quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Fim do mundo dos ignorantes



 Os seres humanos, essas criaturas preferidas de Deus, eles têm mentes prodigiosas. Principalmente aqueles destacados com muita inteligência e sabedoria para decifrar profecias ou códigos dos nossos antepassados sobre acontecimentos trágicos a se sucederem no nosso planeta com data marcada. Esses divulgam suas idiotices e uma parte do povo as acata. Esteve muito em voga entre os navegadores da internet e até em órgãos da imprensa, escrita ou televisada, a tal de profecia oriunda do extinto povo Maia. Por ela considerava-se que o temido fim do mundo seria no dia vinte e um de dezembro de dois mil e doze. Daqui a três dias, então. Alguns dos propagadores desse apocalipse de loucos escreveram textos imensos com detalhes “comprobatórios” para justificar, influenciar e convencer os mendigos de discernimento, que, são muitos. Sabe-se, felizmente de modo não generalizado, entre os seres humanos, sempre existiram e sempre existirão os crédulos em mentiras ou em lendas. A mídia, como sempre, protetora que é dos mais fracos intelectualmente, ela televisou pessoas temerosas com o fim próximo acumulando água e alimentos. Ela divulga e não julga a veracidade dos fatos. Ela não os desmente. Isso sim é que é exercer proteção para os mais ingênuos. Quanto aos palhaços da decifração de profecias, depois do dia vinte e um de dezembro de dois mil e doze, teremos na mídia impressa ou televisada, ou, na internet, a retratação deles sobre seus idiotas enganos? Não! Não veremos dos próprios nenhum texto imenso desmentindo suas teorias provenientes de suas cabeças estercadas com conhecimento desconhecido. Sobre aqueles que “embarcaram” nessa hipótese de fim do mundo, mesmo que, parcial como disseram, eles deveriam se envergonhar por serem tão pueris e perderem seus tempos pensando e com outros conversando sobre esse assunto tão irrelevante. Que continuem acreditando em fantasmas, demônios, paraíso, em formadores de opinião e tudo o mais que se vê e se lê pelo cotidiano, porque, tudo isso impede que qualquer mundo chegue ao fim, ou, talvez, tudo isso já seja um fim.

 18-12-2012                                                                                                      
Altino Olimpio  


Futebol é a verdadeira vida



Só se deve concordar que os brasileiros são o povo mais feliz do planeta. Convém destacar que a felicidade é expansiva, distribuída para todos. Quando um time de futebol ganha um jogo a maior emoção fica por conta dos estouros de bombas, um modo de espalhar felicidade. Pum, pum, pum, taratatá PUMMMMMMMMMMMMM. Isso agrada muito quem está em casa, velhos aposentados, pessoas doentes, nenês adormecidos que acordam sorrindo de alegria. Enquanto perduram os estrondos ninguém é infeliz. Eles repercutem pela madrugada e parecem ser oração dos santos que protegem a humanidade. Muitos acordam de suas negatividades de não serem solidários com tamanha festa, mas, pelo menos, acordam felizes e encantados e vão embarcar nas conduções para o trabalho com bom humor causado pelas bombas. Quando lá pela uma ou duas horas da madrugada os estrondos diminuem, uma tristeza se faz presente por antecipar o maldito silêncio que irá se instalar depois das melodias estrondosas. Para substituí-las, felizmente, se ouve carreata de veículos, claro que, portando bandeiras, buzinando pela madrugada, e, seus condutores cantando o hino do clube ao qual pertence o time vencedor da noite. Em suas casas algumas pessoas religiosas se ajoelham e rezam ou oram em agradecimento aos participantes da alegria contagiante. O brasileiro não consegue ser feliz sozinho e isso nos emociona.  Que seria de nós brasileiros se não tivéssemos essa dádiva, o futebol que é pertinente a todos? Seríamos tristes, solitários e mal humorados. Até parece!

                                                                                                       Altino Olimpio


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Acorda Brasil


Como se sabe, muitos países preservam locais de seus passados e muitos são atrativos turísticos. Aqui no Brasil conheci a histórica Cidade de Paraty onde é preservação dela é mantida. Apenas nos interiores das antigas construções é permitido modificações com as modernidades desta época. Por fora das construções não era ou não é permitido alterações das fachadas e nem do asfalto de pedras das ruas, isso, para se manter a mesma característica de quando a cidade foi construída. Agora caminhando pela rodovia da imaginação chega-se em Caieiras e no território da Indústria Melhoramentos de Papel de Caieiras do Estado de São Paulo. Não é novidade o fato de muitos antigos moradores se referirem aos bairros e vilas daquela “Caieiras” pertencente à indústria aqui citada, pois, muitos são saudosos e dizem que lá era um paraíso. Entretanto, ninguém, inclusive, e nem mesmo as autoridades públicas do local que se emancipou tornando-se Município de Caieiras se importaram com a demolição de todas aquelas residências e eram mais de mil naquele lugar pitoresco. Antes das “infelizes” demolições e destruindo um passado repleto de recordações, os dirigentes da indústria, a preços favoráveis para seus funcionários vendeu-lhes imóveis na agora, então, Rua Guadalajara e também em associação com o BNH (Banco Nacional de Habitação) favoreceu a compra de casas na Cresciuma (hoje Centro de Caieiras) no Jardim Santo Antonio onde era o campo de futebol do Clube da Cresciuma. Pergunta-se: Teria sido possível desapropriar da indústria as áreas onde estavam aquelas residências de seus funcionários? Não sei. Prosseguindo pela imaginação e tendo intacta na mente toda aquela região hoje devastada, bem que, ela poderia ter sido preservada como patrimônio histórico da região. As casas poderiam ter sido adquiridas, de preferência pelos antigos moradores e muitos deles, penso, teriam preferido ficar por lá, onde já havia infraestrutura como esgoto, água encanada e eletricidade, utilidades tais, gratuitas naquela época. Os alemães proprietários da indústria e daquela região povoada pelos seus funcionários, eles, para seus interesses, não titubearam em desertar de moradores aquele local privilegiado como era, assim, conforme ainda é dito pelos seus remanescentes. Contudo, sabe-se, que, como regra quase generalizada, os brasileiros não se importam com os históricos de seus passados e muito menos com a preservação de lugares intactos, pelo menos, para a posteridade local colher informações sobre a existência de suas gerações passadas. Acorda Brasil desse seu sono profundo para tentar impedir o destruir de suas origens.

