terça-feira, 31 de maio de 2016

Tudo culpa do lança perfume


Quando eu ainda não trabalhava, não fazia nada e também não atrapalhava o carnaval no clube onde eu morava estava chegando naquele meu estar precisando comprar um lança perfume para espirrar em outros no salão mas como não tinha dinheiro meu irmão falou vai carpir o meu terreno lá no Bairro de Perus que sem rodeios te dou cem cruzeiros e eu fui só que lá o mato estava grande o sol estava forte e eu não estava com sorte pois minhas mãos delicadas não queria calejá-las com o cabo da enxada então carpi só um pouco e lá naquele mato só peguei carrapato que muito me fizeram coçar o saco ai abandonei aquele trabalho resmungando que não era otário e com raiva voltei para onde eu morava e tomei banho esperando a noite chegar para meu irmão me pagar e foi quando aquele dinheiro me fez sentir como sendo o Luiz Inácio trambiqueiro e até mesmo pareceu que consegui aquele dinheiro vendendo mandioca roubada da mulher sapiens mas ai o carnaval chegou e meu pai falou não vá lá pular vá viajar não fique em casa e saia indo até aquele sítio de Atibaia que no passar dos anos ainda não se sabe quem são os donos e pode levar um amiguinho que lá tem um laguinho com dois pedalinhos e foi com eles que uma mulher aprendeu a dar grandes e invejadas pedaladas quando lá se encontrava de visita para banho se sol na grama tendo como parceiro um homem da elite que não era arruaceiro e que gostava de Brahma mas meu filho você também pode ir para Guarujá e te alerto desde já vai com o primo que ficou rico passear e dar um rolex por lá e com ele se instale num triplex já que o primo tem as chaves das portas e o porteiro não se importa se com ele você lá entrar mas saibam se esconder porque o dono de lá pode aparecer embora todos estejam convencidos que o dono de verdade é desconhecido entretanto não atendi ao conselho do meu pai e por bem ou por mal preferi ir ao carnaval mas não sabia que o castigo vem a cavalo pois pensando em me sair bem no embalo comprei um lança perfume que me deu trabalho pois logo sua válvula emperrou e não mais saia perfume pelo esguicho então tive que jogá-la no lixo e fiquei com raiva naquela hora porque havia jogado dinheiro fora e no fim do carnaval eu sabia que ia me dar mal porque meu irmão que era bom e um pedaço de pão ele  foi ver como estava carpido o terreno e viu que de fato lá ainda só tinha mato e ai ele me xingou de filho batuta mas a nossa mãe não tinha culpa e eu fiquei tão chateado mesmo sem ter pego chato no carnaval e como o remorso arde pensei em me confessar com um padre e para isso minha premissa foi  ir numa missa e naquele tempo já havia uma moça de nome Tela que dava por qualquer bagatela e lá também vi uma conhecida que não tinha medo do perigo pois vivia corneando o marido mas continuando lá vi que o padre era estrangeiro e novo no território brasileiro e quando alto ao invés dele ler Epístola de São João ele leu é pistola de São João ai não aguentei e cai na risada e aquela gente me olhou feio pensando que eu não valia nada e eu envergonhado com medo que pensassem que eu era um pecador fui saindo por um corredor resmungando assim seja e que assim seja e foi assim que eu sai da igreja mas meio zangado por não ter confessado para o padre o “golpe” que eu havia dado e que já era tão falado e até parece que tive um castigo e fiquei tonto pois cheguei até aqui sem vírgulas e sem pontos.


                                                                                 Altino Olimpio