segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Até a eternidade


Eternidade... Que pensamentos nos provocam? Em romances é comum a frase “nos amaremos até a eternidade”. Mas, ela não significa não mais estarmos no mundo pela ocasião dela? Também, a ocasião dela não é uma abstração devido a não sabermos quando será a sua época num futuro inimaginável como sempre ele é? Os cientistas dizem ser a terra um planeta, como outros, também destinado a destruição, embora, daqui a bilhões de anos. Como é um conceito humano e terreno, a eternidade seria no fim da existência da terra? Quando a terra com seus habitantes deixarem de existir a eternidade deixaria de existir também? Com certeza! Não existiriam seres humanos para conceituarem o tempo infinito entendido como eternidade, depois deles. Nem a terra existiria para se poder contabilizar seu tempo pelo translado ao redor do sol. O já tão falado Dia do Juízo Final quando seria? A palavra “final” seria correspondente ao fim do mundo quando todos os seres humanos que existiram seriam julgados pelos seus atos de quando encarnados? Só sei que ninguém sabe e como dizem, o tal julgamento “antecipadamente” está marcado para algum dia da eternidade em alguma época dela, mas, em qual ainda não foi decidido. Entretanto, até a “eternidade” ainda temos muito a aprender e deixo aqui meu adeus porque preciso me internar em algum hospício.


                                                                                                                Altino Olimpio

Pouco caso e muitos acasos


 A vida mais nos defronta com fatos imprevistos, com coincidências ou acasos. Apenas uma parte de nossa existência é exercida com acontecimentos que programamos. Mais o acaso está na direção de nossas vidas. Alguém pode estar concatenando pensamentos sobre um tema qualquer, alguém surge falando algo interrompendo assim as reflexões do outro. Isso é um acaso e acasos outros são incontáveis no nosso viver. Os acasos são interferências que se sucedem para desviarem nossa atenção do que estamos pensando ou fazendo. Quando estamos meditando sobre algo e outros pensamentos intrusos aparecem, estes também podem ser considerados como acasos. Constantemente somos vítimas deles. Mesmo sendo assim o ser humano se julga ser livre. Se duas pessoas estão envolvidas numa conversa séria e outra aparece subitamente, para as duas a outra é um acaso, inesperado como todos os acasos são. Eles são tão comuns na nossa existência e as pessoas pouco se dão conta disso. Os acasos podem ser de qualquer estímulo, seja visual ou sonoro para momentaneamente desviar nossa atenção, ou mesmo, interromper nossos pensamentos do momento em questão. Os acasos sempre interferem com a nossa objetividade, com o que estamos a pensar, com o que estamos a fazer e até com o que estamos a falar nos momentos em que eles surgem. A vida se resume nisso, somos de pouco casos entre muitos acasos. Um dos piores acasos é de quando nos defrontamos com pessoas de nosso conhecimento e elas nos falam de coisas que não são necessárias de falar. Como o ser humano fala e isso não há como evitar, em muitos casos muitos deles nos são apenas acasos. Se as pessoas se conscientizassem como fatos imprevisíveis, no mais das vezes triviais, nos surgem e ressurgem diariamente, elas perceberiam o quanto de desperdício nós temos em muitos dos momentos de nossas vidas. Em tais momentos constantemente desperdiçados, momentaneamente ficamos distraídos de nós mesmos para desviarmos nossa atenção a eles, mesmo que, brevemente. Resumindo, os acasos são descasos em nossas vidas e é impossível evitá-los. Fazem parte da vida. Eles estão sempre a intercalar com nossos casos em qualquer caso.


                                                                                                                   Altino Olimpio