sábado, 5 de março de 2016

Um dos meus monólogos


Meus pensamentos me atacando outra vez... Às vezes eles me fazem ficar melancólico. Pensar é “conversar comigo mesmo”, sobre as visões mentais que vão surgindo. Agora tais visões são imagens de rostos que minha memória recompõe e os remete para a minha lembrança. São rostos conhecidos durante os anos de minha jornada profissional. Das amizades de então, ainda me lembro das amigas e dos amigos que ainda continuam morando e trabalhando “lá no meu passado”. Todos envelheceram (não sei quantos morreram) e eu não mais tendo tido a oportunidade de vê-los, congelei suas imagens na mente e sempre “os vejo” na aparência de como eram. Lembrando de um lugar e de alguns nomes agora penso assim: Quando eu tinha vinte anos, o Carlos, o Eduardo, o Maurice e outros com idade aproximada já tinham uns quarenta e cinco e mais. Essa diferença, mais ou menos de vinte e cinco anos, somada com a minha idade de hoje... Ah, todos já devem ter morrido. Fixo meu pensamento nas imagens dos rostos deles e sinto saudades. Aquelas moças de então e de minha estima, com idades não tão acima ou abaixo da minha, não sei se alguma já morreu. Uma delas, com carinho invoco o seu nome: Alice. Ela pertenceu ao departamento da firma donde eu trabalhei lá no Bairro da Pompéia de São Paulo, ela sendo a secretária do Engenheiro Maurice. Eu nunca havia visto uma moça tão pura e tão sincera e até meio ingênua como ela era. Às vezes na hora do almoço ela me levava para almoçar na casa dela. Deixei aquele emprego, me casei e nunca mais a vi. “Alice, Alice e Alice onde está você? Gostaria muito de te rever”. Mas, e se ela já se foi... Tomara que não! Várias vezes ouvi falar para não se ter apegos. Dizem não ser bom porque isso tem consequências que não quero me lembrar agora, e, no entanto, isso é “coisa” do intelecto sempre querendo ter domínio sobre os sentimentos. Intelecto é uma coisa, sentimento é outra! Muito do viver está no mental reviver. Principalmente quando com a idade já avançada a vida parece estar cansada e desiludida pelas distorções dos valores com que agora são vividos pela humanidade. Por isso, às vezes permito aos meus pensamentos rebuscar no passado as lembranças de pessoas com as quais convivi, amistosa ou profissionalmente, porque elas, como eu, pertenceram aos tempos quando os costumes não eram como os muitos de hoje, desumanos.

                                                                                          Altino Olimpio