domingo, 18 de maio de 2014

Não julgueis para não seres julgado


 Essa frase título é mais uma das sem efeitos. Mais lógica a frase seria assim: Sempre que julgar o faça em silêncio e sem revelar. Pronto, a coerência está estabelecida. Há todos os instantes alguém está julgando alguém sem se importar se será julgado também. Quando uma pessoa é bem educada e outra comete algo que contraria a sua educação, sua moral e sua ética, em seu íntimo ela já julgou e até condenou como sendo indesejável a outra antes que o intelecto pudesse reagir lembrando-a do erro que é o julgar. Nesse caso o intelecto funciona como disfarce dos nossos sentimentos. Ele impede o exteriorizar por palavras a repulsa que o julgar interior antecedeu a ele. O ser humano é muito aconchegado com a hipocrisia. É comum ele rir mesmo quando sua reação interna seja contrária, isto é, para ofender ou mesmo brigar com outra pessoa que o desagrade. O “não julgueis para não seres julgado” só é coerência se está a se referir sobre o revelar por palavras o julgar. É incompetente para impedir o julgamento que é instantâneo proveniente do âmago de cada um. Quem consegue se anteceder ao sentimento para impedi-lo de julgar? Ninguém consegue. Então, muitas frases estão a nos orientar apenas intelectualmente, ou melhor, por fora, sem conseguir nos orientar por dentro ou interiormente. Talvez por hipnose se consiga introduzir no sentimento a ordem “não julgar”. Mas, isso é apenas uma idéia para psicólogos, padres e pastores e nem sei se isso funciona. Terminando, o que nos surge espontaneamente no sentimento seria a nossa verdade se não fosse abafada pela distorção dela pelo intelecto. Ele, hipocritamente sempre está a nos proteger de exteriorizar o que pensamos para bem podermos viver em sociedade. O intelecto ao se expor através de nossas palavras, no mais das vezes, ele é contrário a reação do sentimento ao julgar alguém, felizmente, porque, se assim não fosse só teríamos inimizades.  

                                                                                                       Altino Olimpio




domingo, 11 de maio de 2014

Tempos de indiferença


Nesta época tão conturbada por fatos contrários à nossa educação, nossa ética ou moral, nós vivemos bombardeados por insignificâncias difundidas pelos meios de informações. A vida agora é o assistir a tudo o que ocorre no país e no mundo. A sequência é ininterrupta. Na sequência vários fatos logo são substituídos por outros e estes por outros e assim sucessivamente. Isso nos têm tornado insensíveis mesmo para os fatos mais alarmantes, aqueles das crueldades com que muitos diariamente são assassinados. Transformaram-nos em expectadores das demoníacas atuações humanas. Começando pela podridão política (parecendo irreversível), latrocínios, estrupos, sequestros, greves, passeatas de protesto, invasões, balas perdidas e etc. tudo misturado com propaganda.  No nosso “andar por ai” só encontramos vítimas desse massacre mental. Com tanta coisa invadindo nossa consciência nós ficamos sem ter consciência de nós mesmos. São incontáveis as promulgações que nada têm a ver com nossas vidas e, no entanto, elas servem para abarrotar nossas mentes com insignificâncias. Por “falar” em insignificâncias, elas sempre estão presentes no cotidiano das conversas entre pessoas que se julgam bem atualizadas. Até acrescentam emoção descabida ao falarem sobre trivialidades ou sobre o que é tão óbvio. Voltando ao tema em questão, indiferença, nesta época ela reina como fuga das realidades do cotidiano. Milhões de pessoas ficam entretidas sem se entediarem nos joguinhos de seus brinquedinhos eletrônicos ou nas conversas fúteis por intermédio deles como se fossem mais importantes que as questões que prejudicam o povo deste país. Primeiro, para a distração do povo, mas, nem tanta, surgiu o rádio. Em seguida a televisão. Essa, audiovisual e poderosa como é, serviu para distrair e manter muita gente em casa. Por causa dela foi ficando mais restrito o amistoso relacionamento humano. Depois, o surgimento da internet. Deixando de lado a consideração que ela é importante para o mundo moderno, ela também é importante para os que não têm o que fazer e se tem até se esquecem. Os “navegantes” da internet também são invasores de consciências quando, como sempre, enviam suas mensagens “interessantes” para quem não se interessa por elas. Por último temos o telefone celular e outros aparelhos mais sofisticados a servirem de distração das massas. Nós, de entremeio com as divulgações da Mídia e do relacionamento virtual entre amigos, quase ficamos sem tempo de sermos nós mesmos com pensamentos próprios. O acúmulo de tantas informações que se sucedem está a nos transformar em indiferentes. Até deixamos de nos abalar, de verdade, pelo morticínio diário quando, pela indiferença, ele nos é apenas mais uma notícia. Parece que transformaram o mundo numa confusão que ninguém mais consegue se entender. Sobre isso, a indiferença até é desejável, pelo menos, para se poupar da desilusão do fracasso humano em não saber viver em sociedade. Entretanto, a indiferença é aquela omissão confortável a manter as anormalidades existenciais destes dias ausentes de confrontos a elas.

