terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Paraíso perdido


 O que se devia saber é a principal importância do universo. Está além de tudo, além da inferioridade de criaturas e das existências matérias outras percebidas por elas. Entretanto, na imensidão do universo existiu um lugar diferente denominado paraíso. Sim, um planeta de nome terra. Tais nomes, universo, paraíso, planeta, terra, assim são chamados por uma espécie de criaturas existentes neste planeta e que se comunicam verbalmente entre si. O planeta terra do sistema solar era o único paraíso do universo. Muito bonito, com suas florestas, rios e mares, paisagens dignas dos deuses. Árvores floridas e frutíferas, bonitos animais, lindos pássaros coloridos e outras espécies de criaturas complementavam este planeta quando ele era o éden. Era a natureza que criava tais existências para enfeitar este mundo. Para isso ela se utilizava dos elétrons e dos átomos. Certa vez, ao transformar elétrons em átomos, sem ela saber, a reunião deles se fez defeituosa. Com esse acidente ao elaborar uma nova criatura para o bem do paraíso a natureza criou uma para o mal dele. Assim surgiu a criatura chamada homem que, como uma praga ao se multiplicar, com o passar do tempo iria destruir o paraíso. E isso aconteceu. Florestas inteiras foram dizimadas, queimadas, animais foram exterminados, rios foram poluídos e etc. Animais e aves ficaram sem seus espaços para viver e até com o que se alimentarem. O planeta com o tudo que já lhe existia em si jamais precisaria do homem devastador. Daquele acidente, primeiro surgiu um homem e da costela dele surgiu uma mulher. Num mistério indecifrável eles já eram judeus, primeiros da raça mais inteligente do mundo. Ao se penetrarem, dois filhos surgiram no paraíso. Depois, um irmão matou o outro. Belo exemplo a seguir para a posteridade da raça humana, principalmente para os desmiolados. Com o advento da raça humana, o paraíso deixou de ser. Como reunidos no “crime organizado” os homens muito se divertiram na caça e na matança de criaturas consideradas inferiores. Depois, para emoções mais fortes, os homens descobriram a alegria de matar outros homens. Assim surgiram as guerras e os assassinatos locais. Tendo se assenhoreado do mundo, uma minoria de homens domina a maioria. Sugestionam e hipnotizam as massas humanas para que elas se comportem, consumam e se entretenham como a minoria quer. Dentre todas as espécies, a espécie humana é a mais, ou a única falsa. Ela mente, disfarça e engana. Às vezes sorri para alguém quando “por dentro” o detesta. Não poucas dessas criaturas superiores, avantajadas por entender dez por cento do idioma local, elas vivem a nobreza de explicar “de casa e em casa” para as menos esclarecidas, os conceitos divinos difíceis de entender, escritos num livro sagrado. Agora, nestes tempos, tanta confusão existe que este planeta “desparaisado” mais parece um circo de horrores. Mas, naqueles tempos longínquos... Que bonito era tudo sem a presença humana egoísta. O mar, os rios, o canto dos pássaros, o Tarzan, a Jane e a macaca chita passeando com cipó sem nenhuma trombada e...


