quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

E tudo passa, tudo passará...


Se saia por onde se queria
Nem precisava dizer para onde se ia
Aquela vila do interior se escondia da cidade
Entre matas, eucaliptos e araucárias
Era pacata e se ouvia o apito da fábrica
Mas aos domingos a fábrica não apitava
Tudo parecia mais quieto igual ao sol
Que mais esquentava se não havia vento
A rua de terra ficava deserta
Movimento só se via na correnteza do rio
Certa era a melancolia que se sentia
Ao pensar em quem também lá existia
Toda aquela gente fazia parte da alegria
Daquele lugar abençoado pela harmonia
Quando alguém de lá morria
A todos de lá muito entristecia
Naqueles dias em que o mundo emudecia
Tão pequeno eu já era a solidão
Era nela que muito eu me escondia
Para pensar na vida e no que eu seria
Aquele lugar me viu nascer e crescer
Naquele tempo de eu apenas saber ser
Ser o viver sem a nada me prender
A não ser no que eu só tinha pra viver
Que era aquele lugar pra eu nunca esquecer
Embora aquele lugar viesse a desaparecer
Mas se ele ainda existisse pra rever
Hoje seria lá que eu iria me esconder
Para me vingar do tempo que a transcorrer
Ano a ano me fez envelhecer
Afastando-me da alegria de criança viver

                             Altino Olimpio