segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Nada se sustenta

Lembro-me muito bem de quando na quaresma diziam: Se você comer carne você vai para o inferno. Para as crianças diziam que na quaresma não se podia falar palavrões. Desde há muito tempo não mais se ouve esses alertas salvadores. Se hoje algum mortal religioso com o instinto de benfeitor e com essas idéias do passado for tentar salvar alguém do inferno induzindo-o a não comer carne, o tal salvador tem que se salvar para não ser considerado irracional. Na vida tudo muda e ninguém se perturba. Bem, dizem que verdade que é verdade ela dura para sempre. Quando não é logo ela se desfaz.

Na Bíblia, em Levíticos, se me lembro, está escrito, mais ou menos assim: Maldito seja o homem que se deitar com outro homem. Parece que isso antes do casamento é pecado, sim (risos). A Bíblia é sagrada, mas não sei se ela ainda é consagrada àqueles que a desobedecem. Os homens que se deitam com outros homens (mulheres idem), são muito prestigiados por políticos que comparecem em suas passeatas quase sempre com segundas intenções. Aquelas para ganharem seus votos nas eleições. Então, tais eleitores dessas passeatas, como já se viram, não são poucos. Talvez, logo eles venham a ser quantidade suficiente para decidir uma eleição.

Também, hoje pouco se ouve falar da Extrema-Unção. Já tem gente que nem imagina o que seja isso. Antigamente era inconcebível morrer antes de recebê-la. Inclusive, na última hora de vida os pecados às vezes eram revelados para serem perdoados. Assim, o moribundo ou a moribunda se sentia no alívio de suas faltas e sua alma livre do peso poderia flutuar até chegar ao céu. Hoje parece que a extrema-unção é de extrema desnecessidade. Ninguém mais se preocupa com ela, ninguém fala dela. Eu, pelo menos, nunca mais ouvi.

Às vezes me ponho a pensar nas tantas coisas que eram e agora não são mais. Por que nada se sustenta? Por que eram mentiras, ilusões, delírios, superstições e impraticáveis? Essas perguntas não povoam as cabeças dos adultos. Mais as crianças são dadas a fazer perguntas. E os adultos enganados como quase sempre são, eles só podem enganar (sem querer) as crianças com suas respostas para as perguntas delas.


