quinta-feira, 25 de maio de 2017

Minha amiga nostálgica




Sabe que ando me policiando muito, pois, pensamentos me remetem ao passado todo o tempo. Tenho sempre que estar a me reprogramar, focar no presente, pois, dizem os entendidos que isso não é bom.
“Sei lá, só sei que dá uma saudade danada...”

Essa mensagem acima eu recebi por ‘e-mail’ de uma amiga que é da minha estima. Consigo imaginá-la envolta em seus pensamentos distraída do presente e passeando pela saudade do passado. Pela sua mensagem senti-a melancólica e respondi-lhe assim:

Amiga, os presentes são os dias a passarem parecidos com o quase nada ter para nos impressionar com agrados para serem memoráveis. Talvez por isso, nossa mente descontente busca refúgio lá no passado. Lembrando, quase sempre nós somos o passado vivendo no presente e isso é inevitável. Quaisquer estímulos nos lembram de algo e isso nos distrai do presente. Às vezes parece que só no passado aconteceram fatos memoráveis e nada mais acontece no presente que seja para despertar nossas emoções, como se elas não mais se encantassem com os acontecimentos, dos quais, participamos. Isso seria pela perda das ilusões? Seria pela “ausência das expectativas” do que pudesse nos acontecer e nos alegrar?

O problema é que quase nunca estamos onde nós estamos. Sendo assim, o passado se apropria dos nossos pensamentos e dos nossos momentos presentes. Isso às vezes gera nostalgia pelos pensamentos que nos invadem se eles são de causar saudades pelo que nos foi e não nos são mais. Existem sim os entendidos que dizem não ser bom sempre retroagir ao passado. Nossa presença sempre no nosso presente pode evitar a nostalgia que o nosso passado possa provocar. Então amiga como você escreveu “tenho sempre que estar a me reprogramar e focar no presente”, isso, como se sabe, quase sempre se esquece de praticar. Resta então, se conformar ou aderir ao que seus pensamentos lhes impõem em seus momentos de distração de seus presentes (risos).

                                                                                                Altino Olimpio

quarta-feira, 24 de maio de 2017

A praça, o banco e a pomba





Sábado à tarde, como de costume, saí para dar uma volta pelo bairro donde moro, Perus, São Paulo. Atravessei a avenida principal acercando-me da pequena praça sem jardim Pela primeira vez sentei-me num banco da pracinha ficando vendo transeuntes passando por ela. Logo vi próximo a mim um pombo. Pombos... Lembrei-me de não mais ter ouvido os arrulhos deles. E o pombo ou pomba se aproximando do banco donde eu estava revelou com o seu “andar” ter algum machucado, pois, mancava e suas penas estavam sujas, falta de asseio (risos).

Por causa da ave imediatamente me surgiram lembranças. Lembrei-me da pomba branca que Noé soltou depois do dilúvio para que ela pudesse encontrar terra firme. E logo ela voltou pra arca trazendo um ramo de oliveira, sinal que havia encontrado terra já vazia das águas do dilúvio. Também, no batismo de Jesus pelo João Batista no Rio Jordão, desceu do céu uma pomba branca e ela pousou no ombro de Jesus representando o Espírito Santo. Nossa! Fiquei religioso e nem sabia.

Só eu estive observando o pombo e ninguém mais. As pessoas destes tempos, observando suas expressões faciais, fácil são para perceber o como se tornaram importantes. Caminham falando ao telefone celular. Sabe-se que seus assuntos tão importantes não podem ser deixados para depois. Por isso, elas não podem mesmo notar a presença de uma simples pomba. Só mesmo um desocupado como sou para poder apreciar coisas simples. Havia chovido muito e notei o brilho tímido do sol que surgiu entre as nuvens. Parece que ele é sempre assim acanhado nas tardes de outono.

Quando dou minhas voltas pelo bairro para exibir o meu “não ter o que fazer na vida”, difícil é encontrar conhecidos. Eles foram, em número, superados pelos desconhecidos que por aqui agora vivem. Mas, cada vez mais, menos me interessam as pessoas (risos). Depois que aprendi a conviver só comigo mesmo fiquei sem carência de precisar de outros para falar ou ouvir futilidades, essas tantas do cotidiano de tantos.  Quando o sol logo se escondeu outra vez, eu também pensei em me esconder.

Voltei pra casa onde é o meu esconderijo e onde o “comigo mesmo” nunca me abandona. Meus gatos estiveram em frente de casa me esperando voltar. Miaram alegres quando me viram e carinhosamente se esfregaram em minhas pernas. Entramos juntos em casa, fechei a porta e o mundo ficou de fora.  Logo, como sempre, pensamentos brotaram querendo me separar do presente. Eles levaram-me para onde agora só se vai mentalmente. Para onde já estive e com quem estive. Pensamento e memória... Agora são os donos de minhas horas e me lembram de boas histórias.

