terça-feira, 28 de junho de 2016

O paraíso dos adormecidos

Na noite já madrugada na cama a consciência ainda existe ativa em seus derradeiros momentos. Aos poucos os pensamentos esparsos se substituem até o brusco imperceptível finalizar deles. Nesse não se existe, nesse o mundo não existe, nesse nada existe “é só o sono” que existe no seu adormecer fechando as cortinas e as portas para qualquer percepção consciente do mundo que é o palco do teatro da vida e tendo o homem como seu principal ator. Porém, atividades têm início apenas nos bastidores.

Imagens surgem e ressurgem sem ordem cronológica, sendo mesmo aleatória a sequência delas. Como num mundo de fantasmas pessoas também aparecem e desaparecem na aparição de outras a também desaparecer para o reaparecer de outras. São pessoas conhecidas ou desconhecidas estando em locais conhecidos ou desconhecidos tendo atuações diversas como também diversas são suas conversas. Tudo isso se passa nos “bastidores”, dentro do homem, o ator adormecido do teatro da vida do mundo. Isso tudo “é sonho”! O ator adormecido não sabe e apenas a tudo assiste sem o poder de interferir ou interceder.

Quando pra você a vida não te está sendo como quer, se tuas contrariedades diárias lhes tiram a paz e tuas preocupações te impedem de ser feliz... Saiba que o dormir é o único estado em que os desgostos e as tristezas desaparecem de verdade, pelo menos enquanto o teu adormecer perdura. Como compensação poderá ter belos sonhos e neles estar melhor do que quando esta desperta, consciente. Mesmo não tendo sonhos ou não se lembrando deles depois, o adormecer, se você se notasse, veria no seu semblante aquela calma d’alma entregando-se ao se imiscuir ao todo do universo do qual você é parte inseparável. Durma... Durma... Durma...

                                                                          Altino Olimpio 


  

    





segunda-feira, 27 de junho de 2016

O melhor conselho

O melhor conselho

É importante não envelhecer. Isso tem que ser evitado a qualquer custo. A velhice só serve para desiludir, desacreditar. Nela estão os arrependimentos de se ter acreditado nos delírios dos “sábios” fartamente difundidos entre a população. Os delírios se referem aos fatos ou conceitos, aqueles além da matéria, além do concreto e além do objetivo.  Quando a criatura homem, no seu afã de ser o tal exterioriza como fato verdadeiro o delírio captado em seu estado subjetivo, ele, só faz aumentar a ignorância de quem nele acredita. Pior ainda quando quem difunde tais delírios seja uma “autoridade” do mundo do além da matéria. 

Um velho ao manter seu raciocínio perfeito e tendo passado por muitas experiências na vida e tendo “visto” muito do que é aceito pela maioria ser ilógico, isto é, carecido de realismo, tal velho tudo refuta como desnecessário para o seu viver. Que dizer dos interpretadores de sonhos? Por estes dias passados li pela internet (igual a Globo, se tem lá é verdade) sonhos de pessoas e interpretadores deles. Não sei quem é mais bobo, se é a pessoa ao contar seu sonho para outra interpretar ou se mais bobo é quem o interpreta. Teve um entendido “dizendo” serem os sonhos significativos de tudo o que ainda vai acontecer para a pessoa que os sonhou.

Barbaridade! Vou ter que viver mais de mil anos para me acontecer tudo o até hoje sonhado por mim. Como dizem, sonhar com cobra significa isso, sonhar com aranha significa aquilo, sonhar com cocô teria algum significado? “Esta noite eu tive um sonho, um sonho bem enfezado, sonhei que era um caçador e você era um veado” (risos). Essa musiquinha era de autoria popular e agora me lembrei dela. Aqui serviu como homenagem aos interpretadores de sonhos. Homenagem bem merecida, pois, não é fácil interpretar distorções e aberrações vivenciais oníricas “que são apenas” distorções e aberrações oníricas provocadas pelo cérebro quando qualquer pessoa esteja adormecida.

