domingo, 30 de setembro de 2012

Foram sonhos da juventude


Foram sonhos da juventude

Praças das cidades do interior. Parecia estar numa delas o alguém da nossa felicidade. A juventude estava a dizer sermos incompletos sem um amor único e profundo. Isso nos impulsionava numa busca por alguém sem saber quem. Talvez viéssemos, a saber, em alguns dos passeios pelas cidades do interior numa praça iluminada com fonte colorida e sonora no centro dela e com uma banda no coreto provocando emoções auditivas. Aos sábados o flerte era com as moças da cidade circulando pela praça e os rapazes no sentido contrário. Sendo assim, moças e rapazes ao se confrontarem trocavam seus olhares de simpatia. Outra volta na praça e o reencontro se dava no mesmo lugar. A esperança era que aquela dos sonhos aparecesse em uma das voltas da praça. Esperava-se ver alguém que fizesse o coração disparar por ela. Isso até que aconteceu, mas, o titubear em puxar conversa com ela que estava acompanhada por outras impediu a aproximação. Ao som da banda do coreto e o esperar por uma oportunidade melhor para falar com ela fez o desperceber do tempo a passar. Vinte e duas horas... E a praça foi ficando vazia de pessoas.  Onde está ela? Desapareceu? Por que não deu mais uma volta na praça? Talvez não tenha me apreciado como eu a apreciei. Aquele sentimento do “não ter dado certo” exteriorizou-se num lamento e no tormento do “nunca mais vou vê-la”. Ausente de pessoas a praça se transformou em melancolia. Situação propícia para a vinda da lembrança de onde se era. E do mesmo lugar, alguém que lá estava era aquela, ainda, sempre presente no pensamento. Eu sabia da inviabilidade de um romance entre nós, mas, naquela praça do interior vazia, naquele meu vazio senti saudade dela vendo na mente, seu rosto e seu sorriso. Esses devaneios, no mais das vezes eram interrompidos pela conversa com o amigo que esteve comigo naquela ocasião. Daqueles passeios por cidades do interior onde a atração principal era aos sábados na praça central, onde, moças e rapazes se entreolhavam na esperança de encontrar o amor de suas vidas ficaram as saudades. Foram tantos rostos vistos e muitos olhares trocados, mas, o “quem é quem” poucas vezes se fez saber para quem era do local e para quem era de outra cidade, pois, o nunca mais voltar lá, acontecia. Hoje as praças ficam vazias e os jovens nem imaginam o quanto elas foram românticas naqueles dias. A fonte luminosa, a banda no coreto, moças e rapazes clamando para o destino apresentar numa daquelas voltas pela praça quem seria o amor de suas vidas e isso, muitas vezes o destino fez acontecer.

                                                                                                          Altino Olimpio

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O amor intenso enfraquece

Antigamente os namoros pareciam ser mais românticos. O amor entre os jovens enamorados parecia mesmo ser tão profundo e para sempre. Talvez, porque, as intimidades entre eles tinham limites. Sexo antes do casamento era raro. Por isso, naquele desejo reprimido depois da sequência de carícias, o casal de namorados ficava cada vez mais apaixonado e aquele tanto um querer o outro culminava no casamento que era duradouro. Pensava-se que aquela profundidade de sentimentos teria a mesma eloquência para sempre. Inabalável no início, o amor naquela volúpia constante entre o casal teria que retroceder diante da chegada dos filhos. O constituir família significa divisão de importância. Essa importância mútua entre o casal vem a enfraquecer com a divisão dela causada pelas responsabilidades familiares. O amor aos filhos e a adorada convivência com eles sempre diminui para o casal os seus momentos de afetividade conjugal. Essa consequência é impensada durante o fervor do namoro quando o casal vivia só para si. Mas, no casamento, com o passar do tempo a convivência e a rotina familiar tendem a amenizar a paixão antes tão envolvente, tão eloquente. O romantismo fica parecendo ter ficado no passado como sendo de uma fase da vida da juventude. Ele, o romantismo, cada vez mais vai sendo ausência na presença do casal e o casal num sem perceber se habitua à falta dele. Aquele idílio de outrora do tempo de noivado fica só na lembrança. Para as moças, então, aquelas que sonhavam com um príncipe encantado iriam perceber que esse sonho de um amor permanente com o mesmo ardor, paixão e afagos constantes do início não iria ser sequente. Isso tudo sempre é substituído pelas necessidades mais prementes da vida. Entretanto, o amor imodificável existe... Nos filmes românticos.