                                                                            Altino Olimpio



sábado, 20 de maio de 2017

Quem ensina pratica o que ensina?




Desde sempre os aprendizados se realizaram entre os seres humanos. Uns ensinaram outros o que sabiam fazer e os outros por sua vez ensinaram outros e assim sucessivamente. Tratando-se de profissões, citando uma das mais antigas, como exemplo, temos a de “carpinteiro” que, como consta na Bíblia era a profissão de José, o pai de Jesus. E Jesus era chamado de “o filho do carpinteiro”. Ainda hoje, um carpinteiro que de fato conhece bem todos os recursos de sua profissão, pode muito bem ensinar tudo para um jovem aprendiz que esteja sob sua subordinação. Fácil de entender, tal carpinteiro transfere para o seu discípulo o que ele tem de experiência, vivência, conhecimento prático, objetivo e real.

Entretanto, principalmente nesta era, muitos “ensinamentos” tidos como práticos e necessários existem para a evolução humana, sejam eles psicológicos, filosóficos ou religiosos. Mas, infelizmente, sem terem sido vividos, sem terem sido conhecidos na prática e sem terem tido a experiência real de quem os ministra para outros. Isso sempre foi praxe em várias instituições de ensino, aquelas tidas como esotéricas ou ocultistas. Em instituições religiosas também é comum o enveredar por caminhos do além jamais percorridos por quem ensina e “confirma” a existência deles.

No cotidiano temos muitos bem intencionados que se instruíram e se tornaram “autoridades” para transmitirem a outros as idéias de seus conhecimentos que transcendem a experiência sensível e objetiva... Conhecimentos adquiridos apenas por suas instruções.  Contudo, nenhum deles viveu ou teve experiência fidedigna daquilo que transmitem como sendo real. Nisso falta-lhes a autenticidade e por isso não podem ser exemplos ou testemunhos dos fatos ou verdades que exteriorizam para outros. Também, se fôssemos esperar que os proclamadores de tais verdades objetivamente intangíveis tivessem-nas vividos para poderem relatá-las, não teríamos ninguém para nos expor tais ensinamentos, aqueles que nossas consciências não conseguem conferir enquanto estamos vivos. Então, que falem aqueles que acreditam no que falam e que ouçam aqueles que acreditam no que ouvem.

                                                                                         Altino Olimpio 

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Até a eternidade



Olhando para cima só se vê o céu, ele é o véu azul que esconde o infinito. O pensamento ultrapassa o véu e se imagina mais ao léu. O infinito, a imensidão, distâncias e espaços sem fim se combinam com o sem fim do tempo para a idéia abstrata da eternidade. Na terra, para toda a humanidade a eternidade nunca está na atualidade, ela está no futuro longínquo e sempre está além de qualquer era. As épocas vividas pela humanidade são apenas divisões imaginárias do tempo que se sucedem até ao infinito entendido como sendo a eternidade, um conceito apenas imaginativo.

Nesta época atual todos vivem suas vidas sem pensar no como foram às vidas dos que viveram nas épocas anteriores. Não pensam que tais épocas passadas sempre foram o repetir de milhões de pessoas nascerem, viverem e morrerem. Tudo o que desejaram a morte os destituiu do que conseguiram ser e obter. Tudo, ambições, posses, títulos, honrarias, fama, fortuna, poder, família, crenças, filosofias, vaidades e esperanças, que, como todas as outras ilusões ficaram no mundo sem os seus “possuidores” porque eles foram recolhidos pela morte. Por que encontrar importância no que se pensa que se possui se sempre nada se tem de verdade a não ser a vida a ser vivida, embora, ela seja efêmera e transitória?

Conforme sabemos, todas as nossas preocupações, nossos temores, nossas tristezas, nossas decepções, bem como as nossas alegrias, nossos triunfos e nossas felicidades, tudo é passageiro. Para a época depois desta nossa, nós também seremos os desaparecidos e os esquecidos da época anterior. Existem pessoas que não acreditam em destino, entretanto, neste fato, todos nós estamos “destinados” a desaparecer e sermos completamente esquecidos como se nunca tivéssemos existido. Nada diferente daqueles de épocas passadas. Se existisse algum consolo, ele seria o acreditar num encontro ou reencontro de todos lá pelo final de todos os tempos donde mora a romântica eternidade. Na jura eterna dos casais de enamorados.

