terça-feira, 25 de julho de 2017

Deus nos livre dos parentes





Um homem da cidade grande, numa surpresa recebeu em sua casa um primo do interior, um sitiante que há muito tempo não via. Mas, ele tinha um compromisso muito importante: Uma recepção na casa do governador. Ao se desculpar para o primo que precisava se ausentar, ele explicou aonde ia. O primo demonstrou vontade de acompanhá-lo, mas, ele recusou dizendo que aonde ele ia o primo não poderia ir. Lá, disse ao primo, os maiores figurões da cidade e da política estarão presentes e você ficará sem ambiente, ainda mais que você tem um linguajar muito comum e mesmo vulgar e poderá me comprometer, me envergonhar. Entretanto, tanto o primo do interior insistiu para ir também dizendo que nunca tinha ido a esses lugares de gente fina e influente e se ele fosse também, ficaria calado.

O primo da cidade cedeu diante daquela insistência e promessa daquele parente de que ele nada faria ou diria que pudesse comprometê-lo. Até emprestou um traje adequado para o primo ir com ele. E lá foram eles para o palácio do governo. Que luxo, quantas madames sofisticadas, quantos comestíveis nunca vistos e saboreados pelo rapaz humilde do interior. E ele esteve se portando muito bem. Sendo parte de conversas, mesmo sem quase nada entender, ele só ouvia, assentia ou negava quando percebia que era preciso, mas, apenas com meneios de cabeça. O primo da cidade que esteve numa vigilância constante sobre ele começou a sentir remorso ao pensar que seu primo era um grosso e vulgar que só falava besteiras. Como ele estava tendo um comportamento exemplar, resolveu parar de vigiá-lo e assim despreocupado deixou-o sozinho numa conversa entre algumas mulheres e foi pra outro lugar conversar com outras pessoas.

Mas, estando à distância, ao olhar para onde estava o primo do interior ele viu que as mulheres que estavam com ele, apressadamente e resmungando se afastaram dele. E ele sozinho ficou sentado numa cadeira com uma cara de bocó. O primo cidadão correu pra lá para saber o que havia acontecido. Já nervoso descontrolado perguntou:
--O que você fez? O que você falou ai para que aquelas mulheres se retirassem daqui? Se você falou algo impróprio, você vai ver, você vai...
--Não fiz nada! Elas até gostaram de mim. Disseram que sou um belo rapaz e muito educado. Depois, a conversa aqui foi sobre veneno de matar rato. Aquela mulher do cônsul disse que na casa dela apareceu um rato e assustou todo mundo lá. Daí a esposa do governador falou que ela sabia de um veneno muito forte e era só colocar no buraco do rato e o rato logo morre. E eu só perguntei pra ela, se ela mesma segurava o rato ou se pedia para alguém segurá-lo para que ela colocasse o veneno no buraco dele. Foi só isso! Não sei o porquê delas saírem bufando daqui.

--Oh mente poluída, santa ignorância, caipira de merda. A esposa do governador esteve se referindo a algum buraco existente em algum lugar da casa onde o rato se esconde e era onde ela colocava o veneno. Burro! Burro! Ela não se referiu ao buraco que o rato tem debaixo do rabo.
--Calma... Calma primo. Não fique zangado comigo. Como é que eu iria adivinhar que era noutro buraco? Ela não explicou!
--Nunca mais vou te levar para onde vou. Você só me envergonha.
--Também não quero mais ir com você. Vir aqui de lá do mato para ouvir falar de buraco de rato? Eu hein? Nunca mais. Hoje mesmo volto pro meu sítio. Lá tudo é natural e não tem buracos confusos como tem por aqui.

                                                                                Altino Olimpio












 
  

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Reina paz entre os dois mundos





No Brasil existem dois mundos diferentes. O mundo do povo inculto, iludido, submisso, cúmplice e o mundo da política. Este, bem mais promissor, mas, apenas entre os políticos. O mundo da política atravessa como quer a fronteira entre esses dois mundos e faz o que quer com o mundo invadido. O mundo do povo, amante da tolerância e do futebol como é, nunca ultrapassa a fronteira entre eles para não perturbar os desmandos (abusos) do mundo da política. Se houvesse uma guerra entre esses dois mundos, o mundo da política venceria porque no mundo do povo, além de desarmados, quase todos são desertores (risos).

Democracia, essa padroeira do mundo do povo é quem favoreceu o criar e o manter do mundo da política “vivo”. Se no passado o mundo do povo colonizou o mundo da política, este, mesmo sem revolução (só armado com ilusão) conseguiu sua independência. Esses dois mundos só e sempre se irmanam em época de eleições e é quando os políticos se apresentam para o povo como sendo honestos e com os melhores projetos para melhorar o mundo do povo. Os meios de informação (mídia) totalmente imparciais orientam com precisão de acerto o povo para votar em candidatos dignos que possam melhor administrar os dois mundos que existem no Brasil. Depois das confraternizações, ou melhor, depois das eleições, cada qual (políticos e povo) retorna ao mundo que lhe pertence e voltam a ficar no “cada um na sua” conforme suas habilidades. Os políticos cuidando dos políticos e o povo cuidando de deixar tudo na mão de Deus.

