sábado, 30 de dezembro de 2017

Depoimento incontestável




Se você pudesse mudar algo em você mesmo, o que seria?

Pra que pensar nisso se cada um sempre volta a ser o que é (risos).

Quais são as cinco coisas mais importantes na sua vida?

Nascer, crescer, viver, comer e morrer (risos)

Quais são seus principais objetivos na vida?

Agora nenhum, pois, sinto a vida já definida com o como sou e com o que tenho, quase nada (risos)

Qual é o seu trabalho dos sonhos?

Nos meus sonhos nunca me apareceu o trabalho dos meus sonhos, então...

Quanto tempo durou o seu relacionamento mais longo?

Depois de viúvo o último perdurou por doze anos. Ela gostava muito de baile.

Se um gênio lhe concedesse três desejos, quais seriam?

Neste momento... 1- destruir os políticos corruptos. 2- acabar com a violência 3- acabar com as doenças

Se você pudesse se aposentar amanhã, o que você faria mais tarde?

Já sou aposentado e trabalho para não fazer nada até bem tarde.

Se você pudesse acordar amanhã com qualquer superpoder, qual seria?

Sumir da humanidade que enlouqueceu (risos)

Qual foi a coisa mais sortuda que já aconteceu com você?

Talvez ter conhecido a esposa que eu tive.

Qual foi o melhor conselho que alguém já lhe deu?

No emprego de quando eu ainda tinha 14 anos o chefe disse: Aqui nós fazemos fofocas de todo o mundo que conhecemos e ao picotar o cartão para ir embora você esquece tudo, fica de boca fechada (risos).

Ao crescer, qual era o seu jogo favorito?

Futebol de salão que pratiquei até aos 50 anos de idade

Se você pudesse viver em qualquer lugar, onde seria?

Dizem que o melhor lugar é lá no céu, mas não sei como se vai pra lá.

Qual foi o seu melhor aniversário de sempre?

Ah não ligo para essas coisas egocêntricas.

Quando você era pequeno, o que você sonhou de ser quando crescesse?

Ora bolas, ser grande, ser um homem

Qual foi o seu pior emprego?

Foi num escritório de engenharia de um japonês que me tornou “chefe”, mas o meu dever era contar pra ele tudo o que se passava no escritório, inclusive com era a vida particular dos desenhistas. Como nunca contei nada ele tanto me perseguiu que só me livrei dele pedindo a minha demissão.

Que característica secreta você tem?

Secreta nenhuma. Mas tenho a de desacreditar em fatos que não se sustentam.

Qual foi o melhor presente que você já deu a alguém?

Talvez o melhor presente tenha sido a minha presença (risos)

Qual foi a coisa mais constrangedora que aconteceu com você na escola primária?

Agora me lembro de quando falei pra professora no primeiro ano o seguinte: Dona Marinêis o Zé que mijá. E ela respondeu: Menino, não se diz mijá, se diz urinar. Então falei pro Zé: Vai lá urinar Zé. Aproveita e dê aquela mijada.

Existe algo que você sempre sonhou em fazer por um longo tempo? O que o impede de fazê-lo?

O tempo logo passou e não lembro se sonhei com alguma coisa.

 

Se você soubesse que em um ano você iria morrer de repente, você mudaria alguma coisa sobre a maneira que você está vivendo agora? Se sim, o quê?

Não mudaria nada e até lá continuaria com minhas reflexões

Se você pudesse fazer uma viagem de um mês em qualquer lugar do mundo, e dinheiro não era uma consideração, para onde você iria? O que você faria lá?

Iria pro Tibete visitar a Grande Fraternidade Branca que é invisível (risos).

Se você tivesse um dia em sua vida para viver mais, o que você escolheria e por quê?

Escolheria aguardar a morte chegar sozinho sem ter visitas chatas (risos).

Qual você acha que foi a melhor decisão que você fez em sua vida até agora?

Foi livrar-me das ilusões e das abstrações

Se você pudesse mudar alguma coisa sobre a maneira como você foi criado, o que seria?

Nada mudaria porque o como fui criado correspondeu com o como sou agora.

Qual foi a decisão mais arriscada que você já fez na sua vida? O que fez o risco tão grande?

Foi ter nascido com o risco de sofrer por não ter escolhido onde. (risos).

Qual foi o ponto alto do mês passado?

Aqui no Brasil e em São Paulo foi o Pico do Jaraguá

Qual é a coisa que você mais gosta em você?

Depois que conseguir me conhecer eu respondo.

O que, seja o que for, seja demasiado sério para se brincar com o assunto?

Nada considero tão sério que me faça evitar brincar.

Se você estivesse garantido de respostas honestas a qualquer uma das três perguntas, a quem você perguntaria, e o que você pediria?

Não sou de perguntar e nem de pedir.

Se você tivesse que acordar amanhã de manhã ao saber que as manchetes de todos os grandes jornais eram sobre você, o que você gostaria que dissessem sobre você?

Que eu morri sem decifrar os mistérios da vida e que não me encham o saco.

Que qualidades você mais valoriza em seus amigos?

Sou de poucos amigos, mas tenho muitos conhecidos. Valorizo as conversas que dão para aproveitar alguma coisa.

O que você costuma fazer todos os dias depois do trabalho?

Quando trabalhava eu só acostumava voltar para casa.

O que o atrai menos no sexo oposto?

Mulher muito ciumenta e mandona. 

Você gosta de se vestir de forma casual ou formal? Uma boa noção de moda é importante para você?

Sim e não, mas não gosto de usar jeans

Qual é a pessoa em sua vida que você mais admira?

Atualmente nenhuma e não sou dado a ter ídolos.

Que pessoa famosa (morto ou vivo) você admira muito? Por quê?

Lembrei-me agora do Arthur Schopenhauer. Ele esmiuçou o que é a vida

Você gosta de vídeo games?

Não, não e não.

Você é espontâneo ou você gosta de planejar as coisas?

