terça-feira, 28 de junho de 2016

O paraíso dos adormecidos

Na noite já madrugada na cama a consciência ainda existe ativa em seus derradeiros momentos. Aos poucos os pensamentos esparsos se substituem até o brusco imperceptível finalizar deles. Nesse não se existe, nesse o mundo não existe, nesse nada existe “é só o sono” que existe no seu adormecer fechando as cortinas e as portas para qualquer percepção consciente do mundo que é o palco do teatro da vida e tendo o homem como seu principal ator. Porém, atividades têm início apenas nos bastidores.

Imagens surgem e ressurgem sem ordem cronológica, sendo mesmo aleatória a sequência delas. Como num mundo de fantasmas pessoas também aparecem e desaparecem na aparição de outras a também desaparecer para o reaparecer de outras. São pessoas conhecidas ou desconhecidas estando em locais conhecidos ou desconhecidos tendo atuações diversas como também diversas são suas conversas. Tudo isso se passa nos “bastidores”, dentro do homem, o ator adormecido do teatro da vida do mundo. Isso tudo “é sonho”! O ator adormecido não sabe e apenas a tudo assiste sem o poder de interferir ou interceder.

Quando pra você a vida não te está sendo como quer, se tuas contrariedades diárias lhes tiram a paz e tuas preocupações te impedem de ser feliz... Saiba que o dormir é o único estado em que os desgostos e as tristezas desaparecem de verdade, pelo menos enquanto o teu adormecer perdura. Como compensação poderá ter belos sonhos e neles estar melhor do que quando esta desperta, consciente. Mesmo não tendo sonhos ou não se lembrando deles depois, o adormecer, se você se notasse, veria no seu semblante aquela calma d’alma entregando-se ao se imiscuir ao todo do universo do qual você é parte inseparável. Durma... Durma... Durma...

                                                                          Altino Olimpio