segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O melhor programa de televisão





Antigamente se acreditava que “se apareceu nos jornais, nas rádios e na televisão” tudo era verdade e continua sendo para muitos daqueles que não acreditam em falsidades. De fato, nesta época da tão bem presente inversão de valores, enganar e ser enganado parece que até faz bem à saúde (risos). As pessoas que enganam e as pessoas que são enganadas sempre se dão bem e não há atrito entre elas. Pois, as que sempre enganam e as que sempre são enganadas continuam existindo sem qualquer constrangimento.

Nestes nossos dias tão propensos para enganar e ser enganado, nem o famoso enganador das histórias do nosso passado que se chamava “Pedro Malasartes” iria conseguir viver sem ser enganado também. Lembrei-me dele ao assistir os melhores programas de televisão que são sobre política. Confesso, nunca havia visto tantos homens e tantas mulheres tão inteligentes com tanta, mas com tanta inteligência, com tanta capacidade e com tanta vocação para reverter à péssima situação política e financeira em que se encontra este país tão rico com os tantos partidos políticos que têm.

Tais partidos e tais políticos, tudo o que nos prometem só pode mesmo ser verdade porque divulgam tudo pelos jornais, pelas rádios e pela televisão. Quando prometem através desses órgãos noticiários tão sérios, nada exteriorizado por eles pode ser mentira. Escrever sobre verdades iguais a estas não é bom, pois, podem me chamar de Altino Malasartes (risos). Pelo menos aqui reforcei a insofismável realidade dos mais evoluídos: Se saiu no jornal, se falaram na rádio e se transmitiu pela televisão, tudo só pode ser verdade. Também a “curtura” que a televisão transmite é superior as que os pais podem proporcionar aos seus filhos.  É por isso que nestes tempos, como se vê, muitos dos habitantes deste nosso país são os mais bem moralizados do mundo.

                                                                                 Altino Olimpio

domingo, 12 de novembro de 2017

A reputação morreu





Embora com a cabeça massacrada por tantas informações inúteis deste século que congestionam o cérebro, mesmo assim, incrível, mas, ainda consigo me lembrar dos tempos em que as pessoas se preocupavam em manter suas reputações isentas de escândalos que pudessem afetá-las moralmente e também a seus familiares. Hoje em dia até parece que as reputações duvidosas, pecaminosas, corruptas, imorais e anti-sociais, sejam “boas recomendações” para “quaisquer pessoas se promoverem” para um cargo vantajoso na política donde possa aplicar seus “dons” de desonestidade, pois, a boa reputação adoeceu, ficou cega e surda e morreu.

Bem me lembro que antigamente as pessoas tinham mais “vergonha na cara”. Quando cometiam um ato vergonhoso para as suas reputações, elas sofriam o desprezo da maioria que, muito primava pela ética e pelos bons costumes. Hoje, ao contrário, aqueles de má reputação parecem ser mais bem considerados do que os de boa reputação. Os já famosos por terem má reputação, sendo assim mais conhecidos pelo povo (ingênuo), nas eleições eles sempre são mais votadas do que aqueles, que, por “ainda” terem boa reputação e por isso não serem noticiados pela mídia, são menos conhecidos. Hoje em dia ter vergonha na cara é demonstrar inferioridade.

                                                                               Altino Olimpio   

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Foram bilhões que desapareceram





Recentemente eu soube de um conhecido que não se conforma com o falecimento de sua esposa, embora, esse triste fato tenha ocorrido há quase um ano. Por isso, lembrei-me também de outros dessa mesma situação triste e inconsolável. Lembro-me de dois que, antes de morrerem também, semanalmente iam “visitar” o túmulo de suas saudosas no cemitério. Para outros que estejam ou vão estar com essa mesma situação, uma reflexão sobre ela poderá esclarecê-los ou lembrá-los dos “imprevistos” da vida.

Pra começar, desde os primórdios da incidência da vida na terra, ela significa mudança. “Nada do que é continua como é”. As pessoas também não fogem a essa regra. Desde o nenê até o morrer, todos sabem das mudanças que existem no nosso corpo. Elas, além do inevitável e do tão indesejável envelhecer podem trazer doenças (os imprevistos as vida) que levam pessoas a morrerem. Quando alguém morre depois de ter vivido muitos anos com outro alguém, não é incomum aquele que maritalmente ficou só, sofrer e se desesperar.

Se servir como lenitivo, em todas as épocas passadas quando bilhões de pessoas morreram, quantos e quantos também não se desesperaram quando perderam seus entes queridos? O que houve com os que se desesperaram? Eles morreram como suas épocas morreram também. Daquelas épocas ou daqueles séculos passados alguém deixou algum vestígio sobre suas vidas? Alguém se lembra de alguém que tenha existido e morrido na época anterior a esta em que estamos vivendo? Mesmo nesta nossa época, muitos dos que “partiram” já não são mais lembrados, a não ser apenas pelos seus familiares, mas, somente até enquanto eles viverem, porque depois...

Nossa sina é esta: Sermos descartados do mundo para que outros nasçam para nos substituir. Se existe quem comanda o espetáculo, o mundo não lhe pode ficar sem seus artistas ou seus atores temporários. E nós somos os artistas temporários. Somos os tais de humanos do elenco mundial de atores. Somos crianças, depois somos adultos, somo noivos e depois somos casados, somos pais, somos heterossexuais, somos homossexuais, somos democratas, somos comunistas, somos terroristas, somos presidentes, somos políticos, somos ditadores, somos santos, somos bandidos, somos padres, somos pastores, somos religiosos, somos ateus, somos felizes e infelizes, somos compradores, vendedores, investidores, somos pedreiros, carpinteiros, lixeiros, médicos, engenheiros, advogados, somos honestos, desonestos, somos trabalhadores, vagabundos, somos adivinhos, somos esotéricos, filósofos, cientistas, fazendeiros, trapaceiros, invejosos, mentirosos, bancários, banqueiros, coveiros, pobres e ricos e etc.

Somos mesmo participantes de um grandioso espetáculo para este mundo. Mas, quando nós envelhecemos ele “dá um jeito” de se livrar de nós (risos). E tudo aquilo que nós fomos com tanto empenho não vai servir para mais nada para pouco antes de irmos daqui e mesmo para depois de termos ido (risos). Para o século ou a época que virá depois desta nossa, nós seremos esquecidos como se não tivéssemos existido, da mesma maneira que nós desconsideramos e nem pensamos sobre a existência daqueles que nos antecederam nas épocas ou séculos passados. Daqueles que existiram e lembramos, lembramos porque fizeram parte da história, bem ou mal contada. E não adianta reclamar. Depois que nos fazem nascer neste mundo tão perturbado e nesta vida tão “maravilhosa”, nunca seremos donos dela. Ela é que é a nossa dona e, sempre nos impondo improvisos, sendo que alguns nos deixam cicatrizes enquanto vivemos.

