quinta-feira, 24 de março de 2016

A Torre de Babel da política


 A Torre de Babel da política

O desamor e o ”desquerer” dos políticos ao povo são as desgraças que assolam a “pátria amada idolatrada”. No domingo, dia treze de março de dois mil e dezesseis, a maior concentração televisionada do povo brasileiro de todos os tempos se fez notar em ruas, praças e avenidas de todo o Brasil, tudo pela insatisfação nacional. Para quem entende o idioma português, o que se via, se lia em cartazes e o que se ouvia era o pedido de impedimento da presidência atual. Se fosse aceita a verdade que em democracia o povo é quem manda, ele, ao invés de ter pedido, “teria ordenado, exigido e obedecido”. Fato contínuo, todos os integrantes da “comitiva da desordem” teriam que deixar seus cargos públicos. Se tivessem honestidade e caráter como qualquer ser humano trabalhador possa ter, “morrendo de vergonha” pelos seus atos contrários ao bem estar comum, eles iriam se esconder lá nas selvas amazônicas se suas vergonhas não tivessem morrido. Alguns políticos falaram “acreditando” que o poder emana do povo. Também disseram “o povo” é quem paga por seus salários. Verdade, e são os salários mais bem pagos do mundo além das mordomias. Nas passeatas de protesto muito se ouvia aos gritos: FORA DILMA, FORA LULA! FORA PT! Dias depois essa senhora da cúpula do poder executivo do país, exímia como a ser do contra as reclamações do povo, ela, nomeou o seu protegido com um cargo dos mais importantes de sua gestão. Desprezou totalmente o clamor dos protestos de insatisfação naquele nobre pensar “democrático”: Aqui sou eu quem manda.  É mesmo, na prática quem manda é quem está no “puder” com seus correligionários, lá em cima onde os intocáveis constroem suas tocas, longe e as escondidas do “despoder” que emana do povo. No decorrer da semana depois da avassaladora passeata de protesto, no Congresso e no Senado Federal, quem assistiu aos debates entre políticos deve ter se lembrado da Torre de Babel. Os prós e os contra da permanência da senhora inabalável no poder, se revezaram na tribuna na veemência de seus discursos. De entremeio a isso, surgiram novas notícias derivadas de grampos telefônicos autorizados. Se não fossem tão graves serviriam para provocar gargalhada a conversa gravada entre a mandatária e o padrinho político dela. Essa conversa e outras com outros vieram a revelar a intimidade de conluio (pra não dizer sujeira) que existe por trás dos bastidores da política. Contra a presidente do repetir ter sido perseguida lá no passado (dando a entender como sem merecer), sabe-se de estar em andamento um processo de impeachment. Partidos políticos aliados ao governo se colocam contra. Entretanto, se há comprovação de desgoverno, se o clamor das passeatas de protesto tem razão de ser, isso deveria estar na pauta junto com as faladas “pedaladas fiscais”. Esqueceram que “A voz do povo é a voz de Deus?” (risos). Se não há consenso entre os políticos nessa questão processual política é porque eles transformam tudo em batalhas, disputas de partidos iguais as disputas acaloradas de futebol, quando, “o ter ou não razão de ser” da circunstância é indiferente. Irritante para os brasileiros é assistirem a revelação de tantos fatos indubitáveis sendo distorcidos, desvirtuados e a reação política de desacreditá-los pelos afetados direta ou indiretamente por tais fatos. Suas “caras” vão ficar, ou deveriam ficar, gravadas na memória do povo para as próximas eleições. Por “falar” em povo, é difícil se conformar com ele de quando elegeu e reelegeu políticos já popularmente desonestos. Que povo foi aquele que elegeu políticos com ideal diferente dos eleitores democráticos que votaram neles? Nas eleições o voto é obrigatório. Isso não é democracia. Milhares de pessoas comparecem às urnas sem saber em que votar, porque, não acompanham o desenvolver da política nacional. Para se livrarem do compromisso, “do dever de cidadão”, elas votam em qualquer um. Isso faz das eleições uma loteria da sorte. Como se sabe, muitas mulheres não gostam de ser importunadas nas horas das novelas (gostaria que alguém viesse a me desmentir sobre isso). Mas, nas horas dos noticiários elas estão à disposição familiar de quem precisar delas (risos). Notícias sobre políticas e conversa de políticos lhes causam desprezos. Então, nos dias de eleições elas votam igual aos seus maridos ou naquele político que uma vez ganhou a sua simpatia, sem se importar se ele é digno ou não de seu voto. Muitos dos deputados se dizem eleitos para o bem do povo e não para seus interesses particulares. Até parece que eles sabem que eu gosto de ser enganado.

