quarta-feira, 3 de agosto de 2016

E ainda dizem que louco sou eu


Ao comentar sobre uma das minhas crônicas pela internet, um amigo do Bairro de Pirituba escreveu sobre suas lembranças do tempo em que se confessava “pecados” aos padres: --Padre, eu fiz porcaria. –Com meninos ou com meninas? –Fiz sozinho. –Isso faz mal à saúde. Agora você tem que rezar cinquenta Ave Maria e dez Pais Nosso.  Antigamente era assim mesmo no confessionário e essa lembrança do meu amigo me fez recordar de outra sobre o mesmo “tema” (risos). Um amigo de São Paulo, dos tempos das sendas das ilusões e das superstições, ao abandonar uma delas por considerá-la sendo do mal, para seu salvamento “ou sei lá o que”, ele recorreu pela “proteção” de uma das mais sérias das igrejas evangélicas.

Certa vez estava ele na igreja lotada por homens, mulheres e a banda, quando um dos “inspirados” do dia para poder discorrer sobre trechos religiosos ou conselhos falou ao microfone: Meu irmão, ontem você sujou a mão. Por que você fez isso? Ontem você sujou a mão. O rapaz desta história ficou surpreso, e amedrontado. Como aquele ancião que estava com a palavra pode saber que ele havia se masturbado? Mas que coisa horrorosa! Coitado, afinal o rapaz era solteiro e só tinha essa maneira de se “realizar”. Depois desse dia dele ter sido “desmascarado” num ato tão pecaminoso, ele ficou dois anos sem praticar esse prazer solitário. Mas, continuava preocupado porque às vezes tinha ejaculações noturnas, durante os sonhos pecava sem querer. Será que o espírito dele também se masturbava enquanto ele dormia? (risos).

O rapaz que já não era rapaz e sim um senhor, estudou e se formou, sendo hoje um psicólogo, inclusive com pós-graduação. No período de seus estudos, depois de dois anos sem se masturbar, ele retornou a essa prática. Graças aos recursos dos “dois pesos e duas medidas” que muitos adotam para suas vidas, ele também os adotou. Na religião o se masturbar não lhe era permitido, mas, na psicologia, sim. Ao dedicar-se ao estudo dela lhe fora ensinado que a masturbação lhe faria muito bem para aliviá-lo dos stress causados pelas agitações dos cotidianos. Ele continuou sendo evangélico, isto é, psicólogo evangélico ou evangélico psicólogo. Nas suas frequências a igreja nunca mais quaisquer dos anciões que estivessem com a palavra falou sobre ele ter sujado as mãos numa masturbação.  Talvez, porque, ele havia sido diplomado para isso na psicologia (risos).

                                                                                   Altino Olimpio