quinta-feira, 3 de março de 2016

Você também já passou


Você também já passou

Eu sei como você se sente. Às vezes aquele vazio existencial te persegue e você o considera como um estado de espírito passageiro.  Talvez o vazio seja decorrente da tua passagem tão rápida pelos anos de sua vida transcorridos sem você perceber. Desde que você saiu de casa até agora, seu percorrer pelo destino de como foi a sua vida é um descortino de boas é más lembranças. Você fecha os olhos e “fica vendo” as imagens de seus filhos e netos. Você pensa que a vida de agora não é como a de outrora. Parece que o tempo de agora passa mais depressa. A sofisticação de hoje que “pegou” você também parece te impor o “não sobra tempo para mais nada” depois da rotina de suas “coisas do dia a dia”. Você da uma olhada pelo interior da sua casa e relembra de como “era cheia de vida” pela presença de seus filhos de quando jovens e crianças. A tua casa donde você está agora é a noção da distância entre ela e a casa do teu tempo de criança, do teu tempo de jovem, do tempo de seus pais. Pronto! Agora você reviu os rostos deles na mente. Faz tempo que eles se foram e isso lhe dá algum remorso por não tê-los visitado com mais frequência depois que você se casou e se mudou de lá. Aquela casa também foi “cheia de vida” enquanto você lá esteve. Fostes embora de lá e deixou um vazio para seu pai e sua mãe. Na melancolia que essas lembranças te fizeram sentir, tua mente com o que do passado ela esteve a decorar, ela te levou para o retorno daquela existência simples de sua origem de quando ainda era virgem para as malícias. Tua mãe estando ao preparar no fogão a refeição do dia. Ela ao tanque de lavar roupa. Ela ao estendê-las no varal, ela regando a horta, as flores do jardim, ela indo ao galinheiro para alimentar as galinhas com farelo e quirera. E o teu pai, quando em casa, noutras tarefas “mais pesadas” como, cortar lenha, consertar a cerca, carpir o mato do quintal, passar o rastelo no galinheiro para juntar o esterco das galinhas e etc. E você colecionando figurinhas, lendo gibi, indo na rua brincar com outras crianças e sendo criança como antigamente as crianças eram crianças. Hoje, quando você se distrai com entretenimentos eletrônicos atuais, a sensação não é como você só é como é agora sem ter existido no como foi no passado? Teus pais, tua infância e juventude quase são raridades para rememorar. Entretanto, quando seus pais ficaram velhos, como você agora também quase já está, bem que pensastes que eles já estavam “passados”, isto é, despreparados para as modernidades, inferiorizados perante você que se pensava uma pessoa melhor atualizada e melhor instruída.  Agora chegou ou está chegando sua vez de ter essas mesmas considerações pelos seus filhos. A história sempre se repete (risos). Quem é que anda se queixando de não se lembrar mais das coisas que se lembrava com facilidade? Então, você também “já passou” e passa o tempo se lembrando dessa desventura (risos). Antigamente, você sendo mais jovem era notoriedade até desejável onde estivesse. Agora não é mais. Aquele vazio sentido de vez em quando não seria por causa daquele nada diferente para fazer nos seus dias? Então... Aquele mundo que te viu nascer não é o mesmo que te vai ver morrer. Agora, com essa tua idade, a lembrança da morte já é mais frequente. Duvido que não penses nela. Você até pensa que logo vai morar com Deus. Mas Ele é a incógnita que está além da existência humana e aquém do poder de conceituar da sua consciência terrena. Ele só não é incógnito para aqueles cujos condicionamentos mentais substantivaram como concreta e não abstrata a existência Dele e você deve ser um deles. E você está ai naquele não sabe se logo vai e nem sabe por quanto tempo ainda fica (risos). Apavora mesmo voltar a ser o nada (igual ao nada do antes de existir) quando você e todos os seus feitos serão desfeitos. Contudo, não se preocupe, porque, a velhice logo passa, ela tem cura. Para isso basta perder a memória e não mais se lembrar de quem você é (risos).

                                                                                Altino Olimpio

luciano gonçalves nina
Responder|
Para:
altino olimpio
qua 02/03/2016 17:10
Prezado Sr Altino grato pelas belas palavras sábias e que despertam nossa memória e nossos sentimentos passados. Todos passamos ou vamos passar por isso. Acho muito bom, pois mostra que estamos vivos e conscientes; pena só que não tive a terra, horta e galinheiro!
Grande abraço

à disposição,
Luciano G Nina crm 42164
Prof Assistente de Otorrinolaringologia Fac Medicina de Jundiaí


Fatima Chiati
Responder|
Para:
'altino olimpio'
qua 02/03/2016 16:21
Nossa esta crônica foi demais! Pra refletir mesmo! É exatamente assim como você descreveu. O tempo passa e de repente você se vê cheio de saudades, recordações, arrependimentos e uma tristeza imensa por não poder voltar no tempo... Aquele tempo! Onde a felicidade era única, presente e forte. Aquele tempo! Em que tínhamos por perto as pessoas mais queridas, mais dedicadas e mais cheias de amor. Aquele tempo! Em que tudo era mais rico de emoção.
Ai, ai... Fiquei triste... E saudosa também
 Abraços
Fatima