Os seres humanos (nem todos) são umas criaturas bem engraçadas. Tão cheios de coisinhas, ambições, vaidades, superstições, crenças, hipocrisias, gostam de fama, de poder, de se apaixonar, de mentir e enganar, transar, conquanto que não se lembrem que tudo se reduzirá em ilusões por causa da infalibilidade de suas mortes que a tudo desfaz. Depois que se nasce nós somos, sem qualquer escapatória, “obrigados” a viver a vida seja ela boa ou má. Ela parece ser má quando morre alguém tão querido de alguém. Mas, boa, enquanto alguém seja feliz com alguém.

Aqui neste mundo tão redondo, mais seus habitantes humanos foram condicionados a “ganharem” para si o que querem possuir, inclusive pessoas. Entretanto, não se condicionaram, de fato, a “perderem”, principalmente as pessoas de suas estimas. Então, para aqueles insistentes em suas dores por terem perdido alguém convém repetir: No passado bilhões de pessoas morreram e bilhões desta época também vão morrer e os bilhões de pessoas do futuro nem sequer vão dedicar seus tempos para pensar nos esquecidos dos séculos passados. E assim a humanidade sempre caminha para o seu fim seja em qualquer das épocas a que ela pertença para ser substituída e assim sucessivamente. Oremos irmãos enquanto ainda não somos habitantes do mundo dos eternos esquecidos (risos).

                                                                                Altino Olimpio  



terça-feira, 7 de novembro de 2017

O prevalecer dos enigmas





Os cientistas sempre deixaram ou deixam para os filósofos e os teólogos as “soluções” das questões que transcendem a realidade física que eles não têm como comprovar as suas realidades. E sem dúvida, os filósofos e principalmente os teólogos foram os idealizadores de “outra existência” além desta percebida pelos sentidos humanos. O que não é evidente para os sentidos a imaginação se incumbe de criar. Mas, por enquanto, o único mundo em que o homem consegue assegurar é este que “os seus sentidos lhes criaram” desde o seu nascimento até agora.

Contudo, existem incontáveis mundos físicos (planetas) na vastidão do universo que o comum dos homens, por viverem apenas pelos seus interesses pessoais, não se interessam de se inteirarem das descobertas que os cientistas nos têm revelado sobre o que existe além da terra.  Para eles já é suficiente saber que o sol, a lua e as estrelas existam (risos). Também, comprovadamente, existe neste nosso mundo outro mundo que é insuspeito no decorrer dos nossos cotidianos: O mundo invisível e imperceptível dos átomos e de seus componentes que criam a existência de tudo o que nossos sentidos objetivos possam perceber.

Mas, vivendo neste planeta que já nos impressiona e ele sendo uma minúscula parte do tão impressionável e inescrutável universo, ainda pergunta-se: Qual foi objetivo principal para a vida e o ser humano existirem? Como o ser humano e a vida surgiram na terra? Qual o valor dele para o universo? Até agora, mais as teorias religiosas (abstratas) se fizeram conhecer publicamente. Outras, as várias teorias científicas, todas inconclusas, são menos conhecidas pelo povo que vive ausente do afã de querer pensar sobre fatos que estejam além de sua compreensão.   

O nascer sem saber, o viver como quaisquer outros vivem e o morrer sem querer, parece mesmo que é quase tudo o que se possa discernir sobre a existência. Pode ser também que isso seja tudo o que requer o destino de nossa natureza humana, desconsiderando termos embaralhado tanto nossas cabeças com suposições sobre a existência que, como suposições se perpetuam conquanto existam os seres humanos. O “só sei que nada sei” do filósofo Sócrates é o melhor saber que existe para a humanidade (risos).

                                                                                   Altino Olimpio







quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Dia dos mortos alegre para os vivos





Então né, era feriado e para não ficar ouvindo conversa mole de filhas, genro e netos decidi sair para um passeio mesmo sabendo que os meus gatos iriam ficar tristes com a minha ausência. Eram cerca das 13,30 horas e não havia viva alma pelas ruas donde moro quando fui até a Estação de Perus para embarcar num trem para uma longa viagem até Caieiras, local donde nasci e onde muitos daqueles “dos meus tempos” já desnasceram. Na estação me encontrei com o Nelson que é casado com uma das filhas do casal Neri e Norma. Ele, filho do Delfim da antiga e saudosa sorveteria de Caieiras e ela, sendo da família Lumasini. Os de hoje remanescentes de Caieiras se lembram deles. Por coincidência, eu e o Nelson, vivos ainda, estávamos indo para o cemitério, o mesmo que antigamente, no Dia de Finados os jovens iam para paquerar as jovens, inclusive (risos).

Chegando lá notei que não havia as jovens beldades como antigamente. Algumas daqueles bons tempos eu vi, mas, precisei fitá-las bem para poder reconhecê-las.  E por coincidência sei que quem me viu e não me fitou bem, não sei se me reconheceu também (risos). Está escrito nos anais da história: Quanto mais o tempo passa mais a gente fica sem graça (risos). Eu não sabia que o dia dos mortos era divertido para os vivos. Para o futuro do “daqui não saio e daqui ninguém me tira” o Nelson queria encontrar uma cova que já há algum tempo havia comprado, mas, não tinha a certeza donde ela se situava e assim, fomos procurá-la. Foi quando nos encontramos com duas mulheres que estavam conversando e eu sem saber sobre o que, perguntei para a de mais idade: Minha senhora, o que estais reclamando neste dia tão bonito? A outra que estava com ela era filha dela e de nome Dora, me disse que sua mãe era meio surda e então não havia entendido a minha pergunta.