O adormecer é o libertar o cérebro da vigília de quando se está desperto, consciente. O se tornar inconsciente pelo dormir, isso, torna aleatório o proceder do cérebro e ele retira do banco da memória quaisquer imagens de lá existentes transferindo-as “desconexas” para a consciência adormecida, sendo então, os sonhos, assim como nós os entendemos. Como escrito no início, é preciso evitar ficar velho, porque, nessa fase da vida, o refletir e o melhor raciocinar destroem toda aquela felicidade de viver iludido pelas idéias e superstições tão birutas, aquelas de sempre a ocuparem espaço no cérebro tornando ridículo o seu dono sem ele saber (risos). Ficar velho é mesmo uma tristeza. Aquelas alegrias adquiridas das mentiras e das ilusões não são mais atrativas para causarem prazer em qualquer velho já conformado com sua desistência das imbecilidades que estão a agradar os outros.


                                                                                Altino Olimpio

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Ali Babá era mais modesto


Em dias de eleições a curiosidade faz perguntar: Em qual ladrão você vai votar para ele nos representar se for eleito (risos)? Ali Babá, coitado, ele só tinha quarenta ladrões e por aqui o Ali Brasilia tem muito mais de quarenta. Diariamente somos noticiados de mais (sempre mais e cada vez mais) uma turminha que “passa a mão” no dinheiro da nação. Se eu não fosse tão religioso eu diria que eles não valem uma merda. Também diria que eles deveriam ir comer bosta do diabo lá no inferno, mas, não digo isso porque é pecado. Já assisti em anos passados propaganda sobre o orgulho de ser eleitor. Vi na televisão, (essa outra coisa que só serve para capturar escravos mentais sem esperança de alforria) como propaganda do governo, o acompanhar de um simples e pobre eleitor vindo de muito longe para votar. Sim, percorreu a pé vários quilômetros entre selva perigosa e estradas de terra contendo poças d’água e muito barro, depois, num barco tendo galinhas e até bode, ele viajou por horas para poder chegar até o local onde ao votar em algum candidato político de sua preferência iria cumprir o seu dever de cidadão mesmo morando no mato. Mas que sacrifício! Tudo sem saber que o dever de cidadão pode resultar em votar em ladrão (risos). Será que é verdade quando dizem que quem vota em ladrão tem cem anos de perdão (risos). Também me disseram que quem “legalmente” protege bandido nunca é desiludido e por anos inteiros, ganha muito dinheiro e o que é bom, sempre aparece na televisão como artista do mundo cão. Cuidado minha gente, nunca falem mal de político porque isso é ser racista e dá cadeia. Aqui neste país temos muitos sinistros, sinistro do planejamento, sinistro da casa civil, sinistro da educação, sinistro da saúde e etc. (risos). Todos têm imundidade. Isso é uma proteção contra qualquer erro que eles sem querer possam cometer. Às vezes cai um sinistro e logo outro o substitui. Atualmente, pouco se fala da ficha limpa ou ficha suja, talvez porque se esgotaram as fichas para isso e ainda não fabricaram outras (risos). Sei que poucos se lembram do bandido “sete dedos” o mais famoso batedor de carteiras que sempre escapava da prisão. Se ele tivesse dois dedos a mais ele nem preso seria. Coisa do passado no presente (risos). O filme “O poderoso chefão” com Marlon Brando foi mesmo muito brando se comparado com os bandos de mafiosos pelo jeito que representam o povo por detrás dos bastidores. O Brasil está parecendo ser um filme de pirataria cujos artistas piratas são imortais. Acreditem, eles não morrem e até se multiplicam.


                                                                                      Altino Olimpio

sábado, 18 de junho de 2016

Rastro do tempo

Que coisa é essa que não se vê passar
E, no entanto nunca se fez parar
Está no nascer, no crescer e no morrer
Está no passado, no presente e no futuro
Está no agora que logo vai embora
Está no nada que fica para sempre
Está no tudo que fica na lembrança
Está no se desfaz do esquecimento
Está sem ter idade até na eternidade
Está para todos que estão sujeitos a ele
Está em todo lugar não sendo de nenhum
Está em ser o único que é perpétuo
Ele, invisível e inaudível chama-se tempo
Percebê-lo, é somente pelos seus rastros
Bem visíveis nos rostos dos envelhecidos
Parecidos vencidos pelos anos percorridos
Mas não, todos tiveram seus tempos
Até os tempos da chegada de seus fins
Foram filhos, irmãos e foram pais e mães
No tempo de suas aventuras na vida
E os sulcos e rugas em seus rostos
Ausentes quando no vir até a juventude
Agora são avisos da proximidade do ir
Mesmo sem deixar rastros no tempo
Foram participantes da humanidade
Foram participantes do mundo
Assim é a vida por todos os tempos.

