quinta-feira, 22 de junho de 2017

Palanques das ilusões





Ao ouvir uma música da cantora brasileira Fafá de Belém “me vi no passado” quando ela estando num palanque, com toda emoção cantou o nosso Hino Nacional. Foi na época (1983) em que políticos e muitos brasileiros, estiveram reunidos num movimento contra o governo militar conhecido como “diretas já”. Tal movimento foi para requerer a volta da democracia com eleição direta, votação popular para presidente. Eleição direta não houve porque em 1984 a eleição para presidente foi indireta vencida pelo então Tancredo Neves, um civil que morreu antes de assumir a presidência. Naquela época o povo descontente com o governo militar esteve exigindo o retorno da democracia, na esperança que ela fosse a “salvação” para o Brasil melhor ser governado, ser mais bem administrado.

A primeira das eleições diretas depois do regime militar foi em 1989. Continuaram assim, “democraticamente” até 2014. Quem ainda se lembra daquela época do governo militar e do posterior regime democrático pode fazer comparações sobre os dois regimes. Em qual dos dois a corrupção teve avanços inimagináveis? Em qual dos dois o povo teve mais liberdade no ir e vir? Qual dos dois regimes sofreu o escândalo de ter no governo seus membros cúmplices com assaltantes do erário? Qual dos dois regimes criou mais impostos para o povo? Qual dos dois regimes facilitou mais a perversidade de termos no poder membros que no passado praticaram crimes? Qual dos dois regimes mais permitiu o existir da quantidade absurda de partidos políticos e etc.? Por que será que hoje tem muita gente desejando intervenção militar?  Eu gostaria de saber (risos).

Nunca se sabe do futuro, isto é, nunca se sabe se um ato pensado ser bom praticado numa época (diretas já) não venha depois em outra época ser utilizado para favorecer os “fora da lei”, àqueles envolvidos em política que encontraram facilidade na democracia para cometerem seus crimes de lesar a pátria. Voltando na lembrança daquela cantora simpática e sempre risonha e com emoção cantando no palanque o Hino Nacional do Brasil para milhões de pessoas, me veio na imaginação o hino agradando também aos comunistas que estavam exilados e retornaram para consolidar a nossa democracia (risos). Por “falar” em palanques, no passado eles foram muito utilizados para comícios. Muitas vezes eles suportaram o peso de servir para os propósitos de homens compromissados com as verdades, com a honestidade e com a missão de promover benefícios para a sociedade. Não poucas vezes foram sós promessas e os palanques serviam de palco para parte do povo se entreter com as ilusões de melhorias. Antiquados, eles desapareceram para a mídia prevalecer substituindo-os, ela sim, sendo a maior promotora de ilusões.

                                                                                    Altino Olimpio


                                                                         

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