sábado, 26 de maio de 2012

Pobres e ricos

Por que será que existem pobres e ricos? O leitor não sabe? Mas deveria saber. Ambos, pobres e ricos mantêm a existência da humanidade. Os pobres efetuam os trabalhos que seriam humilhantes para os ricos. Imaginem quantas profissões existem e elas são apenas para os pobres. Por outro lado os ricos sustentam as profissões deles. Sem os ricos muitas profissões não existiriam. Se todos fossem ricos a humanidade poderia estagnar. Eles não iriam querer ser trabalhadores braçais, pedreiros, lixeiros, bombeiros, policiais, escriturários, colonos nas fazendas, carteiros, mecânicos, professor e etc. Os ricos não iriam querer ainda no escuro embarcar no primeiro trem ou primeiro ônibus para irem ao trabalho e voltarem cansados à noite. Para isso é preciso existir os pobres. Estes se contentam com o pouco que ganham e ainda se orgulham quando são elogiados por serem honestos e trabalhadores. Se todos fossem pobres a humanidade também estancaria. Claro, quem iria trabalhar se ninguém teria dinheiro para pagar? Qual o pobre que iria trabalhar para pobre? Pobre trabalha para rico, mas, rico não trabalha para pobre. Entretanto, ricos não poderiam ser ricos sem a existência dos pobres. Em sua maioria os pobres precisam dos ricos mesmo para continuar a ser pobres. Pergunta: Por que mais os pobres se multiplicam para seus filhos também serem pobres a trabalharem para os ricos? Já sei a resposta. É porque Jesus preferia conviver com pessoas simples e humildes e estes é que herdarão o céu. É mais fácil um camelo passar pelo buraquinho de uma agulha do que um rico ir para o céu. Vamos parar por aqui, porque, não é bom perturbar os adormecidos e os despertos por serem mais espertos querem os adormecidos, adormecidos. Continuemos irmãos, sendo pobres ricos com cerveja, drogas, futebol, bailes, carnaval, novela, religião, Copa do Mundo, Olimpíadas, política, corrupção, sexo, violência e tudo o mais desses nossos cotidianos repletos de distrações e emoções. Entretanto, mesmo sendo pobres podemos ser ricos de espírito, mas, não sei pra que serve isso.

Altino Olimpio

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Falam sem saber

Muitas pessoas repetem o que falam sem ter certeza se o que falam é demonstrável. Dizem que antes de reencarnarmos nós escolhemos uma família e conseguentemente o lugar para nascermos. Várias vezes ouvi isso. Ou então na família em que uma pessoa nasce isso é preparado pelo destino. Também o nascer num lugar e no seio de uma família isso é consequência do carma que o indivíduo por bem merece ou por mal padece. Se nascer numa família abastada é pelo seu bom carma. Se nascer numa família onde impera a miséria, isso é culpa de seu carma que é ruim devido a erros cometidos na encarnação passada, como, o de ter sido rico e ter desprezado os pobres. Para pagar por isso tem que nascer na pobreza. Tudo isso são falácias, apenas falácias. Ninguém sabe se essas hipóteses são viáveis. O ser humano mais é falastrão do que outra coisa. Sem conhecimento próprio ele se sustenta com o que ouve e com o pouco que lê. Sua falta de raciocínio o predispõe a acreditar no que está a ler ou a ouvir. Ele gosta de se preencher com fantasias sobre o que ainda é improvável e inexplicável. Manter na mente conceitos fictícios e crê-los como verídicos é o início da deturpação mental. E deturpados existem no mundo só para deturpar outros. A realidade sempre está a nos mostrar fatos quando pessoas afetadas pelas crueldades da vida, como, a pobreza extrema, elas não dispõem de discernimento ou vontade de pensar se o que de mal lhes ocorre é proveniente de seus carmas, de seus destinos e etc. Tais divagações mais são pertinentes às pessoas sem problemas com a alimentação do dia a dia e cujos problemas existenciais lhes sejam poucos. Dizem que “filosofar com o estômago cheio” é fácil. Agora vou discorrer sobre um fato do fim da década de setenta do século passado, que, ainda persiste na minha lembrança. Não se sabia de onde apareceu uma família paupérrima que se instalou por baixo do Elevado Costa e Silva (Minhocão) na Rua Amaral Gurgel da Vila Buarque de São Paulo e nas proximidades do Largo do Arouche. O casal com suas trouxas e vários filhos, estes crianças ainda, todos famintos, adentravam no bar ou na padaria das esquinas daquela rua para mendigarem um pedaço de pão dos fregueses daqueles estabelecimentos comerciais. Pareciam estar testando a tão falada solidariedade humana, que, naquele dia eu não vi. Aqueles pais com suas crianças, coitados, perdidos numa selva de pedra e entre o movimento incessante de veículos apressados e de pessoas indiferentes a passar por eles, eles se sentiram estando a sós e abandonados num mundo estranho. Desprezo bem que eles perceberam, talvez, até daqueles prosaicos do amor ao próximo. Estariam eles naquela situação por causa de seus carmas, por causa de seus destinos? Ou, poderia ter sido por causa da mãe natureza, que, negando-lhes a água do céu expulsou-lhes de suas terras? Melhor é deixar para os leitores opinarem se essas tristezas humanas são conseqüências de carmas ou do destino. Eu não posso opinar porque desconheço tudo sobre suposições.