                                                                                                           Altino Olimpio

domingo, 19 de janeiro de 2014

Objetividade morta


 Outro dia encontrei um amigo, desses que existe muitos por ai, e depois dos cumprimentos ele começou a falar sobre sua vida, que estava bem e etc. Ao lembrarmos-nos de conhecidos nossos ele falou “vou te falar do pé de manga”. Como estivemos falando de conhecidos, rápido, meu pensamento começou a imaginar alguém com alguma doença no pé, pé inchado ou coisa parecida. Na hora não me lembrei da fruta manga porque a manga não tem pé. E ele continuou a falar de como gosta de chupar essa fruta, manga, e disse ter no seu quintal uma árvore frutífera dessa fruta. Então, entendi do que se tratava. Continuando, ele disse ter aquela árvore bem próxima à divisa com o vizinho, o Senhor Antonio marido da Dona Maria. O casal tem cinco filhos, um é bombeiro, outro é advogado, uma filha é mãe solteira, outro está nos Estados Unidos... Ah! Ele é entregador de pizza embora seja engenheiro. O filho mais novo está desempregado e faz tempo. O Senhor Antonio é irmão do Alfredo, aquele casado com aquela gorda feia que quando solteira ia aos bailes e não dançava. A irmã dela era mais requisitada para dançar.  Acho que você se lembra do Senhor Antonio. Ele, antes de se casar com a Dona Maria, ele teve um caso com aquela moça muito falada, a tal de Zonanita, lembra disso? Ele é um bom vizinho, às vezes briga com a Dona Maria, se xingam, cada palavrão que sai rapaz, mas, eu finjo que não escuto. Viu? Olha quem está passando aqui agora. O Alencar. Está aposentado agora. Está num bagaço que dá dó. Bem feito! Foi chefe numa firma e maltratava os empregados. Foi chifrado pela mulher e depois ela foi embora com outro. Quatro horas da tarde agora e logo vou para a praia. Meu filho comprou um carro importado, pagou mais de cem mil reais e vamos estriá-lo hoje. Não vou poder ir ao enterro de um primo. Deixou a viúva bem mais nova que ele e é muito bonita.  Bom, o papo está bom, mas preciso ir pra casa agora. Foi um prazer te rever. O prazer foi todo meu, respondi e pensando “mas, e a manga? E a manga?”. Será que ele iria dizer que elas são bem doces? Será que teria caído da árvore e se machucado? Que teria de especial o “pé de manga” dele? Fiquei sem saber. O “amigo” é um daqueles que emenda um assunto no outro e estonteia qualquer um. Será que na minha vida essa é a minha sina? Aguentar de outros essa falta de objetividade? Quando me deparo com uma dessas pessoas “afiadas” na redundância meu pensamento reclama “mas que merda, fala logo, não agüento mais”.


                                                                                                         Altino Olimpio

sábado, 18 de janeiro de 2014

Constatações


Se qualquer pessoa soubesse como é bom não ser nada na vida evitaria a luta por ser alguém importante para os outros e para si mesma. A busca por notoriedade e a busca por ser importante faz com que a vida passe despercebida ofuscando assim a paz que existe na interioridade.

O mundo repleto de criaturas humanas desumanas encontra-se no fim do acreditar que essas criaturas sejam o ápice da criação.

Os seres humanos premeditam um existir espiritual para sempre depois de suas mortes. Tomara que estejam certos, porque, viver entre eles enquanto encarnados está sendo um horror. Muitos são mentirosos, muitos acreditam em delírios, outros são corruptos, outros são exploradores e muitos são ladrões e assassinos.

Entretanto, “um viva” para as pessoas que, mesmo vivendo entre tantas aberrações humanas se mantém na qualidade de seres humanos. São simples, são honestas, solidárias, amistosas e graças a elas ainda se consegue agüentar viver neste mundo.

A vida como ela é. Tem momentos de alegrias e momentos de frustrações. Quem vive de desejos mais está propenso às frustrações. Nada desejar é um ensinamento budista e evita as complicações desnecessárias provenientes de desejos que possam se tornar indesejáveis depois de tê-los realizados.

Os seres humanos são providos dos instintos, das emoções e da razão. Muitos mais são levados a atender os instintos mesmo sem saber. Muitos se deixam levar mais pelas emoções, aquelas provenientes das sensações que sempre buscam para fugirem de seus vazios existenciais. Diante da predominância dos instintos e das emoções dos menos esclarecidos, a razão perde seu poder para impedir os erros, exageros e más condutas resultantes dos instintos e das emoções sem a administração da razão. Poucos são aqueles que se utilizam da razão para dominar seus instintos e suas emoções. Mais os instintivos e os emotivos se envolvem em situações que possam lhes prejudicar e prejudicar a outros, conforme sabemos. Os racionais, os mais propensos a refletir, quase sempre rejeitam pessoas, eventos e lugares onde os instintos e as emoções predominam no mau comportamento humano.     

Como são os seres humanos? São o resultado ou conseqüências de seus condicionamentos. Quando nascem neste mundo eles são isentos de conceitos. Aos poucos vão aprendendo o idioma de onde vivem. Compreendendo o idioma eles ficam sujeitos a influências e sugestões que são os conceitos dos considerados adultos. Infelizmente, como crianças, muitos adultos acreditam em conceitos improváveis como realidades para uma existência livre de incoerências. O “sempre duvidar ou sempre raciocinar” deveria ser uma norma para os pais ensinarem aos seus filhos para que eles não sejam vítimas da influência de outros já irremediavelmente condicionados com inverdades consideradas verdades.