Espontâneo dependendo de que são as coisas (risos)

Você tem alguma memória de infância que o faz sorrir cada vez que você pensa nela?

Sim várias. Mas lembrá-las me vejo como fui um menino travesso.

Com quem você fala quando você está tendo um momento difícil no amor?

Não tenho essa fraqueza quase genérica (risos)

Quando sua parceira faz algo que você não gosta, você diz a ela?

Sou viúvo e não tenho parceira, mas, quando tinha pouco reclamava dela porque deixo as pessoas viverem.

Qual é a sua paixão atual na vida?

Viver tranquilamente sem aborrecimentos, coisas difíceis hoje em dia.

Você é próximo de sua família?

Claro que sou, pois, moro com filhas e netos. Se morasse longe... (risos).

Você é uma pessoa do dia ou da noite?

Mais sou das noites e das madrugadas porque isso evita as interferências dos seres humanos que atualmente só aborrecem quem deseja ficar quieto (risos).

                                                                  Altino Olimpio

domingo, 24 de dezembro de 2017

A fila anda e não desanda





Sou dos tempos passados de quando não se ouvia falar de filas. Agora que me encontro tão passado, por aonde vou sempre me deparo com elas. Existem mais as filas para pagar do que para receber. Parece-me que pra nascer não existe fila. Essa facilidade é para as crianças ao nascerem pensarem que nasceram num paraíso brasileiro e pensando assim não se arrependerem de nascerem. Parece mentira, mas, desde crianças somos enganados, apesar de sermos anjos. Logo o paraíso mentiroso termina e as crianças precisam participar da sociedade. Parece que o meio mais democrático para isso é frequentar as filas. Elas são lentas iguais as filas de carros pelas ruas e avenidas deste nosso país “fila-antrópico”. São lentas para as pessoas conversarem e se conhecerem. Depois que um cientista brasileiro inventou a fila, isso, fez com que aqui não mais exista estranhos.

Felizmente na Cidade de São Paulo existe uma fila que causa inveja por ela se bem rápida. É a fila dos vendedores ambulantes gritantes, falantes e alarmantes dos trens da CPTM. Tal fila vai do primeiro ao último vagão do trem e depois do último ao primeiro. Como se sabe, os brasileiros são os mais educados do mundo e nunca se soube ter existido alguém que tenha furado alguma fila. Eles até deixam passar para frente da fila quando tem alguma criança com uma mulher no colo. Parece que para entrar nas igrejas não tem fila. Gostaria de saber qual é o aplicativo usado para evitar isso. Outro dia passei numa rua e vi uma fila enorme e só de homens. Pensei que talvez fosse por causa de uma amiga. Uma vez eu não quis sair com ela e ela me disse que eu ia me arrepender porque a fila anda.

Outro dia meu primo Edson Navarro de Caieiras me perguntou se eu já estou conseguindo ver o início da fila. Não vejo porque fico na fila batendo papo com os que chegaram antes e, quando às vezes a fila para um pouco eu os empurro pra frente. Aqueles que quase já não conseguem andar direito, eu os carrego no colo e os levo lá no começo da fila. Ninguém reclama e até me aplaudem. Como sou muito sociável sempre saio da fila para conversar com os amigos e conhecidos. Os assuntos sobre hospital, pronto-socorro, médicos, remédios, exames de sangue, pressão alta, planos de doença muito caro e etc. dominam o alto nível intelectual da fila. Bom é quando na fila tem músicos da Orquestra de Parkinson. Eles tocam pandeiros como ninguém e sem se cansarem. Quando eles vão ao banheiro urinar parece que ficam fazendo porcaria individual, mas, não é isso, não.


Certa vez procurei vários amigos e conhecidos para conversar, mas, não os vi. Desapareceram, abandonaram a fila e não avisaram ninguém. O pior é que ninguém mais se lembra deles, nem seus parentes. Também têm os teimosos na fila. Alguns usam bengala, já são surdos e quase cegos, já há muito tempo deixaram de serem reprodutores, mas, urinar ainda conseguem mesmo que, fora do vaso. Tem lugar preferencial para eles e, no entanto eles insistem em ir para o fim da fila. Agora, o mais engraçado, várias mulheres que já se encontram próximas ao início da fila, elas pedem para que outros guardem seus lugares e se ausentam para irem aos bailes.

Um leitor do Jornal “A Semana” de Caieiras quase apanhou na fila. Se não me engano ele tem pós-graduação de hipocondria e por isso pensa que é o tal. Cismou de ser o primeiro da fila e não saia de lá. Por isso, ele parou, atrasou a fila, impediu que ela andasse. Por isso quase apanhou, daqueles mais exaltados que já haviam percebido que quando a vida chega à velhice, desprezados que são pelos mais jovens e às vezes até pelos parentes, eles só encontram consideração, respeito, consolo, amor e carinho vindo dos donos das funerárias. E eles gritaram para o rapaz primeiro da fila: Sai daí, cai fora, você não f. e nem sai de cima!

Na fila tem de tudo. Tem mais de um lá que não quer deixar o que tem por aqui. Um deles, o senhor... Sabe-se quem é ele. Tão materialista como é, ele tem um saco onde guarda documentos de suas propriedades e não larga do saco. Coitado, o saco dele está tão enrugado e já faz tempo que os seus “documentos” perderam a validade. É até comum alguém que nem esteja na fila ser atendido primeiro. Atualmente, eu costumo sair e voltar pra fila. Até sei quem são aqueles que me adoram ver na fila e até ficam torcendo para que logo eu seja atendido. Inimaginável são quantos e quantos já frequentaram a fila da cidadezinha de Caieiras. Agora já não são muitos como antigamente, mas, boa parte dos que ainda restam dos descendentes dos pioneiros já frequentam a fila. Quase todas as semanas se têm notícia de que alguns desses restantes deixaram de serem vistos na fila, pois, suas pendências foram resolvidas, finalizadas para sempre.

