segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Traições e pecados foram prazeres

Naquele pedacinho do mundo, na cidadezinha de Caieiras do passado, qualquer pessoa tinha lá sua notoriedade. Lá ninguém ficava no anonimato. Todos se conheciam, sempre se viam e de todos, todos sabiam. Quem era quem, casado com quem, pai de quem, filho de quem, neto de quem. Em que seção da fábrica trabalhava e que profissão tinha e se era chefe ou subordinado e etc. Sabia-se até de quem tinha um caso extraconjugal “proibido” pela moral de quem não tinha um caso igual (risos). E esta crônica é dedicada a eles para o desagrado de quem gosta de tapar o sol com peneira e não gosta de falar das traições e dos “pecados” sensuais e sexuais das vidas alheias.

Naquele lugar onde a moral nem sempre sozinha habitava, existia aquele clube que era cúmplice para facilitar o que não podia se revelar. Enquanto um dos diretores do clube ficava por lá exercendo suas funções, outro que frequentava o clube e que era jogador de futebol aos domingos, ia até a casa do tal diretor “visitar” a esposa dele “nas sombras da noite”. Muitos anos depois, o próprio jogador me contou isso aos detalhes e como se vangloriava! Faz tempo que ele morreu e como era um livro aberto não levou nenhum segredo para o túmulo (risos). E aquela respeitável senhora alemã também... Quem diria, hein? Mas, já não se praticam traições e pecados tão prazerosos como se praticavam antigamente (risos). Muito tempo já se passou e aquele lugar que não mais existe, só na memória ficou com os segredos eróticos que sepultou.

                                                                                         Altino Olimpio