Onde estão focalizados nossos olhos é onde deveríamos estar. Mas, não! Outro mundo se interpõe para nos distrair dos instantes de nossos presentes, os únicos temporariamente reais. O mundo interventor é o nosso mundo do pensamento. Ele nos rouba o presente pelo nosso sem querer ao nos conduzir ao passado. É quando os descontentes com suas vidas atraem para si fatos desagradáveis do passado e mudam para pior os seus estados de espírito. Os contentes com suas vidas revêem em seus pensamentos fatos agradáveis e até sentem saudades. Entretanto, sejam fatos agradáveis ou não, todos são fugas do presente. Estar sempre no presente não é prática comum. Se assim fosse, nós, mais sentiríamos o fluir da vida e isso basta para um viver ausente de melancolias e de contrariedades tidas no passado que o pensamento mal administrado nos traz.

Quase generalizando, o ser humano gosta de notoriedade. Ele, aonde às vezes ou sempre freqüenta leva consigo em seu âmago o “eu também estou aqui”. Talvez, isso seja uma das carências com que ele tenta se complementar. Muitas pessoas necessitam mesmo serem notadas e quando não, se ressentem disso, principalmente quando moram numa cidade pequena onde quase todos se conhecem. O viver em função dos outros acarreta mesmo a necessidade da notabilidade. Até é gozado. Alguns sem nenhum esforço facilmente são notados e outros mesmo se fazendo notar, não são notados. Os notados possuem algum carisma que os não notados não possuem. Contudo, o “eu estou aqui” nos leva a lugares para sermos notados pelos outros e se não nos notam falamos depois que estivemos num lugar chato.

O amor se evidencia em várias situações. Existe o amor de mãe, o amor entre irmãos, mas, o mais evidente, o mais eloquente se evidencia entre um homem e uma mulher. É quando um pensa que é do outro. Por esse amor muitos até abandonam o amor de mãe e o amor pelos irmãos. Substituem o antigo amor familiar pela profunda consideração devido aos laços maternos e fraternos. Com a vinda dos filhos, eles são mais amados do que o amor profundo que existe ou existia entre o casal. Esses amores aqui sucintamente descritos são condizentes com a realidade da existência. Muito se fala do amor ao próximo, mas, este, longe está de ser realidade. Ninguém ama ao próximo como a si mesmo. Ninguém ama ao próximo como ama a seus filhos. Esse amor impraticável faz com que pessoas o repitam por palavras para aqueles também só amantes das palavras.

Por falar em palavras, atualmente elas substituem os fatos. Houve três que foram difundidas em 1789 por ocasião da Revolução Francesa e tidas como sendo da autoria do filósofo Jean-Jacques Rousseau e tais palavras perduram até estes dias como sendo realizáveis. As palavras muito atrativas são “liberdade, igualdade e fraternidade”.  São palavras que circulam pelos meios maçônicos, mas, elas são impraticáveis. Quem ouve isto sabe que liberdade não existe, pois, atualmente nem podemos passear pelas ruas sem o medo de sermos importunados e o medo nos faz prisioneiros.
Igualdade? Também não existe. Dizem que deve existir a igualdade de direitos, mas, será que todos têm merecimento de ter os mesmos direitos? A igualdade humana é utopia. Nós mesmos nas preferências de amizade por algumas pessoas em desprezo de outras, não estamos praticando a desigualdade? Os seres humanos são compostos por diversidades e não por igualdades. Quanto à igualdade de direitos não estamos cansados de saber que muitos incompetentes ocupam posições de destaque neste país auferindo bons salários e os realmente competentes são ignorados e mesmo afastados? Sobre a “fraternidade” às vezes ela nem existe entre os irmãos de sangue. Brigam entre si, cancelam a amizade muitas vezes por motivos tão banais. As discórdias são notórias nos cotidianos e mais provocam inimizades deixando de lado a fraternidade. Para a realidade destes dias as palavras “liberdade, igualdade e fraternidade” são apenas palavras e não se transformam em fatos conforme sejam seus significados. Mas, uma parte do povo, sempre tagarela adora ter como se notar com as palavras que são apenas palavras para os outros que também são iludidos por elas. Se soltar palavras a esmo pagasse imposto, poucos teriam a condição de ficar ricos.