Agora numa homenagem cantemos com o Francisco Alves que saiu da fila em 1952 a música a seguir:

Adeus. adeus, adeus - Cinco letras que choram – Num soluço de dor – Adeus, adeus, adeus – É como o fim de uma estrada – Cortando a encruzilhada – Ponto final de um romance de amor

Quem parte, tem os olhos rasos d’água – Ao sentir a grande mágoa – Por se despedir de alguém – Quem fica também fica chorando – Com o coração penando – Querendo partir também – Adeus... ...

                                                                             Altino Olimpio

Walter Coelho
Hoje, 14:54 Você

Amigo Altino,
Dia 22 de agosto eu cheguei quase a ser o primeiro da fila. Um erro de diagnóstico dava como origem das minhas fortes dores na lombar as hérnias de disco. Era a vesícula. Sai da fila e fui para a sala de cirurgia. De lá,  após passagem pela UTI, voltei pro final da fila já sem minha querida Vesícula Biliar.
No dia 29 de novembro outro erro de diagnóstico dava como causa das fortes dores no peito uma inflamação do esôfago.
Não era: eu estava enfartando e enfartei.  Coloquei um “stent” e, recuperado. Fui para o final da fila.
Aqui estou esperando que ela ande bem lentamente e que novos erros não ocorram.


                                                                     




  

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

O despertar para as realidades





Um amigo me enviou um vídeo de um rapaz criticando quem seja ateu. Ele expôs considerações que visavam comprovar a existência de fatos em que ele acredita e os ateus, não. Mas, o rapaz, acredito, ainda não tem o amadurecimento intelectual para se aventurar a confrontar “opiniões” contrárias às dele. Quanto às crenças dele, quando não há comprovação real delas, a imaginação, a opinião e a fé que, são suposições, elas é que “comprovam” a veracidade delas. Alguma dúvida nisto? O amigo que me enviou o vídeo em questão o fez para brincar comigo na consideração que eu seja ateu. Outros também me consideram assim e eu mesmo assim me intitulo quando quero desconversar sobre as hipóteses do cotidiano de muita gente. A seguir minha resposta ao amigo que me enviou o vídeo:

Mas esse garoto de barba... É só parole (palavras) e parole cansativo. Tudo o que ele disse tanta gente já disse para defender suas crenças que ainda são apenas crenças. Como não poderia deixar de ser, para expor o seu ponto de vista ele se utiliza da “restrita e limitada consciência humana”. Se ele possuísse (coisa rara) uma consciência superior as dos demais, ai sim eu lhe ouviria com atenção. Sem dúvida, algo que transcende a compreensão humana está por detrás de tudo o que existe no mundo e na existência dos seres humanos. Mas, esse “algo” não precisa ser exatamente um Deus. Pode ser a força, a energia intrínseca ao universo, seja física ou metafísica que, tudo cria e recria. Entretanto, ainda nunca alguém conseguirá averiguar, focar, apontar e dizer: É isso, é essa “coisa” que constrói o nosso mundo e todos os mundos com tudo o que eles contêm. Para essa “coisa” ser Deus como pensam seria preciso que ela “não fosse sistemática nas suas criações”. Na imaginação humana Deus é um ser pensante, consciente. Sendo assim Ele pode interceder na vida de todos os seres quando julgar necessário. Como não intercede ou interfere dizem que é porque o homem tem o livre arbítrio para resolver os seus próprios problemas. E você, amigo, procure meditar sobre o que pode ser ou não ser para melhor preencher o seu tempo (risos).

E, na contra-resposta o amigo escreveu: Ah, meditei bastante e só cheguei à conclusão de que nada se sustenta. Risos... E esse “nada se sustenta” do amigo serve bem ao propósito para quem sempre duvida do que os homens propõem como certo para os outros. Contudo, a humanidade sempre esteve curiosa sobre “quem fez o mundo” e quem à distância o governa. Os egípcios no tempo do Faraó Amenhotep IV consideraram o sol, “Aton”, como sendo o Deus único. Com alguma razão porque o sol é o mantenedor da vida. Aqui no ocidente os ateus sobrevivem bem sem que lhes exista um Deus, mas, jamais sobreviveriam se o sol deixasse de existir. No Hinduísmo Deus é Brahma (não confundi-lo com cerveja) e no budismo primitivo Ele é ignorado, contraditório para os ensinamentos budistas. Isso não é difícil de comprovar.

Sem qualquer demérito, anteriormente neste texto foi chamado de “coisa” aquilo que contribui para a existência de tudo o que existe. Para a “coisa” que está por detrás de tudo não existe escolhas, preferências, proteção, porque ela não tem os atributos humanos como, pensamento, raciocínio, simpatia, empatia, emoções, compreensão, dó, cumplicidade e etc. para atuar em prol das necessidades deles, os humanos. Para ela é indiferente a importância que possa ter uma formiga, um elefante ou um homem. A coisa está apenas para criar sem estar por detrás de realizar o que suas criações possam querer ser ou ter depois de criadas. Isso é problema delas. Por toda a parte só vemos que é isso o que prevalece. Parece mesmo que o homem só vive com a sua própria sorte e para “o que der vier” (risos).

Entre nós como é de praxe, espera-se que pais de família, chefes de tribos de índios ou presidentes de países, diante de suas lideranças sobre os demais, possam e devam satisfazer as necessidades daqueles que estejam submetidos às suas influências e competências. Isso faz parte do consciente coletivo. Talvez seja donde deriva e reforça a suposição de que também possamos ser protegidos pelos fatores de donde originou a nossa criação.

O homem que é material como toda a matéria existente, ele é constituído por átomos cuja estrutura deles é formada por elétrons, prótons e nêutrons. Como divulgou a ciência, eles são feitos no interior das estrelas, ou, (para melhor aproximação) no interior do nosso sol. Nós, ainda segundo a ciência, somos formados com antigos ingredientes provenientes do universo. Trata-se aqui da formação material do homem. Sua contraparte, digamos, “a vida que anima seu corpo”, ninguém ainda cientificamente conseguiu decifrá-la, isolá-la ou compreendê-la, porque, ainda sendo um mistério, a vida somente existe na forma e jamais pode ser encontrada fora dela. Quando ela deixa a forma (o corpo) isso faz com que ela (a forma) morra ou se desintegre. Quem lendo chegou até aqui e que tenha algum discernimento pode perceber que não pode ser ateu quem reconhece as leis universais ou da natureza que regem as forças ou energias que se combinam para criarem existências, sejam elas humanas ou não.