                                                                                         Altino Olimpio





segunda-feira, 14 de março de 2016

O homem teórico


O homem teórico

Por mais hábil a desenvolver suas considerações e investigações sobre a vida, o homem ainda não desvendou seus principais mistérios. Desde tempos remotos até estes tempos, suas argumentações sobre a vida, sobre o propósito dela foram se somando com outras, mas, “nenhuma delas chegou a ser consenso devido sua diversidade de exposição”. Para as religiões deste país não há segredos sobre o propósito da vida e a continuidade dela depois da morte. Para o ser humano tudo começa ao nascer, depois viver conforme os ditames delas (das religiões) e ao morrer, como alma ele continua a existir. Seja fato ou teoria, isso está a querer desmentir a extinção da existência espiritual depois da morte corporal. É incontável o número de crentes dessa trajetória religiosa do nascer até ao depois de morrer contendo a condição de “viver” para sempre. Esse conceito religioso é baseado na fé, não é científico. Entre a religião e a ciência não há conciliação. Religião é dedução e ciência é constatação. Sem a constatação de sua parte espiritual (alma), isso é um enigma para o homem. Só não é para os crentes da suposição que a fé suplante a ciência no reconhecer da existência extracorpórea. Entretanto, o homem descaracterizado ou não de sua espiritualidade, isso não abala a natureza e nem a marcha do universo. Ela e ele estão além da prerrogativa do ser humano de se sentir mais importante do que eles, sem perceber (risos). Em todas as épocas, os seres humanos conviveram com seus feitos e efeitos. Muitos de seus feitos permaneceram, mas, eles não. A brevidade da vida do homem o retira do mundo sem aviso prévio, quando e como quer, como se ele fosse descartável, e ele é. Não importa se ele for um homem bom e simples, se for um benfeitor ou um malfeitor, se for um santo ou se for um do pensar ser queridinho de Deus. Por isso, toda alegria ou todo tormento que alguém possa ter na vida, como o tempo passa rápido, logo o alguém, suas alegrias e seus tormentos desaparecem da existência para pertencerem esquecidas “na última época passada”. Problemas, medo, preocupações e outras inquietações... Tudo nos parece importante e preocupante enquanto vivermos. Também foram importantes para todas as pessoas de outras épocas. Mas, onde estão elas e suas inquietações? Desapareceram e nosso destino não é diferente. Mas, o homem, o mais inteligente dos animais, ele tem inventado teorias sobre a sequência de nossa existência depois da morte. Criou até a teoria sobre este mundo ser de ilusões e apenas servir de passagem para outro onde estaria à realidade do nosso viver, que seria o “viver espiritual”, incorpóreo. Contudo, esse mundo do além está além de nossa compreensão. Encontra existência na imaginação, mas, a ciência com toda ciência que tem, ela é incapaz de localizar esse mundo, porque, ele é espiritual. Talvez seja da competência da ciência da psiquiatria comprovar sua existência. Para a sobrevivência das religiões esse outro mundo é necessário. Sem ele, elas... Ah, seus expoentes têm o prazer de ensinar o que sabem de como é lá para os que não sabem. Sendo assim, precisamos estar sempre atentos e termos a mente aberta para sempre podermos adquirir os conhecimentos que ainda não temos. Oremos irmãos!

