domingo, 24 de setembro de 2017

Dispensar pensamentos





O pensamento, ele pode estar ao nosso favor ou contra nós. Diariamente é contra porque ele é uma profusão de lembranças que nos invadem a qualquer hora sem mesmo querermos. Quando queremos pensar num fato, apenas num fato específico, outros fatos diferentes, alheios ao fato que queremos pensar nos surgem como intrusos para nos distrair e nos atrapalhar. Dando guarida a eles, seguindo-os, às vezes até nos esquecemos do fato que de início quisemos refletir sobre ele. Distrair-se assim é falta de concentração. É o desperdício de a consciência perder-se em devaneios.

Acontece vivermos numa época considerando a época anterior melhor. Principalmente se ela esteve mais romântica e mais repleta de fatos que são agradáveis para relembrar. Muitas pessoas se queixam de que nestes dias as atrações agradáveis se tornaram ausentes e que as atrações existentes não são convincentes. Os presentes para elas mais são intercalados com as lembranças do passado. Se lembrarem do que e de como foram não condiz com suas situações atuais. Um sentimento de vazio parece existir nesses seus dias sem emoções. Revivendo seus passados todos se sentem como se estivessem assistindo o filme de suas vidas como se fossem os protagonistas principais. Isso lhes confere um grau de importância na vida.

Mas, a importância que alguém sente sobre si é igual às importâncias que os outros sentem também (risos). Contudo, quase todos vivem dominados pelos seus pensamentos. Aqueles que lhes aparecem na mente “sem querer” e a qualquer momento.  Segui-los é “cair” em divagações. É o mesmo que se ausentar do presente. É distrair-se da atualidade enquanto a mente divaga por onde a memória a leva, comumente para fatos já ocorridos e alheios aos momentos do presente. Dissipar os pensamentos para situar a consciência no estado presente não é fácil. Entretanto, refutá-los imediatamente um a um quando eles surgem e com isso “levado à prática diária”, com o tempo eles podem ser reduzidos a poucos ou mesmo a nenhum. Isso, pelo menos, pelos instantes quando se quer desobstruir a mente de pensamentos improducentes que só servem para preenchê-la sem ter propósitos fora dela.

Com a prática citada acima de excluir pensamentos, isso corrobora com a tranquilidade de viver. Quem já experimentou esse estado de ausência de pensamentos bem sabe da paz que tal ausência produz. Se não há pensamento não há tristeza e nem alegria, não há saudade, não há necessidade de precisar de algo para se entreter, se não há pensamento fica-se mais presente no presente. São nos presentes que temos contato com a nossa realidade, embora, eles sejam furtivos. Distrair-se nos pensamentos que são de lembranças é querer conviver com o que não mais existe.   

                                                                          Altino Olimpio

















quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O mundo e a humanidade




Existe o nosso mundo e a humanidade. O mundo é real e a humanidade é a realidade vivendo de irrealidades. Decepciona como ela se apega às incoerências. Para os seres humanos o mundo é apenas o chão pra eles pisarem. Eles com suas soberbas pensam ser especiais e que o mundo “foi criado” apenas para o desfrute deles. Seres humanos são criaturas que morrem, mas, o mundo não! Morrem mas parece que não morrem. Isso porque, como dizem, haverá um julgamento, um acerto de contas com o responsável por suas existências. Então, para ser julgado é preciso existir “de algum modo” (risos). Quanto a quem é mais importante ou real, se a humanidade desaparecer o mundo continua a existir. Mas, se o mundo desaparecer como a humanidade irá permanecer? Ela poderá permanecer na esperança de futuramente serem viáveis as viagens interplanetárias antes da terra se “desesterrar” (risos).

Várias vezes, como se sabe, já especularam datas para o fim do mundo. Todos que especularam sobre a morte do mundo já morreram (risos) e ele continua maravilhoso mesmo suportando em sua crosta os lunáticos que viviam no mundo da lua e se transferiram para cá. O mundo é quem é o dono da natureza. Os homens “não são donos de nada” e só se apropriam do que ela produz. De vez em quando ela fica zangada e parece que gosta de se vingar, provocando epidemias, tufões, tornados, terremotos e etc. Entretanto, o mundo nunca vai acabar. Ele é o palco para os homens e as mulheres representarem suas fantasias e ilusões enquanto a grande plateia que, com qualquer coisa se sugestiona, as imita para se fantasiar e se iludir também com o mesmo jeito de viver que para muitos convém.

