terça-feira, 3 de maio de 2016

A desonestidade nacional

     A desonestidade nacional

     Quando aos dezoito anos de idade eu era um rapaz simples e ingênuo de Caieiras, vim para a Cidade de São Paulo à Rua Brigadeiro Tobias para “tirar” minha carteira de identidade, isso em 1960. Naquele local, um salão enorme, nunca eu havia visto tanta gente tendo o mesmo objetivo. Era fila para tudo, como ainda hoje é e faz parte da felicidade brasileira. Estando na fila minha vez chegou para o passar da tinta nos meus dedos para o copiar das minhas impressões digitais. Havia vários homens para isso. Aquele senhor que o bom destino escolheu para me atender, foi-me muito simpático, sorridente, muito amigo. Senti-me especial e muito valorizado. Mas, depois que ele já havia transferido minhas impressões digitais para um cartão, ele educadamente, honestamente, carinhosamente me pediu algum dinheiro. Isso foi um susto quase vertigem para um jovem do interior daquela época. Inacreditável, como um senhor tão “honrado” sendo um funcionário público, já tendo seu salário mensal pode pedir dinheiro por algo que já estava sendo pago por fazer? Depois do ocorrido ainda fiquei por perto para “apreciar” aquele meu primeiro motivo aprender a amar ao próximo. Essa prática “legal e profissional” era usual entre todos aqueles atendentes de lá. Meu amor pelo próximo não ficou só nisso. No transcorrer da minha vida perdi vários “negócios” por não ter oferecido compensações extras para vencer concorrências. Um engenheiro arquiteto perguntou-me qual era a minha comissão sobre um produto que eu vendia para as construtoras. Respondi-lhe
   de quanto era a comissão e o cara de pau propôs dividirmos à meio minha comissão para, então, comprar o que eu vendia. Nunca mais voltei lá e devido a ele reforcei muita mais a minha admiração e estima pelo próximo... Bem distante da minha presença. Essas lembranças “suaves” são de quando a engenharia estava em crise e eu sendo projetista precisei “me virar” como vendedor (risos). Naqueles tempos eu não tinha evolução (talvez ainda não tenha) e por isso eu era maldoso no pensar: Será que existe algum brasileiro que preste neste país (risos)? Hoje não mais penso assim. O “pegar o que não pertence” faz parte da filosofia de vida. Pra alguns até é motivo de orgulho. Sinônimo de inteligência. Quando se levava uma televisão pro conserto, talvez a peça dela para ser trocada custasse pouco, mas, técnico que era técnico podia cobrar dezenas ou centenas de vezes o valor da peça do conserto. O mesmo podia acontecer num conserto de automóvel. Qualquer pessoa inexperiente sobre mecânica poderia ou não, dependendo do mecânico, pagar a mais pelo conserto. Pelo menos eles fazem alguma coisa. Que dizer das religiões que ganham dinheiro só falando? Todos sabem disso. Entretanto, alguém consegue imaginar quantas falcatruas monetárias existem por dia entre os brasileiros? Existem alguns desinformados que fecham os olhos e ficam pensando que o Brasil inteiro está roubando (risos). Nossa, que exagero!Não é bem assim. Nem todos têm a mesma oportunidade (risos). Ainda me lembro da propaganda, daquela da lei da vantagem do jogador de futebol, o Gerson, que, “vinha bem a calhar” para muitos brasileiros: O tirar vantagem em tudo. Entretanto, se diariamente existe desonestidade entre os civis brasileiros nas suas relações comerciais é porque muitos deles “sem querer” acatam esse costume vigente desde há muito tempo, sendo regra quase geral. Os políticos antes de serem como tais, de donde surgiram eles? Teriam surgido de algum convento? Se não me engano eles surgiram do povo. Então... Coitadinhos, eles têm as mesmas fraquezas, as mesmas ilusões, as mesmas ambições, as mesmas incoerências e até mesmo as mesmas safadezas, as mesmas desonestidades com que o ser humano explora ser humano. Só quem acredita em milagres pode pensar que todos eles sejam honestos sabendo de onde vieram, isto é, do povo. Mas, a responsabilidade dos políticos é maior do que qualquer cidadão comum, porque, ao serem empossados como deputados, senadores ou presidente, eles ficam sob um juramento, aquele de “manter, defender e cumprir a Constituição, OBSERVAR AS LEIS, promover o bem geral do povo brasileiro e etc.” Infelizmente, como se sabe, tal juramento é desprezado quando alguns idiotas eleitos servem-se do ganho ilícito para seus contentamentos de bandido, conforme a Mídia sempre divulga. Atualmente temos no Congresso Brasileiro e no Senado, algumas mulheres competentes e por isso, inteligentes. Mas, “só para contrariar” temos também algumas ignorantes e fanáticas defensoras do que e de quem não se deve defender e como irrita ouvi-las quando estão na tribuna com suas argumentações falseadas. Elas seriam mais felizes em seus Estados de origem e em suas casas sendo ótimas operadoras de fogão e operadoras de máquina de lavar roupa (risos). Quanto aos parlamentares, não todos, mas... Nesta época de quando parece que a ética, a moral, a sinceridade e a honestidade fugiram correndo do Brasil para evitarem seus assassinatos, os lugares deixados por elas foram ocupados pela corrupção, ela sendo mais evidente nos meios políticos.  Como não sou pessimista, tenho a esperança que daqui a apenas um milhão de anos o Brasil só terá em seu solo seres humanos perfeitos sem qualquer desvio de conduta que possa prejudicar seus semelhantes. Esse tempo chegará, só é preciso termos paciência. Oremos irmãos.

                                                                           Altino Olimpío