segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Nada se sustenta

Lembro-me muito bem de quando na quaresma diziam: Se você comer carne você vai para o inferno. Para as crianças diziam que na quaresma não se podia falar palavrões. Desde há muito tempo não mais se ouve esses alertas salvadores. Se hoje algum mortal religioso com o instinto de benfeitor e com essas idéias do passado for tentar salvar alguém do inferno induzindo-o a não comer carne, o tal salvador tem que se salvar para não ser considerado irracional. Na vida tudo muda e ninguém se perturba. Bem, dizem que verdade que é verdade ela dura para sempre. Quando não é logo ela se desfaz.

Na Bíblia, em Levíticos, se me lembro, está escrito, mais ou menos assim: Maldito seja o homem que se deitar com outro homem. Parece que isso antes do casamento é pecado, sim (risos). A Bíblia é sagrada, mas não sei se ela ainda é consagrada àqueles que a desobedecem. Os homens que se deitam com outros homens (mulheres idem), são muito prestigiados por políticos que comparecem em suas passeatas quase sempre com segundas intenções. Aquelas para ganharem seus votos nas eleições. Então, tais eleitores dessas passeatas, como já se viram, não são poucos. Talvez, logo eles venham a ser quantidade suficiente para decidir uma eleição.

Também, hoje pouco se ouve falar da Extrema-Unção. Já tem gente que nem imagina o que seja isso. Antigamente era inconcebível morrer antes de recebê-la. Inclusive, na última hora de vida os pecados às vezes eram revelados para serem perdoados. Assim, o moribundo ou a moribunda se sentia no alívio de suas faltas e sua alma livre do peso poderia flutuar até chegar ao céu. Hoje parece que a extrema-unção é de extrema desnecessidade. Ninguém mais se preocupa com ela, ninguém fala dela. Eu, pelo menos, nunca mais ouvi.

Às vezes me ponho a pensar nas tantas coisas que eram e agora não são mais. Por que nada se sustenta? Por que eram mentiras, ilusões, delírios, superstições e impraticáveis? Essas perguntas não povoam as cabeças dos adultos. Mais as crianças são dadas a fazer perguntas. E os adultos enganados como quase sempre são, eles só podem enganar (sem querer) as crianças com suas respostas para as perguntas delas.


                                                                                           Altino Olimpio