Porém, os habitantes deste mundo evoluíram e há esperança para a terra ser um paraíso (risos). Antigamente muitos eram unânimes em dizer que as mulheres eram rivais entre si por causa dos homens como entre si viviam em disputas os homens por causa delas. Agora já se vê mulheres com mulheres e homens com homens andando de mãos dadas pela cidade, e isso é uma indicação de que parece estar no fim à rivalidade entre as mulheres e a disputa por elas entre os homens. A lei da física de quando forças diferentes se atraem e forças iguais se repelem não é mais parâmetro para os de agora, já não poucos “novos” relacionamentos humanos.
                                                                                   Altino Olimpio

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O desprendido





Lembro-me de quando ainda era criança e de quando meu avô materno veio visitar minha família lá no Bairro da Fábrica de Papel de Caieiras.  Homem simples do Sítio do Castanho pertencente ao Município de Jundiaí, ele veio caracterizado mesmo com sua simplicidade. Com camisa comum, calça com o cinto por fora dos passadores e... O mais surpreendente, ele veio descalço. Assim “apresentável”, primeiro ele embarcou num trem na Estação de Várzea Paulista (Jundiaí) da Estrada de Ferro Santos a Jundiaí (Hoje, CPTM, Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e ao desembarcar na Estação de Caieiras, a seguir embarcou na “Maquininha” (trenzinho) do percurso Caieiras ao Bairro da Fábrica. Nessa lembrança de criança, ainda continua na minha memória o fato de minha mãe muito ter gostado da visita de seu pai, mas, também, “nada ter gostado” de vê-lo descalço e tão à vontade como se fosse normal alguém caminhar pelas ruas sem a “proteção de couro” para os seus pés. Afinal, o que a vizinhança poderia dizer sobre ela e o pai dela? O que iriam falar sobre os pés desprotegidos dele (risos)?

Agora, mais ou menos sessenta e cinco anos depois, lembrando-me daquela visita do meu avô, não como crítica, mas, sim como elogio, o velho era um caipira autêntico, desses que não se vê mais. Nem é preciso escrever aqui que ele foi um homem despretensioso e honesto. Ele, José Anselmo do Amparo, casado com a Patrocina Rodrigues do Amparo, minha avó, ele era de poucas palavras. Vestia-se como queria e não se importava se alguém se importava com o modo dele se vestir. Hoje quando vejo muitas moças trajando calças de jeans rasgadas nos joelhos sendo a moda com que a moda se acomoda e se amolda em rasgos e desfiados, fico pensando se só o meu avô era caipira só porque a ninguém ele imitava (risos). Quanto a ele ser de poucas palavras, ele já havia aprendido o que parece que mais ninguém aprendeu: Abrir a boca e falar só quando é necessário. Nestes tempos, muitas pessoas falam, falam, falam e tanto falam mesmo que nada haja para aproveitar (risos). Naquele dia da visita do meu avô, na volta para o seu sítio eu fui com ele e lá fiquei por oito dias, mas, isto seria para contar numa outra ocasião.

                                                                                  Altino Olimpio

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

As primas Meneghini Olimpio





No ano de 1959 estive num piquenique com umas amigas da Vila Cresciuma num sítio que ficava numa entrada à direita da então “reta do vovô” da antiga Estrada Velha de Campinas, local este, entre Caieiras e a Vila da Fazendinha que pertence ao Bairro de Perus. Fomos até lá “embarcados” num velho ônibus pertencente ao (se me lembro) Diogo Alarcon que o alugou para as amigas naquele dia. O sítio era conhecido como “Sítio do Ubaldo Meneghini”. E foi quando ouvi esse nome pela primeira vez. Muito tempo depois fiquei “mais ou menos” sabendo quem foi o Senhor Ubaldo e seu parentesco com parentes meus.

Em 1972 estive presente na cerimônia de um casamento na Cidade de Mauá. Quem se casou naquele ano foi a Antonieta, filha do casal Guilherme e Rosa Olimpio, pais também do Toninho, Maria, Natalina e Aparecida. Passados quarenta e cinco anos só agora no feriado do dia sete de setembro de 2017 estando em Santo André com o Wiliam, filho da saudosa Neusa Olimpio me reencontrei com as primas Antonieta, Cida e Natalina. Como fiquei sabendo melhor, a tia Rosa faleceu meses depois do casamento da Antonieta, o Tio Guilherme faleceu um ano depois e o primo Toninho, novo ainda, faleceu aos cinquenta anos de idade de infarto. E nesse reencontro com as primas é que fiquei sabendo quem foi o Senhor Ubaldo Meneghini. Aquele que foi dono daquele sítio donde eu e as amigas estivemos para um piquenique e também onde, para fazer gracinhas para elas, puxei o rabo de um cavalo que estava lá e ele me deu um coice. Lembro-me da risadinha “amarela” que esbocei para disfarçar a dor que senti nas pernas (risos).