Altino Olimpio



sexta-feira, 17 de junho de 2016

Coitado do povo

Se não bastasse tudo o que já é prejudicial ao povo, ele também é apelidado por palavras bem pejorativas. Quem está no poder político quando se refere ao povo sempre parece que ele é um coitadinho que precisa de proteção dos seus “pais” (os políticos). Um político quando ao povo se refere, às vezes, percebe-se nele uma arrogância imbecil por ele se sentir superior ao povo que ele “representa”.  Mas, se a arrogância for devido à comparação entre espertos e tontos, então, o político tem razão. Espertos são os políticos e tonto é o povo. Coitadinho mesmo! Sempre foi sempre é e sempre será enganado. Falaram-me que no Brasil, país do futebol muita gente tonta do povo vota em ladrão, em bandido, em bêbado e etc. Isso é ser tonto e cúmplice sem querer e sendo coitado por bem merecer. Mas, este texto não é sobre política. É sobre apelidos ou nomes pejorativos que são utilizados com referencia ao povo. Sabe-se de várias instituições que existem e são elas filosóficas, esotéricas, filantrópicas (demagogas) e etc. Algumas delas consideram como “profanas” todas as pessoas do povo que não aderem às suas pretensões de evolução mental e espiritual. Então leitor, se você, embora, bem instruído e até seja um doutor, se você não pertence a nenhuma dessas organizações, saiba que, segundo eles, você é um profano (risos). Pois é, por alguns anos deixei de ser profano e como voltei a ser do povo, voltei a ser profano (risos). Existe uma religião evangélica que considera como ainda sendo apenas criatura (ainda não é um ser humano completo conforme me foi explicado) qualquer pessoa que não pertença a essa tal de religião. Como dá pra perceber, sempre gente do povo é alvo de desinteresse, alvo de desprezo quando não adere a tais organizações inventadas para atrair ingênuos desejosos de serem iludidos com promessas que não se cumprem. Bem, pelo menos deixam de ser profanos (risos). Imaginemos um homem que só trabalhou, “deu duro” para criar e educar seus filhos. Nunca teve condições de se dedicar a qualquer estudo ou pertencer a uma dessas organizações que se dizem imbuídas com “segredos” que possam desenvolver a evolução do ser humano. Imaginemos também um de seus filhos sendo membro de uma dessas organizações. Então, ele não é um profano, mas, o pai dele é apesar de tanto ter feito por ele (risos). É pra rir mesmo das imbecilidades humanas. Gozado, esse conceito (profano) “encaixa” bem nos “associados” de tais instituições e eles nem desconfiam que seja ingratidão para quem os criou e educou e às vezes com sacrifícios. Neste mundo ninguém pode viver em paz como quer, ser apenas o que e como se é sem querer ser diferente, evoluído, inteligente, “irmão”, como querem os charlatões de plantão. Aquele que fica só no como se é sem os acessórios evolutivos (quase sempre ‘enganativos’) fornecidos por essas instituições é deixado de lado considerado como um ser comum qualquer, tratado como sendo “gente do povo”. Muitos (por qualquer fato irrelevante) quando se referem ao povo sempre o considera como não sendo “flor que se cheire” (risos). Apesar disso, ‘na teoria mais prática que existe’ (risos), na democracia é o povo quem manda, isto é, ele detém o poder soberano sobre o poder legislativo e o executivo. Isso faz parte da velha ciência anedotista tendo sua melhor aplicação no Brasil. Como tantos impostos são impostos ao povo, coitado, ele não deveria ser tratado como sendo o povo.