                                                                                       Altino Olimpio

                                                                                        









domingo, 23 de julho de 2017

A banda da ilusão



O conhecido compositor Alberto Luiz, com suas letras de músicas, às vezes segue uma trajetória para “chamar a atenção” de como as ilusões sempre permeiam as nossas vidas, embora, sejam imperceptíveis enquanto na alegria e na euforia elas (as ilusões) estão sendo vividas. Uma das composições do Alberto, a Balada Nº 7 escrita para homenagear o famoso jogador de futebol Garrincha e gravada pelo cantor Moacyr Franco começa assim:

Sua ilusão entra em campo num estádio vazio
Uma torcida de sonho aplaude talvez
O velho atleta recorda as jogadas felizes
Mata a saudade no peito driblando as emoções...

Cadê você, cadê você, você passou
O que era doce, o que não era se acabou...

Essa música provoca uma lembrança triste em quem se lembra e gostava do jogador e constata que o que é passageiro e não perdura é ilusão. “Os seres humanos também são passageiros e não perduram, então...” (risos).

Outra música composta pelo citado compositor chama-se “Banda da ilusão” cantada pelo cantor Ronnie Von. Na música, banda é a vida significando que depois que se nasce não tem como se fugir da vida. Quando ele canta “São tantos instrumentos pela vida e essa gente distraída vai levando sua cruz. Tem uns que tocam tudo e outros nada. Vai tocando nesta estrada quem não toca não traduz... É a lei de a vida tocar pra não morrer...”. Os “tantos instrumentos” (da banda) podem representar as tantas passagens pela vida, sendo que muitas desiludem e deixam suas marcas ou dissabores (risos). Todos que vivem “tocam na banda”, mas, poucos são dados a refletir sobre ela. Para quem aprecia refletir, o link abaixo é da música em questão. Conforme a “bagagem” (cheia ou vazia, feliz ou infeliz) que cada um tenha da vida será sua reflexão sobre ela. Agradeço ao Oswaldo João Della Betta por ter-me enviado a música, pois, ela me inspirou para escrever estas poucas palavras sobre ela.  


                                                                                Altino Olimpio
                                                                 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

As noites dos ricos



Fala-se muito de justiça divina, mas, pelo que constatamos da miséria que existe no mundo, com muita gente tendo muita dificuldade para se alimentar enquanto outros vivem de fartura, só podemos supor que tal justiça só possa mesmo existir em algum lugar oculto e inacessível para os seres humanos que ainda estão vivos. Depois de vivermos poderemos saber donde ele se localiza para então sermos felizes com uma justiça real e perfeita para todos, muito melhor do que a justiça imperfeita humana. Eu já me encontro ansioso para ficar desfeito e ser elevado a esse lugar sublime.

A vida dos ricos seria bem mais invejável se os pobres tivessem mesmo consciência constante das disparidades entre eles. Mas, eles, prisioneiros de seus destinos, nem tempo eles têm para refletirem sobre isso. Suas vidas são como um martírio diário para poderem sobreviver e abastecer suas famílias. Trabalham e trabalham por muitos anos e ao final quando já estão velhos, para viverem ficam dependendo das migalhas da previdência social do governo. Se eles pudessem xeretar como vivem os ricos... Hoje mesmo por causa de um compromisso precisei seguir por um trajeto entre ruas e bairros onde a pobreza é alarmante. Sem entrar em detalhes, sempre me deparo com pobres em suas sinas diárias, mas, nunca me deparo com ricos, até parece que eles não existem.

Ricos sim são os que têm os melhores entretenimentos. Numa mansão houve o maior primor para receber os convidados para uma festa. Homens e mulheres da mais alta sociedade compareceram. Seus trajares até eram exorbitantes. Lá também esteve um rapaz inebriado com aquele ambiente. Devido algum exagero pelo que consumiu de quitutes e da refeição tão requintada ele se viu na necessidade de ir ao banheiro. Não conseguiu porque sempre todos os banheiros já estavam ocupados. A situação dele foi cada vez mais se tornando insuportável. Ocultamente retirou-se da festa e se dirigiu ao jardim daquela mansão. Lá, sobre o verde da grama e rodeado por lindas flores, às escondidas ele se aliviou do que interiormente o importunava. Mas, quis olhar para o que tinha despejado e não viu nada.

Que estranho, pensou. Eu me aliviei sim, com certeza. Olhou mais atentamente, procurou e procurou e nada encontrou. Será que tudo tão estranho foi causado pela embriaguês? Poderia ter sido sim e assim pensando naquele fato incógnito ele retornou para a festa. E naquele transcorrer entre música suave, bebidas finas e as conversas intelectuais entre os convidados a noite tranquilamente terminou para dar vez ao sol da manhã com todo o seu esplendor. Aquele rapaz ainda inebriado com aquele ambiente para os privilegiados pela vida foi o último a sair daquela mansão. Já estava esquecido daquela sua incógnita da madruga e ao ver um senhor muito simples no jardim, o jardineiro, e ele querendo demonstrar simpatia com o próximo, sorridente cumprimentou aquele senhor:
--Olá, Bom-dia, lindo dia, não?
--Bom-dia uma ova. Se eu visse o FDP que cagou encima da tartaruga eu o mataria. Coitada, ela já é bem velha e doente e teve que ficar andando pra cá e prá lá com aquele peso fedido sobre ela.
--Ah é? Nossa! Quem teria feito essa maldade e...
Na revolta do jardineiro ficou desfeita a incógnita vivida pelo rapaz durante a madrugada. Ainda bem que aquele caso insólito teve solução para ele. Com ou sem tartaruga as noites dos ricos são muito mais elegantes e deliciosas do que as noites dos pobres. Para estes as noites só servem para eles dormiram e para se esquecerem de suas rotinas diárias e enfadonhas.

