

                                                                                        Altino Olimpio

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Nós e os espíritos



 

Muitos anos se passaram depois daquele dia de quando eu ainda era “domesticado” igual a outros para assistir televisão. Naquele dia num programa de televisão com auditório repleto, muita propaganda se fez para aguardar o final quando uma personalidade já famosa iria ser entrevistada e depois iria transmitir uma mensagem importante. Tanto se anunciou durante o programa que o Brasil inteiro aguardou, até mesmo com impaciência. Chegando o momento, o aguardado entrou no palco, foi muito aplaudido e logo foi entrevistado. Depois ele sentou-se numa cadeira por detrás de uma mesa ou de um balcão. Colocou uma das mãos na testa para melhor se concentrar como se fosse para receber mensagens insólitas e assim de olhos fechados começou a falar. Falou, falou, tanto falou e não disse nada (risos). Terminando, até foi aplaudido de pé pelo auditório. Eu de casa assisti com muita atenção e aprendi a admirar as evasivas, elas são a melhor opção a ser utilizada para quem não quer ou não sabe o que dizer.

Muito tempo passou até estes tempos, pois, recentemente li parte de um livro psicografado (Ação e Reação) por aquele daquele dia (Chico Xavier) em que o vi na televisão. O livro lhe fora “ditado” por um espírito famoso também (André Luiz). É sobre a Mansão Paz, uma casa de auxílio espiritual para orientação dos desencarnados. O instrutor lá é um espírito de nome Druso. O interessante do livro, conforme descrito, é que lá o tempo, os lugares, as construções com suas repartições e etc. são como são aqui, inclusive, a conversação entre os espíritos. Não tem muita diferença. Como aqui na terra existem muitos doentes encarnados, lá na Mansão Paz os doentes são os desencarnados.

Lembrei-me de um casal que esteve aqui em casa. Sobre uma carta que alguém daqui da minha região psicografou (sem eu pedir) sobre uma mensagem do meu filho (só baboseiras) a mulher me disse que houve outra carta e nesta dizia que meu filho estivera num hospital espiritual para tratar do ferimento a bala que o matou. Surpreso eu perguntei a ela: Puxa-vida, então a bala atingiu o espírito também? Não me lembro do que ela respondeu. Mas, seria bom que políticos não morressem, porque, sendo espíritos eles poderiam “novamente se elegerem e poderiam criar crise nos hospitais espirituais cortando-lhes a verba e os desencarnados ficariam sem meios para tratarem de suas saúdes.

                                                                                     Altino Olimpio

terça-feira, 4 de julho de 2017

Reencarnação seletiva





A lua cheia com seu brilho de prata lá no alto do céu iluminou a clareira donde estava uma aldeia indígena. Parecia que ela tinha olhar e com ele fixo na aldeia e nos índios ao redor da fogueira, era como se ela fosse à proteção deles. No escuro da mata que contornava a aldeia, aves noturnas com suas sonoridades se comunicavam indiferentes aos índios, que, confabulavam aquecidos pelo calor da fogueira já quase em brasas fumegantes. Aqueles índios de selvas tão distantes em seus modos rústicos de viver sem terem contato com a civilização ou com os “civilizados”, vivem conforme seus parcos recursos permitem. Vivem da pesca, da caça, e evoluíram até o aprender a plantar milho e mandioca. O nudismo parcial ou mesmo total deles é comum entre eles sem existir-lhes preconceitos. São poucas as opções para seus entretenimentos.  É um viver bem precário.

Contrasta muito com o viver dos civilizados. Estes têm a disposição tudo o que se possa imaginar sobre alimentação, sobre entretenimentos, sobre instrução, sobre a ciência tecnológica, que, sempre se atualizando, lhes facilita o viver sem ter muito empenho físico e exaustivo em seus trabalhos diários. E, lá na selva distante, nada disso existe para tornar mais fácil a vida dos indígenas. Eu, nesta idade que cheguei me critico por não saber quase nada da vida. Confesso ter inveja daqueles que sabem muito e estão sempre aptos a esclarecer as dúvidas dos outros. Por isso sempre preciso fazer perguntas para outros responderem e me esclarecerem. Quando penso na reencarnação, gostaria de saber como é lá no alto a escalação ou seleção para quem vai reencarnar. Existi alguma preparação espiritual para os espíritos reencarnarem? Ou eles retornam pra cá como foram pra lá?

Quem nasce índio é porque está na primeira encarnação? Se já não é a primeira, reencarnar como índio não seria involução? Coitados, o mundo deles é sempre simples, precário, limitado, sem progresso, modernidade... Enquanto o mundo dos civilizados... Até parece injustiça reencarnatória... Uns reencarnam no mato e muitos outros reencarnam na cidade (risos). Quem civilizado gostaria de se reencarnar como um índio da mata? Comparando-se com os índios, os civilizados até que vivem num paraíso. Mas, não todos. Atualmente muitos “civilizados” estão sendo crucificados pelo povo e pelos noticiários como sendo ladrões. Até parece que estou vendo Jesus falando para vários deputados e para alguns presidentes: Amanhã mesmo estarão comigo no paraíso. 

                                                                                        Altino Olimpio