Ubaldo Meneghini foi o tio das minhas primas porque ele foi irmão da Tia Rosa Meneghini, a mãe delas. Como soube por elas, o avô delas e pai do Ubaldo, o Giovanni Meneghini foi quem construiu aquela famosa e mesmo saudosa ponte sobre o Rio Juquery conhecida como “ponte de madeira” do Bairro da Fábrica de Papel. O Ubaldo trabalhou na Indústria Melhoramentos de Caieiras e foi chefe de máquina de papel. A sua irmã Rosa também lá trabalhou e foi chefe da seção “Sala de Escolha” donde só trabalhavam mulheres. E, talvez, foi lá quando iniciou o namoro com o Guilherme Olimpio (nascido em 1908) que naquela época também trabalhava na fábrica de papel. Filho de Vicente e Jovina Olympio (italianos), ele tinha os irmãos Vitorio, Alberto, Ernesto, Maria, Yolanda e Antonio Olympio (o cambuquira). Outra irmã, a Anita, casada com o Senhor José Guilarduci, aos 17 anos de idade ela faleceu em 1928. Desses irmãos, hoje, só a Yolanda esposa do saudoso Nine Caldo continua viva lá em Coritiba onde mora e já se aproxima dos cem anos de idade.

No reencontro com as minhas primas também se falou dos “Massimelis” de Caieiras. Curioso perguntei porque eles também eram parentes delas. Elas disseram que uma tia delas, irmã da Rosa mãe delas e irmã do Ubaldo tio delas, a Madalena Meneghini que se casou com o Senhor Ernesto Massimeli tiveram os filhos Américo, Renato e o Raul. Por isso é que eles também foram primos das minhas primas Maria, Natalina, Cida e Antonieta. Elas também são primas da Jurema Olimpio Dela Torre, do José Olimpio (Zinho) que vivem em Caieiras. São primas também da Alice Olimpio Molo de Perus e de Walter do Amparo Olympio que mora na Lapa. Outra prima, a Lilinha mora em Coritiba. E, na tarde e na noite, isto é, das quatorze até as 21,30 horas, de um feriado de quinta-feira o dia esteve muito agradável e muito divertido na companhia das primas que há muito tempo não as via. Até me prepararam uma surpresa. Elas ouviam um programa de rádio de Caieiras de quando eu era o locutor. Elas me ouviram a falar com uma ouvinte (Yolanda da Silva) sobre aquele manjar branco que antigamente, em casa, só se comia no Natal (risos). E não é que elas prepararam um bem delicioso para mim, ou melhor, para mim e para o Wiliam? Puxa-vida! Até esqueci que era o dia do Desfile da Independência.

                                                                              Altino Olimpio

















quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Em tempo o reconhecimento




Iguais para tantos casais, o tempo a passar faz com que os dias e os anos sejam apenas de repetições. Aquele viver já sem surpresas, aquele viver apenas por viver, aquele viver conformado do nada mais ter a desejar, aquele viver do “apenas mais um dia que se passou” e sem expectativas de que os amanhãs sejam diferentes, são os conformismos que a passagem do tempo impõe. Costuma acontecer quando os casamentos perduram por muito tempo. Eles deixam de serem os “casados são eternos enamorados” daquela antiga propaganda de consumo para o dia dos namorados. Comum mesmo é aquele amor de outrora se transformar em amizade entre os cônjuges. Às vezes até em inimizade (risos).

Ele esteve no velório da esposa de um amigo e com o que lá viu e ouviu a “carapuça” lhe serviu. O amigo ao lado do caixão em que estava à esposa era o desespero a desabafar sobre sua perda. Inconsolado falava como se fosse para si mesmo: “Minha querida eu fui tudo pra você e você não foi tudo para mim, porque, distraído de você mais eu vivi para mim mesmo, para o meu trabalho e para minhas “coisas”. Perdoa-me, perdoa-me...” Esse remorso do amigo o fez pensar como também com ele ocorria à mesma coisa. Fanático pelo trabalho, no seu emprego era dado a ficar depois do expediente para se dedicar às horas extras e por isso só voltava tarde para casa. Em casa sua atenção mais era devotada ao vício de se informar com os noticiários sobre futebol. Passeios, entretenimento com a esposa estavam cada vez mais esporádicos. A rotina de sempre era que sempre prevalecia.