Quanto ao falar tenho pena de quem queira falar algo para alguém e não consiga. O alguém, como muitos na mesma situação, está atarracada em seu “EU” e só escuta a si mesma. Não tem paciência de ouvir até o final o que a pessoa quer falar e a interrompe para dizer algo parecido que aconteceu com ela. Sim, seu EU está em primeiro lugar. Sempre interrompe porque as coisas que no momento foram lembradas pelo seu EU são mais importantes das coisas que a outra pessoa quer falar. Não se sabe se isso é doença psicológica ou falta de educação. Quando nos deparamos com uma pessoa calcada no seu Eu devemos saber que o que temos pra falar não é tão importante como o que ela quer falar. Como ela é daquelas que só ouvem a si mesmas, bom mesmo é deixá-la falar. Sendo assim nós a agradamos mesmo no nosso desagradar de não conseguirmos com ela falar.

A maioria das pessoas deste mundo gostaria de ser rica. Mas, como tenho observado o mundo mais é dos pobres. Quando passeio pelas ruas da cidade quase não vejo pessoas que aparentam ser ricas. Vejo sim pessoas e mais pessoas com aparências de pobres. Essas parecem ser mais descontraídas e até mais felizes. As acompanhadas por outras no vai-e-vem pelas ruas demonstram alegria em seus rostos quando de suas conversas descontraídas. As lojas, como se observa, ficam repletas de pessoas comprando artigos para seus usos e nessas lojas não se vê pessoas ricas. As ricas frequentam lojas que são mais vazias de gente. Os pobres são mais felizes porque graças a eles os ricos ficam mais ricos. Por sua vez, os ricos tudo fazem para agradar aos pobres com o que fabricam e vendem. Os ricos reconhecem que sem os pobres eles não seriam ricos. Por isso, eles adoram os pobres e lhes oferecem muitos empregos com salários compatíveis com suas capacidades. Oitocentos, novecentos e até mil reais por mês, o que é uma fortuna até para se comprar algo pelo crediário... Cedido pelos ricos. Concluindo, o mundo é mesmo dos pobres. Os ricos, coitados, não embarcam nos trens, nos ônibus e nos metrôs. Eles não sentem o calor humano que os pobres sentem. Os pobres conversam entre si e gargalham por qualquer coisa. Os pobres estão espalhados por todos os cantos do mundo enquanto os ricos vivem isolados. Lembrando, Jesus preferia conviver com os pobres. Sabendo disso pra que querer ficar rico?


                                                                                                       Altino Olimpio 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

É só barulho


 No fim do ano 2013, em São Paulo foi aprovada uma lei que penaliza com multa os benfeitores da humanidade, aqueles mais evoluídos que se sobressaem do restante da população. Vítimas de muita inveja, eles, praticam o bem sem saber a quem quando circulam com seus automóveis com potentes autofalantes repercutindo as músicas mais agradáveis do mundo. Sem eles a vida não tem graça. De madrugada quando os poucos esclarecidos estão dormindo, e sabem-se que dormir faz mal a saúde, os distribuidores de felicidade ao passarem com seus carros sonorizando alto, eles, acordam as pessoas que têm esse vício nocivo de dormir durante a noite. Também, felizes são aqueles que moram próximos aonde existe um bar tendo um ambiente propício para os amantes dos combates contra o silêncio. O silêncio noturno é uma desgraça e provoca muitas doenças. O ouvido humano se deteriora quando é prolongada a ausência se sons ou ruídos. Todos sabem que muitas pessoas são egoístas, pois, ficam em suas casas ouvindo músicas em baixo som só para elas ouvirem. Ao contrário, felizmente temos aqueles nada de egoísta e por serem intelectualmente tão avantajados dividem essa bênção sonora diurna ou noturna para quem possa ouvir. É uma missão divina e os promulgadores da lei contra eles são inconscientes disso.


                                                                                                         Altino Olimpio