quinta-feira, 12 de maio de 2016

A janela e o presente


Fui até a janela olhar para fora
As imagens são sempre as mesmas
A mesma rua e as mesmas residências
É difícil ver vizinhos fora de suas casas
O silêncio se escondeu nos barulhos
Dos veículos sempre a passar    
Pessoas desconhecidas agora passam
Passando ou não elas me são indiferentes
Seres humanos são apenas seres humanos
Igualam-se em suas ilusões e superstições
Sendo só o “já vi e ouvi” e nada acrescentam
Os segundos e os minutos e as horas
São o marcar do tempo dos homens
Imperceptíveis nestes dias sem agoras
Com tempos sem momentos diferentes
Que se repetem diferentes de outrora
Quando para tudo existia uma hora
Não como a qualquer hora de agora
Que seja qual for faz parte do meu tanto faz
O fechar das cortinas da janela
Deixou pra fora o mundo de fora
O pensamento procura algo para pensar
E reencontra a perceptividade do presente
O presente de agora sempre mais presente
O presente sem imagens e sem palavras
Sendo o forte sentir da vida sendo vivida
Ausente de pensamentos indesejáveis
Ausente também de quaisquer lembranças
Vida sendo como ela é e sendo o presente
Agora com sua percepção mais constante
Resultante das perdas das ilusões
Provenientes da existência agora mais longa
Pensamento meu e melhor amigo meu
Enquanto nós tivermos um ao outro
Nunca nos sentiremos abandonados
Somos aquele diálogo interno sem segredos
Preferindo viver longe dos mesmismos
Para o viver da nossa cumplicidade mental
Que diariamente nos entretêm e nos diverte
E até nos faz escrever

                                     Altino Olimpio