                                                                                  Altino Olimpio











sexta-feira, 5 de maio de 2017

O teatro da vida



 
Como disse William Shakespeare: O mundo inteiro é um palco, e todos os homens e todas as mulheres são apenas atores. Nisso está o representar de cada um na sua vida.  Somos atores principais de um enredo cujo “início, meio e fim” não é de nossa autoria. Muitas vezes no teatro das nossas vidas o diretor da peça que representamos é o destino. Com suas surpresas agradáveis ou desagradáveis, alegres ou tristes ele nos força a sorrir ou a chorar. Às vezes podemos ser cenas de aflição e de desespero e os coadjuvantes ao nosso redor representam a impossibilidade de nos proteger dos sofrimentos.  

Representamos bem o ‘início’ que é a fase da juventude, da ingenuidade, da inconsciência e da irresponsabilidade. Entre o início e o fim, representamos o ‘meio’ da existência. É a busca para encontrar o nosso lugar no mundo. É a fase de quando pensamos que somos quem pensamos ser. Sim, pensamos ser tudo o que vivemos e tivemos até então: Pais, irmãos, formação, profissão, casamento, filhos, moradia, situação financeira, raça, crença, esporte, entretenimento e etc.

Nessa fase do ‘meio’ entre o nascer e o morrer, somos mesmo bons artistas representando mais o querer ter do que o querer ser. Nessa fase da vida voltada ao progredir, não ficamos a filosofar que nada se possui a não ser apenas a vida para ser vivida. Nem podemos porque as necessidades de recursos para a existência e sobrevivência nos impedem de filosofar. Também, isso de pensar ou refletir sobre os mistérios da vida, isso nós deixamos para mais tarde quando, atores como fomos, muito rimos, às vezes até choramos e o nosso teatro for se silenciando na expectativa de como será o fim da peça que representamos.

Por fim, na fase do ‘fim’ nossa representatividade no teatro da vida é sobre os incômodos pertinentes a perda da juventude e da maturidade. Interpretamos o perder da nossa notoriedade diante dos mais jovens. Personificamos a perda de quase todo o interesse que tínhamos nas fases anteriores de nossas vidas. Ficamos mais reflexivos e mais atentos aos pensamentos que se tornaram o nosso teatro interior que não sai de cartaz. Às vezes até pensamos em fechar as entradas do nosso teatro para que outros sejam impedidos de entrar para não nos aborrecer enquanto já estamos ensaiando o último capítulo de nossas vidas. Quando nossas cortinas se fecharem, se fomos bons atores, os parentes e amigos presentes no auditório se entristecerão pelo fim da peça encenada por nós.

https://www.youtube.com/watch?v=DewdU3KgRU0

                                                                                 Altino Olimpio



    

terça-feira, 2 de maio de 2017

Inteligência ignorante



Nestes tempos de tantas pessoas ingênuas, inconscientes, mal e erradamente informadas, elas são ridículas ao confundir esperteza e desonestidade com inteligência. Sobre um personagem que, exageradamente e até irritantemente, sempre está em evidência nos meios informativos, às vezes como vítima e outras como ele sendo vilão, falam e escrevem considerando-o como sendo inteligente, porque “soube se envolver em fatos ilícitos” sem deixar provas irrefutáveis contra sua pessoa. Que paradoxo! Então, quem comete infrações graves e sabe ocultá-las é uma pessoa inteligente? Pelo jargão popular se diz que tal pessoa é “sacana, pilantra, picareta” e etc. Pelas distorções epidêmicas que existem aqui no Brasil, ética, moral, cultura, franqueza, honestidade e caráter são agora qualidades apenas para retórica ou para discurso. Tais qualidades indesejáveis agora, elas provocam fracassos nos envolvimentos para se obter vantagens imorais, ilícitas ou ilegais.

Sobre o personagem acima, aquele considerado inteligente, os que assim o consideram devem ser também “inteligentes” como ele.  Desde tempos imemoriais quem comete erros, injustiças e desonestidades conscientemente, é impossível que seja inteligente. Quem se apropria do que não lhe pertence é um retardado. Não é ser inteligente como muitos dizem. Dizem isso por terem os valores distorcidos. Desonestos também, pois, se tivessem a mesma chance, como se insinuam, seriam retardados iguais nas desapropriações de bens que pertencem a outros ou ao país donde vivem.

Incrível como existem pessoas que não se preocupam no manter intactas as suas reputações. Deixam-se notar ao lado de pessoas sabiamente desprovidas de caráter, desonestas e até ladras. Não se envergonham de serem fotografadas ao lado delas e nem se intimidam ao dizer que são amigas delas. Com isso deixam transparecer que aprovam os delitos praticados por elas. Mas, que “inteligência ignorante” daqueles dados a furtar sem necessidade, se como se sabe, eles já ganham o suficiente para viver confortavelmente. Como será que vivem os pais daqueles desonestos? Como será que vivem os cônjuges daqueles e daquelas que roubam? Como será que vivem os filhos daqueles pais corruptos? Será que se envergonham e evitam frequentar lugares onde pessoas honestas frequentam? Nunca ouvi um pai ou uma mãe reclamar de seus filhos que sejam sacanas, nunca ouvi uma esposa ou um esposo reclamar que o cônjuge é pilantra e nem ouvi filhos reclamarem que seus pais são picaretas (risos). Então... Todos vivem em paz e convivem bem confortáveis com recursos alheios. Podem até aprender a fazer pão, pois, todos eles são farinha do mesmo saco (risos).