                                                                                           Altino Olimpio

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Meus pensamentos desconexos






Parece que as “diretas já” eram as “indiretas” despercebidas pelos ingênuos que não perceberam na “tramóia” em que isso iria dar mais precisamente no início do século vinte e um. As “diretas já” foi um movimento civil do ano 1984 reivindicando por eleições diretas para a presidência da república. Lembro-me de uma cantora que durante esse movimento cantou e ficou famosa com uma música que só era cantada quando a Seleção Brasileira de Futebol enfrentava times de futebol de outros países. Ainda não sei o que o futebol tinha a ver com o movimento político. A cantora de nome Fafá era muita “peituda” para cantar estando rodeada de políticos despeitados por não usarem fardas militares. O movimento atraiu muita gente boa. Artistas, intelectuais, políticos e etc. Parece que... Jô Soares, quem diria, hein? Parece que o Brasil todo queria de volta a democracia mesmo sem saber se o povo, deitado eternamente em berço esplêndido, estaria preparado para isso. Sem entrar em detalhes, com o regime ditatorial derrotado, isso... Mas aquela mulher fotografada fumando charuto ao lado daquele ditador democrático... Então, tendo sido derrotado o militarismo, parece que a maior porteira do mundo foi aberta para passarem os mais ilustres bandidos da pátria, conforme disse isso sobre eles o conhecido paulista que é decano na cidade das regalias (decano é o mais velho de uma turma que fica julgando os outros e são esquecidos do lema: Não julgueis para não seres julgados, mas, do modo que eles julgaram eles também foram julgados pelo povo, sim). Daquela época das diretas já... Chico Buarque, até você, hein? Então né? Daquela época das diretas já, muitos que se sobressaíram no movimento e estão registrados na história jornalística, muitos deles (é só saber onde procurar para encontrar), ainda estão por ai em nome da democracia fazendo o que querem e a democracia como é muito democrata, ela finge que não vê e se vê algo errado ela tolera e não acata e se tiver nó ela desata. Lá no congresso alguém perguntou se alguém gostaria da ditadura. Mais de quinhentos deputados responderam em uníssono: NÃO, NÃO, TÁ BÃO ASSIM. Não sei se é verdade, mas, me disseram que até os animais gostam da democracia, os ratos, os cachorros, os porcos, as raposas, os lobos (donde derivou a palavra lobista). A democracia... PQP como aumentou o preço da energia elétrica. A democracia é mesmo um paraíso por prever a existência de muitos partidos políticos. Sem eles poderia haver muitos roubos do erário. Graças a eles o país é bem protegido. Na democracia todos se dão bem. Um casamento perfeito é do governo com a Mídia. Depois de um longo noivado agora estão casados até que a morte os separe. Por falar nisso, está havendo um lava jato que mais se parece com um lava teco-teco para com políticos pegos “com a boca na botija”. Um deles numa gravação disse que tinha um padrinho num tribunal supremo e a qualquer dia poderia pedir-lhe a bênção. Mas o padrinho jamais iria responder-lhe com aquele “Deus te abençoe” fora de moda. Poderia sim, mandá-lo passar umas férias remuneradas lá na Cidade de Curitiba. Sempre ouço falar em democracia, ditadura, monarquia, presidencialismo, parlamentarismo, e eu, nada entendo dessas coisas. Parece que qualquer uma delas é constituída para que uma minoria domine a maioria, mas, aqui no Brasil isso não acontece, ainda bem. E eu aqui pensando, pensando... Ainda bem que eu posso pensar. Pelo andar da carruagem, não duvido que logo criem impostos para quem mais pensa. Mas ai, o governo iria ficar mais pobre porque o povo não pensa e então não pagaria pelos impostos. Ah, vi várias fotos do homem do real com o peixe do mar juntos, lado a lado, desde quando eles eram bem mais jovens. Estiveram nas diretas já também. Entrosamento duradouro. Se me lembro tivemos um presidente que chamou os aposentados de vagabundos. Quanto a mim ele tinha razão. Não faço nada mesmo. Alguém já viu algum escritor de periferia fazer alguma coisa (risos). Sempre culpam a política ou os políticos pelas crises por que passa este país. A culpa é dos aposentados, dos pensionistas do INSS. É preciso expulsá-los do Brasil (risos). Eles têm uma mordomia que nenhum deputado tem. Ganham dinheiro no mole, viajam sem pagar em conduções de luxo, eles têm remédios de graça, eles têm a disposição os melhores hospitais e ainda se dão ao luxo de exigir mais beneficências. A nossa democracia é pra nenhum macho botar defeito (se ainda existe algum), pois, como se ouve falar, ela é boa para o capitalismo, pois, ele é bem vivido, até sem disfarce por muitos comunistas que se dizem ou não se dizem como tais. Ainda estou pensando nas diretas já e... Opa vai começar a novela. Sempre xingo a mãe de quem me telefona nessa hora cultural. Ah, será que os artistas, os intelectuais, os políticos e o povo em geral daquela época se sentem recompensados pelo fato de terem contribuído pela derrubada da ditadura e pelo retorno da democracia que nos tem produzido tantos políticos que são verdadeiros anjos encarnados? Na verdade... Orra! Mas como subiu os preços dos alimentos... Na verdade, até me parece que é mentira que aquele tal de Pedro descobriu o Brasil. Só agora nesta era é que ele foi descoberto por pessoas bem espertas, aquelas do “em terra de cego quem tem um olho é rei”. Para escolher nossos líderes sempre estão a postos os eleitores. Pensando neles me lembrei daquele casal de velhos católicos ainda eleitores que foram na missa. Lá a esposa se inclinava de um lado e soltava gás demorado. Era um atrás do outro. Ai ela cochichou no ouvido do marido: Querido, que alívio. Soltei muito gás aqui que não fizeram nenhum barulho, então ninguém ouviu. O marido encostou a boca num ouvido dela para ela ouvir melhor e lhe disse: Minha querida esposa, depois que terminar a missa nós vamos comprar uma pilha nova para teu aparelho de surdez, ouviu? E eu que pensei que fosse cheiro de incenso, disse o marido. Mas cada coisa! Agora querem mexer na aposentadoria. Parecem querer que os deputados trabalhem trinta e cinco anos para terem direito. Se isso for verdade só pode ser injustiça e ainda querem que os salários deles sejam iguais aos dos trabalhadores comuns. Agora me lembrei daquele mordomo que também pode ter dificuldade para se aposentar. Ele trabalha para um velho rico que é surdo. Ele, o mordomo, detesta o velho. Outro dia ele teve que abrir a porta pro velho entrar em casa e como o velho não ouvia nada, ele ao tirar o paletó e pegar-lhe o guarda-chuva para guardar, com raiva do pobre velho surdo ele foi falando até meio alto: Ai velho broxa FDP, viado, onde foi dar hoje? O QUEEEEEEEEEEEEEEEE? Eu estou vindo do otorrino que me orientou como colocar direito no ouvido o aparelho para surdez que acabei de comprar e eu escutei tudo o que você disse. Subalterno de merda, se depender de mim você nunca vai se aposentar. E eu fico pensando, pensando... Tanto se fala num tal de Eduardo que é conselheiro e autêntico mensageiro da ética, tanto se fala de um sítio que não tem dono, tanto falam e falam tanto (já não aguento mais) que até parece uma cortina de fumaça para despistar o povo das melhorias que estão por vir para que ele fique mais livre e se liberte da liberdade que não é boa para um regime que não é declarado por aqui. Pensando bem o presidente Castelo Branco, ele... Puxa-vida faz tempo que não vou a um baile... Se me lembro o Figueiredo gostava de cavalos... Os cavalos não participavam de greve... Caramba, aquela pinga me derrubou, não consigo ficar com os olhos abertos por causa do sono e... ... ... zzzzzzzz... zzzzzz... zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