                                                                                                Altino Olimpio 

domingo, 25 de novembro de 2012

O Espia Fogo


O Espia Fogo

Às vezes a memória se impõe na mente forçando sua presença como a dizer que ela com seus arquivos também são parte da nossa vida. Deixando-a se expressar através do olhar interior me vi no passado e num passeio solitário de encantamento. O dia era de sol e depois de percorrer o caminho existente entre os fundos dos terrenos das casas da Vila Nova e os da Vila Pereira sob os fios de alta tensão que vinham lá do Bairro de Perús, logo estava eu numa roça donde à minha esquerda havia a mata e à direita ao longe se avistava a escola ladeada pelas casas do Bairro Chique. Seguindo pelo caminho entre matas nativas e só tendo a visão delas, a seguir avistava-se à esquerda a famosa pedreira, aonde às vezes alguns iam até ela para fazer pic-nic no alto dela. Ela era um paredão de pedra, claro, e bem alto. Numa ocasião, eu e meus vizinhos, o Zé Polato e o Adilson Pastro, quando estivemos lá em cima explorando o local fui atacado por marimbondos e naquele dia chorei de dor. Ao lado do paredão da pedreira via-se uma casa onde morava o Francisco com seus pais e irmãos e ele tinha o apelido de Sultão. Prosseguindo, o caminho em suave aclive ia se cruzar com uma estrada onde depois se tornava declive e logo se avistava umas poucas casas onde, talvez, por causa de um córrego, aquele local se chamava Tanquinho. Depois dele chegava-se ao Bairro do Monjolinho. Mas, voltando àquele cruzamento com a estrada de antes do Tanquinho, ela era muito bonita “forrada” com pequenas pedras espalhadas pelo chão e ladeada por coqueiros. Por detrás deles o verde da mata emoldurava o local e coquinhos amarelos esparramados pelo chão completavam a beleza daquela estrada. Seguindo por ela acercava-se do Bangalô dos Engenheiros, nome este de uma casa isolada na mata, reservada que era para a recreação dos alemães detentores de cargos importantes na Indústria Melhoramentos de Papel de Caieiras. Logo ao passar por ela chegava-se a outro cruzamento daquele local conhecido como Morro do Tico-Tico. À direita era outro acesso ao Bairro do Monjolinho e à esquerda o trajeto também por entre matas era acesso para a Vila Leão, demorando-se, penso agora, mais de meia hora pra lá chegar indo-se a pé. Sem dobrar à esquerda ou à direita no cruzamento e seguindo em frente deparava-se com uma subida íngreme. Tinha o nome de caminho do espia fogo. Talvez, melhor trafegável para os jipes da indústria local que possuíam tração nas quatro rodas. O caminho ou subida por entre aquela mata virgem era admirável porque se via muitos pássaros nas árvores e o mais bonito eram os rápidos serelepes (pequenos esquilos) que saltitavam de galho em galho. Lá também era o habitat de muitas cobras venenosas. Depois da longa subida estafante se chegava a um lugar paradisíaco onde havia uma cabana de madeira bem construída sobre uma grande pedra. Daquele alto sob o céu azul se descortinava ao redor da cabana uma paisagem magnífica. Grande parte das matas da indústria e até se vislumbrava parte das moradias do Bairro de Perus, este, pertencente ao município de são Paulo.  Dentro da cabana havia um telefone daqueles ainda de manivela para comunicar algum possível incêndio na floresta, daí, o nome de “Espia Fogo” daquele lugar, mas, nunca vi lá alguém responsável por essa incumbência. O lugar era deserto. Estando lá apreciando a natureza verde se era acometido de pensamentos sobre a vida e sobre como se era ínfimo diante da grandeza do mundo. O lugar era mesmo convidativo para reflexão ou meditação. Assim era e esse mental reviver dos locais aqui descritos foi provocado pela memória e ela nos presenteia, no mais das vezes, com lembranças agradáveis de outrora. Sorte daquele que tem em sua memória fatos dos quais sejam gratificantes recordar.

                                                                                                      Altino Olimpio
Comentários:
NOSSA! EU TINHA ME ESQUECIDO DO ESPIA FOGO. REALMENTE LA DE CIMA ERA MUITO BONITO E DA PEDREIRA TAMBÉM, AONDE EU IA COM UM BANDO DE CRIANCAS SOLTAR PIPA E LEVÁVAMOS SANDUICHE DE PATÊ DE TOUCINHO BATIDO COM ALHO SAL E PIMENTA DO REINO E ERA QUASE A METADE DE UM FILAO DE PÃO.
DAVA PARA FICAR ALIMENTADO O DIA TODO E NAQUELE TEMPO  COMÍAMOS TOUCINHO E NAO SABÍAMOS QUE EXISTIA O TAL DE COLESTEROL KKKKKKKKKK.
QUANDO ÍAMOS AO CINEMA COMIAMOS CORINHO DE PORCO COM CRUSH, AI QUE DELICIA.
HOJE ATÉ SALADA FAZ MAL KKKKKKKKK, PORQUE, JÁ VEM ENVENENADA COM PESTICIDA E NÓS COMIAMOS GOIABA COM BIGATO E ACHAVA  GRACA DE QUEM TINHA NOJO, AH QUE DELICIA DE  INFÂNCIA.
PENSAR QUE AGORA É VIVER DA LEMBRANCA DO QUE FOI MUITO BOM E PROCURAR SER FELIZ A CADA DIA APROVEITANDO O QUE A MODERNIDADE NOS DÁ PARA PODERMOS RELEMBRAR JUNTO COM OS AMIGOS.

ABRACOS MELHORAMENTINOS,
VERA LUCIA DE FREITAS

Uma vez só e num domingo à tarde subi até ao Espia Fogo.
Fui eu, o Caio Polkorny, o Roberto Bayerlein, o Celso Ferrnandes e o Ari Penteado (Cavalo Louco) que foi o guia.
Realmente o local era especial.
Conforme relatado este conhecimento acaba aqui conosco, pois, nossos  filhos , netos e sobrinhos nunca conhecerão isso .
É verdade que o nazi Joseph Mengele chegou a morar no Bangalô antes de se refugiar e morrer em Bertioga????????
Safena (Fred Assoni)

“Sorte daquele que tem em sua memória fatos dos quais sejam gratificantes recordar”.
Deste lugar descrito na crônica só me lembro da Pedreira. Lá fui a um pic-nic juntamente com o pessoal do catecismo.
Neusa Olimpio Vivencio

 Bom esse texto que adorei do começo ao fim... Lendo, os caminhos descritos me deram uma vontade louca de andar por aqueles lugares... Adoro esses lugares, bastante naturais, com até bichinhos da mata... (esquilos). Gostei muito daquela estrada, antes do Tanquinho... Dos nomes Bairro do Monjolinho, do Bangalô dos Engenheiros, Morro do Tico-Tico...
Muito gostoso de ler, tal foi à simplicidade que a gente até chega a ver os locais... Conclusão: Gostei do que li.
Maria Elisa de Campinas

Abaixo daquela maravilhosa pedreira que faz parte da crônica, meu cunhado Marcondes e o Fiorelo Rosolem criaram um apiário com cento e cincoenta caixas de abelhas. Na primeira e única coleta de mel eles conseguiram quase 500 litros e de alta qualidade.
Nenê Corradini


Essas crônicas sobre as Vilas da Fábrica me fascinam. São elas que me trazem lembranças que, muitas vezes estão adormecidas. Lembrei-me da Pedreira, do Tico Tico, do Monjolinho. Muitas vezes fui a estes locais. Não me lembro de detalhes, mas, mesmo assim alguma coisa sempre me retorna   quando leio belos textos como este.
Obrigada por me levar por alguns minutos a um passado tão repleto de belas paisagens e cenas.
Fátima Chiati

Bela lembrança! Sabiam de quem cuidava do espia fogo?? Meu pai José Cardoso da vigilância da Melhoramentos... Com seus guardas que iam a cavalo, e depois de um tempo de moto...
 Claudio Cardoso