Tão descontraída ela é meio surda e não absurda. Já foi falando que tem noventa e dois anos, é da família dos Delagos, se chama Orlanda e é viúva do Peixeiro (apelido do Luiz Della Beta). Pra filha dela, a Dora até cantei uma música do Dorival Caymi: “Dora rainha do frevo de Maracatu, oh Doooora...” E ela cantou-me outra: “Dorinha meu amor, por que me fazes chorar. Eu sou um pecador e sofro só por te amar...” Falei pras duas, que, claro, conheci o Peixeiro e que ele foi parente da Ada Della Beta que é casada com o lobisomem. Elas riram e estranharam-me ter dito isso e daí expliquei que, quanto eu tinha o programa de rádio na antiga 96.5 FM, o marido da Ada, o Sérvio Bertolo, ele sempre telefonava para participar do programa depois da meia-noite. Por isso ganhou esse apelido. E quando o casal nos telefonava eu dizia: E assim recebemos o telefonema de “Sérviada” (risos). E na conversa delas com o Nelson foi um tal de “sim eu conheço, é parente do fulano, o pai dele era o... Ah sim, era parente da minha esposa e etc. Nossa... Que lugar perigoso para fazer fofoca. Sempre tem quem que é  parente de quem e o que se fala de alguém sempre tem alguém para ir contar. Eu e o Nelson nos despedimos das duas tão simpáticas e já estávamos na suave descida da saída para sairmos de lá e...

Foi quando vi caminhando entre sepulturas o conhecido Toninho Gabriele, sua filha Denise e o marido dela. O Toninho também, como eu, perdeu a sua beldade e nem se lembra donde e de quando a perdeu. Na nossa conversa a Denise nos interrompeu dizendo, mostrando num túmulo onde estava escrito o nome da sua tia Gioconda Lisa que tinha morrido e ela não ficou sabendo. A Gioconda que por muito tempo trabalhou no Correio de Caieiras, foi casada com o Vicente Lisa e tiveram os filhos Tchan (Maurício), o Leo e o filho caçula, chamado de Chupetino ou de Andu. Pelos meus cálculos naquela hora deduzi que a Gioconda faleceu aos 98 anos de idade. Também vi o último local do José Navarro, ele que foi casado com minha prima Dirce Olimpio e foi pai do Milton, da Maria e do Estanguelão, mais conhecido como Edson Navarro. O Zé Navarro, hein, viveu até os noventa anos.

Eu e o Nelson até que tentamos sair de lá, mas, quase já na saída ele se encontrou com conhecidos e um deles era o seu afilhado. Conversa daqui, conversa dali, mas, fiquei meio distraído prestando atenção em quem passava por nós. Puxa-vida, se eu ainda pudesse paquerar e se ainda existisse alguém para paquerar... Mas, quem apareceu? O português que esqueci o nome dele, ele veio me cumprimentar, ele que é casado com a irmã do João Mococa (saudoso) e concunhado do Mauri do João Grosso (saudoso). Eta nóis! Só mesmo em velórios e em dia de finados é que revemos pessoas que nos foram muito queridas. Depois que o Nelson e eu nos despedimos daqueles conhecidos dele, quase imediatamente nos surgiu gente de Perus. As duas irmãs, a Elza e a Léia que é esposa do Moisés Caseta, o irmão da esposa do meu irmão, Walter Olympio. E começou outra conversa animada e de tanto falar até me deu sede. Despedimos-nos delas enquanto eu já estava querendo beber um copo de caldo de cana.

Entretanto, já fora do cemitério onde fica o velório encontrei mais um daqueles tempos de quando as amizades eram amizades e de quando todos se conheciam e sempre se encontravam. Como percebi que ele não havia me conhecido eu disse pra ele: Você era amigo meu irmão Walter Olympio, do Goliardo Olimpio e tinha um apelido. Ele disse que não tinha e eu retruquei. Tinha sim, Zé Chifrudo e você era da Vila Nova (risos). Foi quando ele, o José Araujo Leite me reconheceu e disse: Ah você é o Altino. Nem é preciso aqui escrever que recordamos um pouco o passado e ele estava com a sua esposa e se não me engano eles moram em Franco da Rocha. Não me lembrei de “pegar” o número do telefone dele para o meu irmão que, como sei, gostaria muito de conversar com ele, o Zé.

Meu irmão tem uma foto de quando ele (ainda era solteiro, então) e alguns amigos, foram pedalando bicicletas do Bairro da Fábrica de Papel da Indústria Melhoramentos até a pequena e religiosa Cidade de Pirapora. Lembro-me de alguns que estão na foto com ele, o Wilson Teixeira, Belardo Martins, José Coluci (?), Goliado Olimpio e outros. Todos ao lado de suas bicicletas tendo por detrás deles a famosa igreja daquela época.  E meu irmão me disse outro dia: Daquela foto será que só eu ainda estou vivo. Ah, isso ele me disse depois que eu o informei da morte do José Coluci que ele não tinha sabido. Mas, se o José Araujo também esteve no passeio, então, seriam apenas dois que ainda estão dando prejuízo ao INSS.

Ao me despedir do José Araujo e de sua esposa, ai sim, fui tomar um copo de garapa, guarapa ou caldo de cana geladinho. Que delícia. Às vezes digo que é tão fácil ser feliz e diariamente. Naquele calor de sol quente de quando a gente volta pra casa, abrir e retirar da geladeira um suco qualquer ou de frutas (gosto do de caju) isso sim é que é felicidade, pelo menos por alguns minutos e garanto que é melhor do que mulher (risos). Terminando esta narrativa, na volta do passeio cemiteriado o Nelson veio comigo até onde moro e depois continuou até a casa dele. Esteve contente por nós termos tido um dia de muita descontração. Ele viu meus gatos, o Elegante e o Corinthians me receberem com as suas boas-vindas. São de rolar de alegria pelo chão, até mordem meus tênis e até desfiam minhas calças com suas unhas bem afiadas. Nunca na vida gostaram de mim tanto assim (risos). E agora como é triste pensar que é preciso esperar a eternidade de um ano para poder voltar lá no cemitério.

                                                                            Altino Olimpio

   



  



Essas crianças grandes...





Sempre nas épocas de Natal e do início do Ano Novo os costumes supersticiosos se repetem. Quase todos ficam alienados ao “clima” desses dois dias comemorativos. E, não economizam palavras para desejarem o bem ao próximo para o ano “que vai nascer”. A época festiva passa e tudo volta a ser como era antes. Todos sabem que nenhum dos desejos desejados a outros vão se realizar (risos). Também, logo na primeira semana do início do ano novo todos os desejos desejados serão esquecidos. O propositalmente se iludir faz parte da tradição. Aqui, citando a cidadezinha de Caieiras donde nasci os garotos eram mais eficientes e objetivos do que os adultos durante tais festejos (risos).