Depois daquele velório, como se tivesse despertado da inconsciência de seu viver egoístico e da falta da mais atenção e de mais consideração que deveria conceder à esposa, ele, surpreendentemente resolveu mudar de comportamento. Resolveu passar mais tempo com a esposa chegando mais cedo em casa. Conversou mais com ela, dedicou-lhe elogios como ela nunca tinha ouvido dele. Sendo mais atencioso e carinhoso propôs-lhe que deveriam passear e viajarem para aproveitarem mais a vida. Ela, então, não estava acreditando no que estava acontecendo. E, se beliscava para saber se estava mesmo acordada e não sonhando (risos). E o casal se viu tão feliz que ela retornou a sentir o interesse de se vestir melhor, para sempre ficar apresentável e desejável para agradá-lo. Pelo link abaixo se ouvirá o exteriorizar da felicidade do casal. Não sei se esta história aconteceu com alguém, mas, bem que poderia ter acontecido como também poderá acontecer com os casais que, infelizmente, deixaram de ser casais para serem apenas “colegas do lar” (risos).


                                                                                       Altino Olimpio




terça-feira, 5 de setembro de 2017

Claro que reclamo



Versos de quando estive controverso

Foi quando reencontrei uma amiga (saudosa hoje) e muito conversamos.
Depois lhe escrevi os versos abaixo, isso em 1991. Muito tempo passou e tudo mudou. Às vezes ainda escrevo versos, não mais os controversos.

Claro que reclamo

Donde vim
É incerteza
Nasci assim
Na natureza

Num panorama
Todo preparado
Assim induzido
Fui enganado

Para a natureza
Só apetece
A reprodução
Da espécie

Feliz ou infeliz
Ou o que conforta
A natureza
Não se importa

A vida, dizem
É comédia
Ao contrário
É tragédia

A mãe e o filho
Que eram meus
Dizem agora
Que são de Deus

A mãe partiu
Saudades ficaram
O primogênito
Mataram

Ninguém nota
Se me martirizo
Oculto as lágrimas
Nos sorrisos

Três tesouros
Ainda possuo
Responsabilidade
Que continuo

Minha desforra
São os lamentos
Poluo a atmosfera
Com tormentos

Não quero mais
Aqui não volto
Se reencarnar
Eu me aborto

Da nossa amizade
De lá do passado
Foi mesmo surpresa
Ter-te reencontrado

Pela sua
Postura
A minha
Assinatura

Altino Olimpio







domingo, 3 de setembro de 2017

O veado do Monjolinho





Muito tempo já se passou e isso fez com que muitos fatos se tornassem esquecidos, mesmo por quem esteve direta ou indiretamente envolvido com eles. Sem mais delongas e indo direto ao que interessa, quando eu ainda era garoto na “cidadezinha” de Caieiras e com minha mãe ia do Bairro da Fábrica caminhando a pé entre as matas até o Bairro do Monjolinho para visitar minha Tia Sinhá, irmã de minha mãe, um fato me ficou na memória. Nunca soube como o meu primo Oswaldo, o filho da Tia Sinha havia raptado da mata próxima donde ele morava, um veado ainda filhote. Ele levou o ainda pequeno animal para casa e o prendeu num pequeno espaço cercado e coberto de madeira que havia no quintal. O quintal ficava do outro lado da rua defronte a casa donde ele e a tia moravam e onde ela tinha a sua horta bem sortida, que, se estendia até um córrego de lá.

O tempo foi passando e na vez em que vi aquele animal aprisionado num espaço pequeno, restrito demais para ele, eu o vi crescido e enorme. Se me lembro e se não me engano, ao ficarem sabendo desse fato, membros da diretoria da Indústria Melhoramentos de Papel daquela época, sem muito insistir pediram para o Oswaldo libertar o animal e devolvê-lo para a mata. Mas, ele “turrão” como era não atendeu ao pedido. Coitado daquele animal que nunca mais “conheceu” a liberdade de viver na natureza. Talvez, por viver encurralado e sem poder se movimentar, ele adoeceu e morreu.

Sempre que se faz alguma é porque existe algum motivo ou razão para se fazer. Qual teria sido o motivo pra manter um animal cativo até ele adoecer e morrer? Será que alguém do Monjolinho daqueles tempos e que ainda esteja vivo, se soube, ainda se lembra desse fato daquele veado infeliz narrado aqui? Para alguns parentes que perguntei se eles se lembravam do fato, quem se lembrou só se lembrou de ter sabido do fato, mas, só isso. Nada acrescentou sobre o veado ou sobre “dono dele” (ambos saudosos), para que, pudessem ser narrados aqui com mais detalhes. Será que só eu fiquei com o veado na cabeça (risos). Mas, eu o vi sim e por isso lembro-me bem dele. Quantas “coisas” que os garotos viam dos adultos que eram para enriquecer ou empobrecer seus condicionamentos para os seus futuros.

