sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Benzedor do terror


Ao ler à crônica “Benzedeiros e benzeduras” de Fátima Chiati no jornal eletrônico “A Semana” da Cidade de Caieiras (www.caieiraspress.com.br), uma recordação me levou ao passado para uma situação embaraçosa e temível. Garoto ainda estava eu agarrado pelas pernas e braços por algumas mulheres e naquela posição horizontal, num desespero eu me debatia, me contorcia e naquele pavor eu gritava: Mãe, ele vai me matar, mãe eu não quero morrer, me salva mãe... Reação inútil, pois, parecia que ninguém queria me ouvir. A situação continuava medonha naquele meu desespero. Aquele homem feio com aquela foice com ela subindo e descendo até próxima a minha cabeça e eu, como que, esperando um golpe fatal, naqueles “meus últimos momentos de vida” eles só eram de contorções, choro e gritos desesperados. Isso que pareceu ser um sacrifício humano aconteceu no sítio de minha avó, num lugar chamado Castanho próximo da Cidade de Jundiaí. Depois daquele ocorrido e eu não tendo morrido, fiquei sabendo do motivo daquela situação comigo. O homem feio com a foice era um benzedor. Esteve me benzendo para eu sarar de um caroço que eu tinha no pescoço. O caroço não era visível, mas, ao apalpar do pescoço num certo lugar, dava para senti-lo. Naqueles tempos de “ignorantes assustando ignorantes” falaram pra minha mãe que com o tempo a passar, logo eu iria perder a voz. Na ocasião daquele benzimento, só recordo da presença de minha mãe entre outras mulheres que, talvez fossem minha avó, tias e outras na participação daquele “ritual”, pois, não foi fácil me conter naquele meu debater para tentar fugir. Antes do “terror” pensei que estivéssemos passeando por aquelas matas de então, mas, ao chegarmos a casa daquele homem e ele vindo ao meu encontro com aquela foice, isso me assustou e eu quis fugir. Como me impediram, meu medo provocou todo aquele escarcéu. Quanto ao caroço no pescoço, ele continuou a existir por muito tempo depois daquele dia em que aquele homem com sua foice, “foi-se” da minha memória até agora quando ao ler uma crônica sobre benzedores, ele me foi lembrado para ser desta história.


                                                                                        Altino Olimpio