                                                                                      Altino Olimpio
    

domingo, 16 de julho de 2017

Cocheira e política



Dizem que o nada ter a fazer, isso atrai lembranças que a gente ao se lembrar pode sentir prazer. Num dia assim vazio de necessidades me vi “vendo” a casa donde nasci lá no Bairro da Fábrica da Indústria Melhoramentos de papel do município de Caieiras. Meu olhar interior mais se focalizou no terreno, ou melhor, no quintal daquela casa. Como também era nova, construída em 1942, ela fazia parte da inesquecível Vila nova, embora se localizasse mais abaixo, na rua que ia dar numa outra vila, a Vila Leão. O quintal com uma leve subida era comprido. Terminava na cerca lateral do quintal da família do Senhor Amadeu Lucieto. Ele construía bacias, tachos, balde de lata vazia de óleo e etc., tudo bem soldado e resistente contra ferrugens. Já naqueles tempos de minha juventude ele também consertava rádios e por isso, tinha o apelido de Marconi. Só não sabia se ele os escutava depois que os consertava porque ele era surdo. Todos daquela Vila Nova o conheciam bem.

Não é sempre que cito nas crônicas o nome de alguém conhecido porque o dono deste Jornal “A Semana”, Senhor Edson Navarro, ele me enche o saco dizendo que é uma falta de respeito incluir nomes de conhecidos em crônicas, cujas histórias sejam ridículas ou vulgares. Numa ocasião lhe enviei uma crônica e logo ele me telefonou me admoestando:
--Você está louco?
--Eu? Louco por quê?
--Você escreveu “a cocheira do Hilário”. Seu burro! Certo é a cocheira do “cavalo” do Senhor Hilário. Por favor, não me crie complicações.
--Puxa-vida! Desculpe, nem me “toquei” sobre isso. Corrija, por favor.
Mas, ele não corrigiu e depois dessa conversa fiquei a pensar que a bronca foi descabida. Eu estava certo e não ele. Naqueles tempos em questão, todos daquele lugar, quando falavam daquela cocheira, falavam “a cocheira do Hilário” e nunca, repito, nunca falavam ‘a cocheira do “cavalo” do Hilário’. Também, quando o Senhor Hilário vendia ou ficava sem cavalo por uns tempos, a cocheira ficava vazia. Então se ele estava sem cavalo na cocheira, isto é, se a cocheira estava sem inquilino, então, ela só poderia ser a cocheira do Hilário. Mas, o Senhor Edson nunca iria entender isto.

Depois desse desabafo explicativo sobre quem tinha razão, se eu ou o Senhor Edson Navarro no entender de quem era a “cocheira do Hilário” (risos) fui mentalmente invadido por pensamentos úteis para a nação. Eu teria sido um advogado famoso para defender na “justiça” de hoje políticos vagabundos, corruptos, bandidos, ladrões e eles ficariam livres para continuarem com suas políticas de cocheira. Em outras eleições eles até poderiam ser reeleitos porque muitos eleitores domesticados apreciam e admiram os coices ladroeiros que o país recebe deles. Se algum político fosse acusado de possuir uma cocheira de luxo através de falcatruas, eu com minha lábia de advogado de defesa (com a argumentação igual a da cocheira do Hilário), eu contestaria “provando” que “uma cocheira sem cavalo não pode ser cocheira do cavalo” (risos).

Mas, voltando aos meus pensamentos sobre o lugar e na casa donde eu vim ao mundo sem querer e podendo me arrepender, no fim do quintal que terminava na cerca do quintal do Senhor Amadeu, meu pai vivia plantando bananeira. Mandioca e batata doce também. Lembrei-me de quando com um saco eu ia lá pra cima desenterrar, catar mandioca e batata doce para minha mãe e enchia mesmo o saco e eu voltava da horta com o saco cheio. À noite, diariamente depois da “Hora da Ave Maria”, a partir das dezenove até as vinte horas, quase todos daquele lugar “desligavam seus rádios” para não atrapalharem o programa “A Voz do Brasil” criado em 1935 denominado depois como “A Hora do Brasil” que era um programa nacional sobre política. Contudo, agora já está na “Hora do Brasil” reconquistar “A Voz do Brasil” que ficou muito tempo calada e por isso, “deu no que deu”.

Sem nada ter pra fazer o cérebro fica a se remexer no seu retroceder na memória e o agora fica sem sua hora para estar no presente que fica ausente da atualidade que sem novidade é um estado para se voltar ao passado e com ele parecendo criança se brinca com as lembranças que ainda estão na mente sem ser demente e que a gente guarda porque agrada na vida e ela se parece com novela embora com capítulos sem títulos assim com início e o fim quando a nossa sorte é a morte e então... Nossa! Esqueci do que estava “dizendo”. Ah, era sobre cavalo, cocheira, mandioca e políticos. Nada de interessante. Então é melhor eu me zarpar daqui.  Preciso arranjar alguma coisa pra fazer, senão, minha mente pode se poluir mais.

