terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A inteligência está com Alzheimer


A inteligência está com Alzheimer

Semana passada estive numa padaria e ao pagar a compra que perfazia o valor de onze reais, para facilitar a mocinha do caixa lhe dei uma nota de vinte reais mais quatro moedas de vinte e cinco centavos. Ela utilizou-se de uma “maquininha” de calcular e me deu o troco de nove reais. Eu disse a ela: Devolva-me dez reais, por favor. Ela ficou com o olhar como se estivesse perdida no mundo e olhou para a outra mocinha que estava ao seu lado como se estivesse pedindo socorro. A outra mocinha olhou-me e disse: Ela é nova aqui e ainda está aprendendo. Mas, aprendendo uma das quatro operações simples, no caso a de subtrair, só agora? A mocinha já contando uns dezoito anos de idade teria diploma pelo menos do ensino básico? Com certeza, sim. Ela é uma representante de como são muitos dos brasileiros de agora e daqueles que escolhem quem nos administra politicamente. Entende-se então, como muitos políticos são eleitos e reeleitos mesmo tendo o estigma da imoralidade e de bandidos ladrões do erário. Analisando de outro ângulo, os políticos de um passado não tão remoto, para o exercício de domínio das massas, com outras leis ou normas modernas para a educação que deveriam ser consideradas traidoras da pátria e hediondas, eles maldosamente interferiram no currículo escolar tornando os alunos despreparados para exercerem raciocínio próprio. Será que ainda é lembrado quando de um segmento das “autoridades” surgiu para os professores aquela norma “não corrigir as provas dos alunos mesmo estando erradas?”. Por isso já se devia perceber as más intenções contra o povo, e este, hoje, em sua maioria não consegue entender um texto mesmo sendo simples. Sendo assim é fácil bombardear uma maior parcela do povo com as insignificâncias com as quais essa parcela se associa. Quais seriam essas insignificâncias? Quase todas as difusões diárias, escritas ou televisadas. Muitos sucumbiram pela trivialidade e ser trivial hoje está na moda. Sabe-se e não se nega que os jovens são o futuro do Brasil. Coitado dele. Com tantas discrepâncias em suas cabeças o que será de nosso país? Muitos jovens que já foram à esperança do futuro do Brasil, agora não mais jovens estão no “poder” administrativo desta nação administrando para si mesmos. Estamos vivendo numa época maravilhosa quando a vergonha morreu de velha e a indignação se tornou indigna, desagradável e desfavorável para se manifestar entre os fanáticos das trivialidades do cotidiano. Eles estão certos porque para eles a inteligência não presta. Ela quando existe em alguém, inimiga como é, impede os prazeres provenientes do que é banal e o banal valorizado como está, faz parte da felicidade humana. Isso não se nega. Então, que muitos sejam felizes assim. Amem!

                                                                                                             Altino Olimpio

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Estar ou não estar onde se está



 Os nossos presentes mais são invadidos por tempos passados e de incertezas dos tempos futuros. O tempo, subjetivo e psicológico como é, quase nunca está nos nossos agoras sucessivos porque sempre nós nos distraímos dos momentos de onde estamos. Pensamentos do passado surgem na mente e momentaneamente ficamos inconscientes do presente. O nosso corpo sempre está nos “aquis e agoras” de nossa existência, porém, nosso “eu” não. Nosso eu, nossa mente ou nossa consciência sempre se dispersa em lembranças de fatos ocorridos conforme qualquer estímulo venha a desarquivar um fato existente na memória. Mentalmente revivendo o fato, temporariamente ficamos inconscientes do presente donde estamos e do porque lá estamos. Nós somos mais conscientes dos nossos presentes quando, por exemplo, uma dor de dente nos aflige. Sentindo-a e concentrados nela, nós, com a mente e com o corpo, ficamos simultâneos no mesmo presente. É quando o presente está tendo o seu próprio tempo sem o passado a interferir nele pelos nossos pensamentos. Entretanto, essa situação não é comum. Comum mesmo é quase sempre não estarmos em consciência onde está o nosso corpo. O não estar onde com o corpo se está é ficar distraído do presente. Por isso, fatos que possam ocorrer à nossa volta podem ficar despercebidos. Em pensamento não se estar onde o corpo está é o mesmo que estarmos ausentes perdidos em devaneios. Os nossos olhos continuam enxergando tudo à nossa volta, mas, suas visões perdem o interesse e a lucidez para as visões mentais que nos surgem oriundas dos devaneios. Isso equivale a estarmos dormindo acordados. É quando a objetividade ou a realidade do momento é substituída pela subjetividade. Nessa circunstância, já nos deve ter acontecido algum conhecido passar por nós nalgum lugar e sermos despercebidos por ele, visto que, ele estava absorto em seus pensamentos parecendo estar inconsciente ou distante de onde estava. Péssimo hábito esse o não se estar onde em corpo se está. Quem muito mentalmente, subjetivamente e por querer se refugia nas lembranças boas ou ruins do passado porque considera o presente monótono e sem sensações, se esquece que o presente quando desprovido de emoções alegres ou tristes e de lembranças de outrora que na atualidade não existem, ele é propício para sentir a paz. O sempre estar de corpo e consciência no presente e no como ele está sendo, mesmo sem emoções, impede o manifestar da melancolia pelos bons momentos vividos ou o ressurgir dos aborrecimentos por fatos lamentáveis ocorridos no passado.

                                                                                                             Altino Olimpio