Neste caso, o ser ateu é apenas contra a ladainha de sempre dos desde sempre condicionados, influencionados por idéias ou teorias que só se sustentam para eles. “É prejudicial aceitar fatos quando não há realidade correspondente e nem acreditar em ‘eventos’ que não se relacionam diretamente com a realidade da vida das pessoas que é vivida em seus cotidianos”. É preciso algum cuidado com o que se acredita, porque, quando a fé entra por uma porta a razão sai por outra. No entanto é a razão que consegue discernir se fatos suspeitos de existirem tenham razão de ser.

Que pai cuidadoso e amoroso pelos homens, tendo onisciência, onipresença e onipotência deixaria de intervir quando um perigo qualquer estivesse a ameaçar seus filhos queridos? Nenhum! Entretanto, talvez, esses atributos inscritos na história como sendo pertencentes a Deus, sejam apenas simbólicos e queiram significar a onisciência, a onipresença e a onipotência das forças ou energias que sempre estão presentes no mundo responsáveis que são pela composição dele e de tudo o que o compõe, inclusive os seres vivos. Terminando, todas as considerações contidas neste texto foram devidas àquela provocação de um amigo citada lá no início de quando ele me enviou um vídeo para assistir.

Uma vez alguém perguntou como aprendi a escrever, inclusive, às vezes, até sobre temas considerados polêmicos. É “inegável” que me interessei e aprendi a escrever pelo menos de maneira objetiva e compreensível, devido à seriedade e a constância com que me dediquei por quase quarenta anos aos estudos fornecidos pela Amorc, iniciais da Antiga e Mística Ordem Rosacruz, cuja sede no Brasil se encontra na Cidade de Curitiba, Paraná. Mas, se neste texto intitulado “O despertar das realidades” algum fato narrado venha a se insinuar como pertencente aos fundamentos da Ordem Rosacruz, isso terá sido mera coincidência.

Se quem escreve provoca reflexões em que lê, então, tal objetivo foi cumprido.

                                                                          Altino Olimpio  





    


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Músicas maravilhosas





Alguém já escreveu que as músicas representam a evolução humana da época em que elas são produzidas. Pensando sobre isso... No bairro em que eu moro, quando vou às compras na avenida perto de casa, ouço sem querer e sou “obrigado” a ouvir as mais belas melodias do mundo provenientes das lojas e das farmácias. Não há mais do que se queixar. O “romantismo” atual veio mesmo para emocionar a todos. O gosto musical acompanha a evolução humana da época. Os compositores dessas músicas românticas e significantes, também. Também quem tem o prazer de ouvi-las faz parte desse progresso mental notável e admirável.

Lembro-me de uma música que foi sucesso devido à letra dela ser bem comovente: “Aonde a vaca vai o boi vai atrás. Mas aonde a vaca vai o boi vai atrás”. Será que ainda produzem maravilhas como esta? Parte do povo brasileiro adere às músicas que se equiparam com o seu humor musical. Parece também que o nível evolutivo de muitos políticos seja igual ao nível agradável das músicas de suas épocas (risos). E nesta nossa época... Parece que não tem mais músicas parecidas com esta: “Que beijinho doce, Que ela tem, Depois que beijei ela, Nunca mais amei ninguém. Que beijinho doce, Foi ela quem trouxe, De longe pra mim. Um abraço apertado, Suspiro dobrado, E amor sem fim. Coração quem manda, Quando a gente... ...” Opa, quem continuou a cantar é porque faz tempo que não é jovem (risos).

                                                                             Altino Olimpio





quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Nosso personagem interior




O famoso e saudoso Charles Chaplin (o Carlitos) que teve êxito em sua vida com o humor de seus filmes e com ótimas músicas de sua autoria, ele nos deixou escrito o seguinte: “Creio que não se pode fazer nada de grande na vida se não se fizer representar o personagem que existe dentro de cada um de nós”. Interessante! Mas, será que os personagens de todos nós teriam o que representar ou apresentar “de grande” para ser útil para a sociedade? Como dizia o saudoso Abelardo Barbosa, o personagem “Chacrinha” dos programas de televisão “aqui nada se cria e tudo se copia”, e isso, tem sido a realidade de todo o passado e será de todos os tempos futuros (risos).

Pelo que deduzo o personagem interior que a maioria de nós tem, mais ele está para representar a servidão aos costumes, as artes e aos inventos produzidos por uma minoria. O personagem que cada um da maioria tem dentro de si mais está para representar a imitação do que a criação. Ela existe em todos os cantos e recantos da sociedade. Basta observar como cada um não se distingue de outros em suas manias de ser, de ter e de fazer.

Aquele personagem interior de que falou o Charlie Chaplin tem que ser especial e não comum quanto ao comum das pessoas, cujos personagens seus lhes sejam comuns iguais. Para aqueles cujas personagens interiores lhes sejam fracas e sem criatividades, só lhes restam o viver copiando e usufruindo das criatividades dos outros. Quem hoje teria um personagem interior criativo para se comparar com o do escritor Julio Verne das “Vinte mil léguas submarinas” ou com o do Leonardo da Vinci com sua capacidade inventiva? A resposta poderia ser “ninguém” (risos). Então, que “cada um” conviva com o personagem de dentro que cada um tem (risos). 
                                                                               Altino Olimpio


quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Nós, os Adãos de todos os tempos





Quem se lembra de quando nasceu e veio a existir neste mundo sem saber pra que veio? Alguém se lembra da palmadinha que antigamente se recebia no bumbum para chorar e assim respirar pela primeira vez? Todos se lembram do Adão da Bíblia que simbolizou o primeiro homem a vir ao mundo. “O Senhor Deus formou o homem do pó da terra, insuflou em suas narinas um sopro de vida e o homem tornou-se um ser vivo”. Implícito está que só depois de ter recebido o sopro da vida (e não antes) é que o Adão tornou-se “uma alma vivente”. Isso teria alguma coisa a ver com a primeira respiração que tivemos para sermos um ser vivo ou uma alma vivente igual ao Adão? Parece que sim, mas, quem insuflou em nós o sopro da vida?

