quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Infância é o passado na lembrança

Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida.
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores
Naquelas tardes fragueiras
À sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais...
Casimiro de Abreu 1837-1860

Ah saudosa infância!
Foi o deleite para o Casimiro.
Os dias eram mais longos...
Cantos melancólicos dos pássaros
E o silêncio das cigarras
Eram o anunciar do fim de mais um dia.
No entardecer antes do escurecer
Havia uma pausa na natureza
Quando o mundo parecia parar
Para logo adormecer na escuridão.
Noites silenciosas se não chovia
O molhar era só do xixi na cama.
Barulho, só se o cachorro do vizinho latia.
O cheiro do café da mama já era o amanhecer,
Pão com manteiga, calor do fogão a lenha...
Cabritinho com seus berrinhos lá depois da horta,
Meu querido amiguinho das travessuras animais
Do pula daqui e pula dali me dava chifradinhas.
Triste e fatal, ele só viveu até um dia antes do dia de Natal.
Parte da manhã e a única obrigação era frequentar a escola,
Sanduíche de pão com ovo frito para o recreio era delicioso.
Garoto gostava de chutar lata vazia pela rua,
Naqueles tempos do não saber o que se ia ser quando crescer
No chutar lata vazia pela rua todo o pensamento sumia
Para o que eu iria ser que eu ainda não sabia o que queria.
Infância... Quem bem a entendeu foi Casimiro de Abreu.


                                                                     Altino Olimpio