                                                                                       Altino Olimpio

domingo, 27 de agosto de 2017

O passado "vive" no presente





Quando me distraio do agora sem querer vou embora para o passado. E assim neste presente “revivo” momentos que existiram e deixaram de existir como tudo do e no mundo deixa de existir porque ele é do “devir”, um conceito filosófico de Heráclito de Éfeso que, no século VI a.C. disse que nada neste mundo é permanente, permanentes são apenas as mudanças e as transformações. O passado não existe no mundo. Presente e futuro também não. Passado, presente e futuro são somente divisões psicológicas do tempo engendradas pelos homens enquanto o mundo prossegue alheio à humanidade circulando e transladando ao redor do sol.

Mas, embora não tendo existência para o mundo e nem tendo substância para os homens, o passado só resiste em ser o que foi somente na mente subjetiva deles, isto é, em suas memórias. E nessa subjetividade os passados são tão diferentes conforme como foram às existências de quem os memorizou e os relembra. Se numa reunião de pessoas com mais ou menos a mesma idade se pedir que relatem tudo o que elas se lembram de suas vidas, nenhum passado será igual a outro. “Existem tantos passados” conquanto sejam os habitantes do mundo e nenhum coincide com outro. Então, o passado é particular para quem o possui (risos).

O tempo é como uma locomotiva a vapor que vai apitando os agoras e soltando fumaças para trás (os presentes que se evaporam). O mundo e o tempo, eles nunca param. Entretanto, o que parou num devido tempo enquanto ele continuou a passar indiferente com as imaginações humanas foram os conceitos ainda não identificados como reais. Desde então, “separados do devir” que tudo transforma e tudo modifica, tais conceitos continuaram imutáveis, imodificáveis até estes tempos. Eles não são do presente, mas estão sempre presentes (risos). E o passado não existe porque já existiu e o tempo faz com que muitos de nós já fiquemos passados para atuar nesta época tão presente de tecnologia prognosticando um futuro cada vez mais complicado para se viver.  

                                                                                       Altino Olimpio

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Parque da Água Branca





Mas nem em casa se consegue se refugiar dos barulhos provenientes dos seres humanos empesteados de ruídos insuportáveis. O cachorro do inquilino da casa ao lado fica preso num cubículo e por isso, abandonado durante o dia ele emite “latidalmente” sua revolta de viver em cárcere.  Só resta mesmo sair de casa e ir para qualquer lugar. Felizmente o ”qualquer lugar” foi ótimo: o Parque da Água Branca que fica próximo â estação de trens da Barra Funda  com uma das entradas sendo pela Avenida Francisco Matarazzo 455, São Paulo. Que lugar sensacional! Primeiro destaca-se o adorável e meditativo silêncio. Depois, o frescor com que as árvores e bambus gigantes promovem naquele lugar. Lá por aonde se vai se tem a companhia de muitos galos coloridos e bonitos e galinhas que ficam à solta ciscando na terra e cacarejando promovendo uma atração agradável.

Passeando pelo local por entre os antigos prédios de estilo normando, admirando os peixes ornamentais coloridos dos tanques d’água abastecidos pelas águas das nascentes existentes, visitando locais donde vários cursos são administrados, inclusive o de violão e etc. logo me deparei com o ouvir de uma música. Ao seguir o som dela cheguei até onde estava havendo um baile. Fiquei do lado de fora observando através de uma janela o interior daquele salão repleto de pessoas idosas e descontraídas numa dança animada e envolvente. Pensei em entrar no salão para ver mais de perto aqueles dançarinos, mas, pensei que, talvez, a entrada fosse proibida para menores de oitenta anos de idade.

Conforme fiquei sabendo, os bailes animam quem quiser participar deles nas terças, quintas-feiras e aos sábados das treze às dezessete horas. Deduzi que todos aqueles frequentadores sejam impotentes. Impotentes para praticarem qualquer maldade contra quem quer que seja ou para se envolverem com as violências que hoje tanto assusta quem sai de casa para se descontrair. Entretanto, o Parque da Água Branca é uma boa opção para quem quer fugir da rotina de seus dias enfadonhos, porque, estando lá entre galos e galinhas qualquer preocupação se dissipa. E assim vivi uma tarde apenas comigo mesmo e o “apenas comigo mesmo” é muito mais confortante.

