segunda-feira, 14 de maio de 2012

Falam sem saber

Muitas pessoas repetem o que falam sem ter certeza se o que falam é demonstrável. Dizem que antes de reencarnarmos nós escolhemos uma família e conseguentemente o lugar para nascermos. Várias vezes ouvi isso. Ou então na família em que uma pessoa nasce isso é preparado pelo destino. Também o nascer num lugar e no seio de uma família isso é consequência do carma que o indivíduo por bem merece ou por mal padece. Se nascer numa família abastada é pelo seu bom carma. Se nascer numa família onde impera a miséria, isso é culpa de seu carma que é ruim devido a erros cometidos na encarnação passada, como, o de ter sido rico e ter desprezado os pobres. Para pagar por isso tem que nascer na pobreza. Tudo isso são falácias, apenas falácias. Ninguém sabe se essas hipóteses são viáveis. O ser humano mais é falastrão do que outra coisa. Sem conhecimento próprio ele se sustenta com o que ouve e com o pouco que lê. Sua falta de raciocínio o predispõe a acreditar no que está a ler ou a ouvir. Ele gosta de se preencher com fantasias sobre o que ainda é improvável e inexplicável. Manter na mente conceitos fictícios e crê-los como verídicos é o início da deturpação mental. E deturpados existem no mundo só para deturpar outros. A realidade sempre está a nos mostrar fatos quando pessoas afetadas pelas crueldades da vida, como, a pobreza extrema, elas não dispõem de discernimento ou vontade de pensar se o que de mal lhes ocorre é proveniente de seus carmas, de seus destinos e etc. Tais divagações mais são pertinentes às pessoas sem problemas com a alimentação do dia a dia e cujos problemas existenciais lhes sejam poucos. Dizem que “filosofar com o estômago cheio” é fácil. Agora vou discorrer sobre um fato do fim da década de setenta do século passado, que, ainda persiste na minha lembrança. Não se sabia de onde apareceu uma família paupérrima que se instalou por baixo do Elevado Costa e Silva (Minhocão) na Rua Amaral Gurgel da Vila Buarque de São Paulo e nas proximidades do Largo do Arouche. O casal com suas trouxas e vários filhos, estes crianças ainda, todos famintos, adentravam no bar ou na padaria das esquinas daquela rua para mendigarem um pedaço de pão dos fregueses daqueles estabelecimentos comerciais. Pareciam estar testando a tão falada solidariedade humana, que, naquele dia eu não vi. Aqueles pais com suas crianças, coitados, perdidos numa selva de pedra e entre o movimento incessante de veículos apressados e de pessoas indiferentes a passar por eles, eles se sentiram estando a sós e abandonados num mundo estranho. Desprezo bem que eles perceberam, talvez, até daqueles prosaicos do amor ao próximo. Estariam eles naquela situação por causa de seus carmas, por causa de seus destinos? Ou, poderia ter sido por causa da mãe natureza, que, negando-lhes a água do céu expulsou-lhes de suas terras? Melhor é deixar para os leitores opinarem se essas tristezas humanas são conseqüências de carmas ou do destino. Eu não posso opinar porque desconheço tudo sobre suposições.

Altino Olympio