Gostei desse passeio. Senti até o cheiro da mata. Não sei se conheço esse lugar descrito. Quando eu fui (com minha filha e neta) a Melhoramentos convidada pelo Senhor Acácio de Jesus, advogado da Melhoramentos lembro que o motorista que nos levou disse que só era possível chegar lá com carros (jipes) que possuíam tração nas quatro rodas e lembro também de uma casa (ou cabana) que ele disse que servia para fiscalizar qualquer incêndio na floresta. (De lá, via-se Perús e São Paulo, a rodovia Bandeirantes). Achei o lugar maravilhoso (tirei fotos e filmei tb). Lembro que pensei: por que será que eu nunca tinha ido lá? Hoje, acho que aquele lugar deveria servir de ponto turístico em Caieiras.
Será que o lugar que conheci é o mesmo desse passeio descrito nessa crônica "O Espia Fogo"?
Mirna Machado

Crônica legal.
Também me traz boas recordações.
Lembro-me que eu, o Ico, o Possante e o Vaguinho sempre íamos à Pedreira.
Lá havia muitos pés de pitanga. A gente se fartava mesmo.
Segue uma foto. É do caminho do bangalô.
Foto do Chiquinho Vanguelo.
Nilson Rodrigues da Curva (risos)




quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Saber ou não saber viver


Dizem que ainda ninguém sabe ao certo como é o melhor viver. Tudo se resume no nascer, viver e depois morrer. Infelizmente, preenchemos a cabeça com idéias ou conceitos a confundir a nossa existência. As crianças quando ainda desconhecedoras das abstrações, superstições e maldades de muitos adultos, elas, são isentas de conflitos internos. Entretanto, os adultos com suas crenças hipotéticas teimam em transpassá-las às crianças e também influi nelas o desejo da posse material e as vantagens como padrão para o melhor viver. Consequentemente, os homens e as mulheres, da juventude à maturidade tornam-se escravos do querer ter, do querer ser, e assim são vítimas desses desejos. Distraídas de si mesmas, envolvidas e aprisionadas nesse padrão generalizado, as pessoas parecem se esquecer de si próprias. Parecem não sentir a vida nelas e a vida a passar. Elas parecem não sentir suas vidas independentes das necessidades, dos desejos e das superficialidades que as rodeiam. Uma pessoa que já esteja no início da velhice e já tenha se despojado do “querer ser”, do “querer ter”, das conveniências vantajosas e de todas as superstições e abstrações que atravancam a evolução mental da maioria, uma pessoa assim mais fica circunscrita a si mesma. Dizem, após, mais ou menos, os sessenta anos de idade, mais se manifesta numa pessoa o seu lado espiritual. Essa palavra “espiritual” se substituída pela palavra “reflexão” seria mais coerente para significar uma fase da vida quando o ser humano se encontra liberto das influências e sugestões da sociedade, contaminadoras das mentes dos ingênuos e menos esclarecidos. No entanto, se uma pessoa nessa fase ainda detém em si os “Papais Noeis” de seu condicionamento, suas reflexões serão apenas continuidade de influências e sugestões a que ela esteve exposta e acatou. Continua prisioneira de crenças ainda não confirmadas concretamente e isso conturba a consciência. A velhice para quem não a tenha com problemas graves de saúde, tenha mantido intacto o seu raciocínio e livre das inconveniências dos mitos, ela, a velhice, pode ser uma boa fase da vida quando mais a solidão é preferida. Sendo assim e liberto de anseios que não condizem com a última fase de sua existência, o homem mais está propenso a sentir a vida como ela é sem os acessórios psicológicos ilusórios, supersticiosos e mitológicos que lhe conferem e não condizem com a realidade da existência. Das fases da vida, na última se teria mais probabilidades de se viver em paz, conquanto, a razão e uma postura indiferente para com os desmandos da humanidade tenham predomínio sobre as inquietações destes dias tumultuosos. Quanto ao saber ou não saber viver do início deste texto, talvez, basta apenas viver. Desde o nascer temos adicionado na vida um “sem fim” de conceitos e neles está a nossa resposta ao como, inconscientemente somos influenciados a pensar sobre como seria o bem saber viver. Entretanto, como a conceituação não é igual entre os seres humanos, suas conclusões para o certo saber viver são divergentes. Factual, indubitável para nós, apenas é o nascer, o viver e o morrer. Nós não precisamos aprender a nascer e nem aprender a morrer. Então, só nos resta aprender ou nos adaptar ao viver e nisso está o bem ou o mal estar de cada um em sua vida.

                                                                                                       Altino Olimpio


domingo, 30 de setembro de 2012

Foram sonhos da juventude


Foram sonhos da juventude

Praças das cidades do interior. Parecia estar numa delas o alguém da nossa felicidade. A juventude estava a dizer sermos incompletos sem um amor único e profundo. Isso nos impulsionava numa busca por alguém sem saber quem. Talvez viéssemos, a saber, em alguns dos passeios pelas cidades do interior numa praça iluminada com fonte colorida e sonora no centro dela e com uma banda no coreto provocando emoções auditivas. Aos sábados o flerte era com as moças da cidade circulando pela praça e os rapazes no sentido contrário. Sendo assim, moças e rapazes ao se confrontarem trocavam seus olhares de simpatia. Outra volta na praça e o reencontro se dava no mesmo lugar. A esperança era que aquela dos sonhos aparecesse em uma das voltas da praça. Esperava-se ver alguém que fizesse o coração disparar por ela. Isso até que aconteceu, mas, o titubear em puxar conversa com ela que estava acompanhada por outras impediu a aproximação. Ao som da banda do coreto e o esperar por uma oportunidade melhor para falar com ela fez o desperceber do tempo a passar. Vinte e duas horas... E a praça foi ficando vazia de pessoas.  Onde está ela? Desapareceu? Por que não deu mais uma volta na praça? Talvez não tenha me apreciado como eu a apreciei. Aquele sentimento do “não ter dado certo” exteriorizou-se num lamento e no tormento do “nunca mais vou vê-la”. Ausente de pessoas a praça se transformou em melancolia. Situação propícia para a vinda da lembrança de onde se era. E do mesmo lugar, alguém que lá estava era aquela, ainda, sempre presente no pensamento. Eu sabia da inviabilidade de um romance entre nós, mas, naquela praça do interior vazia, naquele meu vazio senti saudade dela vendo na mente, seu rosto e seu sorriso. Esses devaneios, no mais das vezes eram interrompidos pela conversa com o amigo que esteve comigo naquela ocasião. Daqueles passeios por cidades do interior onde a atração principal era aos sábados na praça central, onde, moças e rapazes se entreolhavam na esperança de encontrar o amor de suas vidas ficaram as saudades. Foram tantos rostos vistos e muitos olhares trocados, mas, o “quem é quem” poucas vezes se fez saber para quem era do local e para quem era de outra cidade, pois, o nunca mais voltar lá, acontecia. Hoje as praças ficam vazias e os jovens nem imaginam o quanto elas foram românticas naqueles dias. A fonte luminosa, a banda no coreto, moças e rapazes clamando para o destino apresentar numa daquelas voltas pela praça quem seria o amor de suas vidas e isso, muitas vezes o destino fez acontecer.