                                                                                            Altino Olimpio




















domingo, 21 de fevereiro de 2016

A fascinação do Facebook


Minha amiga da Cidade de São Vicente, mais ela é conhecida por Xaropita. Com esse apelido parece que ela é jovem, mas não, ela já está na fila dos retirantes (risos). A amiga, coitada, sofre muito na vida por causa do calor. Não pode abrir portas e janelas para se refrescar porque da igreja ao lado dela vem um barulho insuportável de aparelho de som a serviço da divindade barulhenta. Ela nunca se esquece de no fim de uma conversa por telefone pedir e sempre insistir para que eu fique com Deus. Mas, Ele não fica comigo porque não o percebo me protegendo das amigas mal intencionadas que insistem para que eu participe do tal de Facebook. Uma delas me disse que é muito bom porque eu iria encontrar novas amizades, iria reencontrar amigos do passado, amigos do tempo da escola e até parentes há muito tempo não vistos.  Sempre respondi que participar dessas redes sociais demanda muito tempo e eu que tenho o curso superior de aposentado sênior, nessa profissão não tenho folga nem aos domingos e feriados e muito menos consigo sair de férias. Como então curtir e comentar postagens tão culturais das amigas e dos amigos? Sei que é uma pena eu não poder ver fotos de amigas e amigos que eram de um jeito e agora são de outro bem diferente e até difíceis de reconhecer (risos). Uma das amigas me disse que tem bem mais de mil pessoas como amigas e, por isso, eu quase morri de inveja dela. Porque, quando ela morrer, no velório dela não vai haver espaço para comportar tanta gente. No meu, por não pertencer ao Facebook poucos vão comparecer. Desde agora, se todos soubessem como isso me faz sofrer... Para muitos fanáticos, aqueles brasileiros do “não saber usar e só saber abusar, exagerar” o amor ao Facebook veio pra substituir o lendário “Amar a Deus sobre todas as coisas”. Para muita gente, o viver é o se distrair com o que só serve mesmo para distrair. Nada melhor na vida do que do si mesmo se desconcentrar para impedir o infortúnio que é ter algo importante para pensar.  


