quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A dança da vida



Hoje desceu sobre mim a nostalgia dos ausentes. Faz tempo que não vou a um baile. Então, me imaginei frequentando um no lugar onde nasci e vivi. Sozinho, sentado junto a uma mesa e ouvindo musica executada pela orquestra do baile, vendo os casais “presentes” contentes a dançar, meus pensamentos ficaram procurando pessoas que nunca mais havia visto. Na imaginação vi a dançar muitos casais do passado. Alguns amigos e amigas que também nunca mais havia visto vieram conversar comigo e até falaram que aparentemente quase nada mudei. Devolvi a gentileza mentirosa dizendo-lhes o mesmo. Muitos amigos e conhecidos que já se foram deste mundo, também os vi no baile dançando na minha imaginação. Na minha juventude a moda era beber “cuba libre” (coca-cola com rum) fumar cigarro de filtro e dançar de rosto colado com as moças cheirando a fixador laquê pelos cabelos. Não era difícil se apaixonar por uma delas. Depois do baile sempre uma ficava no meu pensamento até antes de adormecer. Casais de enamorados daqueles bons tempos também a dançar vieram para prestigiar minha imaginação, agora, já na tristeza da saudade. Alguns depois de se casarem deixaram de comparecer aos bailes e suas faltas foram sentidas. Minhas namoradas que se casaram com outros também estiveram presentes com seus maridos. Muito dançaram parecendo esquecidas que eu existo, ou que eu já havia existido para elas. Mas, na minha imaginação do baile até me esqueci de “tirar” alguma moça jovem bonita e perfumada para dançar. Agora retornando a realidade deste presente, quem nasceu e viveu num lugar pequeno é quem mais tem lembranças sobre seus conterrâneos, ainda vivos ou mortos. Sim, quase todos se conheceram e frequentaram os mesmos lugares, como o clube local, o cinema, a mesma igreja e etc. Na dança da vida, o ritmo dela é mutação. Pra muitos é difícil dançar nesse ritmo e por isso muitos se recolhem em seus lares e assim até se ausentam dos demais. Bolero, samba, samba canção, rumba, mambo e valsa foram o romantismo e a alegria que emocionaram os participantes dos bailes de outrora. Não mais sei como são os bailes de hoje. Não sei se ainda despertam aquelas mesmas emoções.  


                                                                                           Altino Olimpio   

Amoras pisadas


Naquela saudosa rua de terra
Sob a sombra daquela amoreira
Que se sobressaia do quintal daquela casa
E que se alastrava por sobre a rua...
Quando perambulando por lá cheguei
Olhei para cima e vi sabiás que espantei.
Naquele chão manchado por amoras pisadas
Não ouvi ruídos de pisadas se aproximarem
Até quando saindo de minha distração
Eu vi passar aquela de quem hoje lembrei.
Ela nada disse ao apenas me dedicar um sorriso.
Naqueles momentos na sombra da amoreira
Na dispersão dos pássaros causada por mim
Na passagem dela pelo chão pigmentado de roxo
Das amoras caídas ao abandonarem seus ramos
Isso tudo era a vida tendo seus momentos
E também eu tendo tais momentos na vida.
Ela é o nosso existir de momentos conscientes
Subsequentes em ocasiões conscientes diferentes.
Hoje em um dos meus momentos de existir
Estive absorto ao olhar pela janela do quarto
Donde dá pra ver o “pé de manga” do vizinho.
O vento esteve balançando seus galhos
E neles todas as folhas muito se remexeram.
Foram instantes em que a natureza se impôs
Soberana no provocar lembranças felizes
Ela trouxe para a minha mente distraída
Aquela rua, aquela amoreira com a sua sombra
Aquele chão colorido de amora esmagada
E aquela moça que silente me viu e me sorriu.
Depois da visão do pé de manga
Inevitável foi a minha curiosidade...
Onde ela estará? Nunca mais tive notícias dela.
Assim é a vida e mais somos recordações
No vazio que muitos nos deixam.

                                                  Altino Olimpio












Brasileiro nunca mente



Na Cidade de Brasília do Brasil onde está o foco das decisões brasileiras, algum tumulto está havendo por causa de um político estar sendo acusado que mentiu numa Comissão Parlamentar de Inquérito. Os tumultuosos devem ser malvados e mal intencionados apenas ao pensarem que algum político possa mentir. Isso seria uma tragédia nacional. Políticos em seus cargos honrosos foram eleitos pelo povo para administrá-lo. O povo brasileiro é o melhor do mundo para distinguir os melhores políticos compromissados com a verdade. E, por isso, nosso povo nunca se sentiu decepcionado com algum eleito que tenha mentido. Existe um político muito respeitado que é criticado por não saber de nada. Ninguém consegue entender que ele, de verdade, de nada sabe, porque, não é dado a fofocas provenientes da elite brasileira. Esse senhor, os melhores cientistas, daqui e do exterior, ainda não entendem porque por todos os cantos se ouve o nome dele. Seria ele um fenômeno a provocar e transmitir tanto amor irrestrito para ser tão querido e tão admirável pela sua inabalável honestidade? Seria ele o melhor expoente da verdade? Seria ele o melhor combatente contra a mentira? Qualquer idiota da Mídia sempre está a falar dele sobre problemas que afetam este país. Ele está sempre em pauta, embora, já tenho cumprido seu dever de elevar o Brasil para os píncaros da felicidade dos brasileiros, conforme a situação atual bem comprova isso. Se na Mídia sempre estão a falar dele é porque ela lhe deve muito favor. Entretanto, o povo tem que lhe ser grato, porque, para substituí-lo no cume das providências deste país, ele escolheu alguém, também, que nunca mentiu e nunca vai mentir. Não é na Venezuela e sim aqui no Brasil é que o povo está “maduro” para exigir as verdades e mudanças na política, embora, atualmente nenhuma seja necessária, pois, tudo está ocorrendo favoravelmente. Se não estivesse, nossos deputados e senadores em quem tanto confiamos, estimamos e amamos como nossos irmãos, eles estariam em seus postos preparados para o que fosse conveniente mudar para o favorecimento deste povo tão inteligente que odeia a mentira e não vota em quem mente, mas, se algum mentiroso existisse neste país seria, além de raro, o maior escândalo do mundo.

                                                                                Altino Olimpio