                                                                                        Altino Olimpio

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Nós e os espíritos



 

Muitos anos se passaram depois daquele dia de quando eu ainda era “domesticado” igual a outros para assistir televisão. Naquele dia num programa de televisão com auditório repleto, muita propaganda se fez para aguardar o final quando uma personalidade já famosa iria ser entrevistada e depois iria transmitir uma mensagem importante. Tanto se anunciou durante o programa que o Brasil inteiro aguardou, até mesmo com impaciência. Chegando o momento, o aguardado entrou no palco, foi muito aplaudido e logo foi entrevistado. Depois ele sentou-se numa cadeira por detrás de uma mesa ou de um balcão. Colocou uma das mãos na testa para melhor se concentrar como se fosse para receber mensagens insólitas e assim de olhos fechados começou a falar. Falou, falou, tanto falou e não disse nada (risos). Terminando, até foi aplaudido de pé pelo auditório. Eu de casa assisti com muita atenção e aprendi a admirar as evasivas, elas são a melhor opção a ser utilizada para quem não quer ou não sabe o que dizer.

Muito tempo passou até estes tempos, pois, recentemente li parte de um livro psicografado (Ação e Reação) por aquele daquele dia (Chico Xavier) em que o vi na televisão. O livro lhe fora “ditado” por um espírito famoso também (André Luiz). É sobre a Mansão Paz, uma casa de auxílio espiritual para orientação dos desencarnados. O instrutor lá é um espírito de nome Druso. O interessante do livro, conforme descrito, é que lá o tempo, os lugares, as construções com suas repartições e etc. são como são aqui, inclusive, a conversação entre os espíritos. Não tem muita diferença. Como aqui na terra existem muitos doentes encarnados, lá na Mansão Paz os doentes são os desencarnados.

Lembrei-me de um casal que esteve aqui em casa. Sobre uma carta que alguém daqui da minha região psicografou (sem eu pedir) sobre uma mensagem do meu filho (só baboseiras) a mulher me disse que houve outra carta e nesta dizia que meu filho estivera num hospital espiritual para tratar do ferimento a bala que o matou. Surpreso eu perguntei a ela: Puxa-vida, então a bala atingiu o espírito também? Não me lembro do que ela respondeu. Mas, seria bom que políticos não morressem, porque, sendo espíritos eles poderiam “novamente se elegerem e poderiam criar crise nos hospitais espirituais cortando-lhes a verba e os desencarnados ficariam sem meios para tratarem de suas saúdes.

                                                                                     Altino Olimpio

terça-feira, 4 de julho de 2017

Reencarnação seletiva





A lua cheia com seu brilho de prata lá no alto do céu iluminou a clareira donde estava uma aldeia indígena. Parecia que ela tinha olhar e com ele fixo na aldeia e nos índios ao redor da fogueira, era como se ela fosse à proteção deles. No escuro da mata que contornava a aldeia, aves noturnas com suas sonoridades se comunicavam indiferentes aos índios, que, confabulavam aquecidos pelo calor da fogueira já quase em brasas fumegantes. Aqueles índios de selvas tão distantes em seus modos rústicos de viver sem terem contato com a civilização ou com os “civilizados”, vivem conforme seus parcos recursos permitem. Vivem da pesca, da caça, e evoluíram até o aprender a plantar milho e mandioca. O nudismo parcial ou mesmo total deles é comum entre eles sem existir-lhes preconceitos. São poucas as opções para seus entretenimentos.  É um viver bem precário.

Contrasta muito com o viver dos civilizados. Estes têm a disposição tudo o que se possa imaginar sobre alimentação, sobre entretenimentos, sobre instrução, sobre a ciência tecnológica, que, sempre se atualizando, lhes facilita o viver sem ter muito empenho físico e exaustivo em seus trabalhos diários. E, lá na selva distante, nada disso existe para tornar mais fácil a vida dos indígenas. Eu, nesta idade que cheguei me critico por não saber quase nada da vida. Confesso ter inveja daqueles que sabem muito e estão sempre aptos a esclarecer as dúvidas dos outros. Por isso sempre preciso fazer perguntas para outros responderem e me esclarecerem. Quando penso na reencarnação, gostaria de saber como é lá no alto a escalação ou seleção para quem vai reencarnar. Existi alguma preparação espiritual para os espíritos reencarnarem? Ou eles retornam pra cá como foram pra lá?

Quem nasce índio é porque está na primeira encarnação? Se já não é a primeira, reencarnar como índio não seria involução? Coitados, o mundo deles é sempre simples, precário, limitado, sem progresso, modernidade... Enquanto o mundo dos civilizados... Até parece injustiça reencarnatória... Uns reencarnam no mato e muitos outros reencarnam na cidade (risos). Quem civilizado gostaria de se reencarnar como um índio da mata? Comparando-se com os índios, os civilizados até que vivem num paraíso. Mas, não todos. Atualmente muitos “civilizados” estão sendo crucificados pelo povo e pelos noticiários como sendo ladrões. Até parece que estou vendo Jesus falando para vários deputados e para alguns presidentes: Amanhã mesmo estarão comigo no paraíso. 

                                                                                        Altino Olimpio


  



sexta-feira, 30 de junho de 2017

O homem e a sua razão



 

Muitas “coisas” que existem, “existem” apenas durante as explanações ou descrições sobre elas, mas, na prática... Muitas pessoas em suas explicações afirmam o existir de fatos sem nunca tê-los vivenciado, sem tê-los provados ou comprovados para elas mesmos. Faz parte da humanidade se perder em suposições ao invés de se manter em posições sobre fatos que possam ser avaliados pela razão. A “razão” é a razão para que os homens vivam em verdades. Mas, a razão dos outros (risos) pode preocupar, pois: “Não há nada no mundo que esteja mais bem repartido do que a razão: toda a gente está convencida de que a tem de sobra” (René Descartes).

