domingo, 15 de julho de 2012

Lamúrias

A vida é o tempo a deixar tudo para trás. Ela parece ser de histórias para revivê-las na memória, principalmente, para os saudosistas de todas as horas. Em outros tempos para as amizades não havia contratempos. Agora cada um fica na sua e quase não mais são vistos, nem pelas ruas. Estranho, como nós nos tornamos estranhos. O viver agora é artificial sob a tecnologia da comunicação a tentar driblar a solidão. O ninguém é de ninguém, o ninguém quer saber de ninguém prepondera nesta era sem fascínio quando a maioria vive apenas para o seu egoísmo. Não como antes, mesmo próximas as pessoas parecem distantes e o mundo se tornou alegria para as pessoas mais vazias. Mas, nós viemos do nada pensando ser tudo para acabar no nada. Não adianta lamentos se o nosso fim logo vais ser o esquecimento. Dizem que o nosso viver são sempre os agoras, mas, eles também sempre vão embora. Um agora vai, outro agora vem e nem sempre ele é como nos convém. Quando crianças nós somos esperança. Quando jovens ainda despreparados facilmente ficamos apaixonados para vivermos aprisionados. Quando adultos de verdade esquecemos-nos de viver por culpa das nossas responsabilidades. Quando velhos, já ficamos a pensar no tempo que nos resta e a vida se parece com o vazio que fica no fim de uma festa. Na velhice poucos se conformam com ela e muitos desmemoriados se transformam em esquisitice. Mais conveniente é não querer mais nada, falar só besteiras e dar risadas. A vida é um enigma a existir no nosso pensamento e é nele que sentimos as nossas alegrias e os nossos tormentos. Pensamentos... Surgem e ressurgem como querem sendo os agravos a nos tornar seus escravos. Se o nosso pensar é o nosso viver, isso é um suplício, pois, somos apenas desperdício. Nós viemos ao mundo para ser (ainda não sei o que) até o deixar de ser. Nesse período entre o ser e o deixar de ser, estamos apenas a acontecer. Somos apenas acontecidos e disso poucos estão convencidos. Entretanto, do acontecer ao “desacontecer”, temos esse período para nos convencer que a morte não é o nosso perecer. Essa pré-conclusão ainda só existe no período de vida em que estamos a acontecer, quando, hipóteses sempre estão a nos envolver para, talvez, confortar ou iludir o nosso viver com posterioridades que não possam ser.

Altino Olimpio