No imaginário popular só em Adão Deus insuflou o sopro da vida e em nós, não (risos). Para nós a primeira inalação teve explicação científica. Antes de vir ao mundo o pulmão da criança ainda não funciona e ao nascer é a primeira inalação que o faz funcionar e desde então para sempre em sua vida. O pulmão mantém uma relação com a atmosfera, com o ar, com o oxigênio. Voltando ao sopro da vida, ela como força, como energia que nos faz existir conscientemente só nos penetra com o primeiro ar ou oxigênio inalado? Antes disso só somos corporificados com ingredientes materiais? Esses questionamentos não fazem parte da maioria em seus cotidianos. Se fizessem nem quero pensar na confusão de “opiniões” em que todos se envolveriam. Nós nem sabemos que as palavras (nossos símbolos de comunicação) não exprimem a exatidão dos fatos que queremos expor.

                                                                             Altino Olimpio


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O pesadelo terminou num sonho bom





Como no passado os reis davam moedas de ouro para quem decifrasse seus sonhos, também eu pagaria para quem decifrasse o meu. Depois de comer tanta feijoada fui pra cama dormir com a barriga pra cima. Dizem que essa posição não é boa porque facilita termos pesadelos bem pesados (risos). E foi o que me aconteceu. Sonhei que estive voando como um pássaro por todos os lugares da Cidade de São Paulo e em todos os lugares onde havia radares nas ruas ou avenidas eu vi muita gente aglomerada olhando para eles, revoltadas, gritando e até ameaçando derrubar alguns deles. Qual teria sido o significado desse sonho? Logo o esqueci, mas...

Noutra dia comi muita feijoada outra vez, outra vez sonhei e também voei. Entretanto desta vez tudo esteve calmo em todos os lugares que havia os radares. Desci das alturas, entrei numa gaiola... Ah não, entrei no meu carro e passei por um radar acima da velocidade permitida. E agora, pensei, estou numa cidade donde é infalível a indústria das multas, indústria esta, legalizada por lei, por vereadores, por deputados, por prefeitos, por governadores e até por bajuladores de políticos. Só os cidadãos é que não foram convidados para aprovar tal lei. Coitados, eles que são sem impunidade para lamentar.

Ainda no sonho tive uma agradável surpresa. Recebi uma correspondência onde se via meu carro fotografado por um radar acompanhado por esta inscrição: Prezado senhor, foi com muita tristeza para esta administração um radar ter flagrado o senhor e seu carro trafegando acima da velocidade recomendada pelos nossos sinais de transito. Pedimos-lhe, por favor, que não repita essa façanha abusiva porque, isso demonstra falta de educação. Se esse fato se repetir somos obrigados a atraí-lo para uma reunião com um dos nossos diretores do transito, com o prefeito e com o governador. Não gostaríamos que o senhor passasse por isso e fosse até morrer de vergonha.

Nós nunca multamos quem comete esse delito porque o nosso povo com a cultura que tem jamais iria permitir essa tão escabrosa e tão traiçoeira penalidade. Venha até aqui tomar um cafezinho conosco para ficar ciente do carinho com que sempre tratamos os nossos motoristas. Até colorimos nossos semáforos de verde, amarelo e vermelho para agradá-los.

Que pena! Por que tive que acordar quando estive no melhor do sonho? Nem preciso de alguém para decifrar o significado desses meus sonhos. Eles “falam” por si mesmos. Eles foram proféticos. Num futuro próximo os radares só irão dar boas-vindas aos motoristas. Sinto pena dos cidadãos de São Paulo porque belos sonhos como estes que sempre sonho nunca eles sonharão igual (risos).
                                                                                   
                                                                                    Altino Olimpio

                                                                                




    

domingo, 26 de novembro de 2017

Brincando com a vida





A vida ou o viver é mesmo uma “coisa” engraçada e às vezes até é trágica. Todos os que estão vivos neste mundo que não tinha dono, agora todo dividido com fronteiras tem muitos donos que são chamados de países, pátrias, nações ou territórios. Como nunca ninguém se preocupou pra nascer e mesmo onde, cada um nasceu onde a “sorte ou o destino” lhe escolheu: Em qualquer família de um país qualquer. Por mais que seja ruim o país ou a família donde se nasce, ninguém quer morrer. “Ninguém se preocupou para nascer, mas, todos se preocupam pelo morrer” (risos).  

Não importa o que se seja na vida, se inteligente ou ignorante, se rico ou pobre, se feliz ou infeliz, na verdade nada se é e nada se possui a não ser (apenas por um prazo curto) a vida a ser vivida. Mesmo sendo assim, muitos morrem bem antes de seus prazos de existência. O que se pensa que se é e o que se pensa que se possui são tudo ilusão porque tudo se transforma e tudo deixa de ser como era, Nada é permanente, tudo sendo efêmero, então. Só o que não é efêmero é que não é ilusão. E pensar que, pais, avós, cônjuges e filhos também são temporários... Eles também seriam...
Nascer, viver e morrer... Para que ou para quem interessa isso? Se alguém souber que divulgue, por favor. Preciso muito saber para decidir o que fazer com a minha vida (risos e mais risos). Quando se fica velho a vida fica sem graça, embora, muitas pessoas velhas sendo engraçadas não se consideram velhas (risos).

