terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A alma sob dúvida


Às vezes me lembro dos livros Pré-Socráticos e como gostei das reflexões daqueles filósofos de tempos tão remotos. Do pós-Sócrates temos de Platão, seus conhecidos livros como, Fédon, O Banquete, A Republica e Fedro.  Fédon, que retrata a morte de Sócrates tem como tema a imortalidade, conforme ele declarava. Para isso, acreditava então na existência da alma. Mas, na época dele “não existia como hoje existe bem mais avançada”, a ciência fisiológica das funções próprias de cada órgão dos seres vivos para melhor poder raciocinar sobre o tema em questão. Sócrates para aquelas suas constatações “esotéricas” sozinho deve tê-las criado em sua mente devido as suas reflexões sobre a vida, sobre a morte e sobre o destino dos homens a serem mortos e esquecidos. Para isso tinha muito tempo. Suas ainda teorias sobre a alma e sua imortalidade triunfaram no se espalhar para a humanidade. Hoje temos religiões para o “elucidar” das pessoas sobre suas almas e seus comportamentos, para elas terem continuidade merecida na imortalidade.   Para Sócrates e para quem é igual em suas idéias, bem depois dele outro filósofo, Aristóteles, se me lembro, ele disse o seguinte: “Tudo que constitui os seres encontram-se nos próprios seres e não o transcendem”. Explicando, as conclusões de Sócrates sobre a alma e a imortalidade, elas mentalmente tão só estariam nele e para ele sem ter conotação lógica externa.  Se alguém acreditasse existir homens com dez pernas, isso seria imanente em quem acreditou e nunca lhe seria transcendente. Claro, não haveria correspondência externa. A constituição humana tendo o cérebro, neurônios, sistema nervoso e tudo o mais, mais são e estão para a manifestação da consciência. Ela estando no corpo parece ser independente dele, isto é, sendo dele, mas não sendo ele. Assim, a consciência é entendida como sendo a parte espiritual do corpo, sua alma. O que também corroborou com essa idéia de sermos duplos, duais com corpo e alma, pode ter sido a incidência dos sonhos. Neles o homem se via em outros lugares enquanto dormia. Parecia que sua parte imaterial se desprendia de sua parte material. Daí o pensar ser-lhe principal sua parte invisível, inclusive tendo ela a “fisionomia espiritual” igual à fisionomia do corpo material.  Conforme acreditava o Sócrates, na morte do corpo a alma continuava a existir sem ele. Entretanto, se todos os atributos humanos como o pensamento, a imaginação, o raciocínio, a memória, os sentimentos, as emoções e etc. são aceitos como sendo da consciência, esta também pode ser aceita como sendo a alma ou função dela. Contudo, como já “dito”, pra existir e se manifestar “a consciência necessita de órgãos como o cérebro, neurônios, sistema nervoso e tudo o mais” para se sustentar. Na morte sem esses meios para se sustentar, se manifestar, a consciência desaparece, ela também morre. A alma, então, também não sobrevive se ela e a consciência forem unas, sinônimos. Porém, existem outras atividades no corpo humano que são ocultas. Estas são a atividade da digestão dos alimentos, a atividade do batimento do coração e da circulação do sangue, a atividade do manter da temperatura interna e entre outras, a atividade da cicatrização com memória para a recomposição de como eram antes os locais afetados por lesões aparentes, internas ou externas. Subconsciente é o nome utilizado como referência para essas atividades ocultas. Também ele foi subentendido como sendo a alma. O homem é consciente quando está desperto, é subjetivo quando está a pensar, lembrar, imaginar, raciocinar, mas, adormecido ou desperto, ele é inconsciente de seu estado subconsciente que é ininterrupto no manter ativa a vida em seu corpo. A morte que é a dissolução do corpo, ela é o decompor dos átomos e dos elétrons que antes o comportavam.  Como e qual seria a parte da constituição humana que sobreviveria para compor a alma para sua imortalidade? Que cada um ao refletir sobre isso tenha a sua conclusão e que não seja ela influenciada pelo muito que desde criança ouviu sobre a existência da alma no homem e de sua eternidade. A alma sempre fez parte do nosso condicionamento e por isso, duvidar da existência dela para muitos é impensável. No entanto, para quem gosta de pensar mesmo com o que lhe possa contrariar, este texto poderá estar a lhe agradar.