                                                                                        Altino Olimpio   





segunda-feira, 7 de março de 2016

O beco sem saída


O homem e a mulher atraídos e traídos pelos hormônios para a volúpia do prazer. E eles estão a serviço da natureza para a continuidade da espécie humana. Homens e mulheres nunca pensam neles, nos hormônios, quando atarracados ficam para satisfazerem seus instintos animais. Em tais momentos de intensidade do prazer genital, o mundo é esquecido e tudo o que ele contém. Nesse ato a dois, só se concentra no ato enquanto ele dura e é raro se pensar em outra coisa, como, no ele vir a ser a consequência do surgimento de uma criança. No mais das vezes ela é a consequência de um descuido do seu evitar. Se quase sempre é assim, quase todos nascem sem querer e sem pedir. Tem quem diz (sempre tem) ser o descuido, uma irresponsabilidade humana provocada pelo “destino” para possibilitar a encarnação ou reencarnação das almas que estão na “fila” de espera para nascer ou renascer. Isso é pra quem acredita em abstração. Neste mundo, quantas e quantas pessoas nasceram sem serem desejadas antes daquele ato sensual a dois? O número delas é incontável. Então, qualquer pessoa nasce sem querer e sem pedir. E depois? Tem ela que suportar as vicissitudes da vida que não pediu pra viver? Isso não parece uma traição (risos)? Principalmente nesta era com tantas dificuldades para existir, com muita gente com dificuldade para sobreviver, com tanta contra cultura, com tantos valores distorcidos, com homens explorando homens, com semelhantes matando semelhantes, com a guerra psicológica de domínio das massas que ninguém percebe. Depois do nascer não há como escapar do viver. Não existe um “interruptor” para ligar ou desligar a energia vida. Quem está descontente poderia se suicidar, mas, inventaram a religião e ela inventou o pecado pra quem quiser se matar. Tudo contribui para o ‘ser obrigado’ a existir. Sabe-se do existir de pessoas com a vida infeliz, muito sofrida, sempre sentindo dores e sem perspectiva de melhoras. Elas só podem aguardar a vinda da morte para libertá-las do sofrimento. Como disse o saudoso médico e escritor mineiro Pedro Nava numa interessante entrevista lá no passado, “a vida é um beco sem saída”. Sua argumentação sobre isso foi até comovente naquela ocasião. Lembrando, ele conseguiu sair do beco sem saída suicidando-se em 1984 aos oitenta anos de idade (risos). Pensando bem... Um casal sem recursos, já tendo tido experiências desagradáveis na vida, como a pobreza, o desemprego, não tendo estudos e nem moradia, “colocar” um filho no mundo para que ele venha a sofrer as mesmas ou piores privações, isso não é uma traição para quem não pediu para nascer? Essa preocupação parece nunca ter existido, principalmente entre os mais jovens e inconscientes ainda. Ser mãe, como diziam, é o sonho de todas as mulheres. Mas, quantos filhos dos sonhos delas se transformaram em pesadelos para elas e para seus maridos? Nem é preciso citar exemplos. Basta assistir aos noticiários. Mesmo se alguns filhos, por sorte, ficarem ricos, isso não serve para nada, até os prejudica porque, “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no céu” (risos e mais risos). Então o médico mineiro tinha razão quando disse: A vida é um beco sem saída. E não dá pra escapar das agruras dela. Tragédias podem acontecer quando menos se espera. Doenças, infortúnios, inimizades também e etc. Lembro-me de ter lido em algum livro uma conversa entre o mestre e o discípulo:
--Mestre, o que é melhor na vida?
--Melhor é não ter nascido.
--Mas mestre, eu nasci, então o que é melhor?
--Burro, burro, então, quanto mais cedo você morrer melhor.
Puxa-vida! Teria o mestre exagerado? O melhor mesmo é não nascer? Os mestres ou gurus, eles têm muito conhecimento. Numa ocasião um homem desesperado por obter conhecimento foi à procura de um guru famoso. Depois de muito tempo viajando para encontrá-lo, finalmente o encontrou num morro e sentado num toco de árvore e logo lhe foi falando: Mestre, eu vim de longe, soube da tua sabedoria sobre a vida e como viver. Muito tenho me dedicado a evoluir, mas, ainda não consegui. Sei da tua caridade e da tua dedicação para com os seus discípulos e do seu viver sempre focalizado nas importâncias da vida, como agora neste momento e...
Muito atencioso numa boa recepção para o suplicante o guru lhe falou:
Não me encha o saco! Sai da frente que você está me tapando o sol.
(Risos) Decepções fazem parte da existência. Não existem pra quem não nasceu e nem pra quem já morreu. Até eu já estou me convencendo ser a morte o melhor da vida. Mas, agora... Deu-me uma vontade tão forte de morrer e se eu não morrer agora eu vou morrer de raiva (risos).