                                                                                                         Altino Olimpio



quarta-feira, 7 de maio de 2014

Crianças "descriançadas"


 Antigamente quando crianças, nós mais vivíamos com as coisas do mundo. Quando adultos mais convivemos com as coisas dos homens. Mas, atualmente, as crianças também são afastadas do convívio com as coisas mundo, ou da natureza, para se entreterem com os inventos adultos. Não é de admirar se existem crianças que nunca viram “pés de bananeiras”. Agora elas ficam reclusas em suas casas com seus apetrechos eletrônicos. Aquelas brincadeiras de rua não mais existem de quando meninos e meninas juntos compartilhavam das brincadeiras. Hoje as crianças não podem “tomar chuva” e nem ficarem descalças porque “pega doença”. Os pais de agora sempre estão a dizer para os seus filhos a não conversarem com estranhos porque é muito perigoso. Há uma separação entre conhecidos e estranhos. Os conhecidos são bonzinhos e os estranhos são perigosos. Sobre isso é preciso pensar um pouco. Os estranhos, essas criaturas chamadas de seres humanos e como dizem civilizadas, elas são mesmo tão temíveis? Sempre se ouve dizer que os seres humanos são o ápice da criação. São “as meninas dos olhos de Deus”. Dizem que somos todos irmãos (menos os estranhos). Também falam do ter amor ao próximo seja ele conhecido ou estranho. É estranho esse amor também aos estranhos se eles amedrontam e os pais pedem aos filhos para evitá-los. Alguma coisa “não casa bem aqui” e requer melhor reflexão para a realidade da situação (com a palavra, os muitos entendidos sobre “teorias” humanas). Voltando às crianças, as de hoje perderam seus espaços para brincarem e perderam aquela graça de sozinhas irem pra escola, quando, de suas idas e vindas tinham a alegria de se sentirem livres.

                                                                                                        Altino Olimpio


Orar ou rezar para se proteger


 Por que será que muitas pessoas vivem orando ou rezando e quase sempre estão com problemas? Lembrando uma frase escrita por alguém “o que mais eu temia desabou em minha cabeça” reflete o desconhecer do funcionamento do subconsciente. Muitas pessoas vivem rezando por causa de seus problemas e eles não as abandonam. Surgem e ressurgem, embora, as rezas ou orações são petições para livrar-se deles. Se alguém tem pavor de uma doença e constantemente pensa no medo de ser acometido por ela é possível que venha a tê-la. O fato de pensar nela como indesejável já a torna existente no subconsciente como sugestão e ele, como sempre está a obedecer, pode fazer com que a ela se manifeste. Por isso se ouve dizer “quanto mais rezo parece que mais atraio doenças”. Conforme “reza” a psicologia e a psiquiatria, o subconsciente é obediente para aceitar as sugestões enviadas a ele. Ele nada questiona se as sugestões sejam boas ou ruins e na possibilidade ele as executa para nós quando menos as esperamos. Se alguém muito pensar no “não quero aquilo”, pode ser que o “aquilo” lhe advenha, porque, o “aquilo” é que foi registrado no subconsciente, mas, sem o “não quero”. Existe uma frase repetida diariamente por muitas pessoas e a frase é esta: Rogai por nós os pecadores agora e na hora de nossa morte amém. Ai está à sugestão de que todos nós somos pecadores. Isso está no consciente e no subconsciente de muita gente. Menos naqueles que desacreditam em conceitos pré-definidos e por dispensá-los do pensamento evitam o transferir deles como sugestão para o subconsciente.

                                                                                                  Altino Olimpio