                                                                                             Altino Olimpio


Se todos fossem indio por um dia...


Na paz do entardecer ao ouvir a música “Índia”, guarânia que foi famosa, ela me fez refletir sobre a diferença do viver entre os índios e os homens “civilizados”. Ao ouvir a música e repetindo-a para mais puxar da memória imagens e fatos indígenas vistos no cinema, isso aguçou minha imaginação e com ela “viajei” até o local de uma tribo qualquer. Cheguei lá à noite sob um luar de lua cheia. Naquele espaço descampado com a selva ao redor, circulei acompanhando o círculo das tendas que estavam ao redor de uma fogueira ainda em brasa e esfumaçando. Pareciam ser bonitas aquelas tendas, iguais as já vistas em filmes. Naquele silêncio parecido ser divino, às vezes se ouvia o canto da coruja e de outras aves noturnas. Quando uma nuvem encobria a claridade da lua, mais se destacavam as estrelas. Circunstância forçosa no provocar reflexões e elas vieram. Emocionaram-me por me sentir tão pequeno, tão fugaz diante da imensidão e por saber que nunca iria saber dos seus mistérios e nem dos mistérios da vida. Nessa insignificância sentida até havia me esquecido de onde estava. Entretanto, ao amanhecer na tribo fiquei vendo os índios em suas simples tarefas diárias. Por séculos e séculos parece que sempre foram iguais. Vivendo em tendas, caçando, pescando, se alimentando também de frutas, de milho e de mandioca. Vivendo em suas tendas nenhuma tinha escritura de propriedade e nem o solo por onde pisavam. Viviam na liberdade do ir e vir. O ter e o ser eram conceitos que não lhes existiam. Respeitavam a natureza como lhes sendo a doadora de tudo o que necessitavam. Pareciam viver em harmonia e sem disputas no lema “índio não explora e não mata índio”. Talvez até estes dias eles mantivessem seus estilos de vida rudimentar sem
o conforto, sem o progresso, sem a modernidade com a ciência e a tecnologia conforme nós hoje as conhecemos e usufruímos. Verdade, os índios foram ingênuos e supersticiosos ao acreditarem como sendo deuses o sol, a lua, o raio, o trovão e etc. Teriam sido mais ingênuos e supersticiosos do que os homens tidos como civilizados que se abstraem com invisibilidades divinas tendo-as como suas benfeitoras e protetoras? Tais invisibilidades estariam também a julgá-los e castigá-los pelas suas faltas cometidas contra elas? Sobre quem seria mais ingênuo, se os índios ou os “civilizados”, esta comparação deveria estar a provocar reflexões. Mas, com a imaginação ainda atuante sobre os índios, imaginei como seria este país apenas com a existência deles e sem a nossa. Nenhuma poluição existiria. Nenhuma criatura da fauna teria ameaça de extinção. Nenhum desmatamento existiria. Assaltos, assassinatos e estupros, talvez, também não. Política contendo políticos falsos, ignorantes e corruptos que envergonham e decepcionam a raça humana, também não existiriam. Não existiria um poder administrativo geral, um só governo, pois, cada tribo a si mesmo se administraria. Ninguém precisaria ir pra escola e sofrer por causa do estudo da matemática (risos). Não existiriam os “escolhidos” por Deus para contar lorotas do outro mundo (risos). Futebol só seria permitido entre os canibais que chutariam pro gol uma cabeça decepada de algum selvagem de outra tribo rival (risos). Não haveria lixões, não haveria água encanada e nem falta d’água, não haveria motéis, não haveria passeata gay, não haveria novelas, não haveria roupa para comprar ou vender, não haveria... Tanta coisa não existiria, mas, o leitor também pode se lembrar do que mais não haveria se este país só fosse habitado por índios pelados... Nudistas (risos).
Por que será que “me deu na telha” de ouvir aquela música “Índia” nesta tarde tão promissora para “afiar ou amolar” a minha cultura. A música me provocou o devaneio e me vi no imaginar dos índios em seus costumes corriqueiros. Ah, também vi mandiocas e me lembrei de nossa presidente.


                                                                                 Altino Olimpio