                                                                                          Altino Olimpio

domingo, 6 de março de 2016

Os apegos


Várias vezes ouvi pessoas no aludir e a se iludir com o mal dos apegos. As pessoas repetem como sempre repetem o que lêem ou ouvem como sendo exatidão. Então, nas conversas “elucidativas” com outras pessoas interessadas, é humanitário (ou vaidade de se mostrar tendo conhecimento) repetir-lhes o aprendizado lido ou ouvido, considerado muito significante. Sobre o apego dizem ser ele prejudicial e é preciso evitá-lo. O apego como entendem, ele retarda a partida da alma de alguém que morreu. Ela fica vagando e sofrendo não querendo deixar as coisas, pessoas e situações sendo tão queridas (seus apegos) enquanto ela estava no corpo físico vivo. Uma questão fica pelo ar: O amor de um homem por uma mulher ou vice-versa, o amor de mãe pelo filho e vice-versa, o amor das avós e dos avôs pelos netos... Esses amores são apegos ou não? Eu não sei. Por que será que as pessoas sabem de tantas coisas e eu não sei de nada? Mas, se os amores citados forem apegos no entender dos entendidos, então, é preciso ‘a todo custo’ evitar amar quem quer que seja. Não podemos amar porque se isso também for apego, ao morrermos nossas almas irão ficar presas a terra, coitadinhas. Haja missas para libertá-las! Seções espíritas também. Interrompi isto que estava escrevendo para atender ao telefone. Era meu irmão a me informar que morreu o seu pássaro, um canário de dezoito anos de idade e já cego por um ano. Ele me disse que chorou, pois, já estava na saudade de colocar alimento no bico do pássaro. Disse que o canário cantava muito. Sei não se cantava ou se chorava (risos). Coincidência... E eu escrevendo sobre apegos. No telefonema talvez estivesse uma mensagem oculta sobre os apegos e eu não percebi. Não sou clarividente e nem escurividente. Os apegos, como dizem, eles não prejudicam a consciência, mas prejudicam o evoluir da alma, isso, se ela de fato existir. Mas, há controvérsias sobre isso. A maioria milenarmente condicionada pela existência dela não duvida que ela exista e não perde tempo para pensar ou questionar sobre isso. Ela já é um fato consumado. Entretanto, para uma minoria desconsiderada pela maioria, a alma não existe. Essa minoria considera a consciência confundida como sendo a alma e ela desaparece por ocasião da morte. Se esta é a realidade (a maioria nem quer saber), os apegos são “inofensivos” para causar danos “pós-morte”. A alma sendo o foco central para as religiões... Ah, mas isso é assunto para outra ocasião.

                                                                                           Altino Olimpio

                                                                                                         


sábado, 5 de março de 2016

Um dos meus monólogos


Meus pensamentos me atacando outra vez... Às vezes eles me fazem ficar melancólico. Pensar é “conversar comigo mesmo”, sobre as visões mentais que vão surgindo. Agora tais visões são imagens de rostos que minha memória recompõe e os remete para a minha lembrança. São rostos conhecidos durante os anos de minha jornada profissional. Das amizades de então, ainda me lembro das amigas e dos amigos que ainda continuam morando e trabalhando “lá no meu passado”. Todos envelheceram (não sei quantos morreram) e eu não mais tendo tido a oportunidade de vê-los, congelei suas imagens na mente e sempre “os vejo” na aparência de como eram. Lembrando de um lugar e de alguns nomes agora penso assim: Quando eu tinha vinte anos, o Carlos, o Eduardo, o Maurice e outros com idade aproximada já tinham uns quarenta e cinco e mais. Essa diferença, mais ou menos de vinte e cinco anos, somada com a minha idade de hoje... Ah, todos já devem ter morrido. Fixo meu pensamento nas imagens dos rostos deles e sinto saudades. Aquelas moças de então e de minha estima, com idades não tão acima ou abaixo da minha, não sei se alguma já morreu. Uma delas, com carinho invoco o seu nome: Alice. Ela pertenceu ao departamento da firma donde eu trabalhei lá no Bairro da Pompéia de São Paulo, ela sendo a secretária do Engenheiro Maurice. Eu nunca havia visto uma moça tão pura e tão sincera e até meio ingênua como ela era. Às vezes na hora do almoço ela me levava para almoçar na casa dela. Deixei aquele emprego, me casei e nunca mais a vi. “Alice, Alice e Alice onde está você? Gostaria muito de te rever”. Mas, e se ela já se foi... Tomara que não! Várias vezes ouvi falar para não se ter apegos. Dizem não ser bom porque isso tem consequências que não quero me lembrar agora, e, no entanto, isso é “coisa” do intelecto sempre querendo ter domínio sobre os sentimentos. Intelecto é uma coisa, sentimento é outra! Muito do viver está no mental reviver. Principalmente quando com a idade já avançada a vida parece estar cansada e desiludida pelas distorções dos valores com que agora são vividos pela humanidade. Por isso, às vezes permito aos meus pensamentos rebuscar no passado as lembranças de pessoas com as quais convivi, amistosa ou profissionalmente, porque elas, como eu, pertenceram aos tempos quando os costumes não eram como os muitos de hoje, desumanos.