                                                                                   Altino Olimpio

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A vida como ela é e não é


    
  

Sempre fui cheio de querer saber
Se a vida tem alguma razão de ser
Ou que seja só para viver por viver
Se o existir tem algum propósito
Ninguém sabe ao certo
Nesse viver tão incerto
Sei que criaram muitas respostas
Mas todas são apenas apostas
Certeza mesmo é que se morre
Nada existe que nos socorre
Viver pode ser mesmo um acaso
Da gente só existir num prazo
Quando ele se esgota
Não adianta sentir revolta
É o fim de todo o nosso acúmulo
E sem ele vamos para o túmulo
Pra que se levar a vida tão a sério
Se o nosso fim é lá no cemitério
A morte é apenas aquela fronteira
Onde deixamos as nossas besteiras
Acumuladas pela vida inteira
Ridículo como as incertezas
São aceitas como certezas
Iguais aos fatos improcedentes
Sem realidades correspondentes
O meu estar “cheio de querer saber”
Já sumiu antes de eu morrer
A vida não é só aquela beatitude
Que faz feliz e ilude a juventude
Ela não é aquele mar de rosas
Dito por quem só gosta de prosa
Muitos ainda não têm a noção
De que a felicidade pode ser ilusão
Que só existe no desejo de desejá-la
Só sei que com tanta palhaçada
A vida é mesmo muito engraçada
E eu fico sempre dando risada
De quem não sabe de nada
E pensa que sabe de tudo
Mesmo sem ter qualquer estudo
A vida é boa só pra quem vive à toa
Sem responsabilidade e compromisso
Num viver de egoísta e de omisso
Mas não sei se na vida existe algum propósito
Só sei que o mundo é um imenso depósito
Pra tanta gente que sempre sente e pensa
Que basta apenas viver e só isso já compensa

Altino Olimpio









 











sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Mundos em crise





Nesta época de tantas tribulações o mundo se vê num “mato sem cachorro”. Por aqui no Brasil o problemão está na Previdência Social. Por quê? Porque logo vão existir muito mais inativos aposentados do que trabalhadores ativos, estes que, com suas contribuições sustentam com numerário a previdência para que ela “sustente” os seus inativos. No outro mundo também existe crise. Consultando pesquisas, embora elas não sejam exatas, fica-se sabendo que sempre nasce mais gente do que morre. O prejuízo é muito maior do que o lucro. O prejuízo é a quantidade insuficiente de espíritos para reencarnarem nas pessoas que sempre nascem ou renascem.

Por isso, parece que, nasceram muitos sem espírito (alma). Sem essa “essência” espiritual o ser humano só comete erros que venham a prejudicar outros. Por “falar” em erros, quase todos nós já sabemos que, os políticos que legislam as leis para nós e... Puxa-vida, estes dias sem sol e nublados são tão “chatos”...  É preciso tomar algum cuidado, porque, eles podem induzir quem pensa e escreve a pensar e a escrever muitas besteiras.

                                                                                 Altino Olimpio

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A droga da felicidade





“Próxima estação Vila Aurora. Desembarque pelo lado direito do trem. Cuidado com o espaço vazio entre o trem e a plataforma”. Esses dizeres vêm da gravação de uma voz feminina que ressoa em todos os vagões do trem sendo ensinamentos valiosos para o “Jardim da Infância” habitado por passageiros adultos. Eles evoluíram, pois, seus brinquedos atuais são modernos e tecnológicos. Até parece que ficam hipnotizados fitando seus pequenos aparelhos contendo vários nomes como: Smartphones, tablet, iPhone, iPod e etc. Nos vagões dos trens, com tantos adeptos dessa última “onda” de aprisionamento de mentes, o silêncio deveria prevalecer, mas, não. Sempre um ou outro distraído fica falando (gritando) pelo seu aparelho como se estivesse em sua casa e como se quem o estivesse ouvindo do outro lado da comunicação eletrônica fosse meio surdo.

Hoje, embarcar nos trens de subúrbio é uma higiene mental. Não se têm mais pensamentos próprios preocupantes. Pois, outros pensamentos vindos de outros e aos berros são mais importantes, como: Água gelada e água de coco, guaraná, amendoim salgado, amendoim doce, batata frita, chocolate, balas finas, pen drive, fone com microfone e etc. tudo vindo de um “desfile de modos” dos que alardeiam seus produtos para vender enquanto caminham pelos espaços entre os assentos laterais dos vagões do trem. Ninguém se desagrada com aquela voz feminina gravada e desconsiderada que diz “O comércio ambulante nos trens é proibido. Não incentive essa prática”.  E não é que os tais ambulantes quase já estão sendo em maior quantidade do que a quantidade dos usuários que diariamente se utilizam dos trens? Que bom! Monotonia nunca mais (risos).

Mas, voltando aos aparelhos tecnológicos acima citados, observando quem distraído se utiliza deles em público, parece que todos são e estão muito felizes e até obcecados por eles. Isso me lembra do livro “Admirável Mundo Novo” escrito pelo saudoso Aldous Huxley em 1931. Trata-se de uma ficção sobre como no futuro os seres humanos iriam ser amansados pelo Estado, ou, sistema governamental. No livro trata-se de como a sociedade do futuro iria abolir, anular seus valores como o da família, o da religião, o da privacidade, o da dúvida, o do amor, o da insatisfação e etc.