                                                                                                          Altino Olimpio

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O amor intenso enfraquece

Antigamente os namoros pareciam ser mais românticos. O amor entre os jovens enamorados parecia mesmo ser tão profundo e para sempre. Talvez, porque, as intimidades entre eles tinham limites. Sexo antes do casamento era raro. Por isso, naquele desejo reprimido depois da sequência de carícias, o casal de namorados ficava cada vez mais apaixonado e aquele tanto um querer o outro culminava no casamento que era duradouro. Pensava-se que aquela profundidade de sentimentos teria a mesma eloquência para sempre. Inabalável no início, o amor naquela volúpia constante entre o casal teria que retroceder diante da chegada dos filhos. O constituir família significa divisão de importância. Essa importância mútua entre o casal vem a enfraquecer com a divisão dela causada pelas responsabilidades familiares. O amor aos filhos e a adorada convivência com eles sempre diminui para o casal os seus momentos de afetividade conjugal. Essa consequência é impensada durante o fervor do namoro quando o casal vivia só para si. Mas, no casamento, com o passar do tempo a convivência e a rotina familiar tendem a amenizar a paixão antes tão envolvente, tão eloquente. O romantismo fica parecendo ter ficado no passado como sendo de uma fase da vida da juventude. Ele, o romantismo, cada vez mais vai sendo ausência na presença do casal e o casal num sem perceber se habitua à falta dele. Aquele idílio de outrora do tempo de noivado fica só na lembrança. Para as moças, então, aquelas que sonhavam com um príncipe encantado iriam perceber que esse sonho de um amor permanente com o mesmo ardor, paixão e afagos constantes do início não iria ser sequente. Isso tudo sempre é substituído pelas necessidades mais prementes da vida. Entretanto, o amor imodificável existe... Nos filmes românticos.

Altino Olimpio

terça-feira, 4 de setembro de 2012

O Buda

O Buda nasceu no Distrito de Nepal, Índia. Foi um príncipe indiano e seu nome era Sidarta Gautama. Tendo sido criado no luxo e recebido uma educação adequada a um príncipe e sendo humano, ele se casou e teve um filho. Sua natureza contemplativa e sua compaixão sem limites não lhes permitiram desfrutar dos fugazes prazeres materiais de uma casa real. Não conhecera pesares, mas, sentia profunda compaixão pela humanidade sofredora. Em meio a conforto e prosperidade deu-se conta da universalidade da dor. O palácio, com todos os seus divertimentos mundanos, não eram mais um lugar adequado para um príncipe que denota compaixão. Chegara o momento para ele partir. Apercebendo-se da vaidade dos gozos sensuais, aos vinte e nove anos de idade ele renunciou a todos os prazeres mundanos e, passando a usar a simples veste amarela de um asceta, aquele que se dedica a exercícios de oração, meditação, mortificação do corpo e etc. que visam à conquista das virtudes espirituais, sem dinheiro ele sozinho pôs-se a vaguear em busca da verdade e da paz.

Como naqueles dias se acreditava que a libertação não poderia ser alcançada a menos que o indivíduo levasse uma vida de rigoroso ascetismo, ele praticou todas as formas de austeridades. Em vigílias mais e mais longas e penitências cada vez mais fortes fez um esforço sobrehumano durante seis anos. Seu corpo foi reduzido quase ao esqueleto. E quanto mais ele o torturava mais a sua meta se afastava. As dolorosas e ineficazes austeridades que praticou tão arduamente demonstraram-se totalmente inúteis. Por experiência pessoal ficou convicto da total futilidade da automortificação que enfraquecera seu corpo e resultara em fadiga ou exaustão do espírito. Aproveitando essa inestimável experiência pessoal, ele finalmente decidiu seguir um rumo independente evitando os dois extremos de autogratificação e automortificação. O primeiro retarda o progresso espiritual e o segundo enfraquece o intelecto. O novo caminho que ele próprio descobrira era o caminho do meio. Numa venturosa manhã enquanto ele estava profundamente absorto em meditação, sem ser ajudado ou guiado por qualquer poder sobrenatural, dependendo exclusivamente de seus próprios esforços e sua sabedoria, ele extirpou todas as impurezas, purificou-se e, percebendo as coisas como elas realmente são, alcançou a iluminação aos trinta e cinco anos de idade. Desde então dedicou o restante de sua preciosa vida a servir a humanidade. Após um bem sucedido ministério de quarenta e cinco longos anos, o Buda, como qualquer outro ser humano, faleceu aos oitenta anos. Ele que nasceu no ano 563 e morreu no ano 483 antes de Cristo.

Buda não deixou margem a que pessoa alguma o considerasse um ser divino imortal. Deve-se acrescentar, porém, que nunca ouve instrutor tão sem divindade como o Buda e, no entanto, tão divino. Como homem o Buda alcançou a iluminação e proclamou ao mundo as inconcebíveis possibilidades latentes e o poder criador do homem. Em lugar de colocar um Deus todo poderoso e invisível acima do homem controlando arbitrariamente o destino da humanidade e mantendo o homem subserviente a um poder supremo, ele elevou a dignidade do ser humano. Foi ele quem ensinou que o homem pode alcançar a libertação e a purificação por seu esforço próprio sem depender de um Deus exterior ou a mediação de sacerdotes.

Buda que significa “desperto” é um título dado na filosofia budista àqueles que despertaram plenamente para a verdadeira natureza dos fenômenos e se puseram a divulgar tal descoberta aos demais seres. “A verdadeira natureza dos fenômenos”, aqui, quer dizer o entendimento de que todos os fenômenos são impermanentes, insatisfatórios e impessoais. Tornando-se consciente dessas características da realidade, seria possível viver de maneira plena, livre dos condicionamentos mentais que causam insatisfação, o descontentamento, o sofrimento.
Tentando aqui explicar que os fenômenos são impermanentes, insatisfatórios e impessoais temos que, nada é permanente, tudo é transformação. Não são satisfatórios porque desafiam a compreensão humana. São impessoais porque com seus efeitos os fenômenos existem por si mesmos e suas causas não são humanas. Suas causas e efeitos são ausentes de propósitos para afetar a humanidade, embora, ela possa sofrer danos se tais efeitos dos fenômenos sejam nocivos para ela.

Para Sidarta Gautama, o Buda, não havia intermediário entre a humanidade e o divino. Dentre as religiões mundiais (a maioria das quais proclama a existência de um Deus criador) o budismo é considerado incomum por ter uma base fundamental não teísta, sem Deus. Para o Buda a chave para a libertação é a pureza mental e a compreensão correta e, por esse motivo, ele rejeitou a noção de que se conquista a salvação implorando para uma deidade distante. Os povos costumam idolatrar seus líderes, digamos, espirituais e, fundam em prol deles, religiões, mesmo não sendo esse o desejo deles enquanto vivos. Inventam rituais de devoção, preces e orações, mas, os ensinamentos desses líderes ficam à margem como sendo de difícil execução para a maioria que, julga-se incapacitada para tais ensinamentos por se sentirem comuns e sendo assim preferem o conforto mental estacionário dos comuns. É raro existir alguém pertencente a qualquer religião, que, demonstre alguma semelhança com o líder ou santo a quem venera. No mais, os ensinamentos dos líderes considerados sagrados, mais servem para o deleite intelectual na conversa sobre eles no querer demonstrar afinidade e religiosidade. Porém, os ensinamentos dos líderes mentais ou espirituais do passado parecem ser inaplicáveis neste mundo onde as dificuldades de sobrevivência e as equiparações da convivência geram mais a preponderância do materialismo. “O dai o que tendes e siga-me” dito pelo mestre dos mestres estaria a desiludir muitos que pensam que são o que não são.