                                                                       Altino Olimpio






Mundo perverso




Dia de tristeza, sexta-feira, dia 24-11-2017 quando a agora já quase rotina do terrorismo fez mais vítimas. Centenas de pessoas foram mortas numa mesquita no Egito. Tais atos já são incontáveis pelo mundo das criaturas mais inteligentes da terra, as que são conhecidas como seres humanos. Como se sabe, é comum o motivo religioso ser responsabilizado pelos assassinatos de tantos inocentes, sejam eles velhos, sejam jovens ou crianças. Também são comuns os terroristas na prática desse ato tão desprezível dedicarem tais matanças para um Deus que pode não ser ou não o mesmo de suas vítimas. Sempre quando há divergência entre religiões diferentes, a disputa entre elas, quando existe, seria para confirmar qual delas seria a melhor abstração (risos)?

Aqui no Brasil onde o seu povo vive mais pelo encantamento do “matrix” as tantas mortes causadas pelo terrorismo mundial, inclusive as recentes do Egito acima citadas, elas, as tantas mortes, não abalam como deveriam. Na verdade não temos tempo para nos abalar com o que aconteça fora e longe daqui, porque, a nossa mídia nos salva do exaustivo trabalho sem lucro de sentir empatia por aqueles que morrem destroçados por bombas.

A mídia nos salva de sofrermos pelos infortúnios dos outros, mesmo eles existindo por aqui onde vivemos. Para isso, benfeitora como é, ela nos preenche com as melhores distrações que existem. Novelas e mais novelas e, filmes diários do “dejavi”, cujos diretores e atores, principalmente os do Distrito Federal Hollywoodiano, representam tão bem os seus papeis de gangsteres, que, se os famosos “Al Capone e o Ali Babá” e outros “do ramo” estivessem vivos, eles iriam morrer de inveja. E a mídia, distraindo-nos das divulgações que sejam tristes e lamentáveis, ela as substituem pelos constantes jogos de futebol como sendo uma das melhores opções para termos as melhores distrações seguindo à risca o “é preciso voltar a ser criança para entrar no reino do céu”.

                                                                                 Altino Olimpio

 

 

 

Moda que incomoda



Moda que incomoda

Quem vive por muito tempo pode “olhar” para o passado e “ver” como tudo tanto mudou. Naqueles tempos de quando quase ninguém possuía telefone e nem automóveis, as bicicletas eram mais velozes do que o caminhar a pé.  Distrações só existiam em clubes nas localidades donde seus moradores poderiam familiarmente frequentar. Naqueles bailes de outrora, então, até era proibido casais dançarem de rosto colado. Sempre algum diretor de clube tentava impedir essa “pouca vergonha” (risos). Lembro-me de quando surgiu a moda da mini-saia e como ela foi tida como sendo indecorosa por muitos dos que se julgavam moralistas da época. Mesmo diante das críticas a moda da mini-saia prosperou. Isso, naquele tempo que, em qualquer lugar que se fosse só se conseguia ver até os joelhos das mulheres. O restante sempre ficava encoberto pelas vestimentas delas e só pela imaginação se podia “ver” aquele mistério que se ocultava.

Parte do mistério veio a ser revelado quando surgiu outra moda, a moda do shortinho, muito mais atraente para a apreciação masculina.  A primeira vez que vi uma moça de shortinho e exibindo umas pernas tão bonitas foi lá na Cidade de Itatiba. Num sábado à noite estive nessa cidade para assistir ao footing, que, na década de sessenta do século passado, na Praça da Matriz de suas cidades os jovens praticando footing se flertavam quando pela praça as moças giravam num sentido e os moços noutro. Em suas voltas pela praça eles se entreolhavam quando se cruzavam e disso surgiram muitos namoros e casamentos. Mas, voltando à moça de Itatiba que esteve trajando um shortinho curto, antes de ir para a praça principal daquela cidade, eu estava numa padaria quando ela com outras moças lá entraram.

Eu nunca havia visto tão de perto uma cena tão cativante como a da moça de shortinho e, além disso, ela era muito bonita. Por uns bons momentos perdi a noção de quem eu era. Meus olhos se desertaram do meu comando e ficaram detentos da visão daquela moça tão exuberante. Será que ela também iria participar do footing lá na praça? Assim pensei quando a vi saindo daquela padaria deixando aquele ambiente tão sem graça sem ela (risos). Mas, no vai-e-vem do footing lá na praça eu a procurei e não a encontrei. Só ela eu quis ver e por isso não me importei de ver ou flertar com tantas outras que ao se cruzarem por mim me olharam com simpatia. Neste de agora “tudo mudou”, que pena, os footings nas praças não mais existem. Agora, para moças e até para as não mais moças, os shortinhos fazem parte de seus cotidianos. Banalizados já não causam as mesmas imaginadas sensualidades como causavam outrora nas suas novidades.

                                                                                 Altino Olimpio


Salto para a vida





Foi num sábado de janeiro do ano dois mil e dez quando às quinze horas na rodoviária da Cidade de Salto finalmente conheci a Márcia pessoalmente. “Velhos” conhecidos virtuais, ao nos vermos parecíamos ser amigos de sempre, tamanha foi à intimidade amistosa naquela tarde tão gostosa até despercebida diante de nossa animada prosa. Com o carro dela num “salto” pela cidade com o sol ao alto, nós dois de boa idade percorremos pelos seus asfaltos sem qualquer maldade. Quando no instante que chegou a fome, ela me levou a um restaurante. Na hora de pagar a conta, como sempre finjo que não ouço, ela pagou e eu nem pus a mão no bolso (risos). Depois, para se abastecer me levou a um supermercado e eu nada quis perguntar, porque, desconfiado pensei que seria a minha vez de pagar. Até me ofereci, mas, ela muito dona de si e que de atitudes desconfia recusou minha cortesia (risos).

