domingo, 25 de novembro de 2012

O Espia Fogo


O Espia Fogo

Às vezes a memória se impõe na mente forçando sua presença como a dizer que ela com seus arquivos também são parte da nossa vida. Deixando-a se expressar através do olhar interior me vi no passado e num passeio solitário de encantamento. O dia era de sol e depois de percorrer o caminho existente entre os fundos dos terrenos das casas da Vila Nova e os da Vila Pereira sob os fios de alta tensão que vinham lá do Bairro de Perús, logo estava eu numa roça donde à minha esquerda havia a mata e à direita ao longe se avistava a escola ladeada pelas casas do Bairro Chique. Seguindo pelo caminho entre matas nativas e só tendo a visão delas, a seguir avistava-se à esquerda a famosa pedreira, aonde às vezes alguns iam até ela para fazer pic-nic no alto dela. Ela era um paredão de pedra, claro, e bem alto. Numa ocasião, eu e meus vizinhos, o Zé Polato e o Adilson Pastro, quando estivemos lá em cima explorando o local fui atacado por marimbondos e naquele dia chorei de dor. Ao lado do paredão da pedreira via-se uma casa onde morava o Francisco com seus pais e irmãos e ele tinha o apelido de Sultão. Prosseguindo, o caminho em suave aclive ia se cruzar com uma estrada onde depois se tornava declive e logo se avistava umas poucas casas onde, talvez, por causa de um córrego, aquele local se chamava Tanquinho. Depois dele chegava-se ao Bairro do Monjolinho. Mas, voltando àquele cruzamento com a estrada de antes do Tanquinho, ela era muito bonita “forrada” com pequenas pedras espalhadas pelo chão e ladeada por coqueiros. Por detrás deles o verde da mata emoldurava o local e coquinhos amarelos esparramados pelo chão completavam a beleza daquela estrada. Seguindo por ela acercava-se do Bangalô dos Engenheiros, nome este de uma casa isolada na mata, reservada que era para a recreação dos alemães detentores de cargos importantes na Indústria Melhoramentos de Papel de Caieiras. Logo ao passar por ela chegava-se a outro cruzamento daquele local conhecido como Morro do Tico-Tico. À direita era outro acesso ao Bairro do Monjolinho e à esquerda o trajeto também por entre matas era acesso para a Vila Leão, demorando-se, penso agora, mais de meia hora pra lá chegar indo-se a pé. Sem dobrar à esquerda ou à direita no cruzamento e seguindo em frente deparava-se com uma subida íngreme. Tinha o nome de caminho do espia fogo. Talvez, melhor trafegável para os jipes da indústria local que possuíam tração nas quatro rodas. O caminho ou subida por entre aquela mata virgem era admirável porque se via muitos pássaros nas árvores e o mais bonito eram os rápidos serelepes (pequenos esquilos) que saltitavam de galho em galho. Lá também era o habitat de muitas cobras venenosas. Depois da longa subida estafante se chegava a um lugar paradisíaco onde havia uma cabana de madeira bem construída sobre uma grande pedra. Daquele alto sob o céu azul se descortinava ao redor da cabana uma paisagem magnífica. Grande parte das matas da indústria e até se vislumbrava parte das moradias do Bairro de Perus, este, pertencente ao município de são Paulo.  Dentro da cabana havia um telefone daqueles ainda de manivela para comunicar algum possível incêndio na floresta, daí, o nome de “Espia Fogo” daquele lugar, mas, nunca vi lá alguém responsável por essa incumbência. O lugar era deserto. Estando lá apreciando a natureza verde se era acometido de pensamentos sobre a vida e sobre como se era ínfimo diante da grandeza do mundo. O lugar era mesmo convidativo para reflexão ou meditação. Assim era e esse mental reviver dos locais aqui descritos foi provocado pela memória e ela nos presenteia, no mais das vezes, com lembranças agradáveis de outrora. Sorte daquele que tem em sua memória fatos dos quais sejam gratificantes recordar.

