domingo, 21 de fevereiro de 2016

A fascinação do Facebook


Minha amiga da Cidade de São Vicente, mais ela é conhecida por Xaropita. Com esse apelido parece que ela é jovem, mas não, ela já está na fila dos retirantes (risos). A amiga, coitada, sofre muito na vida por causa do calor. Não pode abrir portas e janelas para se refrescar porque da igreja ao lado dela vem um barulho insuportável de aparelho de som a serviço da divindade barulhenta. Ela nunca se esquece de no fim de uma conversa por telefone pedir e sempre insistir para que eu fique com Deus. Mas, Ele não fica comigo porque não o percebo me protegendo das amigas mal intencionadas que insistem para que eu participe do tal de Facebook. Uma delas me disse que é muito bom porque eu iria encontrar novas amizades, iria reencontrar amigos do passado, amigos do tempo da escola e até parentes há muito tempo não vistos.  Sempre respondi que participar dessas redes sociais demanda muito tempo e eu que tenho o curso superior de aposentado sênior, nessa profissão não tenho folga nem aos domingos e feriados e muito menos consigo sair de férias. Como então curtir e comentar postagens tão culturais das amigas e dos amigos? Sei que é uma pena eu não poder ver fotos de amigas e amigos que eram de um jeito e agora são de outro bem diferente e até difíceis de reconhecer (risos). Uma das amigas me disse que tem bem mais de mil pessoas como amigas e, por isso, eu quase morri de inveja dela. Porque, quando ela morrer, no velório dela não vai haver espaço para comportar tanta gente. No meu, por não pertencer ao Facebook poucos vão comparecer. Desde agora, se todos soubessem como isso me faz sofrer... Para muitos fanáticos, aqueles brasileiros do “não saber usar e só saber abusar, exagerar” o amor ao Facebook veio pra substituir o lendário “Amar a Deus sobre todas as coisas”. Para muita gente, o viver é o se distrair com o que só serve mesmo para distrair. Nada melhor na vida do que do si mesmo se desconcentrar para impedir o infortúnio que é ter algo importante para pensar.  


                                                                                       Altino Olimpio

É bom se lembrar dos tempos de rapaz


Quanto mais se vive mais se revive. Reviver só pode ser o que passou e ficou na memória. Na ainda inexistência da televisão, o rádio sim é que era a atração. Ouviam-se os mais famosos cantores, Francisco Alves, o Chico Viola ou o rei da voz. Silvio Caldas, o caboclinho querido, Orlando Silva o cantor das multidões, Nelson Gonçalves, Carlos Galhardo e outros que eram do romantismo da época. A maioria que se lembrava deles envelheceu e muitos já morreram. Seus descendentes, muitos deles não ouviram falar e muito menos os ouviram cantar. Os brasileiros não são dados a memorizar suas histórias e seus artistas, a não serem poucos que enveredam pelo passado resgatando memórias de cantores que foram o sucesso de suas épocas e até delírios para suas fãs, conforme o carinho que nutriam por eles. Depois do evento da televisão, aquele bom costume de famílias se visitarem ao gosto do café com bolinhos de chuva logo foi ficando cada vez mais esporádico até, como dizem hoje “ninguém mais se visita”. Por onde nasci passavam os trens da Estrada de Ferro Santo a Jundiaí. A alegria de pobre (risos) era se trajar de terno e gravata e embarcar nos antigos vagões de madeira de primeira classe rumo à cidade de São Paulo, para ir ao cinema. A cidade já ostentava o Edifício Martinelli, o mais alto da América latina daqueles tempos. Sua construção começou em 1922. Inaugurado em 1929 com doze andares, a construção continuou até em 1934 quando terminou tendo trinta andares. Ficava como ainda fica no início da Avenida São João. De suas alturas a extensão dessa avenida era bem visível. Era por onde circulavam os bondes com destino ao Bairro da Lapa. Primeiro, eles passavam onde à esquerda estava o Cine Art Palácio, inaugurado em 13/11/1936. Depois, logo à direita, se passava pelo Cine Broadway, inaugurado em 1934 e fechando suas portas em 1967. Logo mais adiante, do bonde se via à esquerda o Cine Metro, inaugurado em 15/03/1938. Lá, com a minha ainda noiva assisti ao filme “Doutor Jivago”. Naquela época e naquele romantismo, poucos eram os cinemas que permitiam a entrada sem estar de gravata. Para beijar a namorada durante o filme só quando o “lanterninha” estivesse distante. Seguindo com o passeio de bonde até a Lapa, o que se via hoje não mais se vê. Por “falar” em bonde, lembrei-me de uma música de carnaval para o Rio de Janeiro “O bonde de São Januário” que foi censurada na era do presidente Getulio Vargas. Um trecho da letra original era assim: O bonde de são Januário/leva mais um sócio otário/só eu não vou trabalhar. Depois da censura, modificado o trecho da letra, ele ficou assim: O bonde de São Januário/leva mais um operário/sou eu que vou trabalhar. Lembro-me bem dos bondes da Avenida São João de São Paulo e de seus ruídos característicos. Entretanto, o progresso no tempo vai pondo a perder como eram os locais, situações e pessoas que se foram e deixaram registros na memória. Ele a tudo modifica e quase nada fica de como era. Os antigos cinemas foram desaparecendo e alguns deles foram ocupados por religiões evangélicas. Depois que aqueles famosos cantores da “velha guarda” acima citados e outros que morreram, outros iguais nunca apareceram. Aquelas músicas com suas letras que despertavam emoções ficaram mesmo lá distantes, no passado. Neste “reviver” nostálgico de cantores, cinemas e bondes, oportuno também é a lembrança daquele samba cuja letra é pertinente ao passado que aqui brevemente foi narrado:
Recordar é viver/Eu ontem sonhei com você/Eu sonhei meu grande amor/Que você foi embora/E nunca mais voltou.

                                                                                    Altino Olimpio

De: Fatima Chiati
Enviado: sábado, 20 de fevereiro de 2016
Para: 'altino olimpio'
Assunto: RES: Faz tanto tempo...

Que tempo bom! Lembrei até programa Baile da Saudade com Francisco Petrônio, lembra? Cinemas, bondes, boas músicas. Tudo passado. Agora vivemos um presente de péssimas músicas, péssimos artistas e estilos nada românticos. O Funk chegou e não há meio de acabar. Tudo demonstra a pobreza espiritual, de sentimentos e de cultura dos tempos atuais. O ruim virou moda e a maioria resolveu aderir a esta moda. Tenho postado músicas do passado em minha página no Facebook. Poucos curtem. Poucos se interessam. Só nos resta recordar e lamentar que o que era  doce se acabou.
Abraço,
Fatima