sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Saudades da bananeira


 Saudades da bananeira

Quando garoto ainda, estava eu cagando atrás de uma bananeira quando um ser imenso me apareceu. Fiquei paralisado de medo diante daquela surpresa inusitada.  Sua luz era tão brilhante que, mais ainda clareou aquele dia de sol forte. O mundo parece que parou naqueles instantes. Nenhum ruído se ouvia. Até meus pensamentos sumiram. Em sua magnitude, o surpreendente ser brilhante aproximou-se mais e com sua voz ecoando pelos espaços me disse: PENSE SEMPRE, RACIOCINE, DUVIDE SEMPRE, PENSE, PENSE, RACIOCINE, RACIOCINE! Depois a imagem dele foi-se esvaindo até sumir. Voltei a ouvir ruídos, cantos de pássaros e de cigarras e percebi de novo que o mundo estava a girar. Olhei para aquela bananeira com carinho porque me lembrei que o Buda teve sua iluminação debaixo de uma árvore e eu tive aquela visão extraordinária estando atrás daquela bananeira enquanto evacuava proceder de políticos. E de fato, depois daquela visão daquele ser de luz, minha vida foi sempre pensar, refletir e raciocinar. Pra mim, água sempre foi água e vinho sempre foi vinho. Jamais um se transforma no outro. Os que não pensam, os irrefletidos, estes sim, podem acreditar em transformações impossíveis. O meu sempre raciocinar impediu que eu num voto de eleitor fosse cúmplice de um imbecil qualquer que depois de eleito fosse demonstrar sua habilidade no manejo de suas falcatruas políticas. Bem que “Ele” falou: Vigiai, vigiai sempre. E por acaso alguém vigia alguma coisa? Muita coisa acontece debaixo do nosso nariz e nós não vigiamos, não discordamos. Depois não adianta espernear e os desabafos nas passeatas de protesto são de pouca eficácia, assim como tem acontecido. Hoje, por demais, existem descalabros na nossa existência, também por culpa da insensatez daqueles desprovidos de raciocínio, que, pelo voto legalizaram parasitas para se exercerem no poder legislativo e executivo deste país. Se muitos eleitores tivessem tido na vida uma bananeira para suas caganeiras, talvez, também eles tivessem tido a presença de um ser de luz que os orientasse a ter raciocínio, para se safarem de serem coniventes com os inconvenientes de nossa política.

                                                                                      Altino Olimpio



Sabonete para almas sujas

Ouvi dizer que agora existe um sabonete purificador e para confirmar acessei a página do Google da internet e lá escrevi: “Sabonete para lavar a alma”. E não é que o assunto sobre o sabonete está “fervendo” por lá. Como deduzi, os cientistas químicos de uma igreja evangélica criaram um sabonete especial. Está a venda ao preço de cento e dez reais. Se aqueles políticos de alma suja souberem desse milagre eles comprarão todo o estoque desses sabonetes que poderão faltar para o povo. Pensando aqui, se ao utilizar o sabonete para lavar a alma, também utilizar no banho água benta, a alma deve ficar mesmo bem limpinha. Parece que vão inventar também um papel higiênico especial que limpa também o fiofó da alma. Vi lá no Google fotos do sabonete embalado com a logomarca da Igreja Universal. Também li que ela nega ter fabricado tais sabonetes. A Igreja Universal é aquela do Templo de Salomão e pela sua inauguração, autoridade presidencial, autoridades governamentais e municipais se fizeram presentes.  Isso significou que as autoridades estão de acordo com o modo com que tal instituição religiosa legalmente subtrai dinheiro de seus fiéis em troca das curas e mesmo de milagres presenciados por eles, os fiéis. Como se sabe, o governo sempre está a proteger o povo. Se existisse uma prática imoral e enganosa nesses tratamentos espirituais, claro que o governo impediria para nos proteger. Para fazer o bem para o povo, governo e tais igrejas benfeitoras são “farinha do mesmo saco”. Voltando ao sabonete espiritual, aconselha-se comprá-los de dúzia. Assim cada membro da família fica com o seu individual. Nas casas em que o sabonete é coletivo para banho, sempre tem discussão quando alguém encontra pelo de outro no sabonete. Isso irrita muito. Sendo individual, quando alguém vê um pelo de saco ou pelo de xana no sabonete, ele ou ela sabe que o pelo só pode ser dele ou dela. Diga-me que nunca viu um pelo de  num sabonete e eu te direi que você não é deste planeta.



                                                                                     Altino Olimpio