Altino Olimpio

terça-feira, 4 de setembro de 2012

O Buda

O Buda nasceu no Distrito de Nepal, Índia. Foi um príncipe indiano e seu nome era Sidarta Gautama. Tendo sido criado no luxo e recebido uma educação adequada a um príncipe e sendo humano, ele se casou e teve um filho. Sua natureza contemplativa e sua compaixão sem limites não lhes permitiram desfrutar dos fugazes prazeres materiais de uma casa real. Não conhecera pesares, mas, sentia profunda compaixão pela humanidade sofredora. Em meio a conforto e prosperidade deu-se conta da universalidade da dor. O palácio, com todos os seus divertimentos mundanos, não eram mais um lugar adequado para um príncipe que denota compaixão. Chegara o momento para ele partir. Apercebendo-se da vaidade dos gozos sensuais, aos vinte e nove anos de idade ele renunciou a todos os prazeres mundanos e, passando a usar a simples veste amarela de um asceta, aquele que se dedica a exercícios de oração, meditação, mortificação do corpo e etc. que visam à conquista das virtudes espirituais, sem dinheiro ele sozinho pôs-se a vaguear em busca da verdade e da paz.

Como naqueles dias se acreditava que a libertação não poderia ser alcançada a menos que o indivíduo levasse uma vida de rigoroso ascetismo, ele praticou todas as formas de austeridades. Em vigílias mais e mais longas e penitências cada vez mais fortes fez um esforço sobrehumano durante seis anos. Seu corpo foi reduzido quase ao esqueleto. E quanto mais ele o torturava mais a sua meta se afastava. As dolorosas e ineficazes austeridades que praticou tão arduamente demonstraram-se totalmente inúteis. Por experiência pessoal ficou convicto da total futilidade da automortificação que enfraquecera seu corpo e resultara em fadiga ou exaustão do espírito. Aproveitando essa inestimável experiência pessoal, ele finalmente decidiu seguir um rumo independente evitando os dois extremos de autogratificação e automortificação. O primeiro retarda o progresso espiritual e o segundo enfraquece o intelecto. O novo caminho que ele próprio descobrira era o caminho do meio. Numa venturosa manhã enquanto ele estava profundamente absorto em meditação, sem ser ajudado ou guiado por qualquer poder sobrenatural, dependendo exclusivamente de seus próprios esforços e sua sabedoria, ele extirpou todas as impurezas, purificou-se e, percebendo as coisas como elas realmente são, alcançou a iluminação aos trinta e cinco anos de idade. Desde então dedicou o restante de sua preciosa vida a servir a humanidade. Após um bem sucedido ministério de quarenta e cinco longos anos, o Buda, como qualquer outro ser humano, faleceu aos oitenta anos. Ele que nasceu no ano 563 e morreu no ano 483 antes de Cristo.

Buda não deixou margem a que pessoa alguma o considerasse um ser divino imortal. Deve-se acrescentar, porém, que nunca ouve instrutor tão sem divindade como o Buda e, no entanto, tão divino. Como homem o Buda alcançou a iluminação e proclamou ao mundo as inconcebíveis possibilidades latentes e o poder criador do homem. Em lugar de colocar um Deus todo poderoso e invisível acima do homem controlando arbitrariamente o destino da humanidade e mantendo o homem subserviente a um poder supremo, ele elevou a dignidade do ser humano. Foi ele quem ensinou que o homem pode alcançar a libertação e a purificação por seu esforço próprio sem depender de um Deus exterior ou a mediação de sacerdotes.

Buda que significa “desperto” é um título dado na filosofia budista àqueles que despertaram plenamente para a verdadeira natureza dos fenômenos e se puseram a divulgar tal descoberta aos demais seres. “A verdadeira natureza dos fenômenos”, aqui, quer dizer o entendimento de que todos os fenômenos são impermanentes, insatisfatórios e impessoais. Tornando-se consciente dessas características da realidade, seria possível viver de maneira plena, livre dos condicionamentos mentais que causam insatisfação, o descontentamento, o sofrimento.
Tentando aqui explicar que os fenômenos são impermanentes, insatisfatórios e impessoais temos que, nada é permanente, tudo é transformação. Não são satisfatórios porque desafiam a compreensão humana. São impessoais porque com seus efeitos os fenômenos existem por si mesmos e suas causas não são humanas. Suas causas e efeitos são ausentes de propósitos para afetar a humanidade, embora, ela possa sofrer danos se tais efeitos dos fenômenos sejam nocivos para ela.