                                                                                   Altino Olimpio





segunda-feira, 1 de maio de 2017

Espiritualidade e fidelidade




Desde tempos remotos o mundo sempre contou com seus líderes espirituais que influenciaram seus povos com a prática do bem e também com o conceito de um céu para onde vão os que morrem. Os gurus indianos também tiveram forte influência na vida de muitas pessoas, isso, mais enquanto eles existiram. Vários gurus se tornaram famosos como o Yogananda, o Rajneesh (Osho), o Maharishi, o Gurdjieff e etc. e aqui citando também como os mais influentes dentre todos: o Buda e o Jesus. Seus milhões de adeptos e praticantes de suas doutrinas (psicológicas ou metafísicas) estão propagados por todo o mundo, mesmo depois de tanto tempo decorrido após suas mortes. Tais iluminados, assim como eram considerados, foram únicos em suas práticas, suas sabedorias e suas religiosidades. Únicos porque nunca ouve entre seus devotos alguém que se equiparasse a eles em carisma, em magnetismo e poder de persuasão para substituí-los depois de suas mortes. Então aquele dizer que com o tempo “o discípulo supera o seu mestre”, neste caso é um sofisma.

Como fato, jamais ouve alguém que chegasse a ser igual ou superior ao Buda, naquilo que ele alcançou (nirvana) através de longos e penosos anos para conseguir. Depois de sua morte uma religião foi criada em seu nome, o budismo. Buda, então, foi e é adorado como a um santo, mas, seus devotos não se igualam a ele, pois, isso requer a constante prática dos ensinamentos dele, diferentes dos rituais oferecidos a ele. Ele se tornou religião e isso, pode-se traduzir pelos seus “seguidores” como “nós o amamos, o admiramos e como nós somos apenas budistas, nenhum de nós chegará a ser tão iluminado como ele foi”. Aqui parece que a religião fica de entremeio entre o adorado e seus adoradores “colocando cada um em seu devido lugar”, isso, significando que o Buda é o Buda e seus devotos serão para sempre apenas os seus devotos.  

Também, nestes dois mil anos, nunca neste mundo alguém teve ou possa ter o mesmo nível de fé e de profundidade mística como a de Jesus. Mas, neste caso, a fragrante diferença entre ele e seus adoradores sobre a fé e sobre a espiritualidade, como se sabe, é porque ele é considerado santo. Sendo assim todos se acomodam, todos se confortam em não sentir a obrigação de serem como ele e nem ao menos imitá-lo. Bastam-lhes serem chamados de cristãos, frequentar as igrejas de devoção a ele, rezarem ou orarem para ele, embora, sem jamais conseguir seguir na plenitude os ensinamentos dele. Jesus foi o único. Ninguém se comparou a ele e como é considerado sendo um santo ninguém irá ser santo para equiparar-se a ele.
Talvez, por isso, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche que foi o maior criador de polêmica sobre o cristianismo escreveu: O único cristão que existiu morreu na cruz. Nessa frase ele quis significar que os cristãos, como cristãos eram apenas parciais.

Nesta nossa época também temos cristãos “só da boca pra fora”. Isso se sabe muito bem. Não poucos desses, se ganhassem dinheiro para serem ateus, bem que eles seriam e os ateus, então, até ficariam sendo a maioria. Ao contrário, se para terem a mesma fé que os religiosos têm os ateus ganhassem dinheiro, eles deixariam de serem ateus e até deixariam de existir como tais (risos). A fidelidade e a sinceridade quase sempre se transformam em conveniência quando o dinheiro “reza mais alto”. Quanto à espiritualidade, ela não sendo ilusão, para a maioria ela só existe como um conceito intelectual, não tendo, porém, existência real para o viver dela nos seus cotidianos. Contudo, o que se buscou realçar neste texto foi o fato de tais iluminados não terem tido substitutos com o mesmo fascínio e poder para fomentarem nas pessoas o desejo de expandir suas consciências na direção do desenvolvimento mental, espiritual e na direção do viver pelos reais valores da vida. E assim caminha a humanidade. O povo sempre sendo povo e sempre tendo a “necessidade” de ter seus ídolos para admirar. Isso, de geração em geração só o mantém na condição de subordinado como tendo um papel secundário na existência.

                                                                                      Altino Olimpio