                                                                                      Altino Olimpio


sábado, 11 de junho de 2016

A aura humana


Cheguei da rua fui pro quarto e me deitei na cama sem tirar os sapatos. Ainda bem, não tenho ninguém pra me repreender e me chamar de relaxado. Minha última namorada, como ela me irritava. Criticava-me só porque eu mijava com a porta aberta. Então está explicado porque prefiro viver sozinho, bem melhor do que viver mal acompanhado. Gosto de ficar na cama deitado de costas com as mãos sobrepostas por trás da cabeça. E assim olhando pro teto fico quieto recepcionando meus pensamentos. Às vezes eles chegam intencionados em me aborrecer. Por exemplo, me fazem pensar que eu deveria consultar um psiquiatra, pois, quase não vivo no presente, então, devo estar doente. Mas, não. É o passado que me ama e ele sempre me chama. Hoje me chamou para “revermos” uma das minhas experiências aprendidas quando eu era ocultista. Aquela sobre o estudo da “aura humana”. Muito interessante! A aura é uma vibração invisível, que, proveniente dos corpos, ela externamente os envolve. Dizem que os “videntes” conseguem vê-la nos outros e até distinguir suas cores. Mas, aqui não vamos entrar em detalhes. Existe muita literatura sobre isso. Também dizem ser a aura, responsável pela atração ou harmonização entre as pessoas, como também, ser responsável pela repulsa entre elas quando suas auras não se atraem e não se harmonizam.  Sabendo disso e já faz tempo, fui testar a veracidade que havia sobre atração ou repulsão entre auras. Lembro-me de quando estive num supermercado e me aproximei de uma mulher. A harmonização foi instantânea. Foi uma forte atração entre nossas auras. Soube disso porque senti vontade de abraçá-la, apertá-la e dizer-lhe mesmo sem conhecê-la “como você é bonita, eu te amo, te amo”. Depois fui testar com outra mulher. Aproximei-me dela fingindo estar vendo os preços dos produtos à venda e logo me senti mal com a presença dela. Fiquei com vontade de lhe dar um empurrão. Muito feia só quis me afastar dela. Não ouve atração ou harmonização entre nossas auras, só repulsa (risos). Talvez a dela não fosse bem desenvolvida como era a minha (risos). Entretanto, comprovei ser verdade de como as auras podem ser atrativas ou repulsivas.  Todos deveriam aprender sobre os efeitos da aura para saberem com quem se relacionam. “Diga-me com quem andas e eu direi como é a sua aura” (risos).


                                                                                     Altino Olimpio   

quinta-feira, 9 de junho de 2016

A solidão te pegou e não te deixa

A culpa de tudo é da tua idade. Você já não é o centro das atrações. Você envelheceu e não se conforma com essa tua situação de não mais ser notado por onde for. Se sente só e por isso se cadastrou numa dessas redes sociais de relacionamentos com possibilidades de ter alguém para te notar, e quem sabe, ter alguém para um romance de idoso à distância e desabafos mútuos sobre a vida tendo sido vazia para ambos (risos). Sobre voltar a ser feliz você pensa “a esperança é a última que morre” e você nem percebeu que já faz tempo que ela morreu (risos). Às vezes você se desespera sentindo que a vida está tão chata, tudo perdeu a graça, não se tem mais aonde ir. Mas, você reluta em admitir que já seja tempo de se pegar o “terço” e rezar para “ver” se com ele tuas contrariedades se dissipam (risos). Então, você não sabia que nessa tua fase de agora quase só lhe resta esperar o dia de ir embora? (risos). Até em família você deixou de ser o tal. Filhos, noras e genros tanto conversam entre si e você quase nem consegue ter um aparte para participar. No mais, até desiste por considerar os assuntos deles tão repetitivos, cansativos, sendo os mesmos já “debatidos” por você no passado e voltar a ouvi-los lhe causa incômodo.  Você deixou de ser prazer para ser a obrigação dos teus filhos virem te ver. Quem diria, hein? Uma personalidade como você tendo tanto aprendido na vida e lhe parece que o que aprendeu não serve para mais nada. “Também não servia enquanto você aprendia, mas você não sabia” (risos).  Você sabia que estais na “melhor idade” para as doenças testarem suas maldades? Sei, reclamas de já estar com o “saco cheio” até de cuidar do teu asseio, ainda mais ter de ouvir parentes e amigos entretidos com tanta conversa mole. E pensar que você também ria e muito com isso se divertia. Mas, agora, procure ser contente, pois, se você soubesse o que te espera daqui pra frente... Também não é pra se desesperar em saber que a tua vez vai chegar. Agora que você não é de muita prosa fica ai se martirizando se lembrando de quando a sua vida era cor de rosa. Você já não olha pra tua gente querida como se já fosse a despedida para a sua partida? Como é a sensação de saber de tudo o que vai perder depois de tanto sacrifício para obter? Sei que te passa pela cabeça, mas, nunca irás saber se depois da tua morte você ainda continuará a acontecer. Você vive com aquele “ar” de desiludido, consequência da tua solidão. Isso é comum naqueles despreparados para viver conforme a fase da vida que estão a viver. Decepção, na velhice somos atores sem palco para representar (risos). E no teatro da vida assistimos a tantas ilusões para elas serem agora tardiamente destruídas pela desilusão. Se soubéssemos... Muitas delas teriam sido evitadas e não teríamos sofrido o desencanto quando elas, irreais, nos iludiram tanto. Mas você vivendo agora já próximo de quando seus agoras vão embora, ainda tens tua memória para reviver teus tempos de outrora. Pelo menos antes da morte chegar você ainda tem histórias para contar (risos). Tenha bons sonhos.


