quarta-feira, 30 de abril de 2014

Nossos sonhos

Quem sempre se lembra dos seus sonhos? Às vezes ao acordarmos nos lembramos de um sonho e ficamos a perguntar quem era a pessoa que apareceu nele. Não a conhecemos, nunca a vimos. Estranho ela ter aparecido. Estranho sim, mas, para nossa consciência objetiva ou, para nosso estado consciente, aquele de quando estamos despertos. Nossos olhos viram a tal pessoa em algum lugar, talvez, distraidamente porque ela nada tinha de especial ou diferente para atrair a nossa atenção, demoradamente, para reter sua imagem na memória. Logo a seguir a imagem dela é esquecida como se nunca a tivéssemos visto. Entretanto, nosso subconsciente pode ter memorizado a imagem da pessoa esquecida por nós no estado consciente, objetivo, e no sonho a pessoa “desconhecida e nunca vista” aparece porque o subconsciente a liberta do acúmulo de visões gravadas contidas nele. O subconsciente não inventa visões de pessoas nunca vistas pelos olhos. No sono ou no dormir, quando nosso estado consciente, digamos, está desativado, isso deixa livre o subconsciente para ele nos enviar imagens em formas de sonhos. O subconsciente arquiva tudo que capta em nosso estado de vigília sem nós percebermos e quando quer, e como quer e o que quer lança para a nossa mente quando sem consciência nos encontramos adormecidos e incapazes de controlar ou escolher as cenas que nos surgem em sonhos. No estado desperto, consciente, podemos escolher no que pensar, mas, não no estado onírico. Se nós pudéssemos escolher com o que e com quem sonhar poderíamos em sonho compensar nossos desejos irrealizados, embora, apenas psiquicamente. Como não é assim, temos que nos conformar com o que aleatoriamente, agradável ou desagradável nos surge na mente quando estamos adormecidos e inconscientes da vida, do mundo e de tudo. Até podemos ser surpreendidos por um pesadelo horrível quando tudo nos parece real. Durante as sensações apavorantes do pesadelo só seremos aliviados delas se acordarmos. O homem, o eterno desconhecido de si mesmo não sabe do que se passa com ele enquanto dorme e às vezes nem quando está desperto, quando pensa que está e pode não estar, totalmente. Pois, perdido ou envolvido em seu estado subjetivo, aquele chamado de “sonhar acordado” de quando os pensamentos o alienam do estado presente de onde se encontra, ele, o que é comum, se torna despercebido de estímulos exteriores, incluindo os sonoros. Como exemplo, mesmo ele estando entre outras pessoas que estão a conversar, ele pode não entendê-las se está mentalmente distante delas, distraído em seu interior estado subjetivo.  Voltando aos sonhos, eles fazem parte de nossa existência e quando lembrados, se agradáveis, eles nos causam um mental prazer, principalmente pelo momento do nosso acordar.

                                                                                                      Altino Olimpio