quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Tempos modernos

--Batarde minha senhora. Gostaria de ver uma pistola?
--O que? Homem sem vergonha. Vou chamar meu marido.
--Calma dona. É que sou aposentado e para ganhar uns trocos sou vendedor ambulante de um Sex-shop. Hoje isso não tem nada de mais, até na televisão no programa do gordo, mulheres comparecem para exibir estes produtos.
--Ah sim eu já vi. Mas não estou interessada.
--Talvez seu marido esteja. Que tal uma pistola pra ele?
--Não, não e não. Meu marido é heterossexual viu?
--Legal né? Mas, como à senhora já está um pouco idosa, será que ele não iria gostar de uma xixa ou xoxa portátil? Também tenho aqui pra vender.
--Olha meu senhor, eu e meu marido não precisamos de meios artificiais, viu?
--Sim eu sei, mas, ele ou a senhora pode ficar viúva e pode precisar. O que é que tem né? Ninguém precisa ficar sabendo. Também tenho boneca inflável que é uma maravilha. Ela tem a vantagem de ser útil e não é de ficar falando depois como fazem as mulheres: compra-me isso, me compra aquilo e etc.
--O senhor já está passando dos limites. O senhor é muito depravado.
--A senhora é que é antiquada. Minha freguesia está aumentando e olha, já estou cansado de levar tanta pistola pelo caminho. Veja como pesa esta mala cheia de pistolas e de outros produtos necessários para o combate da carência. Compra uma vai? Está em oferta hoje. Se seu marido for pescar e ficar ausente por uma semana, a senhora não vai sentir falta dele.
--CHEGA! VAI EMBORA. Retire-se já daqui.
--“Puxa-vida, que mulher ignorante. Também, quem me manda querer ser útil pra quem não merece? Bem, ela ficou com o meu cartãozinho. Se ela precisar é só me telefonar”.

Altino Olimpio

A evolução humana

Quando se atinge essa tal de “melhor idade” pode se refletir sobre como o povo brasileiro evoluiu mentalmente. Isso foi perceptível na saudação ao ano novo quando milhões de reais foram gastos para enfeitar o céu com estrondos coloridos. Foi uma confraternização emocionante, visto que, no Estado do Rio de Janeiro, o dinheiro aplicado no majestoso evento foi com o que “sobrou das verbas” destinadas àquela calamidade ocorrida na região serrana provocada pelas chuvas. Naquelas cidades atingidas tudo foi carinhosamente restaurado e nenhum vestígio restou para a lembrança daquele acontecimento trágico. Mas, a confraternização nacional barulhenta por estouros e cores pelo céu mais esteve a anunciar para o mês de janeiro o melhor programa de televisão de nome “Big Brother” que, sem dúvida, nele se constata a inteligência brasileira entre seus promovedores, “atores” e seus telespectadores. O programa é levado “ao ar” por um canal de televisão, sendo ele o mais interessado e preparado para o evoluir da consciência do povo. O apresentador do programa, então, deveria ser beatificado pela importância que dedica ao programa tão benéfico para a população. Por isso ele é adorado por pais, mães, filhos, avós e por todas as pessoas intelectuais do Brasil. Duvida-se existir outro capacitado como ele para exercer tão nobre missão: a de transpassar conhecimentos úteis. Os “artistas” escolhidos para atuarem no programa, em suas conversas e atitudes transferem para quem os assiste os melhores exemplos de conduta humana. Infelizmente, ainda existem milhões de brasileiros, que, por serem ignorantes, não assistem ao programa. Não sabem o que estão perdendo. Talvez se intimidem ao pensar que o programa seja apenas para os mais inteligentes. Mas, como é irritante entabular conversa com quem não assiste o Big Brother. Quem não assiste nem devia ser considerado brasileiro. Não participa do progresso mental humano. “É uma carta fora do baralho”. Entretanto, devido ao bem que são para o povo, que sejam abençoados o programa, o apresentador e o canal de televisão que os promove. Pois, nós que somos pais já na melhor idade devemos ser-lhes gratos pelo respeito e consideração com que nos tratam e aos nossos dependentes.

Altino Olimpio