Para o homem, sua razão (consciência) tem razão de ser apenas enquanto aqui ele vive no mundo. Enquanto aqui, ela não consegue abarcar e entender fatos e situações outras, que, “poderiam” existir depois da morte. Quando o homem “apenas acredita” no seu pensamento e nos argumentos de outros relativos à “sobrevivência” depois da morte, antes de acreditar nela, se ele preza pela autenticidade deveria considerá-la sendo apenas uma possibilidade se ele não tem como se certificar de sua veracidade, como outros que também não têm como. 

Muitas “coisas” não existem para muitos. Não existem para aqueles que apenas vivem suas vidas simples sem se importarem “com o algo mais que possa existir” além de suas percepções sensoriais objetivas. Se eles nunca pensam e nunca se lembram de Deus, “Deus não lhes existe”, embora, possam dizer que Ele existe. Para aqueles que pensam e sempre se lembram de Deus, “Deus lhes existe”. Simples, não? Nós é que criamos na mente a “realidade” dos fatos ao aceitá-los como verdades conceituais, inclusive se eles forem sobrenaturais ou transcendentais. Sendo assim, o acreditar no que existe ou não existe, se for importante e se for mesmo necessário pra se saber, para se viver, cada qual com a conceituação (razão, consciência, experiência, discernimento) que possui é quem deve decidir se acredita ou não. Mas, acreditar quando é desnecessário acreditar...

                                                                                    Altino Olimpio  




domingo, 25 de junho de 2017

A morte nunca se aposenta





Dos sessenta aos oitenta anos de idade, e mais, para qualquer pessoa às vezes lhe vem os pensamentos sobre a proximidade da morte. Voltar a “não ser nada” inquieta muito quem ama viver, quem tem apego pelos bens possuídos e pelas pessoas queridas de sua vida. Lembrar que logo e para sempre ir-se deste mundo é inevitável causa uma sensação de insegurança, desamparo, frustração por querer e não poder continuar a viver. As pessoas aproximadas dos seus fins não costumam confidenciar para seus entes queridos seus pensamentos sobre eles. Aqueles devaneios de quando elas pensam na morte enquanto pensam também em quem tanto gostam e vão ter que deixar. Tais pensamentos e os sentimentos tristes que despertam quase nunca são comunicados para quem quer que seja. Eles ficam retidos no âmago dos sentimentos compondo a privacidade deles.

Quem sempre viveu num lugar pequeno e conheceu a todos do lugar, presenciou como eu presenciei a partida de muita gente conhecida. Caieiras, município donde nasci era um encanto devido à convivência familiar e comportamento exemplar com que viviam os seus moradores. Os anos foram se passando e muitos foram morrendo. Ao se conversar com alguém sobre a rua, vila ou bairro do pequeno lugar donde eles moraram sempre surge à constatação: Todos de lá morreram e agora são saudades. Muitos de seus descendentes também. Os ainda vivos já estão com idade avançada e eles também logo... Inclusive eu. Quando se é informado que mais um descendente conterrâneo morreu, os outros ficam com “uma pulga atrás da orelha” (risos) ao pensar se não serão os próximos escolhidos para deixarem este mundo, pois, eles até brincam dizendo que já estão na fila para serem retirados daqui (risos).  

É na idade avançada que nós refletimos mais sobre a vida. Lembramos de tudo o que quisemos ser e ter. Quantas ilusões.  Tivemos a vida para ser vivida e muitas vezes até esquecemos-nos dela pelo “querer ter para melhor poder ser”. Na velhice quando mais nos lembramos de viver a vida e ainda queremos continuar a viver, nossos corpos já corroídos pelo tempo até nos tornam indiferentes com aqueles “nosso ter e nosso ser” na vida. “Um ancião é uma grande árvore que já não tendo nem frutos nem folhas, ainda está presa a terra” (Voltaire). Os velhos quando mais ficam restritos dentro de suas casas é porque já estão esperando a morte. Por todo o sempre a “morte sempre vive” entre nós para nos aterrorizar. Ela é responsável pela limpeza da humanidade (risos) e ninguém consegue escapar dela. E você leitor, presume que ainda falta muito tempo para ser varrido por ela (risos).

                                                                                          Altino Olimpio



quinta-feira, 22 de junho de 2017

Palanques das ilusões





Ao ouvir uma música da cantora brasileira Fafá de Belém “me vi no passado” quando ela estando num palanque, com toda emoção cantou o nosso Hino Nacional. Foi na época (1983) em que políticos e muitos brasileiros, estiveram reunidos num movimento contra o governo militar conhecido como “diretas já”. Tal movimento foi para requerer a volta da democracia com eleição direta, votação popular para presidente. Eleição direta não houve porque em 1984 a eleição para presidente foi indireta vencida pelo então Tancredo Neves, um civil que morreu antes de assumir a presidência. Naquela época o povo descontente com o governo militar esteve exigindo o retorno da democracia, na esperança que ela fosse a “salvação” para o Brasil melhor ser governado, ser mais bem administrado.

A primeira das eleições diretas depois do regime militar foi em 1989. Continuaram assim, “democraticamente” até 2014. Quem ainda se lembra daquela época do governo militar e do posterior regime democrático pode fazer comparações sobre os dois regimes. Em qual dos dois a corrupção teve avanços inimagináveis? Em qual dos dois o povo teve mais liberdade no ir e vir? Qual dos dois regimes sofreu o escândalo de ter no governo seus membros cúmplices com assaltantes do erário? Qual dos dois regimes criou mais impostos para o povo? Qual dos dois regimes facilitou mais a perversidade de termos no poder membros que no passado praticaram crimes? Qual dos dois regimes mais permitiu o existir da quantidade absurda de partidos políticos e etc.? Por que será que hoje tem muita gente desejando intervenção militar?  Eu gostaria de saber (risos).