No início do amanhecer do primeiro dia de janeiro eles iam de casa em casa do lugar donde moravam para desejarem “bom princípio do ano novo” para os moradores de tais casas e como retribuição (recompensa) recebiam dinheiro pela “sinceridade” com que desejavam o “bom princípio”. Isso sim é que tinha um resultado imediato real bem oposto aos desejos dos adultos que só ficavam e ainda ficam nas palavras e sem se materializarem.  

Em todos os fins de anos temos aquelas pessoas que desejam para si mesmas o próspero ano novo. São aquelas que “caem no conto das simpatias”: Levantar da cama com o pé direito, comer sementes de romã, lentilha, uva, pular por sobre sete ondas na praia e etc. enquanto elas pensam num desejo a ser-lhes realizado. Só não entendo porque tais pessoas não acreditam em Papai Noel que é tão conhecido (risos). Será que a realidade é tão sem graça para que tais pessoas prefiram desfrutar de suas superstições? Que seria do mundo se não existissem essas pessoas tão engraçadas nas épocas de comemorações de ano novo? Que seria do mundo se as crianças grandes não existissem?  Ele ficaria sem graça.

                                                                                 Altino Olimpio







domingo, 29 de outubro de 2017

O desenvolver dos poderes latentes



  
 Às vezes me divirto com algumas frases que leio como nesta dita pelo escritor e filósofo Voltaire (21/11/1694-30/05/1778): Aproximo-me suavemente do momento em que os filósofos e os imbecis têm o mesmo destino (risos).

Em sua frase o Voltaire insinuou que, por encontrar-se na velhice já estava antevendo a aproximação de sua morte. Para quem na velhice sempre tem o hábito de refletir sobre a existência, é nessa situação de prever para logo o final da vida que mais se duvida do que, até então, se acreditou. Quantos conceitos nos foram aceitos sobre idéias e dogmas “sem existirem realidades correspondentes” nos foram implantados na mente sem ao menos terem sido questionados à luz da razão se de fato eram válidos?  As realidades da vida e do mundo não seguem os mesmos padrões das nossas “realidades intelectualizadas”. Estas, no mais das vezes nunca coincidem com as experiências vividas na existência.

Quem por muitos anos se dedicou a alcançar níveis superiores de consciência, no final da vida não os tendo conseguido, não iria pensar que esteve seguindo passos difíceis de efetivarem? Ao se comparar com os outros homens tidos como sendo simples e comuns e que não tiveram a mesma ambição de obter a evolução da consciência, não pode lhe parecer que, ao final, não se diferem muito? Igual ao que disse o Voltaire acima, mas, com outras palavras, o “místico” George Ivanovich Gurdjieff (13/01/1866-29/10/1949) disse: Todos são farinha do mesmo saco (risos).  Será que isto se aplica mesmo para os evoluídos e os não evoluídos? Isso causa uma pausa para se refletir sobre o que o Voltaire e o Gurdjieff disseram. Talvez quisessem dar a entender (se é que tinham razão sobre suas premissas) que sendo evoluído ou não, sendo mais consciente ou não, esses estados opostos só perduram até a morte, quando juntos desaparecem com o desaparecer dos homens evoluídos e dos não evoluídos.

No acima citado “níveis superiores de consciência” ou o expandir da consciência, isso se refere ao desenvolver ou estimular dos poderes adormecidos que o homem possui e que não se manifestam. Para isso existem algumas instituições que instruem sobre práticas ou exercícios, que, supõem-se, lentamente propiciam o despertar de tais poderes tornando-os ativos. Daí, isso facilita a busca pelo autoconhecimento ou, o conhecimento de si. (“De todos os conhecimentos possíveis, o mais sábio e útil é o conhecer a si mesmo”. William Shakespeare). A meditação faz parte da prática para desenvolver os já citados poderes adormecidos ou latentes e, durante esse proceder, o da meditação, é possível ter a recepção de alguma intuição útil para quem esteja meditando.

Quando se adentra nesse querer se desenvolver é preciso despender muito tempo da vida para isso, porque, o desenvolvimento é lento. Entretanto, desde o início mudanças se fazem notar. Muito do que atraia a atenção deixa de atrair. As reflexões sobre a vida se tornam mais constantes. Com o tempo a passar, os entretenimentos vão se tornando indiferentes. Até algumas amizades perdem o interesse, a não serem aquelas que forem seletivas. O querer mais aproveitar do tempo faz com que mais se queira se instruir com leituras pertinentes ao expandir da consciência. O “levar a vida mais a sério” passa a evitar as trivialidades e os supérfluos por serem inconvenientes. Mas, como se sabe, o desenvolvimento mental ou da consciência não é para a maioria. Ela prefere viver no comum de suas ocupações diárias sem se preocupar com o que seja para a sua evolução.

Contudo, não se ignora que muitos, apesar de terem consumido muitos anos de suas vidas na busca da evolução, psíquica e mental, eles não a conseguiram como queriam. Porém, podem ter conseguido um melhor desempenho de suas funções intelectuais para poder conversar sobre assuntos como esoterismo, misticismo e outros “ismos” quaisquer. Conversar sobre tais assuntos com quem quer que seja isso não significa ter aquela evolução, ter aquele desenvolvimento dos poderes latentes anteriormente citados neste texto. Apenas significa “estar por dentro” de tais assuntos. Já ouvi dizer que todo o tempo decorrido para a consecução do desenvolver da consciência nunca é perdido. Se tal desenvolver não se completa enquanto se é vivo, ele prossegue no outro plano de existência até quando se retorna aqui.

Sobre o “ir e voltar” é interessante saber o que outros pensam sobre isso, sendo ou não contrário ao que pensamos é bom para comparação. Para aclarar ou confundir (risos) a reflexão sobre a certeza ou dúvida de muitos, Epicuro (341- 271 a. C.) o filósofo grego exteriorizou seu “saber” sobre o que ocorre depois da morte assim: É necessário admitir que a alma leva em si causa principal das sensações, mas certamente estas não se produziriam se de algum modo não estivessem contidas no resto do organismo. E, também, no entanto, verdadeiro dizer-se que, logo que se dissolve inteiramente o corpo, a alma se dissipa, e disseminada perde a sua força, de tal modo que também ela se torna insensível.

No início deste texto lá está “Para quem na velhice sempre tem o hábito de refletir...” isso corresponde ao descontentamento que muitos têm ou tiveram de não terem atingido um estado de evolução superior ao estado de evolução comum em que atualmente se encontram. Se servir de consolo... “Muito do que se oferecia e se queria” era sem probabilidade de obter. E isso, infelizmente, é muito demorado para saber.