                                                                                                      Altino Olimpio
Comentários:
NOSSA! EU TINHA ME ESQUECIDO DO ESPIA FOGO. REALMENTE LA DE CIMA ERA MUITO BONITO E DA PEDREIRA TAMBÉM, AONDE EU IA COM UM BANDO DE CRIANCAS SOLTAR PIPA E LEVÁVAMOS SANDUICHE DE PATÊ DE TOUCINHO BATIDO COM ALHO SAL E PIMENTA DO REINO E ERA QUASE A METADE DE UM FILAO DE PÃO.
DAVA PARA FICAR ALIMENTADO O DIA TODO E NAQUELE TEMPO  COMÍAMOS TOUCINHO E NAO SABÍAMOS QUE EXISTIA O TAL DE COLESTEROL KKKKKKKKKK.
QUANDO ÍAMOS AO CINEMA COMIAMOS CORINHO DE PORCO COM CRUSH, AI QUE DELICIA.
HOJE ATÉ SALADA FAZ MAL KKKKKKKKK, PORQUE, JÁ VEM ENVENENADA COM PESTICIDA E NÓS COMIAMOS GOIABA COM BIGATO E ACHAVA  GRACA DE QUEM TINHA NOJO, AH QUE DELICIA DE  INFÂNCIA.
PENSAR QUE AGORA É VIVER DA LEMBRANCA DO QUE FOI MUITO BOM E PROCURAR SER FELIZ A CADA DIA APROVEITANDO O QUE A MODERNIDADE NOS DÁ PARA PODERMOS RELEMBRAR JUNTO COM OS AMIGOS.

ABRACOS MELHORAMENTINOS,
VERA LUCIA DE FREITAS

Uma vez só e num domingo à tarde subi até ao Espia Fogo.
Fui eu, o Caio Polkorny, o Roberto Bayerlein, o Celso Ferrnandes e o Ari Penteado (Cavalo Louco) que foi o guia.
Realmente o local era especial.
Conforme relatado este conhecimento acaba aqui conosco, pois, nossos  filhos , netos e sobrinhos nunca conhecerão isso .
É verdade que o nazi Joseph Mengele chegou a morar no Bangalô antes de se refugiar e morrer em Bertioga????????
Safena (Fred Assoni)

“Sorte daquele que tem em sua memória fatos dos quais sejam gratificantes recordar”.
Deste lugar descrito na crônica só me lembro da Pedreira. Lá fui a um pic-nic juntamente com o pessoal do catecismo.
Neusa Olimpio Vivencio

 Bom esse texto que adorei do começo ao fim... Lendo, os caminhos descritos me deram uma vontade louca de andar por aqueles lugares... Adoro esses lugares, bastante naturais, com até bichinhos da mata... (esquilos). Gostei muito daquela estrada, antes do Tanquinho... Dos nomes Bairro do Monjolinho, do Bangalô dos Engenheiros, Morro do Tico-Tico...
Muito gostoso de ler, tal foi à simplicidade que a gente até chega a ver os locais... Conclusão: Gostei do que li.
Maria Elisa de Campinas

Abaixo daquela maravilhosa pedreira que faz parte da crônica, meu cunhado Marcondes e o Fiorelo Rosolem criaram um apiário com cento e cincoenta caixas de abelhas. Na primeira e única coleta de mel eles conseguiram quase 500 litros e de alta qualidade.
Nenê Corradini


Essas crônicas sobre as Vilas da Fábrica me fascinam. São elas que me trazem lembranças que, muitas vezes estão adormecidas. Lembrei-me da Pedreira, do Tico Tico, do Monjolinho. Muitas vezes fui a estes locais. Não me lembro de detalhes, mas, mesmo assim alguma coisa sempre me retorna   quando leio belos textos como este.
Obrigada por me levar por alguns minutos a um passado tão repleto de belas paisagens e cenas.
Fátima Chiati

Bela lembrança! Sabiam de quem cuidava do espia fogo?? Meu pai José Cardoso da vigilância da Melhoramentos... Com seus guardas que iam a cavalo, e depois de um tempo de moto...
 Claudio Cardoso

Gostei desse passeio. Senti até o cheiro da mata. Não sei se conheço esse lugar descrito. Quando eu fui (com minha filha e neta) a Melhoramentos convidada pelo Senhor Acácio de Jesus, advogado da Melhoramentos lembro que o motorista que nos levou disse que só era possível chegar lá com carros (jipes) que possuíam tração nas quatro rodas e lembro também de uma casa (ou cabana) que ele disse que servia para fiscalizar qualquer incêndio na floresta. (De lá, via-se Perús e São Paulo, a rodovia Bandeirantes). Achei o lugar maravilhoso (tirei fotos e filmei tb). Lembro que pensei: por que será que eu nunca tinha ido lá? Hoje, acho que aquele lugar deveria servir de ponto turístico em Caieiras.
Será que o lugar que conheci é o mesmo desse passeio descrito nessa crônica "O Espia Fogo"?
Mirna Machado

Crônica legal.
Também me traz boas recordações.
Lembro-me que eu, o Ico, o Possante e o Vaguinho sempre íamos à Pedreira.
Lá havia muitos pés de pitanga. A gente se fartava mesmo.
Segue uma foto. É do caminho do bangalô.
Foto do Chiquinho Vanguelo.
Nilson Rodrigues da Curva (risos)