                                                                                       Altino Olimpio

É bom se lembrar dos tempos de rapaz


Quanto mais se vive mais se revive. Reviver só pode ser o que passou e ficou na memória. Na ainda inexistência da televisão, o rádio sim é que era a atração. Ouviam-se os mais famosos cantores, Francisco Alves, o Chico Viola ou o rei da voz. Silvio Caldas, o caboclinho querido, Orlando Silva o cantor das multidões, Nelson Gonçalves, Carlos Galhardo e outros que eram do romantismo da época. A maioria que se lembrava deles envelheceu e muitos já morreram. Seus descendentes, muitos deles não ouviram falar e muito menos os ouviram cantar. Os brasileiros não são dados a memorizar suas histórias e seus artistas, a não serem poucos que enveredam pelo passado resgatando memórias de cantores que foram o sucesso de suas épocas e até delírios para suas fãs, conforme o carinho que nutriam por eles. Depois do evento da televisão, aquele bom costume de famílias se visitarem ao gosto do café com bolinhos de chuva logo foi ficando cada vez mais esporádico até, como dizem hoje “ninguém mais se visita”. Por onde nasci passavam os trens da Estrada de Ferro Santo a Jundiaí. A alegria de pobre (risos) era se trajar de terno e gravata e embarcar nos antigos vagões de madeira de primeira classe rumo à cidade de São Paulo, para ir ao cinema. A cidade já ostentava o Edifício Martinelli, o mais alto da América latina daqueles tempos. Sua construção começou em 1922. Inaugurado em 1929 com doze andares, a construção continuou até em 1934 quando terminou tendo trinta andares. Ficava como ainda fica no início da Avenida São João. De suas alturas a extensão dessa avenida era bem visível. Era por onde circulavam os bondes com destino ao Bairro da Lapa. Primeiro, eles passavam onde à esquerda estava o Cine Art Palácio, inaugurado em 13/11/1936. Depois, logo à direita, se passava pelo Cine Broadway, inaugurado em 1934 e fechando suas portas em 1967. Logo mais adiante, do bonde se via à esquerda o Cine Metro, inaugurado em 15/03/1938. Lá, com a minha ainda noiva assisti ao filme “Doutor Jivago”. Naquela época e naquele romantismo, poucos eram os cinemas que permitiam a entrada sem estar de gravata. Para beijar a namorada durante o filme só quando o “lanterninha” estivesse distante. Seguindo com o passeio de bonde até a Lapa, o que se via hoje não mais se vê. Por “falar” em bonde, lembrei-me de uma música de carnaval para o Rio de Janeiro “O bonde de São Januário” que foi censurada na era do presidente Getulio Vargas. Um trecho da letra original era assim: O bonde de são Januário/leva mais um sócio otário/só eu não vou trabalhar. Depois da censura, modificado o trecho da letra, ele ficou assim: O bonde de São Januário/leva mais um operário/sou eu que vou trabalhar. Lembro-me bem dos bondes da Avenida São João de São Paulo e de seus ruídos característicos. Entretanto, o progresso no tempo vai pondo a perder como eram os locais, situações e pessoas que se foram e deixaram registros na memória. Ele a tudo modifica e quase nada fica de como era. Os antigos cinemas foram desaparecendo e alguns deles foram ocupados por religiões evangélicas. Depois que aqueles famosos cantores da “velha guarda” acima citados e outros que morreram, outros iguais nunca apareceram. Aquelas músicas com suas letras que despertavam emoções ficaram mesmo lá distantes, no passado. Neste “reviver” nostálgico de cantores, cinemas e bondes, oportuno também é a lembrança daquele samba cuja letra é pertinente ao passado que aqui brevemente foi narrado:
Recordar é viver/Eu ontem sonhei com você/Eu sonhei meu grande amor/Que você foi embora/E nunca mais voltou.

                                                                                    Altino Olimpio

De: Fatima Chiati
Enviado: sábado, 20 de fevereiro de 2016
Para: 'altino olimpio'
Assunto: RES: Faz tanto tempo...

Que tempo bom! Lembrei até programa Baile da Saudade com Francisco Petrônio, lembra? Cinemas, bondes, boas músicas. Tudo passado. Agora vivemos um presente de péssimas músicas, péssimos artistas e estilos nada românticos. O Funk chegou e não há meio de acabar. Tudo demonstra a pobreza espiritual, de sentimentos e de cultura dos tempos atuais. O ruim virou moda e a maioria resolveu aderir a esta moda. Tenho postado músicas do passado em minha página no Facebook. Poucos curtem. Poucos se interessam. Só nos resta recordar e lamentar que o que era  doce se acabou.
Abraço,
Fatima






quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Brasil embargado


 Lembrando daquele dia e revivendo-o mentalmente:
Já é hora de me enfiar na sala e só sair quando a decisão for decidida por aquele homem destemido. Ele é que vai colocar o país nos trilhos.
--Pai, se você for dar um giro por ai não se esqueça de comprar pão.
--Eu sair? De jeito nenhum. Estou assistindo um julgamento muito sério.
Que legal, ele já começou a ler e a discorrer sobre a questão em pauta. Que homem inteligente, ele está lendo e lendo em voz alta justificativas de como ele vai dar o seu voto no final. Muitos e muitos brasileiros estão assistindo e estão atentos ao que ele lê. Claro que ele não vai decepciona... ... ... Puxa-vida quanto tempo já se passou e ele ainda não deu seu parecer. Vênia data, mas, ele já está enchendo o saco, não para mais de ler e de falar o que lê. Estou precisando ir ao banheiro... Ah não vou, não quero perder de ver e ouvi-lo dar o voto. Os outros que estão lá devem ter inveja dele por ele ser tão coerente e nunca “mijar pra trás”. Seu voto de minerva será correto. Claro, até o mais sábio de todos os sábios, o Doski, ele já havia dito que não havia provas de formação de quadrilha contra os que estão sendo julgados.
--Pai, você não vem tomar café?
--NÃO! Não percebe que estou muito ocupado?  Não posso perder... A qualquer momento o homem vai declarar o seu voto. Pare de me chamar!
Minha nossa! Está demorando muito pra ele se pronunciar. Está sendo uma tortura mental. Se pelo menos tivesse o plim-plim da Rede Globo eu poderia ir até o banheiro e soltar o que está me atrapalhando. Mas que coisa! Há quantas horas já estou aqui? Haja saco para ouvir exemplos de julgamentos anteriores... Tem muita gente que não está entendendo nada. Aliás, nem eu quero entender. Ele que se manifeste logo se será sim ou não o seu voto... Estou perdendo a paciência. Está parecendo enrolação.
--Opa, finalmente... É agora... Vai, vai, vai! Fala, fala...  Ele falou: Senhor Presidente meu voto é sim para os Embargos Infringentes.
O QUE? MAS O QUE É ISSO? MAS... PQP... Será que ouvi bem?
--Pai, o que aconteceu? Por que você ficou tão bravo?
--Bravo eu? Não filha. É que de repente fiquei meio atordoado. Talvez porque fiquei muito tempo diante da televisão. Se eu soubesse, não ficaria.
Esses tais de Embargos Infringentes são antigos e até já estão ‘barrosos’.
Duvido que algum brasileiro tenha se decepcionado. Nossos heróis (como piou um pássaro falcão que devia estar na gaiola) que são inocentes nem deveriam estar sendo julgados. Com os Embargos agora legalmente aceitos eles serão menos injustiçados. Isso vai desagradar a ‘papuda’ da elite brasileira. Tudo foi invenção dela. Se tivesse mesmo havido saques ilegais do Banco Estatal Valerioduto para os bolsos de deputados o presidente saberia. E ele, coitado, sempre tão ocupado em coibir falcatruas falou que não sabia de nada, nunca viu nada, não percebeu nada. Como sabemos, um presidente que seja mesmo presidente, nunca, jamais ele mente, principalmente se ele for brasileiro e gosta de cerveja e futebol. Entretanto, voltando aos nossos heróis vitoriosos pelos Embargos Infringentes que agora irão vigorar e favorecê-los, alguns deles levantaram o braço para cima com a mão fechada e a agitaram. Parece que é o símbolo da mais pura democracia. Afinal, por falar em heróis, temos que reconhecer que graças a tantos brasileiros honrados e empreendedores do passado, somados com os de agora (principalmente) é que, este nosso Brasil é (até parece)‘mais evoluído e desenvolvido’ que os Estados Unidos, embora, eles tenham a mesma idade. Ainda pensando no embate jurídico, de um lado tivemos os que consideraram procedentes os embargos e de outro lado os que consideraram improcedentes. Considero intrigantes como mentes ilustres, ‘tão sinceras, tão imparciais, tão apartidárias, tão apolíticas’ (e bota ‘tão’ nisso) não se entendam e se desentendam. Parece que as leis são para serem entendidas e não para serem compreendidas (risos). Será que elas na hora de serem colocadas em prática podem ser entendidas e aplicadas de acordo com o estado de espírito de cada um? Será que nas leis existe a possibilidade de propositalmente desentendê-las para se criar polêmica e com isso favorecer a absolvição ou condenação de alguém? Não sei! Mas, na Ação Penal 470 que foi televisada, me pareceu visível em alguns julgadores ter havido interesses protetores para, com antecedência, qualquer pessoa adivinhar que eles iriam mesmo, ser complacentes, ser atenuantes com a condenação dos réus. Até me pareceu que alguns atuaram como se tivessem dó ou amor pelos réus. Bom se eu estive enganado. ‘Juízes são para julgar e não para serem julgados’. Quanto aos Embargos Infringentes, eles são recursos ao que a defesa de réu tem quando não houver unanimidade entre os jurados na votação para uma condenação. Não tenho capacidade para entender mais e melhor, porque, a terminologia jurídica é de difícil compreensão para quem é leigo e até para advogados ainda inexperientes. Contudo, não sei se para pessoas simples e desprovidas de recursos os Embargos Infringentes atuam.
--Parei! Chega de lembrar e me torturar. Chega de pensar naquele dia. 
--Pai, você falou comigo? Não entendi.
--Não filha apenas pensei alto. Só falei pra eu mesmo ouvir.