                                                                                          Altino Olimpio

                                                                                       

                                                                       




quinta-feira, 3 de março de 2016

Você também já passou


Você também já passou

Eu sei como você se sente. Às vezes aquele vazio existencial te persegue e você o considera como um estado de espírito passageiro.  Talvez o vazio seja decorrente da tua passagem tão rápida pelos anos de sua vida transcorridos sem você perceber. Desde que você saiu de casa até agora, seu percorrer pelo destino de como foi a sua vida é um descortino de boas é más lembranças. Você fecha os olhos e “fica vendo” as imagens de seus filhos e netos. Você pensa que a vida de agora não é como a de outrora. Parece que o tempo de agora passa mais depressa. A sofisticação de hoje que “pegou” você também parece te impor o “não sobra tempo para mais nada” depois da rotina de suas “coisas do dia a dia”. Você da uma olhada pelo interior da sua casa e relembra de como “era cheia de vida” pela presença de seus filhos de quando jovens e crianças. A tua casa donde você está agora é a noção da distância entre ela e a casa do teu tempo de criança, do teu tempo de jovem, do tempo de seus pais. Pronto! Agora você reviu os rostos deles na mente. Faz tempo que eles se foram e isso lhe dá algum remorso por não tê-los visitado com mais frequência depois que você se casou e se mudou de lá. Aquela casa também foi “cheia de vida” enquanto você lá esteve. Fostes embora de lá e deixou um vazio para seu pai e sua mãe. Na melancolia que essas lembranças te fizeram sentir, tua mente com o que do passado ela esteve a decorar, ela te levou para o retorno daquela existência simples de sua origem de quando ainda era virgem para as malícias. Tua mãe estando ao preparar no fogão a refeição do dia. Ela ao tanque de lavar roupa. Ela ao estendê-las no varal, ela regando a horta, as flores do jardim, ela indo ao galinheiro para alimentar as galinhas com farelo e quirera. E o teu pai, quando em casa, noutras tarefas “mais pesadas” como, cortar lenha, consertar a cerca, carpir o mato do quintal, passar o rastelo no galinheiro para juntar o esterco das galinhas e etc. E você colecionando figurinhas, lendo gibi, indo na rua brincar com outras crianças e sendo criança como antigamente as crianças eram crianças. Hoje, quando você se distrai com entretenimentos eletrônicos atuais, a sensação não é como você só é como é agora sem ter existido no como foi no passado? Teus pais, tua infância e juventude quase são raridades para rememorar. Entretanto, quando seus pais ficaram velhos, como você agora também quase já está, bem que pensastes que eles já estavam “passados”, isto é, despreparados para as modernidades, inferiorizados perante você que se pensava uma pessoa melhor atualizada e melhor instruída.  Agora chegou ou está chegando sua vez de ter essas mesmas considerações pelos seus filhos. A história sempre se repete (risos). Quem é que anda se queixando de não se lembrar mais das coisas que se lembrava com facilidade? Então, você também “já passou” e passa o tempo se lembrando dessa desventura (risos). Antigamente, você sendo mais jovem era notoriedade até desejável onde estivesse. Agora não é mais. Aquele vazio sentido de vez em quando não seria por causa daquele nada diferente para fazer nos seus dias? Então... Aquele mundo que te viu nascer não é o mesmo que te vai ver morrer. Agora, com essa tua idade, a lembrança da morte já é mais frequente. Duvido que não penses nela. Você até pensa que logo vai morar com Deus. Mas Ele é a incógnita que está além da existência humana e aquém do poder de conceituar da sua consciência terrena. Ele só não é incógnito para aqueles cujos condicionamentos mentais substantivaram como concreta e não abstrata a existência Dele e você deve ser um deles. E você está ai naquele não sabe se logo vai e nem sabe por quanto tempo ainda fica (risos). Apavora mesmo voltar a ser o nada (igual ao nada do antes de existir) quando você e todos os seus feitos serão desfeitos. Contudo, não se preocupe, porque, a velhice logo passa, ela tem cura. Para isso basta perder a memória e não mais se lembrar de quem você é (risos).