Altino Olimpio



Nós somos sequências e consequências

Antigamente pouco se ingeria remédios. Às vezes apenas uma aspirina, mas, agora o assunto entre os de mais idade é sobre os medicamentos que ingerem e eles não mais curam, apenas, controlam a doença até a morte. Todos eles estão dependentes da medicina interligada com as indústrias farmacêuticas que faturam bilhões aos olhos da OMS (Organização Mundial da Saúde). Remédios que curam parecem ser proibidos. Parece mesmo que o manter das doenças se tornou um grande negócio.

Atualmente sabemos de muitas pessoas que estão esquecidas. Querem conversar, mas os fatos ou nomes que querem falar lhes fogem do pensamento. Logo, não poucas pessoas ficam sofrendo de Alzheimer, ou, Mal de Parkson. Que está acontecendo? Estamos sendo envenenados pela alimentação? Podem ser pelos efeitos colaterais dos remédios? Seria pelo bombardeio diário das informações veiculadas pela mídia? Então, o homem já foi até a lua, agora estuda o planeta Marte, mas, não consegue ou não quer se libertar das doenças que lhe afeta e elas cada vez mais estão se diversificando.
Antes os hospitais eram para salvar vidas. Hoje, as intervenções cirúrgicas com sucesso podem ser revertidas pelas infecções hospitalares e por causa delas muitos morrem aonde vão para se salvar. Que paradoxo, não?

Quando num programa de televisão se anuncia os milagres de frutas ou de horticultura, muitos, obedientes a ela como são logo estão a consumir o que foi anunciado como bom para a saúde e até para curas. Belas nutricionistas, ainda jovens demais para saber dessas verdades, elas, destacam o benefício dos alimentos que anunciam. Sim, são sábias dos benefícios, mas, apenas, conforme, foram instruídas sobre eles e intelectualmente. Na prática do dia a dia será que elas comprovaram o que elas promovem como salutar? Por que nada elas falam dos insumos agrícolas que, sabe-se, prejudicam a saúde? Lembrando, muitos homens se dedicaram a consumir tomate para se prevenir contra o câncer de próstata, pois, especialistas do imediatismo alardearam tal produto como eficaz. Entretanto, outros vêm para desmentir tudo. E o povo vai pra cá vai pra lá sem saber aonde vai. Tragicômico não? Hoje temos muitas crias do sistema vigente para provocar confusões ou indecisões nas cabeças das pessoas.

Todos querem escapar da morte. Ela parece cruel para quem morre, mas, queiram ou não, isso é um benefício para a humanidade. Se todos prolongassem suas vidas isso seria um caos. Como é às vezes é divulgado pela mídia, milhões ou bilhões de pessoas neste planeta estão passando fome. O prolongamento da vida dos seres humanos produziria complicações incalculáveis como, falta de alimentos, água, falta de espaço e etc. Conscientes disso o não querer morrer não seria egoísmo? Cientificamente dizem os entendidos que nós nascemos com os chamados “gerontogenes” que tem a função de determinar a morte de nossas células e isso nos leva para a senescência que é o processo natural do envelhecimento e a seguir... Portanto, nascemos programados para morrer e se assim é, não adianta se lastimar.

A morte é uma consequência natural da vida e em vida, enquanto a morte não nos perturba, somos ínfimas partes do universo a ter consciência temporária no período de nossa existência. E nela, na consciência somos perceptivos de nossos sentimentos. São emoções que se manifestam como sendo o amor, a alegria e a tristeza sempre presentes em nossas vidas. Premiados nós somos por termos mente. Ela nos presenteia com o principal atributo humano: A razão! Estaria ela a ter domínio sobre nossos instintos e emoções, entretanto, ainda, mais obedecemos aos instintos e as emoções. A mente, mais a deixamos no conforto das repetições diárias e nessa restrição de sua expansão nós nos igualamos e não nos diferenciamos dos demais. Sim, somos igualados nas aflições oriundas das contingências da vida. Sofremos e choramos na impotência que somos para evitarmos que nossos entes queridos nos deixem. Eles nos deixam um vazio difícil de exteriorizá-lo com palavras. Ficam-nos interiormente como sendo cicatrizes com as quais temos que conviver. Quando foram presenças, distraídos como somos parece que nossas estimas e considerações por eles foram inferiores ao que eles mereciam. Esse pensar do depois não é incomum entre pessoas que perdem os seus amados e o depois nunca modifica o antes.

Nós somos como sendo trevas durante a claridade. Ignoramos o que nos possa ocorrer de bom ou ruim. Sempre estamos sujeitos ao inesperado. Também, agimos ou reagimos conforme a influência de estímulos interiores ou exteriores. Estes ditam nosso modo de ser e de proceder diante dos outros. Como tudo existente nos são perceptíveis porque são vibrações, às vezes as vindas de um ser humano podem, interiormente, nos provocar uma reação adversa, antipatizante, mesmo, sem termos um motivo aparente para tal reação antagônica. De ser humano para ser humano isso às vezes ocorre e nós nos percebemos sentindo antagonismo contra alguém. Nisso se denota a nossa impotência para inverter esse efeito maligno no momento. Nós somos cativos inconscientes de nossa própria constituição corpórea e psíquica cujas reações internas obedecem a impulsos que são ocultos para nós. Nós, mais somos as reações que as circunstâncias costumam provocar.

Os seres humanos são expectadores de si mesmos no desenrolar de suas vidas dirigidas pelas atuações internas, àquelas que estimulam seus modos de ser sem eles perceberem, conforme já relatado. Sim, o meio onde vivem também tem a força de moldá-los significando seus condicionamentos que podem ser bons ou péssimos. Suas responsabilidades também lhes moldam bem como, a sociedade. Além de tudo isso, os seres humanos são instituídos com seus atavismos. Eles são a hereditariedade de seus avôs e de seus pais. Podem ter traços de caráter já tidos como desaparecidos e reaparecidos, sendo então, seus atavismos. Os genes paternos ao serem transferidos aos filhos quase sempre lhes trazem as tendências das mesmas doenças dos pais e mesmo dos avôs se eles as tiveram.

No vigor das suas vidas os seres humanos são submetidos ao que lhes impõe seus hormônios, aqueles diretores dos instintos. Nessa fase de vigor os homens e as mulheres se acasalam numa volúpia pensada ser proveniente de suas próprias vontades. Engano! É a natureza com suas artimanhas provocando a continuidade da espécie humana através das substâncias químicas internamente possuídas por todos. Quem já viu uma gata no cio se contorcendo querendo atender às exigências dessas substâncias químicas, ou hormônios, sabe desse poder intrínseco nos animais como também animais somos nós. Por isso, sem perceber, mais o homem atende aos seus impulsos ou instintos e menos à sua vontade. A criatura humana é marionete ou fantoche de si mesma. Entretanto, o homem em si mesmo é um si misturado, um agregado e não original, individual ou particular de seu nascimento.