                                                                                       Altino Olimpio

                                                                               






                                                                                      

Estamos cheios do vazio dos outros


Eu sempre achei que a pior coisa da vida
Era chegar ao fim dela sozinho
Hoje sei que na realidade a pior coisa
É terminar a vida cercado de pessoas
Que fazem você se sentir sozinho

Conclusão do ator Robin Williams (saudoso)
*21/07/1951 +11/08/2014 idade 63 anos

Ai é que está a realidade destes nossos dias
Cada vez mais as pessoas estão vazias
O Robin Williams se terminou em desgosto
Suicidou-se em dois mil e quatorze em agosto
Esta é a era de vivermos a sós na multidão
E no carnaval a alegria esconde à melancolia
É a teimosia do tentar derrotar a monotonia
Gente na obediência do sentir tanta carência
Por viver por fora ao invés de viver por dentro
A relevância é o viver só de insignificâncias
Ausências de valores criam o viver de aparências
Perdida a sociedade não acorda para a realidade
Não quer evoluir e só quer mesmo se distrair
Muitos insistem em ser e eles apenas existem
Não são poucos os que são muito ocos
Por eles somos cercados num viver sufocado
Muitos outros são apenas os descaminhos
E distante deles preferimos ficar sozinhos
Num viver sem hipocrisia livre de gente vazia

Altino Olympio

De: Sylvia karla Gatto
Enviado: segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016 13:30
Para: altino olimpio
Assunto: RE: Muita gente cheia de vazio rsrsrsrsrsrs

Altino, não é paradoxal?
Nunca as pessoas se comunicaram tanto, interagiram tanto, viajaram tanto, transaram tanto, tudo tanto e quanto mais tanto, mais aparentam ser desgarradas da realidade e das pessoas. O conteúdo cedeu lugar ao superficial. Sozinhas por dentro e rodeadas no entorno. 
 Ouço muito dizer que não conseguem ficar sozinhas, que precisam ao menos do barulho da televisão ao chegar em casa pra ouvir algo ou ter a sensação de alguém na casa. 
Fico perplexa, como pode uma pessoa não gostar do seu próprio silêncio? Como pode alguém não suportar os seus próprios pensamentos? Como pode querer ouvir barulho justamente pra não pensar? Musicas cada vez mais barulhentas pra não ter que conversar porque não têm o que falar. 
 Várias vezes em mesa de algum restaurante, cansei de ver pessoas (jovens) e cada qual teclando seu celular. Fico olhando estarrecida, como podem pessoas sentarem-se numa mesa pra compartilhar uma refeição e não conversar? Já vi pai com filho de 5, 6 anos almoçando e o infeliz do pai não largava o tablet, sem trocar uma palavra com o filho e o menino se distraindo com qualquer coisa e até insistindo em compartilhar a telinha com o pai. Ô tristeza... Eu, como falante que sou e adoradora de uma prosa e possuidora de uma língua muito solta e inquieta, fico estarrecida ao ver jovens e até casais terem mais assunto numa rede social do que "face to face".
Isso é o culto à solidão. Mórbida solidão, diga-se de passagem, pois a solidão em si eu acho ótima, ficar sozinha, curtir suas músicas, ler seus livros, ter suas horas de privacidade, comer a hora que quer, dormir a hora que quer, do jeito que quer e quanto quer é muito bom. Ouvir o silêncio, escutando a própria voz interior que nos dá o tempo todo as intuições, os pressentimentos, os avisos, e tantas sensibilidades perdidas na ânsia do movimento sem fim do convívio humano. 
Ser solteiro é bom, a vida solitária pode ser enriquecedora, ser casado é bom, a vida a dois é o melhor aprendizado que podemos ter, (eu adoro), tudo é bom, dependendo da fase da vida que atravessamos, das escolhas que fazemos no momento. Viver um pouco de tudo, experiências enriquecedoras que vejo a maior parte das pessoas perderem as oportunidades pela simples razão de achar que é do outro a responsabilidade de fazê-las feliz e ficar sozinho é castigo. 
Nunca os relacionamento aconteceram tão velozmente e de forma tão variada e nunca a depressão esteve tão em moda, tão presente e tão permanente na vida das pessoas. 
Dizem que a humanidade evoluiu. Será? Tecnologicamente sim, mas, no sentimento, no comportamento, na real percepção das sensações acho que involuimos. Sensivelmente degradante tornou-se nossa paranoica sociedade.