Todos os cidadãos seriam expressamente controlados pelo Estado... ... Cultura, entretenimento, trabalho, relações sociais e etc. e quando alguns desses valores deixassem de significar algo para alguém, então, chegaria à hora de dar-lhe para ingerir o “Soma”. Um comprimido maravilhoso que elimina qualquer insatisfação, e só tem o efeito de causar felicidade. Será que “os somas” desta época seriam esses trecos que absorvem as consciências de quem se utiliza deles, como, o telefone celular com sua multiplicidade de recursos para distrações, incluindo a distração pelo facebook das redes sociais?  

Só sei que já pediram adeus para as crianças e para sempre as brincadeiras de rua, o “brincar de roda”, o bater peteca, o pular corda, o brincar de piques, o brincarem de casinha, o brincar de rodar pião, o jogo de bolinhas de gude, trocar figurinhas e tantas outras brincadeiras que desapareceram do cotidiano infantil, substituídas que foram pelo êxtase que proporcionam esses aparelhos ultramodernos de comunicação e de distração. Para a alegria dos pais as crianças com três, quatro ou cinco anos de idade já são “veteranas” na arte de lidar com esses apetrechos eletrônicos desta atualidade. São de causar inveja para aqueles mais velhos, adultos que não se adaptam a essas tecnologias modernas. Entretanto, o trem do progresso da ciência da humanidade sempre vai descobrindo e inventando novos “somas” para ela ser feliz mesmo se estiver numa situação infeliz.

                                                                                       Altino Olimpio

sábado, 12 de agosto de 2017

Brasileiro é tão bonzinho



Existem alguns (muitos) lugares escolhidos para serem “pegadinhas” para quem é distraído e iludido, cuja distração faz muito bem à nação. As existentes placas de sinalização de “50 km. por hora” (ou mais ou menos) nos trajetos para os condutores de veículos, parece que elas fazem desconfiar que logo possa existir em algum lugar um radar que os esteja esperando para dar-lhes “boas vindas”. Para mais ou menos dez metros antes e para mais ou menos dez metros depois do radar, isto é, por mais ou menos vinte metros é preciso manter a educação que se tem sobre o transito. Entretanto, depois de se passar pelo lugar traiçoeiro a boa má educação pode retornar prosseguindo pelo trajeto desenvolvendo velocidades superiores as “exigidas” pelas placas sinalizadoras, pois, nada mais há para flagrar quem está a rodar longe do radar que só fica num lugar escolhido para arrecadar dos traídos, aqueles que se esquecem de trafegar devagar. Lembrando, é o povo quem elege quem os vai administrar administrando-o com o azar para ele ser pego pelo radar (risos). E o nosso povo nunca fica a reclamar, vive para tudo aceitar e até nos faz lembrar aquela bonita e engraçada atriz Jacqueline Myrna que com sotaque francês dizia no programa “Praça da Alegria” que “brasileiro é tão bonzinho”. Mas,  não é como muitos dizem que “ele é tão bobinho”. Se for, então... ...

                                                                                           Altino Olimpio

sábado, 5 de agosto de 2017

Os príncipes desencantados





Naquele sonhar acordado da juventude o viver das mocinhas é na esperança de encontrarem os príncipes encantados. Com os mocinhos a esperança é de encontrarem as princesas encantadas. Quando eles aparecem para elas e elas aparecem para eles, tais desejos da mocidade são realizados. É na juventude que as ilusões têm mais facilidade de encontrarem suas vítimas (risos). O amor ataca os jovens indefesos e eles ao invés de combatê-lo se submetem a ele. Com o amor fervilhando em suas veias e se apossando dos instintos, os príncipes e as princesas se tornam as volúpias até desesperadas. E assim eles namoram naquele “te amo tanto e sem você não poderei mais viver”. E nessa paixão arrebatadora eles prosseguem até ao casamento e junto ao altar da cerimônia religiosa eles juram o amor “até que a morte os separe”.

Na lua de mel e no primeiro ano do casamento os príncipes continuam a ser príncipes e as princesas continuam a ser princesas nas volúpias ainda em vigor.  Mas, com o passar do tempo, com a vinda dos filhos e com as situações desfavoráveis com que a vida possa surpreender, as princesas se esquecem de que existiam príncipes nas suas juventudes e também os príncipes se esquecem que existiam princesas. Pois, já perceberam que são apenas homens e mulheres simples, casais enfrentando as agruras da vida. Com as tribulações da vida e com o tempo a passar, as belas aparências se modificam. A esposa olha pro marido e pensa: Coitado, como ele envelheceu e ficou feio. O marido disfarçadamente olha pra esposa e pensa: Coitada, como ela envelheceu e ficou feia. Isso é só pra pensar e nunca se deve falar ou escrever sobre o desmanche fisiológico de alguém (risos).