Diante dessa explanação sobre como o ser humano pode ser a servidão para comandos provenientes das tendências herdadas e condicionadas nele, pergunta-se: Sozinho ele é responsável pelos seus atos quando eles possam afetar outros? Se ele é um derivado e não uma constituição própria, quando comete um erro grave, coitado, tem que arcar sozinho com as conseqüências como se ele fosse uno em sua formação e não é. Isso é uma das desilusões da vida, talvez, até uma injustiça pra quem quer entender assim. E o viver parece estar sempre aconselhando “seja inconsciente, seja inconsciente, seja ignorante, pois, assim sendo tuas perturbações desaparecerão”. Já disseram mesmo que não existem seres adultos e sim crianças grandes. Verdade! Eles vivem por viver sem querer saber da vida e como ela é.

No início, este texto esteve a discorrer sobre alimentos, doenças, remédios, morte e depois para algumas reflexões sobre a vida. O aqui exposto pode ser passível de contestação, porque, pareceu ter sido pessimista com relação à nossa existência. A intenção principal foi tentar explicar como sendo alheias a nós, as tendências e influências a que estamos expostos. Portanto, nada do lado bom da vida esteve inscrito neste texto porque seria outro foco sobre ela e oposto.

Altino Olimpio

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Povo Despovoado

Pois é! A existência dos seres humanos na terra é muito complicada. É só confusão pra cá, confusão pra lá. Na Síria, por dia neste ano de 2012 morrem muitos seres humanos assassinados. Em qualquer outra parte do mundo outros estão nos seus entretenimentos diários. Enquanto muitos morrem outros estão felizes se distraindo bebendo cerveja, discutindo sobre futebol e com muita descontração assistindo essa coisinha de Olimpíadas, quando, os seres mais evoluídos do mundo “em querer aparecer” estão competindo para ganhar medalhas. As religiões sempre nos disseram que nós somos todos irmãos. Que nada! Dividiram o mundo com fronteiras e cada povo dentro da sua pode ser vítima de crueldades de seus líderes e os povos de outras fronteiras na importância de suas trivialidades nem pensam em interferir. Mas, o povo é povo porque ele não toma parte das decisões nacionais e muito menos de intervenções em outros países para tentar proteger seus habitantes vitimados por tragédias. Ele, o povo, sempre está sujeito aos desmandos de seus líderes políticos ou ditatoriais. Hoje, mortes, guerras e assassinatos, apenas, são programas de distração para as massas. O povo a tudo assiste, vê os horrores e depois o “conosco está tudo bem” o faz com que logo se esqueça e continue com a sua vida ausente desses problemas que afetam outros que lhes são desconhecidos. Se de fato todos nós fôssemos irmãos, todos os povos de todos os países iriam protestar contra as aflições que o povo de outro país estivesse sofrendo. Mas, não, o povo é o povo. Ele fica naquele “não temos nada a ver com isso”. Aliás, nem para as atrocidades internas ele reage. Vez ou outra tem uma passeatinha contra a violência e depois ela é esquecida e fica sem continuidade. Na verdade é muito mais atrativa uma passeata gay quando os líderes políticos também se reúnem e gostam de serem vistos nos palanques nessa homenagem póstuma à moral que já morreu. O povo em qualquer lugar do mundo ele é povo. Ele é como as árvores, que, inclinam de um lado de acordo com a direção do vento. O sistema vigente é como uma ventania que mantém todos inclinados conforme ele quer e por isso, todos, além de se preocuparam só consigo mesmos, suas preocupações mais são para se igualarem ao domínio com o qual são dominados.

Altino Olimpio

domingo, 15 de julho de 2012

Lamúrias

A vida é o tempo a deixar tudo para trás. Ela parece ser de histórias para revivê-las na memória, principalmente, para os saudosistas de todas as horas. Em outros tempos para as amizades não havia contratempos. Agora cada um fica na sua e quase não mais são vistos, nem pelas ruas. Estranho, como nós nos tornamos estranhos. O viver agora é artificial sob a tecnologia da comunicação a tentar driblar a solidão. O ninguém é de ninguém, o ninguém quer saber de ninguém prepondera nesta era sem fascínio quando a maioria vive apenas para o seu egoísmo. Não como antes, mesmo próximas as pessoas parecem distantes e o mundo se tornou alegria para as pessoas mais vazias. Mas, nós viemos do nada pensando ser tudo para acabar no nada. Não adianta lamentos se o nosso fim logo vais ser o esquecimento. Dizem que o nosso viver são sempre os agoras, mas, eles também sempre vão embora. Um agora vai, outro agora vem e nem sempre ele é como nos convém. Quando crianças nós somos esperança. Quando jovens ainda despreparados facilmente ficamos apaixonados para vivermos aprisionados. Quando adultos de verdade esquecemos-nos de viver por culpa das nossas responsabilidades. Quando velhos, já ficamos a pensar no tempo que nos resta e a vida se parece com o vazio que fica no fim de uma festa. Na velhice poucos se conformam com ela e muitos desmemoriados se transformam em esquisitice. Mais conveniente é não querer mais nada, falar só besteiras e dar risadas. A vida é um enigma a existir no nosso pensamento e é nele que sentimos as nossas alegrias e os nossos tormentos. Pensamentos... Surgem e ressurgem como querem sendo os agravos a nos tornar seus escravos. Se o nosso pensar é o nosso viver, isso é um suplício, pois, somos apenas desperdício. Nós viemos ao mundo para ser (ainda não sei o que) até o deixar de ser. Nesse período entre o ser e o deixar de ser, estamos apenas a acontecer. Somos apenas acontecidos e disso poucos estão convencidos. Entretanto, do acontecer ao “desacontecer”, temos esse período para nos convencer que a morte não é o nosso perecer. Essa pré-conclusão ainda só existe no período de vida em que estamos a acontecer, quando, hipóteses sempre estão a nos envolver para, talvez, confortar ou iludir o nosso viver com posterioridades que não possam ser.

