quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O Deus te abençoe


Sempre que “olho” para o mundo só vejo tragédias, desgraças, incompreensões, disputas, guerras e tudo mais, inaceitáveis para o viver humano desta época tecnológica e promissora. Nosso mundo, a terra, como sempre esteve, está tendo suas transformações. Nada do que ocorre segundo parece, tem a participação de um regente supremo. Sabemos de catástrofes da natureza a destruírem milhares de moradias e causando muitas mortes. Acidentes aéreos também vitimam muita gente. Tudo está ao contrário de quando eu era criança e me ensinaram que Deus era o protetor do mundo e da humanidade. Ele sendo “Onisciente e Onipresente”, a todos poderia proteger. Assim cresci pensando até me tornar adulto. Agora o dilema me persegue. Ele protege ou não protege? Tenho receio de admitir que não, porque, posso me tornar “mal visto” pelos outros que não duvidam de tal proteção. Confesso que estou meio confuso. Aqueles que se utilizam de automóveis blindados acreditam em proteção divina? Quantos antes de morrerem em acidentes ouviram de alguém “Deus te proteja ou Deus te acompanhe”? Muito já ouvi sobre o “não pronunciar seu santo nome em vão”. Mas, atualmente é o que mais se ouve. O “Deus te abençoe” diariamente é repetido. Será que algum ser humano tem mesmo esse poder de pedir para Ele abençoar alguém e Ele está sempre à disposição para obedecer a tal pedido? Não sei! As pessoas pretensiosas acreditam que Ele sempre está à disposição delas para atender aos seus pedidos. Se elas estão certas fico muito feliz, porque, ultimamente, várias pessoas pediram pra Ele me abençoar, só não sei se Ele as obedeceu. Talvez ainda não, porque, sempre repetem esse mesmo pedido a meu favor como se Ele fosse esquecido ou não tivesse ouvido para ouvir por estar muito ocupado. Eu, como nunca fui “pidonho” vou ser hoje, mas, de uma maneira contundente e moderna. O meu pedido vai por mensagem eletrônica, isto é, por computador que substituiu as inoperantes mensagens telepáticas. “Que Deus abençoe a todos”. Pronto. Depois desse enorme bem que fiz já posso morrer em paz.

                                                                                                  Altino Olimpio




Certezas nas incertezas

As pessoas procuram locais descontraídos à beira mar, nas matas ou nas montanhas no dizer que esses retiros são para higiene mental. Entretanto, qualquer um pode se retirar pra dentro de si mesmo em qualquer ocasião que queira para olhar para dentro de si e é só onde mais poderá desfrutar da paz e tranqüilidade. Os momentos de solidão são os mais propícios para se ser quem é sem o ser que se é de quando misturado com outros.    

“Falando” sobre o final da existência, o homem declina, adoece, torna-se decrepito, envelhece. Seu poder de realização de desvanece e torna-se uma sombra de si mesmo. Com o tempo, mesmo seu nome se perderá para a lembrança humana. O brilho de suas realizações apagar-se-á. Esperar mais que isso da existência terrena é absurdo, embora, muitos esperam.

Quando a relação entre fatos não é clara ou evidente, a imaginação fértil do homem cria ou inventa alguma relação. Por exemplo, não há relação clara com a morte e a continuidade da existência depois dela. Sendo assim, o homem criou na imaginação uma relação, aquela dele continuar existindo invisível aguardando um julgamento final sobre suas boas ou más ações enquanto esteve vivo tendo o seu corpo material. Outra relação criada pela imaginação humana é aquela em que depois de morto seu corpo, o homem em espírito fica aguardando a ocasião de retornar encarnado. A capacidade imaginativa humana é bem producente para criar respostas quando elas ainda não existem, principalmente, com suas certezas.

O ser humano, pelo desleixo de refletir por si mesmo, acomodado mental, ele prefere recepcionar em sua mente, idéias e teorias sobre a existência e também depois dela, tudo sendo proveniente de outros. Nessa acumulação de conceitos aceitos, ele os protege como lhes sendo próprios. Qualquer ser humano, sempre se pode vê-lo agrupado com outros na mesma situação de ouvir outros com argumentações sobre idéias e teorias que também não são originais deles. Nós parecemos ser cópias das cópias e estas sendo as relevâncias de sempre.

Dentre os seres humanos existem os divulgadores das verdades, aqueles que, afetados por conceitos irrefletidos, na soberba de suas inclinações beneficentes, eles se sentem na missão de alastrar suas tidas verdades para outros também ausentes de reflexão e incapacitados de divergências. Muitos locais onde muitos se reúnem para receberem ensinamentos com exemplos de outros da antiguidade sobre o correto modo de viver e proceder diante das verdades do além, tais locais mais são parecidos com escolas primárias para adultos. E estes, se comportam como crianças obedientes dispostas a tudo ouvir sem discordar, mesmo que possa haver dúvidas ou controvérsias.


                                                                                                       Altino Olimpio