Nunca se sabe do futuro, isto é, nunca se sabe se um ato pensado ser bom praticado numa época (diretas já) não venha depois em outra época ser utilizado para favorecer os “fora da lei”, àqueles envolvidos em política que encontraram facilidade na democracia para cometerem seus crimes de lesar a pátria. Voltando na lembrança daquela cantora simpática e sempre risonha e com emoção cantando no palanque o Hino Nacional do Brasil para milhões de pessoas, me veio na imaginação o hino agradando também aos comunistas que estavam exilados e retornaram para consolidar a nossa democracia (risos). Por “falar” em palanques, no passado eles foram muito utilizados para comícios. Muitas vezes eles suportaram o peso de servir para os propósitos de homens compromissados com as verdades, com a honestidade e com a missão de promover benefícios para a sociedade. Não poucas vezes foram sós promessas e os palanques serviam de palco para parte do povo se entreter com as ilusões de melhorias. Antiquados, eles desapareceram para a mídia prevalecer substituindo-os, ela sim, sendo a maior promotora de ilusões.

                                                                                    Altino Olimpio


                                                                         

quarta-feira, 21 de junho de 2017

A solidão bem-vinda





Nesta época e no progresso mental e espiritual “a que nunca chegou” à humanidade, parece que ela aprimorou a sua miséria intelectual. O homem, essa criatura complexa sempre tende a complicar e abusar das normas consideradas corretas de se viver em sociedade. A política é vítima de tantas distorções, e elas produzem o caos no país e seu povo é quem sofre as consequências. Na “arte” as aberrações dominam. Nos programas de televisão a imoralidade parece conquistar mais a audiência. Já disseram que as músicas refletem o nível mental do povo nas épocas em que elas são compostas. Pelas autorias das músicas e de seus ritmos desta época em que muitos a adotam, então, dá pra perceber um retrocesso para a falta de gosto. Hoje as pessoas se tornam confusas com tanta divulgação sobre fatos que não lhes interessam e só aborrecem. Pela internet muitos expõem seus indisfarçáveis vazios existenciais e o pior, a hipocrisia reina nos agradinhos e elogios entre pessoas carentes de notabilidade. Já se dizia que tudo “está um angu de caroço”, isso, para indicar como está a “evolução” do povo.

Conforme a situação exposta acima, convenhamos, está cada vez mais difícil o relacionamento entre as pessoas. Muitas foram invadidas por tantos “mesmismos” que, por antecedência já se adivinha sobre o que elas querem conversar. Entretanto, existe uma vantagem nisso. Pra quem gosta e tem tempo disponível, com elas se pode jogar muita conversa fora. Talvez seja por causa da idade, mas, quando estou com outros ouvindo suas “conversas tão importantes” (mas só pra eles) sinto muita saudade de quando fico isolado na solidão. E a solidão é o reencontro do homem com ele mesmo. Na solidão nós somos nós mesmos e podemos “ouvir” os próprios pensamentos e não os dos outros. Na solidão não precisamos daquela “máscara” feita pela expressão facial (ás vezes até sorridente) que se usa diante de outros para disfarçar o nosso desprazer pelos seus assuntos triviais, banais. Para aqueles que a solidão é sofrimento, a culpa pode ser deles mesmos ao se julgarem superiores aos demais por querê-los distantes. Solidão não é sofrimento quando ela é opcional. Ela é bem-vinda quando se quer ter momentos próprios com pensamentos próprios e sem interrupções. Mas, ela não é para qualquer um. Não é para aqueles que não se gostam e sozinhos não se suportam (risos).

                                                                                    Altino Olimpio

terça-feira, 20 de junho de 2017

Transformações psicológicas





Tudo o que nós fomos e nós somos está dentro de nós. O que nós fomos, o que vivemos (fatos de nossas vidas) não é alterado. Continua na memória conforme ocorreu no passado. São lembranças de fatos até com imagens do que nos ocorreu outrora. O que nos ficou gravado permanece como quando ocorreu e não se altera. Isso se chama passado. O que “somos” é que tem se alterado conforme novas experiências da vida foram se acrescentado ao nosso viver. Quando jovens éramos ingênuos e sem experiências. Com o passar do tempo fomos nos modificando com novas experiências, estudos, profissão, trabalho, percalços no viver, perdas ou ganhos, casamento e etc. e assim nos tornamos adultos. Deixamos de ser aquele “nós somos” da mocidade, para sermos aquele “nós somos” de agora como adultos.

As épocas de festividades do Natal eram fatos do que “fomos” que não se altera, continuam firme na memória. Lembro-me bem daquele enfeitar da “Árvore de Natal” para o Dia de Natal (risos). As árvores para tais ocasiões eram originais e não artificiais como as comercializadas de agora. Muitas bolas coloridas de vidro, outros enfeites e até bombons eram amarrados nos galhos da árvore ficando-lhes pendentes, brilhando e se destacando da cor verde dela. Tudo era para aguardar a vinda do Papai Noel com seus presentes, principalmente para as crianças da casa donde a árvore fora enfeitada. Passado o Dia de Natal, só depois do Dia de Reis, dia seis de janeiro, a árvore poderia ser “desmontada”. Os enfeites ficavam guardados para o ano seguinte e a árvore... Coitada, ia pro lixo e desaparecia para sempre.