Altino Olimpio

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A vida existe para a morte

Nós nascemos e vivemos para desaparecer com a morte. Ela sempre está a nos espreitar e nunca sabemos quando ela vai nos levar. Quando ela nos leva, o mundo prossegue indiferente para os que se tornam ausentes e o tempo tudo apaga. Ah o tempo. Também sinônimo de época, numa existimos e nos expressamos conforme nós somos para nós mesmos e para outros. Azar ou sorte, o tempo de qualquer um, prematuramente, pode ser interrompido pela morte. Ela pode nos acontecer durante aquela nossa iludida e pretensiosa autoimportância, quando, ainda pensamos ter muito a fazer e a querer. Para interromper, quase sempre a morte vem para tudo desfazer da arrogância da nossa autoimportância. Até parece uma traição e ninguém garante que exista uma compensação. A vida nos transcorre como ela sendo uma forasteira. Ela é incógnita ao nos desabilitar de saber o que de bom ou mal possa vir a nos ocorrer. Muitos fatos, se bons ou ruins, nos são inesperados sem ao menos serem premeditados. Mas, em qualquer agora gostamos de pensar que a nossa partida ainda demora. Nós somos filhos do tempo. Ininterrupto como ele é, num devido tempo nós nascemos, crescemos e nele envelhecemos. No envelhecer o tempo já está a nos preparar para o nosso perecer. Ele nos dispensa a qualquer dia, a qualquer hora e não se importa se ainda não queremos ir embora. Então, não somos donos do nosso nascer, não somos donos da vida e nem da morte para poder evitá-la. Somos efêmeros sem ao menos querermos. Nosso viver ou morrer não está ao nosso poder. Somos o que a natureza requer é só existimos enquanto ela quer. Parecemos ser brinquedos para o mundo se divertir em seus folguedos. Somos pueris ao dizer “sou assim, sou isso, sou aquilo” se esquecendo do fim da nossa estrada que nos conduz ao voltar a ser nada. O descontentamento de deixar de existir no tempo provoca o acreditar num outro estado de existir e nisso muitos estão a persistir. Talvez seja apenas cisma, pois, se sabe, o ser humano se perde em sofisma. Contudo, esse nosso imaginar um futuro depois da morte mais nos faz tatear no escuro.

Altino Olimpio

sábado, 16 de junho de 2012

Conclusões idosas

Pensamentos... Às vezes trazem alegrias e outras vezes nos trazem lamentos. Nesse se voltar para dentro o mundo de fora fica de fora. O estar consigo mesmo é o deixar a memória nos contar a nossa história. No agora, ela nos reproduz cenas de outrora. Nós nos vemos como fomos antes lá no passado e hoje, tanto tempo tendo passado, parece que nada há restado. Agora sou pensamentos em quase todos os momentos e o mundo parece que fecha a porta a dizer que nada mais me importa. A vida se esparrama para a vida dos filhos até quando para eles ainda não for um empecilho. Quando chove lá fora vendo as águas que se reúnem penso, elas não são como os seres humanos que se desunem. Mas, o pensamento não para, ele me quer ausente deste presente já no apuro quando não mais se pensa em futuro. Agora o porvir só me faz sorrir. É o porvir de dias sempre iguais e nada mais. São dias sem amarguras, mas, ausentes de aventuras. São dias sem rumo e assim me arrumo não mais querendo novidades e não mais acreditando nas mentiras das verdades. Eu me cansei. Está a parecer que já estou a esperar o meu deixar de ser, o meu desaparecer. Onde estão as ilusões que me causavam emoções? Onde me estão as superstições que distrai e abriga a todos em suas imaginações? E a vaidade que nos impulsiona a sermos vistos com outros em busca da notoriedade, onde ela foi parar? E as sinceridades por que não mais são autenticidades? E o pensamento fica a me repreender: Tolo, bobo, viver pela realidade te desprende dos prazeres da humanidade. Não há lenitivos pra quem vive de realidades, pois, ela não tem atrativos. Para muitos, seus deleites são preencher a vida com enfeites. Contudo, a vida é uma ilusão, porque, nós só somos existência numa ocasião e ocasião não é perpetuação. Embora a vida em ti ela atue ela não é tua. Chega pensamento meu! Chega, pare e me deixe em paz. Por anos e anos todos me foram desenganos. Agora sou só e nisso eu insisto, pois, de todos eu desisto.

Este início da música do Taiguara parece estar condizente com este texto:

“Eu desisto, não existe essa manhã que eu perseguia um lugar que me dê trégua ou me sorria, uma gente que não viva só pra si. Só encontro gente amarga mergulhada no passado, procurando repartir seu mundo errado nessa vida sem amor que eu aprendi. Por uns sérios e vãos motivos somos cegos e cativos num universo sem amor...”

Altino Olimpio

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Pão do céu

Antigamente caia maná do céu para alimentar os judeus no deserto. Essa coisa acontecia lá longe no passado, como, também, muitas coisas em que acreditamos hoje só existiram no passado. Nesta nossa época estamos sem aquelas coisas maravilhosas, por que será? Manifestações divinas não existem mais? São elas apenas para serem recordadas? Mas, o maná agora não cai mais, nem lá na África onde muitos ainda morrem de fome. Por que será que não cai mais? Talvez Deus tenha ido fiscalizar suas obras e são muitas por esse universo todo. Milhares, milhões ou bilhões de galáxias e mais galáxias e cada uma com cem, duzentos, trezentos bilhões de estrelas. É, há pouco tempo ouvi num programa de TV que aqui na Via Láctea, esta nossa galáxia, ela contém cerca de trezentos bilhões de estrelas. Antes diziam que eram cem bilhões. Nossa, pra que esse exagero? A galáxia mais próxima, a de Andrômeda está, dizem, distante da nossa, cerca de 2,3 milhões de anos-luz. Um ano-luz é a distância que a luz percorre durante um ano. A cada segundo a luz percorre ou viaja 300.000 km. Num minuto ela viaja 18 milhões de quilômetros. Que distância, então, a luz viaja durante os trezentos e sessenta e cinco dias de um ano? E Andrômeda, está a 2, 3 milhões de ano-luz. Que loucura. Não sei como Deus administra tudo isso. Será que Ele herdou tudo isso do Pai Dele? Mas, os cientistas dizem que o universo teve começo numa enorme explosão, a tal de Big Bang e até hoje o universo está se expandindo. Mas, para a consciência humana tudo o que existe tem que ter tido um começo. É assim que a consciência humana conceitua. Não poderia o Universo sempre ter existido sem ter tido um começo? Quem sabe? Qualquer cientista, por mais inteligente que seja ele só pode se utilizar da consciência que lhe é própria, a consciência humana. Entretanto, ela é limitada ou imprópria para abarcar os mistérios do universo. Mistérios como, o porquê da existência dele, qual o propósito por detrás dele se é que existe algum, se ele teve início e se terá fim. O universo, ele foi criado por um Deus cuja magnitude distancia-se de nossa compreensão?Talvez, em tempos vindouros o ser humano possa expandir sua consciência até a capacidade em que ele consiga conceituar o que agora não consegue. Baixando agora de nível e indo para as historinhas humanas voltemos ao maná. Vem-me na mente um pai ou uma mãe contando histórias para o filho adormecer. Existem histórias para crianças e também histórias para adultos. Encontra-se na internet que maná significa seiva de tamarisco. O livro bíblico de Êxodo o descreve como um alimento produzido milagrosamente, sendo fornecido por Deus ao povo judeu liderado por Moisés, durante sua estada no deserto (40 anos no deserto, nossa, até daria para se aposentar e descansar) rumo à Terra Prometida. Segundo o Êxodo, após a evaporação do orvalho formado durante a madrugada aparecia uma coisa miúda, flocosa, como a geada, branco, descrito como uma semente de coentro que lembrava pequenas pérolas. Geralmente era moído, cozido, e assado, sendo transformado em bolos. Diz-se que seu sabor lembrava bolachas de mel, ou, bolo doce de azeite. Ainda segundo a Bíblia, o maná era enviado diariamente e não podia ser armazenado para outro dia. Também não era fornecido aos sábados, por isso, Deus enviava uma quantidade maior às sextas-feiras e nesse caso o maná podia ser guardado para o sábado sem se deteriorar. Atualmente é encontrado no deserto do Sinai algo semelhante ao relato bíblico, pequenas gotas brancas de seiva, que, crescem nos ramos da árvore de tamarisco durante a estação das chuvas. Elas se desprendem durante a noite fria do deserto forrando o chão com grãos semelhantes a pérolas; após ser cozido se transforma num líquido adocicado semelhante ao mel muito apreciado pelos beduínos que o denominam de maná.
Em 1483, Breitenbach, o decano de uma cidade da Alemanha, peregrinando no Monte Sinai, escreveu: Nos vales próximos ao Sinai encontra-se o pão do céu, que, os monges e também os árabes recolhem, guardam e vendem aos peregrinos estrangeiros que por aqui passam.
Bem, deduz-se então que... Maná talvez não caísse do céu como muitos hoje pensam. Convém aqui citar um entender do filósofo Espinosa para aqueles que têm capacidade de entender: “... se admitíssemos que Deus fizesse alguma coisa contrária às leis da natureza, seríamos também obrigados a admitir que Deus aja em contradição com a sua própria natureza, o que é um absurdo”.