Para Sidarta Gautama, o Buda, não havia intermediário entre a humanidade e o divino. Dentre as religiões mundiais (a maioria das quais proclama a existência de um Deus criador) o budismo é considerado incomum por ter uma base fundamental não teísta, sem Deus. Para o Buda a chave para a libertação é a pureza mental e a compreensão correta e, por esse motivo, ele rejeitou a noção de que se conquista a salvação implorando para uma deidade distante. Os povos costumam idolatrar seus líderes, digamos, espirituais e, fundam em prol deles, religiões, mesmo não sendo esse o desejo deles enquanto vivos. Inventam rituais de devoção, preces e orações, mas, os ensinamentos desses líderes ficam à margem como sendo de difícil execução para a maioria que, julga-se incapacitada para tais ensinamentos por se sentirem comuns e sendo assim preferem o conforto mental estacionário dos comuns. É raro existir alguém pertencente a qualquer religião, que, demonstre alguma semelhança com o líder ou santo a quem venera. No mais, os ensinamentos dos líderes considerados sagrados, mais servem para o deleite intelectual na conversa sobre eles no querer demonstrar afinidade e religiosidade. Porém, os ensinamentos dos líderes mentais ou espirituais do passado parecem ser inaplicáveis neste mundo onde as dificuldades de sobrevivência e as equiparações da convivência geram mais a preponderância do materialismo. “O dai o que tendes e siga-me” dito pelo mestre dos mestres estaria a desiludir muitos que pensam que são o que não são.

Altino Olimpio



Nós somos sequências e consequências

Antigamente pouco se ingeria remédios. Às vezes apenas uma aspirina, mas, agora o assunto entre os de mais idade é sobre os medicamentos que ingerem e eles não mais curam, apenas, controlam a doença até a morte. Todos eles estão dependentes da medicina interligada com as indústrias farmacêuticas que faturam bilhões aos olhos da OMS (Organização Mundial da Saúde). Remédios que curam parecem ser proibidos. Parece mesmo que o manter das doenças se tornou um grande negócio.

Atualmente sabemos de muitas pessoas que estão esquecidas. Querem conversar, mas os fatos ou nomes que querem falar lhes fogem do pensamento. Logo, não poucas pessoas ficam sofrendo de Alzheimer, ou, Mal de Parkson. Que está acontecendo? Estamos sendo envenenados pela alimentação? Podem ser pelos efeitos colaterais dos remédios? Seria pelo bombardeio diário das informações veiculadas pela mídia? Então, o homem já foi até a lua, agora estuda o planeta Marte, mas, não consegue ou não quer se libertar das doenças que lhe afeta e elas cada vez mais estão se diversificando.
Antes os hospitais eram para salvar vidas. Hoje, as intervenções cirúrgicas com sucesso podem ser revertidas pelas infecções hospitalares e por causa delas muitos morrem aonde vão para se salvar. Que paradoxo, não?

Quando num programa de televisão se anuncia os milagres de frutas ou de horticultura, muitos, obedientes a ela como são logo estão a consumir o que foi anunciado como bom para a saúde e até para curas. Belas nutricionistas, ainda jovens demais para saber dessas verdades, elas, destacam o benefício dos alimentos que anunciam. Sim, são sábias dos benefícios, mas, apenas, conforme, foram instruídas sobre eles e intelectualmente. Na prática do dia a dia será que elas comprovaram o que elas promovem como salutar? Por que nada elas falam dos insumos agrícolas que, sabe-se, prejudicam a saúde? Lembrando, muitos homens se dedicaram a consumir tomate para se prevenir contra o câncer de próstata, pois, especialistas do imediatismo alardearam tal produto como eficaz. Entretanto, outros vêm para desmentir tudo. E o povo vai pra cá vai pra lá sem saber aonde vai. Tragicômico não? Hoje temos muitas crias do sistema vigente para provocar confusões ou indecisões nas cabeças das pessoas.

Todos querem escapar da morte. Ela parece cruel para quem morre, mas, queiram ou não, isso é um benefício para a humanidade. Se todos prolongassem suas vidas isso seria um caos. Como é às vezes é divulgado pela mídia, milhões ou bilhões de pessoas neste planeta estão passando fome. O prolongamento da vida dos seres humanos produziria complicações incalculáveis como, falta de alimentos, água, falta de espaço e etc. Conscientes disso o não querer morrer não seria egoísmo? Cientificamente dizem os entendidos que nós nascemos com os chamados “gerontogenes” que tem a função de determinar a morte de nossas células e isso nos leva para a senescência que é o processo natural do envelhecimento e a seguir... Portanto, nascemos programados para morrer e se assim é, não adianta se lastimar.