Os homens quando adultos se arvoram como sendo realistas, não mais sendo ingênuos como ingênuas são as crianças. Eles deixaram de acreditar em contos de fadas, em sereias, e também no Papai Noel inventado por eles mesmos para enganar as crianças. Mas, como uma árvore para o Dia de Natal precisa de enfeites, eles também precisam de enfeites para viver. Não lhes basta viver a vida sem ter acessórios. Enfeitam-se psicologicamente com o que podem para suas vidas não serem vazias e sem objetivos. “Enfeitam-se” com evolução mental e espiritual, com religião, com filosofia, com espiritismo, com esoterismo e etc. Nas suas mortes, tudo isso, psicológico como é, talvez, só continue por aqui neste mundo na mentalidade humana, igual aos enfeites de árvore de Natal que permanecem existindo e os homens desaparecem como desaparecem as árvores do Natal. Tais acessórios se acompanham os homens em seus desaparecimentos é “garantido” pela credulidade de cada um. Eles fazem parte do que “nós somos” agora, diferentes do que “nós fomos” outrora.

                                                                                       Altino Olimpio



  

   

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Desilusão



Como nestes tempos
É triste ser brasileiro
Vendo o meu país
Cheio de trambiqueiros
Nossos políticos então
Muitos são tão sem graça
Que mais são a desgraça
Para esta nossa nação
Tendo político tão ladrão
Muitos estão numa lista
Considerados comunistas
Enganam até a família
Dizendo ser da democracia
Tantos são tão astutos
Para serem tão corruptos
Nunca sentem vergonha
Por viverem de barganha
E como são traidores
De tantos de seus eleitores
Já nem sei se são minoria
Que não sejam da maioria
Se às vezes são delatados
Por serem mesmo safados
Nem sempre são cassados
Podem até ficarem presos
Não mais se fica surpreso
Se algum juiz considerá-los
Inocentes para solta-los
A mídia aponta os deslizes
Praticados por alguns juízes
Quando os julga errados
Tendo-os como desajuizados
Já falaram que em absolvição
Alguns violam a constituição
O enganado sempre é o povo
Sempre ele é que é o bobo
Aqui não é mais aconchego
É a crise do desemprego
Pra milhões é só desespero
Culpa de governo traiçoeiro
O Brasil parece estar perdido
Pelo existir de tanto bandido
Piores são aqueles de terno
Parece que vieram do inferno
Sempre estão de gravata
Para exteriorizarem bravatas
Algumas mulheres do Senado
Às vezes com humor enfezado
Protegem com muita emoção
Quem já devia estar na prisão
Que vergonha para o Estado
Os empresários safados
Compram até deputados
E isso já foi comprovado
Conforme já foi divulgado
Tudo estaria para se discordar
Se algum dia o povo acordar
Com mais força para reclamar
O Brasil para sair dos atoleiros
É preciso convocar brasileiros
Que sejam honestos e decentes
E impedir ladrões presidentes
Sempre reclamar é uma batalha
Para se livrar dos canalhas
O que até agora tem acontecido
Para o povo é imerecido
E ele muito se sente traído
Ele vive agora desiludido
De ter acreditado em partidos
Partidos políticos repartidos
No absurdo de serem abundantes
Por isso nos são decepcionantes
Parece que representam o papel
De uma moderna Torre de Babel
Já os assisti pela TV do Senado
E pela da Câmara dos deputados
Felizmente por lá têm coerentes
Mas nem todos os expoentes
Preocupam-se com as verdades
O que exibem são suas vaidades

Altino Olimpio







  










quinta-feira, 15 de junho de 2017

Em Brasília vivem os donos do Brasil



Às vezes parece que um bem aprecia bem um mal. As empresas de seguro de vida, seguro contra roubos e etc. fornecem indenização contra danos de propriedades. Então, talvez, elas até simpatizem e muito, com os bandidos que roubam automóveis, porque sem esses “benfeitores” delas, elas seriam desnecessárias para “proteger indenizatoriamente” os donos de veículos roubados. O seguro contra roubo é o bem e o roubo de automóvel é o mal necessário (risos) Isto é um exemplo do bem precisando do mal para melhor poder existir. Agora ao contrário, muitas vezes o mal para poder existir é que precisa do bem quando o bem é bem trouxa. Aqui o “mal” é perfeitamente representado pelos políticos que são comprovadamente bandidos e corruptos e parece que não são poucos, e o “bem”, ainda bem, é representado aqui como sendo os eleitores que por bem elegem muito bem seus maus candidatos. Se o povo que vota em bandido e corrupto fosse pra cadeia (risos e mais risos) este país seria mais decente sem eleitores ingênuos e inconsequentes. “Diga-me em quem vota que direi como tu és”.

