domingo, 16 de fevereiro de 2014

Para pensar


 Comentários sobre algumas frases do filósofo Arthur Schopenhauer:

“Minha condição humana me fascina. Conheço o limite de minha existência e ignoro porque estou nesta terra, mas ás vezes o pressinto”.

Você leitor pressente o porquê de estar vivendo neste mundo? Você às vezes deve pensar que está aqui para uma missão. Com mais de sete bilhões de seres humanos no mundo e cada um com uma missão a cumprir, qual seria a tua? Tomara que não seja igual à de muitos, que, são ridículas demais. Talvez você pressinta que apareceu por aqui e não saiba o que fazer para o seu viver não se perder. Também, você pode pressentir que está aqui só de passagem sem saber para onde vai depois ou talvez já “saiba” que vai para o céu. Se você gosta daqui e quer se estabelecer para sempre, isso é impossível. Aqui se vem sem saber e sem saber quando se vai embora. Nisso pressinto uma safadeza da natureza. Deveríamos ser avisados que viríamos para cá, para trabalhar, possuir muitas coisas e depois termos de partir deixando tudo por aqui. Se eu fosse avisado desse “faça de tudo e deixe tudo por ai”, eu não teria vindo. Seria assim mesmo? Claro que não! No fato de vir a ser e no deixar de ser o homem não tem a decisão. Ele é uma marionete do destino, ou melhor, marionete do acontecer até o acontecer do desaparecer.

“Recuso-me a crer na liberdade e neste conceito filosófico. Eu não sou livre e sim, às vezes, constrangido por pressões estranhas a mim, outras vezes por convicções íntimas”.

Liberdade é um tema mais a ser discutido por pessoas conscientes dessa irrealidade. Em nós, somente o pensamento poderia ser livre. Atualmente ele é livre para pensar igual o que os outros pensam e o que querem que pensemos. Essa é a liberdade atual do pensamento. Diariamente somos tão massacrados com acontecimentos, estímulos visuais e auditivos outros que, nossos pensamentos perdem a particularidade de ser para nós e por nós mesmos. O pensamento perdeu sua independência se é que alguma vez já a teve. Aliás, nenhum governo gosta que seus governados tenham pensamentos próprios a não serem os próprios para manter as mentes distraídas no que não lhes interessa e no que é sem importância.

Aqui refletindo sobre sistemas de governos forçando o nivelar mental entre os homens e impedindo que individualidades se destaquem, o filósofo escreveu o seguinte: “Mas é a pessoa humana livre, criadora e sensível que modela o belo e exalta o sublime, ao passo que as massas continuam arrastadas por uma dança infernal de imbecilidades e de embrutecimento”.

Nesses dizeres entendo o fato de que apenas poucas pessoas do planeta são capazes de exercer criatividade. Essas poucas não se deixam levar pela corrente de entretenimentos, distrações e emoções baratas. As massas, envolvidas em seus autoagraciarem pelos prazeres resultantes de seus entretenimentos, viagens, esportes, cinema, televisão, teatro, shows e etc. são apenas de desfrutadores de benefícios públicos ocasionados pela minoria, aquela que não utiliza seu tempo em vão. Resumindo, as massas humanas mais são envolvidas por distrações, enquanto poucos se incumbem de ser mais úteis para a sociedade.
“Jamais considerei o prazer e a felicidade como um fim em si e deixo este tipo de satisfação aos indivíduos reduzidos a instintos de grupo ou massa”.

O filósofo “pegava pesado”. Como depreendi o ser humano devia fazer o que tem que fazer, apenas por fazer, sem se preocupar se o que faz tem em troca prazer ou felicidade. Mas, o ser humano sempre quer ser pago de algum modo, nesse caso, pago com as situações efêmeras do prazer e da felicidade dessas satisfações apenas momentâneas. Não devem ser consideradas “como um fim em si” porque não são constantes. 

