domingo, 22 de janeiro de 2012

Envelhecer é ficar insuportável

--Você me pergunta como me sinto nessa fase da melhor idade? Por favor, não me inclua nessa denominação pra enganar trouxa. Digamos que, na idade avançada mais somos dados a refletir, isso, quando se consegue nesta época repleta de interferências. Por exemplo, nesta era da internet temos os canalhas humanos nos invadindo com suas propagandas alheias ao nosso interesse. São chamadas de “spams”. Desertados da ética, da moral, considero-os todos como loucos. Também temos os amigos virtuais no mais das vezes a nos abarrotar com insignificâncias, embora, elas sendo muito significativas para eles. Enlouqueceram também. Reconheço a utilidade da internet quando ela é utilizada para utilidades. Para muitos, coitados, inutilidades lhes são utilidades.
--E você não ficou louco também? Basta você deletar o que não te interessa.
--E não é que você está certo. Fiquei louco sim. Também pudera estou perdido naquele “não sei mais o que fazer”, pois, no computador recebo técnicas para aumentar o tamanho do pinto, regras para emagrecer em poucos dias e tantas outras verdades que me empenho para colocar em prática (risos), tudo a interferir com as reflexões dessa fase “gloriosa” da minha idade. Ah, tem mais! Às vezes pra fugir dos pensamentos torturantes sobre a crueldade que a vida prepara para todos na velhice quando se fica “gagá” e um estorvo para outros, eu vou assistir televisão (Pai afasta de mim esse cálice). Na televisão chamada de aberta, os programas interessantes são sós para as pessoas desinteressantes. Que sofrimento são as propagandas, uma pior do que outra, ridículas e parecem ser mais direcionadas aos fracos de discernimento. Na TV por assinatura temos canais dedicados às educações sexuais para crianças, adultos e velhos. Chupadeira é o que mais se vê até entre mulheres. Excluindo alguns filmes interessantes baseados em fatos reais, a maioria é de uma porcaria bem digna das produções da Americana do Norte. Tais filmes são de ficção tão idiota, tão sem escrúpulos, me forçando a ficar de joelhos e orar para os sem cérebros que assistem a esses filmes.
--Você também está louco. Então não sabes que cada qual vê e assiste o que quer?
--Espera ai, não terminei. Nos noticiários nos despejam as falcatruas de alguns dos lindos galãs de lá do centro de nossa política. Diariamente ver os seus rostos na TV, alguns provocam vômitos ao vê-los insinuados ao se apropriarem no que não é deles e sim do povo. Os espetáculos noticiosos sobre bandidagens, crimes, assaltos, nos faz pensar estarmos vivendo no inferno contrariando o dizer que este mundo é o mundo de Deus. Ainda tem gente que acredita nisso.
--Bem, vou embora. Você além de louco é muito pessimista, revoltado, polêmico.
--Caramba, você perguntou como é o meu sentir nesta minha fase da melhor idade, então, apenas estive expondo como me sinto perante a atual situação. Tenho culpa se você é fraco de visão e audição? Tentei te explicar a loucura do povo aprisionado nesse condicionamento das massas. Tornaram-no condenado só a assistir, a absorver, a copiar, a imitar e muitas vezes até a praticar o que de ruim assiste. Diante dessa breve explanação te pergunto: Hoje em dia você conhece alguém que ainda tem a felicidade de ser mental normal?
--Nossa! Que exagero... Você está generalizando, nem todos estão assim afetados.
--Generalizando... É... Quase (risos). Mas, se você, mesmo de entremeio com esse bombardeio de promulgações (ou deformações) conseguiu evitar ficar louco poderá concluir como muitas pessoas ficaram “saídas de si” para conviver com as imbecilidades difundidas por outros.
--Puxavida! Apenas perguntei como é estar na melhor idade e você extrapolou. Estou indo embora, até mais ver.
--Até mais. Vai com Deus. Diariamente pedem para Ele acompanhar muita gente. Se Ele acompanha mesmo, quem sente isso é mais feliz.

