quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Saber ou não saber viver


Dizem que ainda ninguém sabe ao certo como é o melhor viver. Tudo se resume no nascer, viver e depois morrer. Infelizmente, preenchemos a cabeça com idéias ou conceitos a confundir a nossa existência. As crianças quando ainda desconhecedoras das abstrações, superstições e maldades de muitos adultos, elas, são isentas de conflitos internos. Entretanto, os adultos com suas crenças hipotéticas teimam em transpassá-las às crianças e também influi nelas o desejo da posse material e as vantagens como padrão para o melhor viver. Consequentemente, os homens e as mulheres, da juventude à maturidade tornam-se escravos do querer ter, do querer ser, e assim são vítimas desses desejos. Distraídas de si mesmas, envolvidas e aprisionadas nesse padrão generalizado, as pessoas parecem se esquecer de si próprias. Parecem não sentir a vida nelas e a vida a passar. Elas parecem não sentir suas vidas independentes das necessidades, dos desejos e das superficialidades que as rodeiam. Uma pessoa que já esteja no início da velhice e já tenha se despojado do “querer ser”, do “querer ter”, das conveniências vantajosas e de todas as superstições e abstrações que atravancam a evolução mental da maioria, uma pessoa assim mais fica circunscrita a si mesma. Dizem, após, mais ou menos, os sessenta anos de idade, mais se manifesta numa pessoa o seu lado espiritual. Essa palavra “espiritual” se substituída pela palavra “reflexão” seria mais coerente para significar uma fase da vida quando o ser humano se encontra liberto das influências e sugestões da sociedade, contaminadoras das mentes dos ingênuos e menos esclarecidos. No entanto, se uma pessoa nessa fase ainda detém em si os “Papais Noeis” de seu condicionamento, suas reflexões serão apenas continuidade de influências e sugestões a que ela esteve exposta e acatou. Continua prisioneira de crenças ainda não confirmadas concretamente e isso conturba a consciência. A velhice para quem não a tenha com problemas graves de saúde, tenha mantido intacto o seu raciocínio e livre das inconveniências dos mitos, ela, a velhice, pode ser uma boa fase da vida quando mais a solidão é preferida. Sendo assim e liberto de anseios que não condizem com a última fase de sua existência, o homem mais está propenso a sentir a vida como ela é sem os acessórios psicológicos ilusórios, supersticiosos e mitológicos que lhe conferem e não condizem com a realidade da existência. Das fases da vida, na última se teria mais probabilidades de se viver em paz, conquanto, a razão e uma postura indiferente para com os desmandos da humanidade tenham predomínio sobre as inquietações destes dias tumultuosos. Quanto ao saber ou não saber viver do início deste texto, talvez, basta apenas viver. Desde o nascer temos adicionado na vida um “sem fim” de conceitos e neles está a nossa resposta ao como, inconscientemente somos influenciados a pensar sobre como seria o bem saber viver. Entretanto, como a conceituação não é igual entre os seres humanos, suas conclusões para o certo saber viver são divergentes. Factual, indubitável para nós, apenas é o nascer, o viver e o morrer. Nós não precisamos aprender a nascer e nem aprender a morrer. Então, só nos resta aprender ou nos adaptar ao viver e nisso está o bem ou o mal estar de cada um em sua vida.

                                                                                                       Altino Olimpio