quinta-feira, 18 de junho de 2015

Supositório pra cabeça?


Nosso mundinho que permanece existindo, ele cada vez mais está sendo lotado por umas criaturas tidas como racionais e são chamadas de seres humanos. Entende-se como racional a capacidade de acatar conceitos favoráveis à existência e refutar os que sejam desfavoráveis. Mas não é isso que ocorre. O povo mais é receptivo as incongruências lhes apresentadas. De racional grande parte do povo apenas tem suas necessidades básicas de sobrevivência. Suas absorções mentais sempre estão a ter preferência pelas divulgações ausentes de utilidades, com as quais, muitos se distraem e nesta era, distrair-se é o principal objetivo de muitos. A busca por entretenimento coloca no esquecimento a busca por desenvolvimento. Hoje ouvimos muita euforia nas exteriorizações por fatos tão banais, óbvios e triviais. A humanidade parece que já se perdeu diante da cretinice e cada vez mais outros cretinos aparecem para aumentar a cretinice já evidente, existente nos vitimados por ela. Nossos meios de divulgações mais populares persistem em impedir o promulgar de conteúdos intelectuais úteis e esclarecedores para a população evoluir. Consideram inadequados para a audiência temas cujos teores tenham a seriedade de instruir. Ao contrário, consideram que a sociedade só quer mesmo é se divertir, se distrair. E parece mesmo que a sociedade é conivente com muitas divulgações inúteis, que, no mais das vezes vão contra seus valores morais e nunca reage contra tais divulgações desmoralizadoras. Sendo assim, não tendo adversários para impedi-los, os divulgadores, esses tais de “formadores de opiniões cretinas” cada vez mais emporcalham as cabeças de muitos. Infelizmente ainda não existe supositório para a cabeça. Se existisse seria a nossa defesa contra tantas besteiras diariamente divulgadas. Evacuaríamos todos os conceitos poluídos e nossas cretinices e, a normalidade psicológica até poderia retornar. Mas, como tal supositório não existe... Continuemos com as nossas cretinices. Amém.

                                                                                                     Altino Olimpio   


Você não é você


Você é tudo o que fizeram de você.
Desde o teu nascer e durante o seu viver
Você só esteve a aprender o que lhe foi ensinado.
De ti mesmo o que você aprendeu?
Nada! Aprendeu só o que dos outros aprendeu.
Você pensa que tem seus pensamentos
Mas, todos eles já foram pensados por outros.
Pensamento seu seria se fosse único, original
E de original sei que nenhum pensamento você tem ou teve.
Pensamentos ainda impensados nunca lhes ocorreram.
O que você aprendeu que outros não tenham aprendido?
Nada! Tudo o que você sabe é de domínio público.
Vale à pena dar-se a entender de sabido para outros
Com o que já é sabido por muitos deles?
Você quando está pensando que você é você
Nem desconfia que tu sejas uma imitação.
Tudo o que quer ou que não quer
Já foi o querer e o não querer de outros.
Quem seria você se desaprendesse tudo o que dos outros aprendeu?
Você seria uma nulidade corporal sem qualquer expressão.
Não existe alguém que seja alguém por si só.
Se existisse seria um alguém sendo ninguém.
Entretanto, você é você de verdade, mas, corporalmente.
Tua fisionomia é própria e diferente dos demais
Tens um nome e quando o ouve você diz: sou eu.
Sendo assim você é mesmo você.
Mas, não fale nada, se contenha, porque...
Iria me falar de fatos que outros já estão fartos de falar.

                                                                 Altino Olimpio