Levou-me então para sua morada onde me instalei sem vergonha de nada. O gato preto chamado de “gordo” de fato não me estranhou como se já estivéssemos num acordo. O cachorro também muito dado não saia do meu lado, agarrava meu braço e parecendo uma máquina de costura, nele ficava grudado, coisas essas de cachorro tarado e mal educado. Nessa circunstância nada tendo de elegância chegou a Suzana, irmã da Márcia, querendo dar uma de bacana. Parecia gostar de sacanagens, pois, só falava bobagens. Disse pra irmã num tom desgostoso estar decepcionada por vê-la ao lado de um homem idoso (risos). A Suzana foi embora para depois nos encontrarmos noutra hora. Isso aconteceu já tarde da noite na alegria que contagia na “Casa da Tia”, bar-restaurante do Tibério, filho da Márcia, rapaz este sem qualquer mistério que na brincadeira conduz aquele recinto muito a sério.

Lá, não sendo calúnia, minha amiga espalhou que meu apelido é “Múmia”. Apelido este entre os contatos da internet que não me compromete. Até foi bom porque colaborou com a descontração e nas risadas com que o apelido Múmia provocava. Lá pelas tantas, confundindo apelidos um rapaz gritou-me “hei lobisomem”. De imediato me vi em Caieiras me lembrando de um homem, o Sérvio Bertolo, marido da Ada, ele sim é que é o lobisomem.  Naquele ambiente de música ao vivo e de viver contente conheci boa gente daquelas de querer ver sempre. Aqui estão seus nomes: Paulinho filho da Suzana e sua namorada Luana, Vanessa esposa do Tibério e sua mãe Valci, as bem descontraídas amigas Silvia e Laurita, o Ricardo, vulgo Estógio, aquele que me chamou de lobisomem, o Serginho voz de locutor de rádio, o Amauri, lutador de vale tudo, Paco e sua namorada também de nome Luana, Mariana, a cozinheira, Leandro, André Fall e Danilo, estes três últimos na simpatia do servir os frequentadores da casa.

Pelo decorrer das horas e muitos tendo ido embora, os que permaneceram na “Casa da Tia”, agora, sem de gente estar cheia se viram na surpresa de participar de uma boa ceia. Assim foi a despedida daquela noite bem divertida. De volta pra casa da Márcia quando a sós um ao outro ataca, tudo foi diferente porque ela tanto falou e falou como se fosse uma matraca. E também eu já nem disfarçava, só me preocupava com o cachorro que tanto em mim se esfregava. Até antes do amanhecer confidenciamos nossas emoções lembradas e também nossas tristezas guardadas. O domingo estava como um poema e fomos pra Indaiatuba visitar a Dona Dema. Mãe da Márcia, ela se viu envolvida com nossas engraçadas falácias. E entre as brincadeiras de nossa arte, ela contou que em sua mocidade havia dançado com o saudoso galã e ator Anselmo Duarte.

Na volta o fim da noite era de chuva lavando as ruas desertas provocando assim reflexões incertas. Chamei a atenção da amiga sobre os postes em fila, cujas luzes pareciam tristes ao nos anunciar a nostalgia dos fins de domingo. Entretanto, a nostalgia se afastou de nós dois, pois, nossa alegria nunca nos deixou. Estivemos irmanados sem qualquer constrangimento em todos os nossos bons momentos. Na segunda-feira ao sentir um roçar no rosto e ouvir um miar, isso foi o que me fez acordar. O gato preto surgiu de mansinho querendo carinho. Sim, se aproximava a hora da minha partida contrariamente decidida. A amiga me levou até a Estação Rodoviária onde nossos sentimentos eram mútuos em agradecimentos de verdade oriundos de nossa grande amizade. Logo depois que cheguei donde moro escrevi esta narrativa e a encaminhei para a Márcia, minha amiga de Salto.

                                                                     Altino Olimpio

                                                                                                         


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O melhor programa de televisão





Antigamente se acreditava que “se apareceu nos jornais, nas rádios e na televisão” tudo era verdade e continua sendo para muitos daqueles que não acreditam em falsidades. De fato, nesta época da tão bem presente inversão de valores, enganar e ser enganado parece que até faz bem à saúde (risos). As pessoas que enganam e as pessoas que são enganadas sempre se dão bem e não há atrito entre elas. Pois, as que sempre enganam e as que sempre são enganadas continuam existindo sem qualquer constrangimento.

Nestes nossos dias tão propensos para enganar e ser enganado, nem o famoso enganador das histórias do nosso passado que se chamava “Pedro Malasartes” iria conseguir viver sem ser enganado também. Lembrei-me dele ao assistir os melhores programas de televisão que são sobre política. Confesso, nunca havia visto tantos homens e tantas mulheres tão inteligentes com tanta, mas com tanta inteligência, com tanta capacidade e com tanta vocação para reverter à péssima situação política e financeira em que se encontra este país tão rico com os tantos partidos políticos que têm.

Tais partidos e tais políticos, tudo o que nos prometem só pode mesmo ser verdade porque divulgam tudo pelos jornais, pelas rádios e pela televisão. Quando prometem através desses órgãos noticiários tão sérios, nada exteriorizado por eles pode ser mentira. Escrever sobre verdades iguais a estas não é bom, pois, podem me chamar de Altino Malasartes (risos). Pelo menos aqui reforcei a insofismável realidade dos mais evoluídos: Se saiu no jornal, se falaram na rádio e se transmitiu pela televisão, tudo só pode ser verdade. Também a “curtura” que a televisão transmite é superior as que os pais podem proporcionar aos seus filhos.  É por isso que nestes tempos, como se vê, muitos dos habitantes deste nosso país são os mais bem moralizados do mundo.

                                                                                 Altino Olimpio

domingo, 12 de novembro de 2017

A reputação morreu





Embora com a cabeça massacrada por tantas informações inúteis deste século que congestionam o cérebro, mesmo assim, incrível, mas, ainda consigo me lembrar dos tempos em que as pessoas se preocupavam em manter suas reputações isentas de escândalos que pudessem afetá-las moralmente e também a seus familiares. Hoje em dia até parece que as reputações duvidosas, pecaminosas, corruptas, imorais e anti-sociais, sejam “boas recomendações” para “quaisquer pessoas se promoverem” para um cargo vantajoso na política donde possa aplicar seus “dons” de desonestidade, pois, a boa reputação adoeceu, ficou cega e surda e morreu.