                                                                                Altino Olimpio

luciano gonçalves nina
Responder|
Para:
altino olimpio
qua 02/03/2016 17:10
Prezado Sr Altino grato pelas belas palavras sábias e que despertam nossa memória e nossos sentimentos passados. Todos passamos ou vamos passar por isso. Acho muito bom, pois mostra que estamos vivos e conscientes; pena só que não tive a terra, horta e galinheiro!
Grande abraço

à disposição,
Luciano G Nina crm 42164
Prof Assistente de Otorrinolaringologia Fac Medicina de Jundiaí


Fatima Chiati
Responder|
Para:
'altino olimpio'
qua 02/03/2016 16:21
Nossa esta crônica foi demais! Pra refletir mesmo! É exatamente assim como você descreveu. O tempo passa e de repente você se vê cheio de saudades, recordações, arrependimentos e uma tristeza imensa por não poder voltar no tempo... Aquele tempo! Onde a felicidade era única, presente e forte. Aquele tempo! Em que tínhamos por perto as pessoas mais queridas, mais dedicadas e mais cheias de amor. Aquele tempo! Em que tudo era mais rico de emoção.
Ai, ai... Fiquei triste... E saudosa também
 Abraços
Fatima





quarta-feira, 2 de março de 2016

Leva-me pra viajar


Eu que feliz já fui criança
Agora idoso perdi a esperança
De me ver alegre lá na França
Não é que perdi a confiança
É que é pouca a minha poupança
Quando jovem viajar nunca quis
Eu nem sabia que existia Paris
No meu passado eu vivia a namorar
Quase não pensava em viajar
Era pobre mas era realista
Era sem condição de ser turista
O tempo a passar a tudo me abarrota
E vou morrer sem conhecer a Europa
Hoje  me sobrou  o pensamento
Com ele vivo todo o tempo
Sem mesmo sair do lugar
Estou sempre a viajar
Também muito viajo pela idade
Ela sempre me faz ver a realidade
Que o viver não é para a eternidade
O tempo passa tão depressa
Parecendo que felicidade é só promessa
Ou exista  mesmo naquele ardor
De quem sempre viaja para o exterior

Altino Olimpio 


terça-feira, 1 de março de 2016

Cuidado com os papagaios sem penas


“Quando falares se cuida para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio”. Provérbio indiano.

Na existência da humanidade, por mais incrível que seja para os “tagarelas”, existem conselhos sábios como o provérbio acima. Mas, como tudo que é bom, quase sempre fica desprezado, sempre fica escondido na inteligência com que a ignorância humana evita praticar tais conselhos. Ainda não se sabe quem inventou a redundância e ela foi bem aceita pelo povo brasileiro. Até dizem que ela é mais abundante que os mosquitos da dengue. Muito apreciada, muito admirada ela livremente transita pelo congresso brasileiro e parece que já picou todos os deputados. Infelizmente ainda não inventaram vacina contra ela. Os mais renomados cientistas não acreditam ser possível a imunização do povo para contê-la. Entretanto, ela também tem seu lado bom. A redundância é a melhor cura para a carência, essa doença cada vez mais alastrante. Pessoas com essa doença se utilizam muito da redundância quando conversam com outras e nos instantes da conversa, acreditem ou não, suas carências desaparecem. As outras ao ouvi-las podem sentir algum atordoamento, algum enchimento nos seus órgãos reprodutores, porque podem sofrer do raro mal da brevidade e não sabem. Citando outro lado bom da redundância, se não fosse por ela não existiria o telefone celular e outros aparelhos de contato “ao vivo” atuais. A redundância também já salvou muita gente da morte. Refiro-me ao fato de uma pessoa não dormir ao volante do carro quando ao lado dela está outra falando sobre coisas óbvias por demais agradáveis de ouvir, inclusive aquelas ditas e já repetidas por alguns bilhões de pessoas por esse mundo afora. Mas, a redundância odeia os mudos e não se sabe o motivo. Quanto ao “silêncio” na escrita do provérbio acima, sabe-se que ele foi inventado pelo diabo para enlouquecer o maior número possível de pessoas. Ainda bem que em tempo descobriram como abafar, expulsar o silêncio. É só deixar o rádio ligado num volume alto, a televisão também e se possível cantar, tudo ao mesmo tempo, mesmo não prestando atenção no que estão dizendo no rádio e nem vendo o programa que está tendo na televisão. Com tudo isso a casa fica livre de vibrações baixas. Os sons dos aparelhos ligados afastam até os “encostos” se porventura eles existirem.

                                                                                           Altino Olimpio