                                                                              Altino Olimpio

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Lugar e gente da minha memória

Lugar e gente da minha memória

O lugar era mesmo apenas de operários, escriturários e de suas famílias. Existiam vilas próximas a fábrica de papel de Caieiras, Indústria Melhoramentos, como também existiam as vilas mais distantes. Todas tinham nomes bem populares, Vila Nova, Vila Leão, Vila Pereira, Bairro Chique, Rua do Barbeiro e etc. Entretanto as ruas não tinham nomes, nenhuma delas. Quando alguém perguntava onde eu morava, eu respondia que era numa daquelas casas que ficavam abaixo da Vila Nova e antes da Vila Ilha das Cobras e esta, antes da Vila Leão. Para complementar eu dizia que era vizinho do Senhor Polato que era o outro barbeiro daquele lugar. Gozado, havia lá um lugar chamado de Tico-tico. Também gozado, outro lugar onde havia uma lagoa se chamava Ponte Seca. Nome este porque, acredito, lá, uma estradinha passava por debaixo da linha dos trens da antiga Estrada de Ferro Santos a Jundiaí que, mais era um muito curto túnel do que uma ponte. Como consideravam aquilo de ponte e como não havia rio por baixo, o nome ficou sendo Ponte Seca para identificar aquela vila que havia por lá. Os garotos quando lá na lagoa iam pra nadar, eles falavam: Vamos nadar ou fomos nadar lá na ponte seca, gozado, não?  No início deste texto foi citado o anteriormente tão falado Bairro Chique. Na verdade não era um bairro. Era apenas uma rua muito simpática com casas de ambos os lados e o mais importante, lá ficava a tão querida e saudosa escola. Hoje, só ela não foi demolida, mas, está parecendo como sendo uma ruína antiga absorvida pela mata. Continuando, a Rua do Bairro Chique não era chique (risos). As casas de lá eram das mais antigas, como também eram as casas da Vila Pereira. Foram as primeiras construídas pela indústria para os seus funcionários. Por isso, as casas mais novas construídas, por volta do ano de 1942, ganharam o nome de Vila Nova. Estas casas também, “se sabendo” prejudiciais à natureza, resolveram desaparecer para a antiga mata reaparecer sem ter gente para aborrecer (risos). Por “falar” em gente, lá na Rua do Bairro Chique, havias três personalidades cujas fisionomias me recordo bem. O Armandão e suas duas irmãs, Pina e Beatriz. Sempre eram vistos e quase sempre em todos os lugares. Pelas ruas, no armazém, no clube, e etc. O Armandão quase sempre sozinho e as duas irmãs sempre juntas. A Beatriz se casou com um rapaz que tinha o apelido de “Saci”. O irmão sempre foi solteiro e se não me engano a Pina também. Depois que deixei aquele lugar nunca mais eu os vi, como também, jamais vi muito dos outros. No entanto, às vezes eles reaparecem na minha memória. Tudo faz parte da vantagem de ter nascido e vivido num lugar pequeno onde todos se sentiam iguais e tendo os mesmos privilégios. Não existe retorno para essa mesma situação.

                                                                                Altino Olimpio



segunda-feira, 6 de junho de 2016

No cinema o desespero não foi ficção


A maioria das pessoas de hoje não viveram naquela simplicidade de quando não havia tanta sofisticação tecnológica como existe agora. Lá no passado o cinema era uma mágica sem igual. Era um espetáculo, muito mais para a criançada que vibrava de emoção enquanto assistia a filmes com cenas engraçadas como de comédias ou os antigos seriados, filmes de aventuras exibidos em partes ou capítulos. É fácil imaginar cenas de pais e crianças sorridentes caminhando pelas ruas até o cinema e mesmo imaginá-los na fila para comprar seus ingressos. No saguão de entrada era o “dar água na boca” dos doces, das balas e chocolate ‘diamante negro’.