                                                                               Altino Olimpio



   




sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Os Anjos da Guarda





Dizem que todos nós temos os nossos Anjos da Guarda. Vários livros foram editados sobre eles. Já ouvi pelo rádio alguém de um programa aconselhar algum ouvinte com algum problema a rezar ou ler um salmo para o seu Anjo da Guarda. Uma esotérica também já discorreu sobre eles em seu livro e até explicou para aqueles que, segundo ela, não possuem um
por causa da data em que nasceram, se assim me lembro. Mas, eles podem  escolher para si, qualquer um dos que existem.

Na África, Somália, no dia quatorze deste mês de outubro ocorreu um atentado terrorista que vitimou centenas de pessoas. Até quando acompanhei esse horror pela internet a contagem chegava a trezentos e cinquenta e nove mortos imediatos. Deduz-se então que trezentos e cinquenta e nove Anjos da Guarda ficaram sem os seus donos e “sem mais ter o que fazer” enquanto eles não se decidam para onde vão para proteger outros sob suas guardas, sendo assim esse o motivo de suas funções.

                                                                                  Altino Olimpio   

domingo, 22 de outubro de 2017

Neste mundo tem gosto pra tudo






Um contagiante entretenimento era o ouvir programas de rádio. Boas músicas se ouviam, notícias do país e até as novelas radiofônicas eram uma distração agradável sem distorcer a moral que era bem avaliada. Mais para os homens, o futebol irradiado os encantava. Era quando muito se ouvia falar do goleiro Cabeção (depois Gilmar), Homero e Olavo, o famoso trio da defesa do time de futebol do Corinthians e de seus atacantes, Claudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Simão. Para seus divertimentos a maioria se dedicava a ouvir rádio, frequentar os clubes onde diretamente se podia participar dos esportes ou se distrair ao assistir outros participarem. Ah, os bailes, “os grandes bailes” abrilhantados por boas orquestras eram emocionantes. Baile da primavera, baile de formatura, baile de reveillon, baile de carnaval e etc. Era a época em que as estações de rádio imperavam no atrair das atenções, pois, reinavam sem qualquer concorrência auditiva.

Mas, uma mudança do cotidiano estava por ocorrer. Em 1950 surgiu no Brasil o primeiro canal de televisão, a TV Tupi na Cidade de São Paulo. Ela veio para conquistar todos os habitantes deste nosso país. Depois surgiram outros canais de televisão e no início dessa transmissão audiovisual, tudo parecia ser um bem público sem consequências danosas aos telespectadores. Entretanto, os clubes que promoviam entretenimento para os seus associados foram se esvaziando deles, devido à distração com que a televisão difundia para mais mantê-los em suas casas. O contato humano também se enfraqueceu. Ficou sendo preferível deixá-lo, para quando, “por coincidência”, os parentes, os amigos e os conhecidos se encontrassem em algum lugar. A televisão veio mesmo para modificar ou mesmo para prejudicar muitos costumes saudáveis que ficaram saudosos. Aquele costume das pessoas se visitarem em suas casas, quando, entre conversas se atualizava sobre os fatos decorrentes dos dias passados, esse costume também se perdeu para o ganho do costume de assistir televisão.

Quanto às estações de rádio, mesmo após perder parte de sua audiência, elas permanecem ativas e ouvidas até hoje. Mas, atualmente, estão ausentes naquelas estações de frequências moduladas (FM) as boas músicas. Aquelas que até acalmavam os ânimos ao ouvi-las. Em escritórios, em restaurantes e em outros ambientes eram comuns a sintonização com as estações de rádio transmitindo em FM melodias agradáveis, extensivas para todos que estivessem presente para ouvi-las. Infelizmente, como tudo muda e no mais das vezes para pior, agora as estações de rádio “caíram de nível”. Elas deixaram sem opção de entretenimento radiofônico para quem não se importa com futebol e nem é religioso.


Quase todas as estações de rádio possuem “cientistas” locutores para explicações sobre futebol, isso, diariamente. Falam e falam como se essa paixão nacional e mundial fosse à única razão para se viver. Programas sobre religião, então... Penso ser melhor mudar de assunto aqui, porque senão, minha mente vai ficar divagando sobre cultura e isso não faz parte deste texto. Aquelas estações de rádio que se dispõe a irradiar músicas, então... Fazem-me lembrar do passado de quando elas, de fato, eram desejosas de serem ouvidas. Resumindo, parece que não há mais nada para se ouvir do rádio. Ficar ouvindo os cachorros dos vizinhos latindo, embora irritem, parece que está sendo a melhor opção (risos). Sobre os programas de televisão... Creio ser melhor terminar de escrever este texto porque ele já está “comprido”. Pra que então continuar a discorrer sobre assuntos que nada contribuirão para frear ou modificar o que sejam inutilidades e desagradabilidades transmissivas desta época?

                                                                             Altino Olimpio   


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Morrer e renascer





Dizem que existiram ou existem pessoas que se lembram de suas últimas encarnações aqui na terra e o que, quem e como foram em suas vidas passadas e etc. Isso é interessante e importante. Mas, mais interessante e mais importante seria alguém se lembrar donde esteve antes de se reencarnar (não me lembro de notícias sobre isso) e como é lá, alhures. Assim poderíamos ter uma noção do que de bom nos espera naquele lugar intermediário entre as reencarnações e do tempo que precisaríamos ficar por lá para nos preparar para aqui na terra voltar.

O cristianismo ou o catolicismo acredita na ressurreição, mas não na reencarnação. A ciência nada nos pode definir, porque, ela nada vasculha cientificamente sobre um estado ou plano transcendental “existente” para poder certificá-lo como procedente e real. Talvez fosse tarefa para os filósofos atuais nos auxiliarem no entendimento sobre “fatos” ainda indecifráveis, como é o caso da teoria da reencarnação. Mas, como penso,     filósofo que ganha dinheiro como filósofo não é filósofo (risos). Então, os filósofos profissionais de hoje e da mídia não teriam como sustentar outra teoria mais convincente das que já existem sobre a reencarnação. A não ser, repeti-las, ou, desconsiderá-las para não se comprometerem com esse tema tão controverso e polêmico.