                                                                                    Sylvia Karla 
 




















terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Saudades da natureza



Aquele lugar tão gracioso me viu chegar
Viu-me nenê a ser menino e a crescer
Crescido fui moço como foram outros
De criança até ser grande eu era o explorar
E me encantar dos cantos e recantos
Daqueles locais que foram o meu lar
A casa que eu morava e todas as outras
Eram parecidas e pouco se diferenciavam
Na minha tinha jardim inclinado com grama
Onde era plano havia um cercado de buchinho
Cercando pés de rosas plantadas dentro dele
Minha rua era de terra como lá todas eram
Do outro lado dela tinha uma cerca
A mata por detrás dela escondia o barranco
Onde tinha bananeiras plantadas até perto do rio
Lá sentado na margem observando sua correnteza
Ela me interiorizava distraído em devaneios
Surgiam curiosidades do meu viver e de como eu era
Os postes da rua tinham iluminação fraca à noite
E as mariposas rodeavam suas lâmpadas fracas
E assim se distraiam na luz do afastar da escuridão
Durante o dia o sol era um banhar de calor e luz
Ele era a alegria para as borboletas coloridas
No bater de suas asas eram lentas ao voarem
Muitas vezes as vi imóveis em flores silvestres
Elas pareciam existir para embelezar o mundo
As mamonas verdes com seus cachos de bolinhas
Tinham seus espinhos moles que não espinhavam
Eram o pousar dos pássaros tizius a pular e a cantar
Eu vi fortes chuvas que deixavam poças na rua
Como o Narciso também eu me espelhei nelas
Entre raios e trovões ouvi minha mãe falar alto
Diante de a vela acesa repetir o nome Santa Bárbara
Era para o acalmar da tempestade de granizo
Tinha o nome de chuva de pedra
Elas embranqueciam o chão da horta
Uma a uma colocadas numa caneca com açúcar
As pedrinhas de gelo eram sorvetes da natureza
Quando a chuva se enfraquecia e ia embora
O sol que estava escondido reaparecia
Para brilhar em cores nos pingos de chuva pelo ar
Que restaram para formar as cores do arco-íres
Em casa o abacateiro era o refúgio das rolinhas
O pé de amora sempre atraia sabiás e sanhaços
E o de caqui era o preferido pelos colibris
Lembro-me do cachorro Lulu e do gato amarelo
Meu companheiro o Lulu era preto e branco
Esperto o gato cego de um olho roubava alimentos
Minha mãe sempre o expulsava da cozinha
Contudo... O tempo a passar a tudo faz mudar
Chega à adaptação ou à inevitável imitação da vida
Da vida das responsabilidades sociais exigidas
Ser mais um no mundo dos escravos do ter e do ser
E só existir no como e no que a humanidade está a existir
Vivendo mais na humanidade e distante da natureza
Adeus bananeiras do barranco e do rio devaneio
Adeus meus espelhos de poça d’água da chuva
Adeus as borboletas e ao Lulu e ao gato amarelo
Adeus pedrinhas de gelo sorvete da chuva
Adeus ao se admirar com as cores do arco-íres
Adeus à inocência dos meus primeiros tempos
Os tempos de agora não são como os de outrora
Parece existir apenas para o passar das horas
Neste mundo onde o viver está tão tumultuado 
E faz saber que a natureza está por fora
Das agruras que neste mundo vigora
A natureza sempre esteve para o bem da humanidade
E a humanidade é o maior mal para ela
Natureza e seres humanos são antagônicos

Altino Olimpio




















   








domingo, 7 de fevereiro de 2016

Gente se queixando da idade


Gente se queixando da idade

Meu amigo, passamos pelo tempo mesmo hein, este ano faço 68 e tu se não estiver enganado vai fazer 74 em agosto, tem horas que dá vontade de sumir muitas vezes não acho graça em coisas que costumava rir, "tô" no fim ou começo da fila dos retirantes mesmo.
Oswaldo João Della Betta 