Inaugurado em 1927 o Cine Oberdan foi à glória do Bairro de Brás em São Paulo por muitos anos. Onze anos depois de sua inauguração, na matinê do dia dez de abril de 1938 na tela estava sendo exibido, “passando” o filme “Criminosos do ar”. A sessão estava lotada, boa parte por crianças. Já quase no final do filme quando dois aviões se chocavam no ar, alguém da platéia gritou “FOGO”. Possivelmente em alusão ao filme e isso desencadeou uma desesperada correria para abandonar a sala do cinema. O pânico tomou conta da enorme sala que comportava 1600 pessoas.

Apesar de a sala ser grande, suas saídas rumo ao hall se davam por duas escadas estreitas. Crianças e adultos desesperados em fuga do fogo correram para as escadas e naquela hora não houve gentilezas, só houve o “salve-se quem puder” proibindo o amor ao próximo. Em poucos minutos aconteceu à tragédia ocasionada pelo pânico. Crianças se atiraram pelas escadas, mas, foram ultrapassadas por adultos que, maiores, pisoteando tomavam à dianteira demonstrando “muito cuidado com as crianças”. Sapatos, chapéus, carteiras, tudo foi deixado para trás.

Quando o socorro chegou ao local, a cena vista foi de uma tristeza indescritível. Inúmeras pessoas feridas pelo chão, muito sangue e um amontoado de cadáveres pisoteados. O impacto da tragédia foi tão forte e triste que provocou comoção em toda a cidade. Imediatamente após, o cinema foi interditado e a polícia iniciou a perícia no local. Apurou-se que tudo começou devido a uma diarréia. Um garoto esteve passando mal e precisou ir ao sanitário. Porém, antes de lá chegar já foi aliviando suas necessidades pelo trajeto. Ao lá chegar deparou-se com as luzes desligadas. Foi quando ele acendeu um fósforo e colocou fogo numas folhas de jornal para poder enxergar onde estava e também deixou a porta do sanitário entreaberta para “ganhar” um pouco da claridade vinda da tela do cinema. Teria sido nesse momento que alguém da platéia viu aquelas chamas das folhas de jornal e gritou “FOGO”. Isso foi “levantado” pela perícia que encontrou as páginas de jornal queimadas e a bermuda do menino com resíduos fecais que serviram para a conclusão do caso.

No trágico acontecimento muitos pais perderam um filho e houve pais quem perderam até dois, como no caso dos irmãos Pricolli de oito e de doze anos. Também, a morte do menino Enrico Mandorino, fez sua mãe sentir-se culpada. Numa entrevista de décadas atrás, ela contou que o jovem Mandarino, naquela tarde queria ir ao jóquei que ficava no Bairro da Mooca. Ela considerou perigoso e ordenou-o a ir se divertir no cinema e ele nunca mais voltou pra casa. Essa mãe viveu enlutada até morrer em 1980.

Na tragédia do Cine Oberdan morreram trinta e uma pessoas. Trinta eram crianças e jovens menores. A única pessoa adulta foi uma mulher de nome Maria Pereira. Ela estava no cinema com sua filha ainda bebê. Quando começou a correria ela também tentou “fugir do fogo” (incêndio que não houve), mas foi derrubada próxima das escadarias do cinema. Para que sua filha não morresse esmagada ela protegeu sua filha sob seu corpo. Maria Pereira, mãe de sete filhos morreu esmagada, mas, conseguiu salvar a sua pequena Joaninha.
O poder público promoveu um enterro coletivo e todas as vítimas foram sepultadas numa cerimônia única numa área do Cemitério do Brás (Quarta parada). Naquele dia uma enorme multidão acompanhou o funeral. Apesar da tragédia, o Cine Oberdan continuou exibindo filmes por muitos anos, encerrando suas atividades em 1960. O prédio do cinema ficou fechado por alguns anos até que em meados de 1970 ele foi transformado numa loja.
Como o triste fato do engano do “grito do fogo” ter ocorrido em 1938 num cinema, talvez, poucas ou raríssimas pessoas ainda possam existir para se lembrar e comentar o caso. Tudo na vida é assim. Tudo fica no passado e lá fica em “quarentena” até quando o esquecimento do passar do tempo a tudo exclui ou “deleta”.  O cinema veio a existir e com isso muitos pensam que suas vidas parecem ser o enredo de um filme com eles mesmos sendo os artistas principais. Representam bem o papel de “eu sou engenheiro, sou industrial, sou médico, sou economista, deputado, torneiro mecânico, presidente, advogado, sou católico, sou crente, sou empreiteiro, padeiro, banqueiro, sou padre, pastor... E são tudo o que se possa imaginar até quando a morte vem com o seu arpão e decreta o “The End” do filme “Fim da Ilusão” (risos).
                                                                                  Altino Olimpio
  