“Tenho forte amor pela justiça, pelo compromisso social. Mas com muita dificuldade me integro com os homens e em suas comunidades. Não lhes sinto a falta porque sou profundamente um solitário. Sinto-me realmente ligado ao Estado, à pátria, a meus amigos, a minha família no sentido completo do termo. Mas, meu coração experimenta diante desses laços curioso sentimento de estranheza, de afastamento e a idade vem acentuando ainda mais essa distância”.

Seria assim mesmo? Com o passar dos anos vem à vontade de ser solitário? Pode ser que com a idade avançada venha à perda das ilusões e o reconhecimento das desnecessidades da existência que preenchem a vida de qualquer um. O mais perceber as realidades da vida quando isenta de ambições, de paixões, isenta das superstições e de dogmas impraticáveis pode mesmo provocar o afastamento do relacionamento humano com outros, se eles ainda estão na retaguarda das mesmas isenções. Nisso, os outros são considerados apenas “os outros” para, se inevitável, ter com eles um relacionamento superficial e isso é a “distância” sentida pelo filósofo.

                                                                                                             Altino Olimpio 












Por que será que a morte mais procura os inocentes?


 Neste mês de fevereiro de 2014 aconteceu uma tragédia (como tantas outras em tantos lugares do país) numa passeata na Cidade do Rio de Janeiro. Um cinegrafista de uma conceituada emissora de televisão foi vítima de um “fogo de artifício”, um foguete explosivo aceso por um ou dois dos vândalos presentes na passeata. Atingido na cabeça pelo artefato o cinegrafista morreu dias depois. A repercussão do fato fez com que todos “âncoras” dos canais de televisão se manifestassem exigindo justiça e reclusão de trinta e cinco anos para o, ou, para os responsáveis pela tragédia. Revolta razoável, embora, se saiba que no Brasil ninguém fica preso por mais de trinta anos, quando fica. Entretanto, ouviu-se dizer que os desqualificados para viver em sociedade (nisso não há dúvida) seriam enquadrados no crime qualificado. Não foi crime qualificado. O foguete foi aceso sem ter alguém em mira para atingir. Aleatório, o foguete tem rumo incerto e pode atingir quem está em seu trajeto e foi o que aconteceu. Crime doloso? Também não. Não houve a intenção de matar alguém. Crime culposo? Isso sim tem procedência. Acender um artefato perigoso em público pode ser considerado crime. Ouviu-se que o enquadramento legal seria também por crime de explosão. Isso é a primeira vez que ouço.  Quanto ao fato lamentável, ele teria sido evitado se desde as primeiras passeatas os arruaceiros fossem presos por depredações do patrimônio público e privado.  Parece que nada além de serem fichados aconteceu com eles. Ai tem coisa! Mas, no teatro da vida é proibido espiar o que acontece nos bastidores porque a consequência pode ser dramática. Quanto aos “peixes pequenos” da desordem, duvida-se que um tribunal os condene com altas penas como quer o povo envolvido na atual comoção geral. Os juízes são obrigados a seguir as normas da lei punitiva. Se fosse ao contrário, teriam que revisar condenações anteriores que foram consideradas brandas pelo público, como no caso da amante daquele goleiro de futebol que foi assassinada e parece mesmo, fizeram picadinho com ela.  Alguns apresentadores de programas de televisão gostam muito de “por mais lenha na fogueira” e muitos telespectadores os acompanham e até lhes enviam através da internet, pelas redes sociais, mensagens contendo discrepâncias sobre como se deve punir alguém praticante de atos repugnantes. Convenhamos, pois, no mais das vezes tais punições desejadas pelos mensageiros são incompatíveis com as regulamentadas pela legislação deste país. Muitos perdem a ocasião de manterem a “boca fechada” quando ao contrário expõem suas ignorâncias sobre o fato que esteja em questão.  Até parece que ser “ridículo” agora faz parte da nossa cultura. A Mídia adora tais manifestações. E o governo sempre está atento a essas manifestações dos mais desinibidos representando o povo e assim acompanhando a evolução dele tem como aprimorar os meios de governá-lo.