Altino Olimpio

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Tempos modernos

--Batarde minha senhora. Gostaria de ver uma pistola?
--O que? Homem sem vergonha. Vou chamar meu marido.
--Calma dona. É que sou aposentado e para ganhar uns trocos sou vendedor ambulante de um Sex-shop. Hoje isso não tem nada de mais, até na televisão no programa do gordo, mulheres comparecem para exibir estes produtos.
--Ah sim eu já vi. Mas não estou interessada.
--Talvez seu marido esteja. Que tal uma pistola pra ele?
--Não, não e não. Meu marido é heterossexual viu?
--Legal né? Mas, como à senhora já está um pouco idosa, será que ele não iria gostar de uma xixa ou xoxa portátil? Também tenho aqui pra vender.
--Olha meu senhor, eu e meu marido não precisamos de meios artificiais, viu?
--Sim eu sei, mas, ele ou a senhora pode ficar viúva e pode precisar. O que é que tem né? Ninguém precisa ficar sabendo. Também tenho boneca inflável que é uma maravilha. Ela tem a vantagem de ser útil e não é de ficar falando depois como fazem as mulheres: compra-me isso, me compra aquilo e etc.
--O senhor já está passando dos limites. O senhor é muito depravado.
--A senhora é que é antiquada. Minha freguesia está aumentando e olha, já estou cansado de levar tanta pistola pelo caminho. Veja como pesa esta mala cheia de pistolas e de outros produtos necessários para o combate da carência. Compra uma vai? Está em oferta hoje. Se seu marido for pescar e ficar ausente por uma semana, a senhora não vai sentir falta dele.
--CHEGA! VAI EMBORA. Retire-se já daqui.
--“Puxa-vida, que mulher ignorante. Também, quem me manda querer ser útil pra quem não merece? Bem, ela ficou com o meu cartãozinho. Se ela precisar é só me telefonar”.

Altino Olimpio

A evolução humana

Quando se atinge essa tal de “melhor idade” pode se refletir sobre como o povo brasileiro evoluiu mentalmente. Isso foi perceptível na saudação ao ano novo quando milhões de reais foram gastos para enfeitar o céu com estrondos coloridos. Foi uma confraternização emocionante, visto que, no Estado do Rio de Janeiro, o dinheiro aplicado no majestoso evento foi com o que “sobrou das verbas” destinadas àquela calamidade ocorrida na região serrana provocada pelas chuvas. Naquelas cidades atingidas tudo foi carinhosamente restaurado e nenhum vestígio restou para a lembrança daquele acontecimento trágico. Mas, a confraternização nacional barulhenta por estouros e cores pelo céu mais esteve a anunciar para o mês de janeiro o melhor programa de televisão de nome “Big Brother” que, sem dúvida, nele se constata a inteligência brasileira entre seus promovedores, “atores” e seus telespectadores. O programa é levado “ao ar” por um canal de televisão, sendo ele o mais interessado e preparado para o evoluir da consciência do povo. O apresentador do programa, então, deveria ser beatificado pela importância que dedica ao programa tão benéfico para a população. Por isso ele é adorado por pais, mães, filhos, avós e por todas as pessoas intelectuais do Brasil. Duvida-se existir outro capacitado como ele para exercer tão nobre missão: a de transpassar conhecimentos úteis. Os “artistas” escolhidos para atuarem no programa, em suas conversas e atitudes transferem para quem os assiste os melhores exemplos de conduta humana. Infelizmente, ainda existem milhões de brasileiros, que, por serem ignorantes, não assistem ao programa. Não sabem o que estão perdendo. Talvez se intimidem ao pensar que o programa seja apenas para os mais inteligentes. Mas, como é irritante entabular conversa com quem não assiste o Big Brother. Quem não assiste nem devia ser considerado brasileiro. Não participa do progresso mental humano. “É uma carta fora do baralho”. Entretanto, devido ao bem que são para o povo, que sejam abençoados o programa, o apresentador e o canal de televisão que os promove. Pois, nós que somos pais já na melhor idade devemos ser-lhes gratos pelo respeito e consideração com que nos tratam e aos nossos dependentes.

Altino Olimpio