É verdade, em agosto completarei 74 anos. Quando perguntado sobre a vida costumo responder que ela é uma bosta, embora eu não me sinta infeliz. Sendo mais pela realidade e não pela ilusão,  superstição ou crenças, isso torna a vida com menos atrativos. Às vezes sinto que minha vida é ridícula, parece que não há mais nada para fazer e o que se fazia não tem mais graça (risos). Hoje sou daquele descrente que diz: nada se sustenta e nada tem importância. Escrevo crônicas para ter o que fazer (risos) e algumas delas faz com que alguém se enfureça, porque, vão contra o que esse alguém acredita. O que também nos remete para as decepções é o fato de agora sermos informados (massacrados) pelas más condições políticas e por saber que sempre tem aqueles que estão a modificar o nosso viver e nisso está o nos escravizar mais. Às vezes me vem à pergunta: Será que ainda existe alguém que preste? Parece que todos estão hipnotizados, alienados com o cada vez mais se desunir, cada vez mais com o "cada um na sua". A Mídia tem seus canhões constantes bombardeando ingênuos idiotizando-os cada vez mais. A desinformação está a todo vapor. Todas as instituições (filosofia, religião e etc.) falharam no bem conduzir e no controle da humanidade.  Parece que tem mentiras em tudo. Às vezes me lembro daquele dizer: O mundo é um vale de lágrimas. Atualmente muita gente doente. Famílias com problemas graves com seus filhos e etc. Então, chegando aos 68 como você chegou e aos 74 como vou chegar, nessa fase da vida as reflexões sobre a existência nos traz o passado quase sempre, queiramos ou não. Se forem lembranças desagradáveis elas nos desgostam e nos irritamos querendo esquecê-las e mudar de pensamento. Se forem boas lembranças elas são saudades e saudades têm algo a ver com a tristeza do que passou, passou e não volta mais. Então, que mais te dizer? Só sei que ninguém escapa da vida querendo (risos).  Nascemos pelo querer ou pelo “sem querer” (aconteceu) de nossos pais e não pelo nosso querer. Depois, temos "que nos virar como pudermos" para viver e sobreviver.
A meta geral é ser feliz. Mas, felicidade constante não existe. Momentos de empolgações sim e elas são confundidas como sendo felicidade. Devo estar parecendo pessimista, coisa que, acredito, não sou. Sou o que sou, mas não sei o que sou (risos e mais risos). Sempre levo tudo na brincadeira. Paro por aqui, mas a vida como ela quer que eu viva ou não se importa que eu viva ou como eu viva, ela continua viva em todas as vidas que nem imaginam o que possa lhes acontecer em vida e os seres humanos nunca estarão a anteceder o que pode lhes acontecer e se cedo vão morrer ou se até bem velhos vão viver (risos). A vida é a maior das incógnitas, mas, existem “especialistas” prontos a “orientar” que ela é eterna mesmo depois que morre em quem deixou de viver (risos).

Abraços para você, o 68 e logo retirante.

Altino Olimpio


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Carnaval e política para quem merece


No fim da semana passada assisti pelo noticiário da porca da Mídia milhares de pessoas superlotando ruas e avenidas, se esbarrando e cantando em São Paulo e no Rio de Janeiro. Sim, foi um carnaval antecipado, o pré-carnaval. Quanta alegria “no por pra fora” bestialidades interiores. É verdade “não existem seres humanos adultos e sim crianças grandes”. Pensar que essa gente vota... Quando o repórter de rua de alguma emissora entrevistou um folião ou uma foliona, que desgraça, só se ouviu as de sempre idiotices sobre o que é alegria e felicidade. O contágio desse entretenimento de “fora de dia e fora de hora”, e o ver das emoções infantis estampadas nos rostos daqueles participantes, bem que faz pensar que esse povo tem mesmo o excelente governo que merece. O governo, por sua vez, assistindo a tais exaltações de alegrias espontâneas, ele sim é que se sente feliz por ver que o povo amestrado sabe se divertir e até parece que é grato pela administração política atual. Tão feliz fica o governo com essas explanações alegres que ele até se pensa como sendo o dono da zona onde qualquer um pode transar de graça. O poder vigente que quer o poder para sempre tem seus integrantes que, coitados, eles nunca participam da farra. Claro, eles podem ser confundidos com bandidos e ladrões do erário. Esses milhares de pessoas que “carnavalizam” com antecedência são rígidas contra políticos safados (até parece). Devia ter carnaval o ano inteiro e política só em fevereiro. Pela empolgação não dá pra negar que o brasileiro tem o carnaval no sangue... O futebol também... Esses que carnavalizaram com antecedência às vezes são educadamente chamados para uma passeata de protesto contra o governo, mas, eles não comparecem porque para eles o nosso país está muito bem administrado. E tem outra: Antigamente diziam que Deus é brasileiro (coitado, Ele não merecia isso), então nada há a temer e nem o Temer. Qualquer coisa que estiver errada neste país, o STF irá corrigir. Lá estão alguns (quase todos) dos mais nobres e adorados brasileiros e eles são os campeões da imparcialidade, da legitimidade, como assim, já comprovaram.


                                                                                       Altino Olimpio