Desde os dias dos pré-socráticos até estes nossos dias continua indefinida a certeza absoluta sobre a existência da reencarnação. Como divulgado pela mídia, um grupo da população de origem árabe quando morre, por ter prestado sacrifício em prol do Alá, integrantes de tal grupo são recompensados com a posse de várias mulheres virgens, isso, num outro plano de existência. Com essa mordomia “significativa” eles jamais iriam querer reencarnar (risos) e talvez nem acreditem nessa possibilidade. Como, então, se possa deduzir, a reencarnação é acreditada ou desacreditada, conforme a ideologia de cada povo deste planeta tão repleto de crenças, coerentes ou incoerentes sobre probabilidades do além da vida.

                                                                                   Altino Olimpio

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Vivências inquietantes





Numa das visitas que fiz ao amigo Paulo, lá na Vila Buarque de São Paulo, ele que era, como se dizia, psicólogo, como eu o soube foi o único demitido dos estudos de uma fraternidade mística existente aqui no Brasil. Eu nunca soube ao certo o motivo porque o dispensaram dela. Naquele dia, então, o pai do Paulo também esteve presente naquele “consultório” que mais se parecia com um escritório. Enquanto eu conversava com o Paulo, aquele pai sempre nos interrompia e dizia pra mim: O senhor não sabe como é triste não ter o que fazer. Concordei com ele e continuei a conversa com o Paulo. Outra vez ele interrompeu a conversa para me dizer a mesma coisa que me disse anteriormente. Concordei com ele outra vez, mas, “o senhor não sabe como é triste não ter o que fazer”, se repetiu outras vezes e eu fiquei a pensar que aquele homem estava mentalmente perturbado.

Mais ou menos um mês depois, quando membros da família dele estavam ausentes no litoral, ao retornarem o encontraram morto. Lembrei-me então do “o senhor não sabe como é triste não ter o que fazer”. Será que ele já estava cansado de viver? Lembrei-me também de quando ao falar para o Paulo algo contra a maçonaria, o pai dele me repreendeu: Isso é mentira! Devia ser mesmo, porque, aquele senhor devia saber, pois, ele era maçom e do grau trinta e três, conforme o Paulo me informou. Também, ele era um dos membros pioneiros do Brasil de uma muito conceituada fraternidade mística, a mesma da qual o seu filho Paulo se encontrava dispensado dela e que, cuja Sede Central dela encontra-se em São José do Estado da Califórnia, nos Estados Unidos. Conforme soube pelo Paulo, o pai dele foi também o autor de um livro sobre tributação que foi sucesso de vendas e era ele quem preparava o imposto de renda para o então ex-presidente, senhor Jânio Quadros. Fora curioso como no fim de sua vida ele se encontrava desconsolado dela por não mais ter o que fazer.

Da última vez que fui visitar o Paulo, meu amigo Romeu, esteve comigo. Sentados junto a uma mesa defronte ao Paulo que estava sentado do outro lado dela e o Romeu estando à minha direita, nossa conversa estava fluindo normalmente quando sem nada dizer o Paulo retirou de uma gaveta uma pistola automática. Esse gesto não interrompeu a nossa conversa que continuou até meio indiferente com a visão daquela arma. Mas, o Paulo, surpreendente, primeiro apontou-a para o meu rosto enquanto “sem querer” movia a mira dela de um lado a outro e quando a mantinha sem se mover ela ficava apontada para a minha testa. Durante segundos parecidos intermináveis diante de minha aflição, eu só fiquei a olhar para aquela arma sem esboçar qualquer reação. Depois o Paulo repetiu essa façanha com o Romeu. O Romeu também não se intimidou e continuou a falar como se nada de anormal estivesse acontecendo, embora, às vezes fixasse o olhar naquela arma apontada para ele sem qualquer justificativa para isso.

O alívio só veio a surgir quando o Paulo deixou de nos focalizar aquela arma e em seguido retirou o “pente” dela, o carregador completo com a quantidade de suas balas mortíferas. Se nos existia dúvida se a arma estava carregada ou não, ela foi desfeita quando eu e o Romeu vimos o Paulo retirar o carregador dela. Será que o Paulo quis testar nossa coragem ou o nosso sangue frio? Não me lembro se entre nós surgiu algum assunto sobre aquela arma, pois, logo eu e o Romeu sem termos entendido o porquê daquela “ameaça psicológica”, nos despedimos do Paulo e quando já fora daquele prédio aonde íamos para visitar aquele “amigo”, falei para o Romeu: Nunca mais voltarei aqui, porque, o que o Paulo nos fez nunca se deve fazer. De fato nunca mais voltei, mas, o Romeu voltou e às vezes me dava notícias do Paulo, como, da doença estomacal que o estava afligindo.

O Paulo, novo ainda, morreu no mês de março de 1990. Com o Romeu estive na “missa do sétimo dia” por intenção da morte dele que ocorreu próximo ao Viaduto Tutóia que fica sobre a Avenida Vinte e Três de Maio em São Paulo. Isso, no dia dezesseis de março, no mesmo dia em que no Brasil, sob a presidência do então Fernando Collor de Mello foi confiscado o dinheiro da poupança de todos os brasileiros que a possuíam. Foi depois daquela missa que vim a conhecer alguns dos familiares do Paulo. A igreja não esteve repleta e notei a ausência dos “amigos” que pertenciam à mesma fraternidade da qual o Paulo pertenceu. Ao ouvir o Romeu conversar com a esposa do Paulo, ouvi-a dizer que ela odiava aquela instituição mística e filosófica a que ele, seu marido, pertenceu. Entretanto, o motivo de tal repulsa, eu e o Romeu não ficamos sabendo. E aqui termina esta narrativa sobre um companheiro de aprendizados incomuns para a maioria do viver comum. Por motivos óbvios não foram escritos os sobrenomes dos envolvidos nesta crônica, ou, nesta história vivida por mim. 

                                                                                Altino Olimpio

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A ciência e a inconsistência





Neste mundo existe a ciência e a inconsistência. A ciência sempre está a comprovar o que de fato existe ou não. A inconsistência está no crer em fatos apenas imaginados, mas, nunca comprovados. Como exemplo, física é ciência e metafísica (além da física) é inconsistência, pra quem assim quer entender. Parafraseando filósofos do passado, neste mundo de mutações tudo é um “vir a ser” enquanto muito vai deixando de ser. A maioria das pessoas tem um viver comum, desinteressadas com a evolução mental ou espiritual com que outros acreditam existir e almejam possuir. Muitas das tais pessoas desinteressadas nem imaginam quantas instituições existem para ensinarem seus afiliados a desenvolverem suas capacidades latentes para atuarem num plano além do físico, o metafísico.