A morte é uma consequência natural da vida e em vida, enquanto a morte não nos perturba, somos ínfimas partes do universo a ter consciência temporária no período de nossa existência. E nela, na consciência somos perceptivos de nossos sentimentos. São emoções que se manifestam como sendo o amor, a alegria e a tristeza sempre presentes em nossas vidas. Premiados nós somos por termos mente. Ela nos presenteia com o principal atributo humano: A razão! Estaria ela a ter domínio sobre nossos instintos e emoções, entretanto, ainda, mais obedecemos aos instintos e as emoções. A mente, mais a deixamos no conforto das repetições diárias e nessa restrição de sua expansão nós nos igualamos e não nos diferenciamos dos demais. Sim, somos igualados nas aflições oriundas das contingências da vida. Sofremos e choramos na impotência que somos para evitarmos que nossos entes queridos nos deixem. Eles nos deixam um vazio difícil de exteriorizá-lo com palavras. Ficam-nos interiormente como sendo cicatrizes com as quais temos que conviver. Quando foram presenças, distraídos como somos parece que nossas estimas e considerações por eles foram inferiores ao que eles mereciam. Esse pensar do depois não é incomum entre pessoas que perdem os seus amados e o depois nunca modifica o antes.

Nós somos como sendo trevas durante a claridade. Ignoramos o que nos possa ocorrer de bom ou ruim. Sempre estamos sujeitos ao inesperado. Também, agimos ou reagimos conforme a influência de estímulos interiores ou exteriores. Estes ditam nosso modo de ser e de proceder diante dos outros. Como tudo existente nos são perceptíveis porque são vibrações, às vezes as vindas de um ser humano podem, interiormente, nos provocar uma reação adversa, antipatizante, mesmo, sem termos um motivo aparente para tal reação antagônica. De ser humano para ser humano isso às vezes ocorre e nós nos percebemos sentindo antagonismo contra alguém. Nisso se denota a nossa impotência para inverter esse efeito maligno no momento. Nós somos cativos inconscientes de nossa própria constituição corpórea e psíquica cujas reações internas obedecem a impulsos que são ocultos para nós. Nós, mais somos as reações que as circunstâncias costumam provocar.

Os seres humanos são expectadores de si mesmos no desenrolar de suas vidas dirigidas pelas atuações internas, àquelas que estimulam seus modos de ser sem eles perceberem, conforme já relatado. Sim, o meio onde vivem também tem a força de moldá-los significando seus condicionamentos que podem ser bons ou péssimos. Suas responsabilidades também lhes moldam bem como, a sociedade. Além de tudo isso, os seres humanos são instituídos com seus atavismos. Eles são a hereditariedade de seus avôs e de seus pais. Podem ter traços de caráter já tidos como desaparecidos e reaparecidos, sendo então, seus atavismos. Os genes paternos ao serem transferidos aos filhos quase sempre lhes trazem as tendências das mesmas doenças dos pais e mesmo dos avôs se eles as tiveram.

No vigor das suas vidas os seres humanos são submetidos ao que lhes impõe seus hormônios, aqueles diretores dos instintos. Nessa fase de vigor os homens e as mulheres se acasalam numa volúpia pensada ser proveniente de suas próprias vontades. Engano! É a natureza com suas artimanhas provocando a continuidade da espécie humana através das substâncias químicas internamente possuídas por todos. Quem já viu uma gata no cio se contorcendo querendo atender às exigências dessas substâncias químicas, ou hormônios, sabe desse poder intrínseco nos animais como também animais somos nós. Por isso, sem perceber, mais o homem atende aos seus impulsos ou instintos e menos à sua vontade. A criatura humana é marionete ou fantoche de si mesma. Entretanto, o homem em si mesmo é um si misturado, um agregado e não original, individual ou particular de seu nascimento.

Diante dessa explanação sobre como o ser humano pode ser a servidão para comandos provenientes das tendências herdadas e condicionadas nele, pergunta-se: Sozinho ele é responsável pelos seus atos quando eles possam afetar outros? Se ele é um derivado e não uma constituição própria, quando comete um erro grave, coitado, tem que arcar sozinho com as conseqüências como se ele fosse uno em sua formação e não é. Isso é uma das desilusões da vida, talvez, até uma injustiça pra quem quer entender assim. E o viver parece estar sempre aconselhando “seja inconsciente, seja inconsciente, seja ignorante, pois, assim sendo tuas perturbações desaparecerão”. Já disseram mesmo que não existem seres adultos e sim crianças grandes. Verdade! Eles vivem por viver sem querer saber da vida e como ela é.

No início, este texto esteve a discorrer sobre alimentos, doenças, remédios, morte e depois para algumas reflexões sobre a vida. O aqui exposto pode ser passível de contestação, porque, pareceu ter sido pessimista com relação à nossa existência. A intenção principal foi tentar explicar como sendo alheias a nós, as tendências e influências a que estamos expostos. Portanto, nada do lado bom da vida esteve inscrito neste texto porque seria outro foco sobre ela e oposto.

Altino Olimpio