Sempre é o tempo tão inimigo que cruelmente e inevitavelmente conduz a todos para a dissolução de suas atratividades. Mas, e aquela volúpia principesca daquele amor da juventude que fim levou? Felizmente a terceira idade, que, como dizem é a melhor idade, ela na vaidade disfarça a verdade com que a realidade desfaz a felicidade da mocidade. Esta crônica tão agradável e até romântica para ler, mais do que antes, vai me conquistar mais simpatizantes. Mas, se alguém ao ler aqui se zangar, eu desminto o que está escrito dizendo que ninguém envelhece, ninguém fica feio, ninguém fica com o rosto enrugado e nem fica com aquela barriga que sempre chega primeiro em todo lugar por aonde se vai. Entretanto, a vida é bela... Enquanto ainda se é jovem e se é inconsciente dela. Porque depois... Quando a idade avançar... Nem é bom pensar no que ela pode nos preparar.

                                                                               Altino Olimpio


Mundos opostos





Existem dois mundos diferentes. Um é o do povo trabalhador e o outro é o da política. O mundo do povo sustenta o mundo da política e o mundo da política que só se sustenta não sustenta o que promete para o povo. Mas, felizmente, não atrapalha a alegria do pão e circo que existe para o mundo do povo.  E este que vive sem regalias, amestradamente elege quem vai ter as regalias que ele nunca terá. Isso é o altruísmo do dar sem querer receber.

Entre esses dois mundos, o mais atrativo é o mundo da política. O mundo do povo assiste ao mundo da política como se ele fosse repleto de artistas, cujas atrações “contagiantes” seus galãs diariamente as interpretam em jornais, em estações de rádio e em canais de televisão. O mundo da política não assiste ao mundo do povo, pois, este é desprovido de artistas e de atrações que possam interessar e por isso ele fica sem assistência. Outras diferenças só existem neste planetinha movido pela “liberdade, igualdade e fraternidade”, cujas “práticas” possam ser contidas por aqui.

                                                                                       Altino Olimpio   

                                                                                       










domingo, 30 de julho de 2017

O homem e suas limitações



 
As realidades passam apenas de “raspão” sobre nossas cabeças e na verdade nenhum ser humano vive na plenitude ou inteireza “das percepções” das realidades que compõem o mundo mesmo ao nosso redor. Conforme dito pelos cientistas protagonistas do filme “Quem somos nós?”, sendo um documentário científico: “O cérebro humano processa 400 bilhões de bits de informação por segundo, mas, só tomamos conhecimento (só nos conscientizamos) de 2000 bits. E esses 2000 bits são sobre o que está ao nosso redor, nosso corpo e o tempo. Vivemos em um mundo onde só enxergamos a ponta de um imenso iceberg de mecânica quântica. Isso significa que a realidade está acontecendo em nosso cérebro a todo o momento, mas nós não a integramos”.
Quem se utiliza de computador já está familiarizado com essa medida denominada de byte que é múltiplo de bit, e Kb, Mb, Gb e etc. que são múltiplos de byte. Muitas vezes ouvi dizer que nós só utilizamos dez por cento do cérebro. Se a capacidade dele for só até mais ou menos de dez por cento (como dizem) de sua utilização, isso é devido à forma com que nós, seres humanos somos constituídos. Pode ser que esses mais ou menos dez por cento de alcance de nosso cérebro já seja o suficiente para o que necessitamos conscientizar para o nosso viver.  
Muito do que existe à parte de nós “não nos é conhecido” pelos nossos sentidos objetivos: Visão, audição, tato, paladar e olfato. Eles são intermediários entre o nosso cérebro e as nossas percepções exteriores. E, é no cérebro que são realizadas as identificações do que percebemos. Também, “não nos é percebido” o que interiormente são partes de nós, como, a circulação do sangue, o metabolismo ou digestão e etc. Até dizem que o homem é o eterno desconhecido de si mesmo. E também, nunca sabemos quais serão os pensamentos que nos surgirão durante o dia. Mais são eles aleatórios do que controlados pelo nosso querer.
Sabe-se que à parte de nosso estado consciente, “outras coisas existem” que ultrapassam o nosso poder de percebê-las. A eletricidade, por exemplo, ninguém a percebe ou a vê correndo através de fios. Entretanto, como existem outras coisas além das que nos são perceptíveis, isso reforça a crença de existir também outro plano de existência além da física ou metafísica. Admitir fatos quando não há realidade correspondente, isso talvez corresponda ao que o Voltaire escreveu: O estudo da metafísica consiste em procurar num quarto escuro um gato preto que não está lá (risos).
                                                                       Altino Olimpio