sábado, 4 de junho de 2016

A centenária substituição populacional


Quem chega próximo da fase terminal da vida tem muito de seu passado registrado na memória. Ainda mais se na infância, mocidade e maturidade viveu num lugar ou cidade pequena onde conheceu a todos de lá. Nem precisa fechar os olhos para “rever” as ruas que quiser e as pessoas que ainda consegue se lembrar. Passear com a mente pelas ruas e vilas donde se viveu e “rever” todas as casas e todas as pessoas de então e que já morreram, essas recordações causam reflexões sobre a vida e a morte.

Quantos e quantos conhecidos morreram e já no esquecimento parece que nem existiram, embora, na mesma época conosco conviveram? Se uma pessoa perguntar para outra se ela desde a infância até estes dias se lembra das pessoas que partiram, dentre muitas só de poucas ela vai se lembrar, e mesmo assim, das mais recentes. Nem de seus avôs muitos não se lembram a não ser quando lhes perguntam sobre eles.

Em outubro de 2011, conforme noticiado, a população do mundo atingiu a quantidade de sete bilhões de pessoas. Dessas sete bilhões de pessoas quantas ainda estarão vivas daqui a cem anos, em 2111?  Não muitas. Entretanto, outros sete bilhões, ou mais, ou menos, estarão substituindo os sete bilhões que existiam em 2011. Simples, não? Então, nesse cálculo variável, “mais ou menos” a cada cem anos toda a população mundial é substituída. Ninguém perde tempo em pensar nesse ciclo de vida de cem anos que se repete. Nem no ciclo passado e nem no ciclo futuro. Todos se restringem a pensar no ciclo em que estão vivendo.

Alguma pessoa já se imaginou no seu desaparecimento, no seu esquecimento, naquele não ter existido para as pessoas do ciclo depois do ciclo dela que terminou? Isso provoca um vazio antecipado e melancólico. Uma pessoa nesse pensamento desconfortável, o de estar esquecida, desaparecida num ciclo de vida que ficará no passado, será que ela reflete se seus valores foram úteis para o seu viver? Suas verdades e as que lhes inculcaram seriam de fato reais para persistirem nos próximos ciclos? 

Se nós sabemos do fato de sermos efêmeros e que logo deixaremos esta vida para sermos esquecidos, desaparecidos, isso não deveria diminuir o nosso grau de importância? Nossa importância vai ter o mesmo grau de importância tida por aqueles que viveram nos ciclos passados. Onde estão eles e as importâncias deles? Sempre vemos pessoas envolvidas por demais em suas realizações materiais como se fossem usufruí-las para sempre. Suas vidas passam como se elas não tivessem vivido o prazer de viver.

Antigamente, sem a tecnologia e o conhecimento de hoje de como é infinito o universo com suas galáxias, acreditava-se que a terra era o centro dele. Por isso, o homem pensava-se numa posição privilegiada como se o universo existisse para ele. Mesmo hoje, devido a sua autoimportância e por causa de sua religiosidade, o homem também pode pensar que a terra “foi feita” para ele e não ele para ela. Quando à noite olhamos para cima e vemos pontos brilhantes, eles são estrelas, planetas e galáxias distantes, muito distantes. Nessa constituição cósmica com astros infindáveis, o homem teria sido previamente programado para existir num deles, assim como existe aqui neste “nosso” astro? Programado por que e por quem? As concepções para isso remontam lá pelos tempos hebraicos anteriores ao advento do cristianismo. Agora em 2016 estamos no ano 5777 judaico.