Bem me lembro que antigamente as pessoas tinham mais “vergonha na cara”. Quando cometiam um ato vergonhoso para as suas reputações, elas sofriam o desprezo da maioria que, muito primava pela ética e pelos bons costumes. Hoje, ao contrário, aqueles de má reputação parecem ser mais bem considerados do que os de boa reputação. Os já famosos por terem má reputação, sendo assim mais conhecidos pelo povo (ingênuo), nas eleições eles sempre são mais votadas do que aqueles, que, por “ainda” terem boa reputação e por isso não serem noticiados pela mídia, são menos conhecidos. Hoje em dia ter vergonha na cara é demonstrar inferioridade.

                                                                               Altino Olimpio   

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Foram bilhões que desapareceram





Recentemente eu soube de um conhecido que não se conforma com o falecimento de sua esposa, embora, esse triste fato tenha ocorrido há quase um ano. Por isso, lembrei-me também de outros dessa mesma situação triste e inconsolável. Lembro-me de dois que, antes de morrerem também, semanalmente iam “visitar” o túmulo de suas saudosas no cemitério. Para outros que estejam ou vão estar com essa mesma situação, uma reflexão sobre ela poderá esclarecê-los ou lembrá-los dos “imprevistos” da vida.

Pra começar, desde os primórdios da incidência da vida na terra, ela significa mudança. “Nada do que é continua como é”. As pessoas também não fogem a essa regra. Desde o nenê até o morrer, todos sabem das mudanças que existem no nosso corpo. Elas, além do inevitável e do tão indesejável envelhecer podem trazer doenças (os imprevistos as vida) que levam pessoas a morrerem. Quando alguém morre depois de ter vivido muitos anos com outro alguém, não é incomum aquele que maritalmente ficou só, sofrer e se desesperar.

Se servir como lenitivo, em todas as épocas passadas quando bilhões de pessoas morreram, quantos e quantos também não se desesperaram quando perderam seus entes queridos? O que houve com os que se desesperaram? Eles morreram como suas épocas morreram também. Daquelas épocas ou daqueles séculos passados alguém deixou algum vestígio sobre suas vidas? Alguém se lembra de alguém que tenha existido e morrido na época anterior a esta em que estamos vivendo? Mesmo nesta nossa época, muitos dos que “partiram” já não são mais lembrados, a não ser apenas pelos seus familiares, mas, somente até enquanto eles viverem, porque depois...

Nossa sina é esta: Sermos descartados do mundo para que outros nasçam para nos substituir. Se existe quem comanda o espetáculo, o mundo não lhe pode ficar sem seus artistas ou seus atores temporários. E nós somos os artistas temporários. Somos os tais de humanos do elenco mundial de atores. Somos crianças, depois somos adultos, somo noivos e depois somos casados, somos pais, somos heterossexuais, somos homossexuais, somos democratas, somos comunistas, somos terroristas, somos presidentes, somos políticos, somos ditadores, somos santos, somos bandidos, somos padres, somos pastores, somos religiosos, somos ateus, somos felizes e infelizes, somos compradores, vendedores, investidores, somos pedreiros, carpinteiros, lixeiros, médicos, engenheiros, advogados, somos honestos, desonestos, somos trabalhadores, vagabundos, somos adivinhos, somos esotéricos, filósofos, cientistas, fazendeiros, trapaceiros, invejosos, mentirosos, bancários, banqueiros, coveiros, pobres e ricos e etc.

Somos mesmo participantes de um grandioso espetáculo para este mundo. Mas, quando nós envelhecemos ele “dá um jeito” de se livrar de nós (risos). E tudo aquilo que nós fomos com tanto empenho não vai servir para mais nada para pouco antes de irmos daqui e mesmo para depois de termos ido (risos). Para o século ou a época que virá depois desta nossa, nós seremos esquecidos como se não tivéssemos existido, da mesma maneira que nós desconsideramos e nem pensamos sobre a existência daqueles que nos antecederam nas épocas ou séculos passados. Daqueles que existiram e lembramos, lembramos porque fizeram parte da história, bem ou mal contada. E não adianta reclamar. Depois que nos fazem nascer neste mundo tão perturbado e nesta vida tão “maravilhosa”, nunca seremos donos dela. Ela é que é a nossa dona e, sempre nos impondo improvisos, sendo que alguns nos deixam cicatrizes enquanto vivemos.

Os seres humanos (nem todos) são umas criaturas bem engraçadas. Tão cheios de coisinhas, ambições, vaidades, superstições, crenças, hipocrisias, gostam de fama, de poder, de se apaixonar, de mentir e enganar, transar, conquanto que não se lembrem que tudo se reduzirá em ilusões por causa da infalibilidade de suas mortes que a tudo desfaz. Depois que se nasce nós somos, sem qualquer escapatória, “obrigados” a viver a vida seja ela boa ou má. Ela parece ser má quando morre alguém tão querido de alguém. Mas, boa, enquanto alguém seja feliz com alguém.

Aqui neste mundo tão redondo, mais seus habitantes humanos foram condicionados a “ganharem” para si o que querem possuir, inclusive pessoas. Entretanto, não se condicionaram, de fato, a “perderem”, principalmente as pessoas de suas estimas. Então, para aqueles insistentes em suas dores por terem perdido alguém convém repetir: No passado bilhões de pessoas morreram e bilhões desta época também vão morrer e os bilhões de pessoas do futuro nem sequer vão dedicar seus tempos para pensar nos esquecidos dos séculos passados. E assim a humanidade sempre caminha para o seu fim seja em qualquer das épocas a que ela pertença para ser substituída e assim sucessivamente. Oremos irmãos enquanto ainda não somos habitantes do mundo dos eternos esquecidos (risos).

                                                                                Altino Olimpio