                                                                                                            Altino Olimpio

Ajuizado contra juizes

Ajuizado contra juízes

Domingo dia nove de fevereiro deste ano de dois mil e quatorze assistindo a um noticiário da televisão vi o ex-presidente, muito bom quando se manifesta de improviso, discursando contra os ministros do Supremo Tribunal Federal. Disse ele que os ministros da mais alta hierarquia judiciária do país não deviam “fazer” política e sim restringirem-se aos propósitos de suas funções. Se quiserem cargos políticos que se afiliem a um partido e se candidatem para deputado federal, por exemplo. Terminou dizendo que é solidário aos condenados do processo apelidado de “mensalão”. Então, considera-os injustiçados e foi ovacionado por isso. Entretanto, quatro daqueles ministros foram indicados por ele e outros quatro pela atual mandatária do país do mesmo partido político dele. Será que aqueles juízes foram ingratos e “cuspiram no prato que comeram” no pensar do ex-presidente que os indicou para tão elevado cargo.  Acredito que não. Todos eles foram sabatinados pelos senadores e considerados aptos na lealdade, na imparcialidade e no exercer da legalidade nos julgamentos de infratores. Qualquer desmerecedor que tenha o “rabo preso” com alguma associação e por isso não podendo ser imparcial nos julgamentos jamais seria acolhido pelos senadores para exercer tão nobre missão para a pátria. Será que o ex-presidente “pisou na bola” quando criticou os juízes do STF? Corajoso, não? O tempo confirmará se ele está com a razão. Mas, para se saber com antecedência bastaria perguntar aos repórteres se algum Juiz do STF quer ser político, pois, muito “cutucaram” um deles, famoso agora pela sua austeridade, perguntando-lhe: E ai? Vai se candidatar à presidência do Brasil? Vai se candidatar? Vai se candidatar? Gozado, talvez aquele juiz nem tivesse pensado nessa possibilidade. Sem saber o que responder se sentiu como se estivesse “perdido no mato sem cachorro” tal a sua surpresa de ver-se insinuado como um futuro presidente. Sabe-se que os repórteres brasileiros são muito evoluídos, pois, lêem os pensamentos de qualquer entrevistado por eles, daí serem dignos de créditos e alguém ao querer saber de alguma verdade (mas, verdade mesmo) basta perguntar para eles.


                                                                                                            Altino Olimpio

Mídia mentirosa

Mídia mentirosa

Ontem, dia cinco fevereiro de dois mil e quatorze a Mídia divulgou a notícia de que uma médica cubana abandonou o programa de “mais médicos” e buscou proteção no gabinete de um deputado de Brasília. A médica esteve reclamando que enquanto outros médicos de outros países e os daqui ganham dez mil reais por mês, ela só ganha cerca de mil reais. Isso é impossível estar acontecendo, porque, seria o promover da desigualdade podendo causar animosidade entre a classe médica. A médica disse que mesmo demitindo-se do programa prefere ficar aqui no Brasil. Ela teme que, se for deportada para Cuba, lá ela irá para a prisão. Impossível também de acontecer porque os principais mandantes daquele país, mundialmente são considerados como amantes da liberdade. O povo de lá até é invejado com a liberdade que tem de viver como quer, fazer o que quer e falar o que quer. A Mídia às vezes permite que alguns entrevistados insinuem que os médicos cubanos estão aqui num regime de escravidão. Outra mentira! Jamais o governo brasileiro permitiria esse absurdo. Seria uma afronta para a democracia cubana. Nossos dignitários atuais são da mais digna confiança, muito sofreriam ao saber de médicos cubanos sendo rebaixados ao nível salarial de trabalhadores braçais analfabetos. A insatisfeita com o programa “mais médicos” deveria se sentir feliz por estar por aqui no país do futebol donde sentiria as exaltações humanas resultantes da Copa do Mundo. Em tal evento parece que ninguém fica doente e todos saudáveis estarão preparados para as eleições ou reeleições conscientes deste ano de dois mil e quatorze.


                                                                                                   Altino Olimpio