Ainda prevalece nos meios cristãos a crença de um Deus único concebido pelos judeus, o regente de todo o universo. Deles veio à concepção de como esse Deus criou o homem para reinar sobre as criaturas inferiores. Também partiu da concepção judaica a existência de um mundo imperceptível para a sensibilidade humana, aonde, depois da morte do corpo todas as almas sendo eternas terão onde “morar”. Crença também copiada pelos cristãos.  Não importa se por dedução, intuição, inspiração ou “contato” os homens sempre tiveram a audácia de acatar, relatar e dogmatizar fatos nunca prováveis para suas épocas e para a posteridade, apelando para serem “comprovados pela fé”.

Os homens, de tempos a tempos eles morrem e outros nascem como para substituí-los, como descrito acima sobre os ciclos de mais ou menos cem anos. Enquanto muitos morrem, muitos outros nascem e nada no universo se altera. Na terra tudo que vem a existir deixa de existir, árvores, aves, animais, insetos, peixes e etc. inclusive o homem enquanto ela, a terra, permanece existindo. Agora num pensamento insólito, a terra sendo um astro, ele é parte do universo. O homem é apenas uma derivação dele. Pergunta-se, qual dos dois é o mais importante perante o cósmico? O astro. Perante o modo humano terreno de pensar qual dos dois é mais importante? O homem. Nosso astro, a terra, ela não pensa, não fala. É inconsciente.

Entretanto, no universo a existência de criaturas vivas não parece ser-lhe prioridade e nem ser-lhe necessidade. Com distâncias inimagináveis entre conglomerados de bilhões de estrelas, estas, tendo planetas circulando ao seu redor, mais o universo é imensurável na imensidão sem fim de seus corpos espaciais. Por enquanto, como ainda se sabe só na terra abundam criaturas com vida com a predominância da dos homens. Sobre eles teve início este texto sendo eles de uma população mortal para de tempos a tempos ser substituída por outra, e assim, sucessivamente.  Aqui chegamos ao fim e a intenção foi só mesmo de provocar reflexões sobre nós mesmos e sobre qual é a nossa relação para com o universo e sobre qual é a relação dele para conosco. Se alguém souber eu gostaria de saber também.


                                                                        Altino Olimpio 

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Você apareceu na televisão?


Passeata é uma coisa que a timidez de afasta e mostra que quem é já não se disfarça mais como quem não é. Mas, ouvindo uma música do passado, do Dorival Caymmi fiquei intrigado com sua letra com dúvida se era sobre borboletas: “Peguei um Ita no norte; E vim pro Rio morar; Adeus meu pai minha mãe; Adeus Belém do Pará lá, rá, lá rá...” Pensei que “um Ita” fosse um homem e os dois vieram pro Rio e para sempre foram felizes (risos). Cabeça poluída a minha. Ita era um transporte para viajar. Mas, como eu ia saber se nunca estive por lá?

Domingo dia vinte e nove de maio, na famosa Avenida Paulista da Cidade de São Paulo do Brasil que já foi muito varonil, ouve uma passeata gay e conforme foi noticiado cerca de três milhões de simpatizantes prestigiou tal evento. Não se sabe se todos eram “subjetivamente” credenciados ou licenciados para a demonstração pública de que a lei dos opostos que se atraem não pode ser genérica por ser injusta (risos). Par e ímpar tem sido o casal perfeito desde a antiguidade. Agora há controvérsias! Par e par como também ímpar e ímpar também podem ser de uma união paixão irresistível.

Chamada de relação homossexual a união de homem com homem e de mulher com mulher, os menos esclarecidos ainda não perceberam que essa prática veio a existir para sanar os problemas das creches deste país que quase não mais dispõem de vagas para muitas crianças serem atendidas. Tudo culpa dos heterossexuais, os pares com ímpares que se casam e se multiplicam como coelhos. Até fico pensando... Nesta época... “Que atire a primeira pedra quem não é...”. Opa! Desculpem pensei sem querer (risos).

Não vi, mas, o evento deve ter sido televisionado para outros países. O que teriam pensado aqueles árabes radicais quando a tudo assistiram? Alguns, talvez, até tenham metralhado a televisão... Coisa do diabo, Alá, Alá me acuda! Acuda eu Alá! (risos). Nem é bom aquele deputado que cuspiu num “par” ir passear em países árabes onde por lá eles só amam ímpares.


                                                                                   Altino Olimpio