quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Brasil desbrasilizado


 Deve-se sentir pena dos brasileiros que ao chegarem aos sessenta, aos setenta ou mais anos de idade são destinados a assistir o debandar da educação, da moral, da honestidade e da ética com as quais foram agraciados. Diariamente somos massacrados pelo saber das inúmeras aberrações humanas de comportamento, até provenientes daqueles que exercem cargos públicos. Dentre eles existem aqueles que comprovadamente são infratores, mas, como devem sorrir e considerar palhaços aqueles que os reelegem. Isso porque muitos eleitores são desqualificados para esse dever patriótico. De cerveja, futebol e novela eles entendem bem e a mídia por tanto amá-los bombardeia-os diariamente com essas preciosidades intelectuais. O amor ao próximo foi substituído pelo “desconfio e tenho medo dele”, tais são os roubos, assaltos, o morticínio e os corruptos destes tempos do “Deus te proteja” como refúgio para as omissões e incapacidade de reação. Neste ano de 2013, pra quem acredita em milagre... Infratores do colarinho branco foram julgados e condenados. Nessa circunstância histórica, será que os historiadores do Brasil (autênticos e imparciais) escreverão para a posteridade, inclusive escolar, o enaltecer daqueles que no julgamento dos infratores foram patriotas e o considerar como impatrióticos e antibrasileiros os contrários a eles em seus votos contrários de condenação? Esses últimos se “pegos” pela história, mesmo depois de mortos, se constatadas suas pechas e se historiadas conforme o leigo parecer acima, talvez, seus descendentes se envergonhem deles e não queiram lembrá-los e nem conversar sobre eles. Para eles, triste também seria o desprezo público, não pelo povo em geral, mas, por aqueles de um estágio acima, privilegiados com discernimento e patriotismo.

                                                                                                         Altino Olimpio



quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Morri sem saber


O dia estava calor e fui buscar sorvete onde costumo comprar aqui no bairro onde moro. Com a balde de plástico com capacidade para doze litros de sorvete de massa vinha eu caminhando a pé quando vi um amigo. Pensei que não deveria me entreter com ele porque o sorvete iria derreter. Mas, ele me chamou para conversar. Enquanto conversávamos apareceu a minha prima Odila de Jundiaí toda sorridente e dizendo “o Coquinho me deu um coco de presente” (Coquinho era o apelido de um senhor já falecido do daqui Bairro de Perus da Cidade de São Paulo). Perguntei pra ela: Ele te deu coquinhos ou coco grande? Ela respondeu que ele lhe dera coco grande. Vendo-a tão alegre e mais jovem gritei: QUE FAZ AQUI? COMO ESTÁ AQUI? Olhei para o amigo e disse-lhe: É minha prima, mas, ela já morreu. Eles olharam para mim sem nada dizer, mas, seria como dissessem “você também já morreu”. Senti-me estarrecido, calado, triste e pensativo, acreditando mesmo que havia morrido, pois, aquele amigo também já era falecido, entretanto, continuamos a caminhar e logo chegamos a um lugar parecido com um sítio do interior. O local era plano como um campo de futebol. Havia um gramado descuidado e invadido por vegetação outras e rasteiras. Várias pessoas no local, inclusive crianças, e, me eram desconhecidas. Ainda tendo nos braços o recipiente com sorvete, numa surpresa vi entre elas, a minha esposa e fiquei aturdido. Como as outras pessoas, ela estava circulando pelo local e parecendo estar pensativa. Estava vestida com uma calça da cor marrom claro, aregaçada até as canelas, a mesma que por muitas vezes eu já a tinha visto no nosso lar.  Pensei em gritar-lhe “hei, como é viver depois da morte do Altino”. Não consegui, porque, alguém ao meu lado me antecipou e gritou-lhe a mesma pergunta. Ela desatou a chorar e vendo-a chorar chorei também. Fiz menção de consolá-la, mas, veio-me a lembrança que eu havia morrido e ela não poderia me ver ou ouvir.  E foi nesses momentos que acordei. No sonho houve uma inversão de situações. Minha esposa faleceu há vinte e nove anos no ano de 1984. Eu ainda estou por aqui. No mais das vezes nossos sonhos são esquecidos e muitos deles são confusos e desconexos. Sobre o sonho aqui relatado, pessoas podem emitir suas considerações, como, “ela está precisando de uma missa, o sonho foi um contato espiritual, foi um aviso” e etc. Contudo, dispenso quaisquer considerações, pois, o sonho faz parte de uma atividade cerebral, da qual, ainda estamos impossibilitados de compreender.

                                                                                                               Altino Olimpio