Altino Olympio

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A mente é tudo

Digamos que para o nosso viver normal e comum nós temos dois estados de consciência, o objetivo e o subjetivo. Estado objetivo é quando estamos despertos e conscientes do que nos ocorre. Se estivermos pensando em algo e até distraídos do que ocorre a nossa volta, esse é um estado subjetivo. Diariamente os estados objetivos e subjetivos se substituem. Quando despertos vemos algo estamos no estado objetivo. Mas, o que vimos pode servir de estímulo a desalojar da memória uma lembrança do passado. Revivermos mentalmente tal lembrança por uns momentos, isso, é estarmos subjetivos. Nosso estado objetivo lida com realidades e nosso estado subjetivo pode lidar com irrealidades provenientes da imaginação. Podemos acreditar em algo que imaginamos existir, mas, sem correspondência com o mundo objetivo, o mundo das realidades. Se o algo em que acreditamos não pode ser visto, sentido, e ouvido, então, isso é uma abstração. Os seres humanos são dados a acreditar em abstrações e são influenciados por elas. Crer no invisível, no inaudível e crer no que a razão não consegue abarcar, isso, é uma fuga da realidade. Não existe para o ser humano o que ele não pode compreender e nem objetivamente vivenciar. Muitas coisas só existem nas cabeças dos seres humanos. Fora de suas cabeças elas são irreais para o mundo. Eles seriam mais livres e despreocupados se vivessem apenas com as suas possibilidades e não com as impossibilidades que querem alcançar. É melhor conviver com as capacidades para as quais fomos constituídos do que enveredar para as capacidades que iludidos pensamos possuir. Se o ser humano se preocupasse em sondar os desvarios com que sua mente é capaz de imaginar, de absorver e se envolver, ele estaria apto para manter sua sanidade mental distanciada da esquizofrenia. Saberia discernir, que, o que apenas só pode ter existência na mente, não deve se misturar com a realidade da existência. Esta é o que é e como é. Ela independe de “acessórios” psicológicos a enfeitá-la para ser além do que ela é. Resumindo, tudo é mente. O que pensamos e o que fazemos, o que vemos, o que ouvimos, o que sentimos, o que queremos, o acreditar ou não, o que nos agrada ou desagrada... Tudo é mente. Ela é como se fosse o mundo de cada um. É onde se manifesta a desigualdade humana. É onde o real ou o irreal encontram condições para se instalarem conforme seja o desenvolvimento mental de cada um, propício para o real ou para o irreal.
Altino Olimpio