Muitos adeptos dessas instituições, algumas chamadas de Escolas de Mistério, Sociedades Secretas, Sociedades Esotéricas e etc. muito tempo dedicaram à prática de enviar pensamentos à distância “sem conseguirem” (risos). Tais escolas tinham (ou ainda têm) várias técnicas para esse intento de nome “telepatia” (comunicação de pensamentos), pertencentes mais à inconsistência do que à ciência. Nesta época do sempre “vir a ser” de tanta tecnologia a ciência aposentou a telepatia, coitada (risos). Nem pra mulher que tanto se amava se conseguia enviar pensamentos (risos). Mas, pra que se concentrar e se esforçar para emitir mensagens pelo pensamento se não se tem certeza que o destinatário as receba?   

Agora a comunicação à distância (graças à ciência) não sendo nenhum milagre, é tão prática e tão comum através dos chamados telefones celulares. Qualquer mulher pode enviar mensagem para o seu marido mesmo se ele estiver longe de casa num motel e com outra mulher (risos). A ciência sempre avançando através da tecnologia tem destruído muitas ilusões, incluindo o mito da transmissão voluntária do pensamento. Atualmente o tão constante uso do telefone celular para as comunicações reais à distância fará com que a telepatia até desapareça do vocabulário. Quanto aos antigos discípulos daquelas instituições supracitadas que nunca conseguiram enviar pensamentos através da mente, o que lhes era impossível e eles não sabiam, cientificamente “falando”, eles podem agora enviarem suas mensagens escritas ou audíveis para onde e para quem quiserem “celularmente”. Sempre soberana, a ciência vai desiludindo as ilusões com que a fecundidade imaginativa dos homens “alimenta” a inconsistência.  

                                                                                 Altino Olimpio

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Reencontros parentescos





Foi na quinta-feira, dia 28/09/2017 que viajando de trem estive na Cidade de Jundiaí para rever minha prima Cali (Clarice do Amparo), isso, depois de muitos anos sem vê-la. Com o seu automóvel esteve me esperando na estação do trem e a primeira coisa que me disse foi: Nossa como você está velho! (risos). Ela me levou até o apartamento onde mora com o seu filho Marcelo. Nós memoramos alguns fatos do passado de quando estivemos presentes e participamos. Em seguida fomos passear pela cidade e ela me levou a conhecer a loja do seu filho Marcelo. E lá conheci o Paulo, filho dele, um dos netos dela. Lá tomei um cafezinho outra vez, e naquele ambiente bem harmonioso devido aos assuntos agradáveis daqueles momentos de não “faltar assuntos”, eu e ela nos retiramos para irmos visitar a Lili, filha da Cali. Conheci, então, o marido da Lili, o Toninho, a filha dela Tanali (Que nome bonito, não?) e a filha da filha dela, a Giovana, bisneta da Cali, e também, as duas cachorras que também fazem parte da família (risos), sendo que uma delas é bem velha.

Sentados ao redor da mesa saboreando café (outra vez, risos) a conversa também esteve muito agradável. Às vezes os assuntos eram mesmo para rirmos. Até filosofamos sobre algumas de nossas crenças ou descrenças. Depois uma surpresa. Todos daquela casa e eu, fomos pra Jundiaí Mirim que eu não conhecia, para a casa da Alba que estava aniversariando. Uma prima que também fazia muito tempo que não a via. Alba era filha da Nice (saudosa) irmã da Cali. O marido da Alba, o Marcos tempos atrás eu já o havia conhecido, mas, os filhos deles, rapazes altos, isso me fez pensar que talvez eles tivessem sido constituídos com algum aplicativo de fermento (risos). Várias pessoas compareceram para comemorarem o aniversário da Alba, inclusive o Alfredo Paulo, irmão dela que pela última vez eu o vi no dia em que ele se casou. Ah, o Pedrinho que se parece um pouco com o Carlitos (Charlie Chaplin) e é viúvo da Nice, também estando lá, ele me lembrou da brincadeira de quando eu telefonei pra Nice e pergunte-lhe: Ai mora uma caipira de Jundiaí? E como ela brava me dedicou muitos palavrões, mas, sem saber que era seu primo que esteve a brincar com ela.

Agora vamos para as coincidências. O dia do aniversário da Alba, dia “vinte e oito de setembro” seria o mesmo dia do aniversário do meu filho Alexandre que faleceu em 1991. Minha esposa faleceu num dia “nove de novembro”, o mesmo dia do aniversário da minha sobrinha Ligia, filha do meu irmão Walter. Minha filha Sara Elisa aniversaria em “cinco de abril” no mesmo dia em que aniversaria a sobrinha dela, a Daniela que é minha neta e filha do meu filho Evandro. O filho da minha filha Anissia Veruska, o japonesinho Alexandre, o aniversário dele é no dia “vinte de dezembro”, mesmo dia da minha sobrinha Charito filha da minha saudosa cunhada Estrela, irmã de minha saudosa esposa, Pepita. Só mesmo eu é que tive coincidência desagradável sobre meu aniversário, dia “doze de agosto”, mesmo dia de alguém que é político (Fernando Collor de Mello) e isso, atualmente, não é motivo de orgulho, se é que alguma vez tenha sido (risos). Quanto a minha ida à Jundiaí, que dia feliz para sempre recordar. Nestes tempos de que muitos se queixam de se sentirem sós porque seus parentes já se foram daqui e que as amizades já não são como foram outrora, de quando todos tinham tempo para todos, o passeio me fez muito bem. Obrigado Cali pelos bons momentos que passei quando ai te revi.

                                                                                Altino Olimpio   

    


domingo, 24 de setembro de 2017

Dispensar pensamentos





O pensamento, ele pode estar ao nosso favor ou contra nós. Diariamente é contra porque ele é uma profusão de lembranças que nos invadem a qualquer hora sem mesmo querermos. Quando queremos pensar num fato, apenas num fato específico, outros fatos diferentes, alheios ao fato que queremos pensar nos surgem como intrusos para nos distrair e nos atrapalhar. Dando guarida a eles, seguindo-os, às vezes até nos esquecemos do fato que de início quisemos refletir sobre ele. Distrair-se assim é falta de concentração. É o desperdício de a consciência perder-se em devaneios.