Já nos divertimos com o bem e com mal, mas, agora vamos nos emocionar com o que é bom e é verdade (até parece rsrsrs). Neste nosso país não existe “profissão política”. Política como profissão é quando o político sempre quer se reeleger para ser “empregado” do governo até morrer. Felizmente no Brasil não é assim. Aqui um político cumpre os anos de seu mandato, cumpre sua nobre missão e não tenta se reeleger. Presidentes também não tentam. Os políticos quando ainda em seus mandatos, eles sabem que muitos brasileiros têm os mesmos direitos de substituí-los sendo mesmo até mais capacitados do que eles. Aqui é muito raro se saber que políticos fiquem por muitos e muitos anos ocupando cargos que poderiam ser preenchidas por outros mais jovens que ainda não estão caducos. Mas, para as eleições nos existem problemas. Todos os candidatos são desconhecidos e nunca cumpriram mandatos. Isso dificulta saber em quem se vota. Isso é culpa dos já muito e por demais conhecidos que, em nome da honra, em nome da ética e pelo manter da reputação não se recandidatam. Isso é muito triste para quem os tinha como ídolos. Acreditem se quiserem, pois, ainda temos quem critica nossos políticos (coitados). Às vezes até são enxotados de locais públicos donde se encontram. Criticar partidas de futebol, tudo bem, mas, que se saibam, os juízes de futebol são os melhores, são os mais honestos e imparciais juízes que nós temos e eles não se corrompem facilmente como outros possam se corromper.

                                                                                        Altino Olimpio




quarta-feira, 7 de junho de 2017

Fraqueza mental humana






O advento do computador com seus programas instalados e pelo adquirir deles pelo público em geral esteve a facilitar o entender de como todos os seres humanos também são sujeitos a serem programados, isto é, serem condicionados desde que nascem. Vivendo inconscientes de seus condicionamentos, de suas “programações” o homem sempre vive sob a obediência deles sem saber. Em tudo o que ele faz e mesmo em tudo o que pensa, o homem é um reflexo de sua consciência que, nada mais ela é do que a sua programação ou seu condicionamento. Seu refletir sobre qualquer fato é ligado a sua memória. Ela é o acúmulo de suas experiências vividas donde ele retira argumentações para as suas conclusões mentais. Suas deduções são conforme sejam as programações a que ele foi exposto no decorrer de sua existência para formar a sua consciência.

Nisso explica-se uma das principais causas da desigualdade humana. Programações diferentes podem resultar em diferentes compreensões sobre quaisquer fatos que concorram para a opinião pública se manifestar sobre eles. A programação ou condicionamento (aprendizado) a que todos estão sujeitos se inicia quando ainda se é criança e no seio da família. Continua na escola, no trabalho, na religião e etc. Deus é o maior condicionamento que existe. Todo o mundo o tem em seus pensamentos. A Mídia seja impressa, irradiada ou televisionada tem muito poder condicionante. Desde sempre, como e quando quiser, ela tem o poder de programar a mente de multidões com sua “formação de opinião”, seja contrária ou a favor sobre qualquer fato que ela deseja interferir e influenciar.

Outro meio eficaz que condiciona ou programa a mente é a leitura de livros. Um dos que mais influenciou (condicionou ou programou) a humanidade foi a Bíblia. Citando Karl Max, considerado o pai do comunismo, com suas idéias reformistas e revolucionárias inscritas em seus livros, também ele foi responsável pelo condicionamento de milhões de pessoas ao redor do mundo tornando-as contra sistemas de governo, principalmente contra a democracia. Quanto a serem programados ou condicionados por quaisquer influências transmitidas, sejam elas sobre política, sobre consumismo, sobre religião, sobre moda e etc. muitos são facilmente influenciados porque lhes falta o discernimento, a cultura e o raciocínio “para recusarem o que lhes seja inconveniente ou inútil”. Resumindo, a fraqueza mental ou intelectual de um povo facilita muito o domínio sobre ele, o adaptar dele sobre as exigências prejudiciais “legais” que lhes são instituídas pelos poderes governamentais do país donde impera a indiferença pelo bem ou mal estar do seu povo.

                                                                                             Altino Olimpio
   

domingo, 4 de junho de 2017

Todos ficam presos na rede





A internet com suas redes sociais, Face book, telefone celular e o moderno aplicativo Whatsapp, estão a demonstrar a “necessidade” que muitas pessoas de hoje têm para se comunicarem. Isso não estaria dispensando cada vez mais as presenças nos contatos mais íntimos de amizade? Ou, por outro lado, as ausências de contatos físicos não estariam sendo compensadas por esses meios atuais de comunicação à distância? Nessa comunicação tão em evidência quando cada um precisa desabafar, precisa ter alguém com quem conversar, não existe aquele “se olhar nos olhos e a aproximação daquele prestar atenção ao que se ouve do outro”. Nestes tempos de tecnologia avançada, muitas pessoas vivem muitos momentos de seus dias substituindo o viver real pelo viver virtual. Mas, o viver virtual tem “existência aparente” e não é objetivo como é o viver real.  

O de agora fantástico viver virtual dispensa o estar de “corpo presente” nos relacionamentos humanos. Ele facilita qualquer um a se comunicar com qualquer um e até faz pensar que não mais se é qualquer um (risos). Basta, para isso, ter “amigos” virtuais através das redes sociais. Isso pode ser entendido como o afastar da solidão? Seria para preencher momentos de ociosidade? Tais conversas, tais mensagens, postagens e comentários pelo contato virtual, seriam mesmo indispensáveis para alguém se sentir importante para si e para outros? Percebe-se hoje uma muito forte necessidade ou carência das pessoas se falarem. Para isso, então, os contatos virtuais surgiram para favorecer conversas até com quem não se conhece pessoalmente, isso, em qualquer hora do dia ou da noite. Lembrei-me do nome de um filme: “Assim caminha a humanidade”. Para o futuro promissor da evolução científica e tecnológica da mui amada trivialidade.

                                                                                       Altino Olimpio