segunda-feira, 16 de maio de 2016

Dois homens diferentes, completamente


Na década de sessenta do século passado, trabalhei na S. A. White Martins do Bairro da Pompéia da Cidade de São Paulo. Naquele prédio de seis andares eu trabalhei no quarto como desenhista. Daquela época, um fato ficou na minha memória e o relato agora. Havia lá um diretor e como eu soube, ele tinha um caráter elevado. Sempre que ganhava presente de alguém vindo de algum relacionamento comercial, ele escrevia uma carta de agradecimento e a enviava junto com a devolução do presente. Fácil de explicar essa atitude. Para ele, o aceitar presentes significava ficar devendo favores. Pelo Brasil afora, como fiquei sabendo, quem aceitava presentes de fornecedores eram (não generalizando) os compradores das indústrias. Sim, soube que ganhavam, às vezes, presentes valiosos e por isso, quem os presenteava tinham mais chances de vencer concorrências para vender seus produtos.  Nesse caso, os presentes para os compradores eram o corromper de suas honestidades podendo ser a corrupção tão em voga. Extremo oposto daquele diretor da S. A. White Martins foi um ex-presidente do Brasil. Quando venceu seu mandato e deixou a presidência, ele não trouxe para seu antigo lar os presentes que ganhou apenas num veículo. Precisou de uma caravana para transportar os presentes que havia ganhado (risos). Com tantos presentes recebidos teria ele se tornado devedor para retribuir de alguma forma os privilégios com que fora presenteado? Mas, muitos dos seus presentes recebidos (sem segundas intenções... até parece) não puderam ser desfrutados, porque, todos não cabiam no seu apartamento. Então, encaixotados foram instalados num galpão, talvez alugado para isso. Sabem-se lá quando tais presentes poderão ser desencaixotados para algum uso. O ex-presidente sempre foi de um partido político onde se dizia primava a mais louvável ética. Se nela estava inserido o caráter, não sei. Finalizando, comparando o ex-presidente com aquele antigo diretor da S. A. White Martins, com qual deles se expressaria mais a dignidade humana como exemplo a ser seguido? Gozado, hoje com tantos valores desvirtuados que tanto me confundiram, até fico em dúvida sobre em qual dos dois teríamos o melhor exemplo para seguir (risos). Aquele que devolve presentes e não fica com o “rabo preso” ou aquele que não devolve e fica preso devendo favores a quem o presenteou? Que o Deus da Índia o “Brahma” nos ilumine.


                                                                                      Altino Olimpio