Acontece vivermos numa época considerando a época anterior melhor. Principalmente se ela esteve mais romântica e mais repleta de fatos que são agradáveis para relembrar. Muitas pessoas se queixam de que nestes dias as atrações agradáveis se tornaram ausentes e que as atrações existentes não são convincentes. Os presentes para elas mais são intercalados com as lembranças do passado. Se lembrarem do que e de como foram não condiz com suas situações atuais. Um sentimento de vazio parece existir nesses seus dias sem emoções. Revivendo seus passados todos se sentem como se estivessem assistindo o filme de suas vidas como se fossem os protagonistas principais. Isso lhes confere um grau de importância na vida.

Mas, a importância que alguém sente sobre si é igual às importâncias que os outros sentem também (risos). Contudo, quase todos vivem dominados pelos seus pensamentos. Aqueles que lhes aparecem na mente “sem querer” e a qualquer momento.  Segui-los é “cair” em divagações. É o mesmo que se ausentar do presente. É distrair-se da atualidade enquanto a mente divaga por onde a memória a leva, comumente para fatos já ocorridos e alheios aos momentos do presente. Dissipar os pensamentos para situar a consciência no estado presente não é fácil. Entretanto, refutá-los imediatamente um a um quando eles surgem e com isso “levado à prática diária”, com o tempo eles podem ser reduzidos a poucos ou mesmo a nenhum. Isso, pelo menos, pelos instantes quando se quer desobstruir a mente de pensamentos improducentes que só servem para preenchê-la sem ter propósitos fora dela.

Com a prática citada acima de excluir pensamentos, isso corrobora com a tranquilidade de viver. Quem já experimentou esse estado de ausência de pensamentos bem sabe da paz que tal ausência produz. Se não há pensamento não há tristeza e nem alegria, não há saudade, não há necessidade de precisar de algo para se entreter, se não há pensamento fica-se mais presente no presente. São nos presentes que temos contato com a nossa realidade, embora, eles sejam furtivos. Distrair-se nos pensamentos que são de lembranças é querer conviver com o que não mais existe.   

                                                                          Altino Olimpio

















quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O mundo e a humanidade




Existe o nosso mundo e a humanidade. O mundo é real e a humanidade é a realidade vivendo de irrealidades. Decepciona como ela se apega às incoerências. Para os seres humanos o mundo é apenas o chão pra eles pisarem. Eles com suas soberbas pensam ser especiais e que o mundo “foi criado” apenas para o desfrute deles. Seres humanos são criaturas que morrem, mas, o mundo não! Morrem mas parece que não morrem. Isso porque, como dizem, haverá um julgamento, um acerto de contas com o responsável por suas existências. Então, para ser julgado é preciso existir “de algum modo” (risos). Quanto a quem é mais importante ou real, se a humanidade desaparecer o mundo continua a existir. Mas, se o mundo desaparecer como a humanidade irá permanecer? Ela poderá permanecer na esperança de futuramente serem viáveis as viagens interplanetárias antes da terra se “desesterrar” (risos).

Várias vezes, como se sabe, já especularam datas para o fim do mundo. Todos que especularam sobre a morte do mundo já morreram (risos) e ele continua maravilhoso mesmo suportando em sua crosta os lunáticos que viviam no mundo da lua e se transferiram para cá. O mundo é quem é o dono da natureza. Os homens “não são donos de nada” e só se apropriam do que ela produz. De vez em quando ela fica zangada e parece que gosta de se vingar, provocando epidemias, tufões, tornados, terremotos e etc. Entretanto, o mundo nunca vai acabar. Ele é o palco para os homens e as mulheres representarem suas fantasias e ilusões enquanto a grande plateia que, com qualquer coisa se sugestiona, as imita para se fantasiar e se iludir também com o mesmo jeito de viver que para muitos convém.

Porém, os habitantes deste mundo evoluíram e há esperança para a terra ser um paraíso (risos). Antigamente muitos eram unânimes em dizer que as mulheres eram rivais entre si por causa dos homens como entre si viviam em disputas os homens por causa delas. Agora já se vê mulheres com mulheres e homens com homens andando de mãos dadas pela cidade, e isso é uma indicação de que parece estar no fim à rivalidade entre as mulheres e a disputa por elas entre os homens. A lei da física de quando forças diferentes se atraem e forças iguais se repelem não é mais parâmetro para os de agora, já não poucos “novos” relacionamentos humanos.
                                                                                   Altino Olimpio

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O desprendido





Lembro-me de quando ainda era criança e de quando meu avô materno veio visitar minha família lá no Bairro da Fábrica de Papel de Caieiras.  Homem simples do Sítio do Castanho pertencente ao Município de Jundiaí, ele veio caracterizado mesmo com sua simplicidade. Com camisa comum, calça com o cinto por fora dos passadores e... O mais surpreendente, ele veio descalço. Assim “apresentável”, primeiro ele embarcou num trem na Estação de Várzea Paulista (Jundiaí) da Estrada de Ferro Santos a Jundiaí (Hoje, CPTM, Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e ao desembarcar na Estação de Caieiras, a seguir embarcou na “Maquininha” (trenzinho) do percurso Caieiras ao Bairro da Fábrica. Nessa lembrança de criança, ainda continua na minha memória o fato de minha mãe muito ter gostado da visita de seu pai, mas, também, “nada ter gostado” de vê-lo descalço e tão à vontade como se fosse normal alguém caminhar pelas ruas sem a “proteção de couro” para os seus pés. Afinal, o que a vizinhança poderia dizer sobre ela e o pai dela? O que iriam falar sobre os pés desprotegidos dele (risos)?

Agora, mais ou menos sessenta e cinco anos depois, lembrando-me daquela visita do meu avô, não como crítica, mas, sim como elogio, o velho era um caipira autêntico, desses que não se vê mais. Nem é preciso escrever aqui que ele foi um homem despretensioso e honesto. Ele, José Anselmo do Amparo, casado com a Patrocina Rodrigues do Amparo, minha avó, ele era de poucas palavras. Vestia-se como queria e não se importava se alguém se importava com o modo dele se vestir. Hoje quando vejo muitas moças trajando calças de jeans rasgadas nos joelhos sendo a moda com que a moda se acomoda e se amolda em rasgos e desfiados, fico pensando se só o meu avô era caipira só porque a ninguém ele imitava (risos). Quanto a ele ser de poucas palavras, ele já havia aprendido o que parece que mais ninguém aprendeu: Abrir a boca e falar só quando é necessário. Nestes tempos, muitas pessoas falam, falam, falam e tanto falam mesmo que nada haja para aproveitar (risos). Naquele dia da visita do meu avô, na volta para o seu sítio eu fui com ele e lá fiquei por oito dias, mas, isto seria para contar numa outra ocasião.

                                                                                  Altino Olimpio