quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A tapeação da vida

A tapeação da vida

Quem muito evoluiu (ou já envelheceu) tendo perdido a curiosidade de qualquer coisa querer ver, querer saber, querer participar e tendo perdido o desejo de querer fazer, querer comprar, querer conquistar, querer ter e querer ser, tal pessoa já venceu as ilusões da vida restando-lhe apenas a ilusão de que se consegue viver sem elas (risos). Qualquer pessoa que se conheça ou não, “sem sombras de dúvidas” ela é uma iludida. Ela pensa que é alguém até que a morte a separe da vida tornando-a ninguém. Morrer não é ilusão. Nascer também não. Mas, no viver ela pode ser. Entre o nascer e o morrer, a ilusão não descansa para impedir que a realidade possa se expressar e decidir sobre o que convém ou não para a vida ser autêntica sem os engodos que redundam em decepções e desilusões futuras.

Entretanto, as ilusões parecem ser necessárias. Muitas delas servem para os entretenimentos. Mesmo sendo de momentos passageiros e ridículos no mais das vezes, muitos não conseguem ficar sem eles. Outras ilusões servem para desejar o que depois só servirá para atrapalhar. As ilusões são as tapeações para que a vida seja mais, digamos, atrativa. A maior desilusão seria conversar com uma pessoa que não tenha ilusão (risos), se é que neste mundo de doidos exista alguma. Por não ter ilusão, ela não concordaria que o Brasil seja o país do futuro. Por não ter ilusão, ela não acreditaria em eleição. Por não ter ilusão ela não acreditaria em político e nem em Partido bom. Ela desagradaria os iludidos e eles são muitos nesta nação onde corrupção é real e não é ilusão. Mas, como dizem, tem alguém vendo tudo isso e... Será que isso também não é...

                                                                                         Altino Olimpio