domingo, 28 de abril de 2013

Quem você pensa que é e não é


Eckhart Tolle, pseudônimo de Ulrich Leonard Tolle é um escritor e conferencista alemão, residente no Canadá e conhecido como autor de Best Sellers sobre iluminação espiritual. Seu livro mais conhecido é “O Poder do Agora”. Ele diz que no ruído mental de nossa mente somos incapazes de perceber a nossa verdadeira identidade, o nosso verdadeiro Eu. Esse autor para suas conclusões se baseou também nos escritos de outros autores. Segundo ele, os seres humanos estão encurralados há milhares de anos num sentido egoísta do EU que consiste num acúmulo de conteúdo mental. Isto é, eles têm extraído a noção de quem são do conteúdo de suas mentes, seja o que for que suas mentes acumulam desde tenra idade a começar pelos nomes que receberam ao nascerem. Nesse conteúdo mental estão as vivências e experiências da vida: Conhecimento, êxitos e fracassos, alegrias, sofrimentos, relacionamentos, profissão, conceitos adquiridos e etc. que são partes da formação de nossa personalidade. A partir disso tudo que está na mente, todos derivam dela aquele “EU sou”. O autor citado insiste que, nós não somos aquele EU compreendido como sendo originário do conteúdo acumulado de nossas mentes e nem somos o EU que a nossa personalidade parece ser. Ele diz que o nosso verdadeiro Eu está oculto por traz da nossa personalidade, aquela resultante do conteúdo de nossa mente. Se possível por alguns momentos nós nos esquecermos do nosso nome e de todo o conteúdo mental, nos ficará apenas um campo de percepção e é isso o que nós somos e a história que temos na cabeça a nos iludir se desfaz. Pensar no Eu como sendo um produto do nosso conteúdo ou acumulo mental de toda a nossa existência é ficção, conforme assim explicou o conferencista Eckhart Tolle. E ele diz que essa ficção, esse falso sentido de identidade obscurece muito a luz da consciência que existe em um nível mais profundo. Essa consciência como dita por ele está naquele campo de percepção onde está o verdadeiro EU. Entretanto, essa consciência do campo de percepção quando ele diz que também é o sentir da “presença” e esta significando vida, talvez, a explicação dele sobre isso seja duvidosa. Tal campo de percepção, os meditantes o sentem como um nada do nada donde, dizem, intuições ou inspirações podem surgir. Esse nada vazio de experiências da vida e isento de conceitos seria nosso EU verdadeiro? Se esse estado de percepção é vazio de experiências e de conceitos, então, ele não é consciência. Consciência é ver, é ouvir, é pensar, é falar, é sentir, é compreender, é raciocinar, é saber, é duvidar e etc. Tudo isso faz parte da “construção” dela a se formar desde quando ainda se é criança. Se alguém isolar desde o nascimento uma criança da família, do mundo, da sociedade e de tudo que contribua para ela desenvolver seu pensamento, quando adulta ela será apenas “algo” a existir e a se mover como qualquer animal irracional. Sem aquele conteúdo mental dito anteriormente como não sendo seu EU verdadeiro, o EU verdadeiro daquele campo de percepção dito acima teria consciência ou existência na ausência daquela consciência originada do conteúdo mental, que, como foi dito é ficção? Que cada um, busque no seu Eu verdadeiro (se conseguir encontrá-lo) as respostas para seus questionamentos, se quiser. O autor do livro e conferencista diz também que estamos aqui na vida para conectarmo-nos com essa vastidão que existe em nível mais profundo do que o da história do Eu, aquele do conteúdo mental. Contudo, é preciso algum cuidado ao ler livros e ao assistir palestras porque o que mais nos provocam é um acréscimo ao nosso “falso” Eu já quase sem espaço para somar e acumular “coisas” além das já existentes no nosso conteúdo mental, repetido neste texto várias vezes.

                                                                                                         Altino Olimpio