domingo, 28 de setembro de 2014

Reflexões indesejadas


Não sei se Deus criou o Homem ou o homem criou a Deus. (Dostoievski)
Os religiosos acreditam que Deus criou os homens e os ateus dizem que os homens criaram Deus. O que se sabe é que o homem surgiu neste planeta, mas, nada se sabe para que ou para qual propósito. Se para os ateus o homem surgiu de um acidente da natureza, então não houve propósito para o seu surgimento. Como todos os animais ele deverá nascer, viver e morrer e é só isso. Se o homem foi uma criação de Deus conforme acreditam os religiosos, qual teria sido o propósito do homem na terra? Ninguém sabe ao certo. Além do apenas viver e morrer, o homem teria alguma outra função para justificar sua vida? O planeta terra não precisa dele. O universo não precisa dele. Apenas os homens precisam uns dos outros para o bem conviver, subsistirem. Só essa justificativa é comprovável. Se existir outra, fica apenas na suposição e na imaginação. Sobre a pergunta “por que estamos aqui?” existe resposta convincente? Respostas improváveis e mesmo incoerentes existem várias.
Outra justificativa para o porquê nós estamos aqui se encontra na Bíblia. Deus nos criou porque lhe agradou fazê-lo. Fomos criados para o Seu prazer. Da primeira à última página da Bíblia a mensagem é clara. Fomos criados para o Seu prazer. O apóstolo Paulo escreveu em Colossenses 1:16: “Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, seja soberanias, quer principados, quer potestades.  Tudo foi criado por meio dele e para Ele”. Interessante! Se formos criados para o prazer de Deus, o que teríamos de interessante para agradá-lo? E Ele, sendo perfeito precisaria de agrado? Não seriam apenas os seres humanos os desejosos de agrados?

A conhecida história de que Deus primeiro criou um casal para ele se multiplicar convence muitos e muitos não se convencem. Teria Ele criado seus filhos e depois tê-los deixado às suas próprias sortes? Tivemos duas guerras mundiais e com a consequência de muitas mortes. Na segunda grande guerra tendo início no ano 1939 e terminando no ano 1945, como são sabidos, naquele desespero seis milhões de judeus foram exterminados e milhões de outros de outras raças também. Nos campos de concentração, os prisioneiros já em estado esqueléticos pela fome não imploraram a Deus pela suas salvações? Os pais não rezaram para Deus proteger seus filhos das atrocidades cometidas pelos alemães daquela época tão desumana e assassina? Se eles imploraram, se rezaram e se suplicaram de nada adiantou, porque, pais e filhos foram impiedosamente massacrados conforme a história registrou.  Aqueles prisioneiros imbuídos de fé ou não, só tinham Deus como esperança de salvação, mas, tal não aconteceu. Então, não há como não deduzir que Deus, se existe, Ele não está para se envolver com problemas humanos, sejam eles sobre guerras ou catástrofes que vitimam homens, mulheres e crianças, todos tidos como filhos Dele. Mesmo depois dessas constatações verídicas, muitos ainda estão a pedir proteção divina, esquecendo-se de quando mais o mundo precisou da proteção Dele para salvar aqueles infelizes do holocausto e Ele pareceu não estar onisciente e onipresente como muitos acreditam. Se Ele não se manifestou como proteção naqueles tempos de tanta crueldade, seria de se manifestar em tempos de paz quando nas amizades as pessoas desejam entre si o “que Deus te acompanhe, que Deus te proteja, que Deus te abençoe?” Seriam essas palavras apenas palavras utilizadas para o conforto ou gentileza entre as pessoas? Isso impressiona favoravelmente quem aprecia e acredita no poder que as palavras possam ter.

                                                                                                         Altino Olimpio