Altino Olimpio

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Mistura de espíritos

Veio-me na mente a lembrança de uma advogada nascida onde também nasci e de quando, numa ocasião ela me disse que, toda a violência atual é praticada por pessoas ruins de épocas passadas reencarnadas nesta nossa época. Seriam elas as responsáveis por crimes, assaltos, as atrocidades diariamente divulgadas pela mídia. Interessante isso e dá no que pensar. Significa então o não bastar termos de conviver com os pilantras desta nossa época agitada termos também de conviver com os canalhas já mortos e reencarnados agora? Belo mundo é este o nosso. Nele já nascemos predispostos a aturar mazelas de criaturas indesejadas do passado, elas nos sendo inconvenientes? Então, a vida não é tão bela como dizem. Se esses crápulas que reencarnaram entre nós estão aqui continuando a serem crápulas, eles reencarnaram apenas para nos atormentar? Meio na brincadeira tentei dissuadir a moça sobre a incerteza dessa hipótese, mas, qual o que, ela se manteve firme nessa idéia “comprada” não se sabe onde. É comum nestes dias ouvirmos pessoas a tagarelar sobre “coisas” improváveis na veemência da afirmação. Sim, falam e afirmam como se aquilo em que acreditam seja real, independente de contradição ou comprovação e, já nem se preocupam se possam ser consideradas delirantes. Pra elas o mundo está repleto de interferências espirituais e nada dizem de serem vítimas dos condicionamentos precários a provocarem o corromper da razão. Este mundo dos “entendidos” é gozado. Almas de agora se misturam com almas de outrora. Se assim fosse deveríamos entender como uma traição o nascermos indefesos neste mundo podendo ser vitimados pelos que aqui reencarnam e são imundos. A moça não disse que os algozes reencarnam para se aperfeiçoarem, para saldarem seus débitos cármicos. Não, ela deu a entender que eles voltaram para continuarem com suas crueldades. Prosseguindo nessa hipótese, mama mia, se o Hitler e o Stalin, esses dois carniceiros tivessem reencarnado, muitos de nós não mais estaríamos aqui para contar histórias. Agora fico a pensar... A advogada se casou e... Teria ela tido coragem de ter filhos com o perigo de eles serem a reencarnação de quem no passado tenha sido um monstro? Seria uma boa pergunta pra ela. Mas, claro, ela teria uma resposta de acordo com a conveniência dela. E não é sempre assim que as pessoas se manifestam?

Altino Olimpio

sábado, 26 de maio de 2012

Pobres e ricos

Por que será que existem pobres e ricos? O leitor não sabe? Mas deveria saber. Ambos, pobres e ricos mantêm a existência da humanidade. Os pobres efetuam os trabalhos que seriam humilhantes para os ricos. Imaginem quantas profissões existem e elas são apenas para os pobres. Por outro lado os ricos sustentam as profissões deles. Sem os ricos muitas profissões não existiriam. Se todos fossem ricos a humanidade poderia estagnar. Eles não iriam querer ser trabalhadores braçais, pedreiros, lixeiros, bombeiros, policiais, escriturários, colonos nas fazendas, carteiros, mecânicos, professor e etc. Os ricos não iriam querer ainda no escuro embarcar no primeiro trem ou primeiro ônibus para irem ao trabalho e voltarem cansados à noite. Para isso é preciso existir os pobres. Estes se contentam com o pouco que ganham e ainda se orgulham quando são elogiados por serem honestos e trabalhadores. Se todos fossem pobres a humanidade também estancaria. Claro, quem iria trabalhar se ninguém teria dinheiro para pagar? Qual o pobre que iria trabalhar para pobre? Pobre trabalha para rico, mas, rico não trabalha para pobre. Entretanto, ricos não poderiam ser ricos sem a existência dos pobres. Em sua maioria os pobres precisam dos ricos mesmo para continuar a ser pobres. Pergunta: Por que mais os pobres se multiplicam para seus filhos também serem pobres a trabalharem para os ricos? Já sei a resposta. É porque Jesus preferia conviver com pessoas simples e humildes e estes é que herdarão o céu. É mais fácil um camelo passar pelo buraquinho de uma agulha do que um rico ir para o céu. Vamos parar por aqui, porque, não é bom perturbar os adormecidos e os despertos por serem mais espertos querem os adormecidos, adormecidos. Continuemos irmãos, sendo pobres ricos com cerveja, drogas, futebol, bailes, carnaval, novela, religião, Copa do Mundo, Olimpíadas, política, corrupção, sexo, violência e tudo o mais desses nossos cotidianos repletos de distrações e emoções. Entretanto, mesmo sendo pobres podemos ser ricos de espírito, mas, não sei pra que serve isso.

Altino Olimpio

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Falam sem saber

Muitas pessoas repetem o que falam sem ter certeza se o que falam é demonstrável. Dizem que antes de reencarnarmos nós escolhemos uma família e conseguentemente o lugar para nascermos. Várias vezes ouvi isso. Ou então na família em que uma pessoa nasce isso é preparado pelo destino. Também o nascer num lugar e no seio de uma família isso é consequência do carma que o indivíduo por bem merece ou por mal padece. Se nascer numa família abastada é pelo seu bom carma. Se nascer numa família onde impera a miséria, isso é culpa de seu carma que é ruim devido a erros cometidos na encarnação passada, como, o de ter sido rico e ter desprezado os pobres. Para pagar por isso tem que nascer na pobreza. Tudo isso são falácias, apenas falácias. Ninguém sabe se essas hipóteses são viáveis. O ser humano mais é falastrão do que outra coisa. Sem conhecimento próprio ele se sustenta com o que ouve e com o pouco que lê. Sua falta de raciocínio o predispõe a acreditar no que está a ler ou a ouvir. Ele gosta de se preencher com fantasias sobre o que ainda é improvável e inexplicável. Manter na mente conceitos fictícios e crê-los como verídicos é o início da deturpação mental. E deturpados existem no mundo só para deturpar outros. A realidade sempre está a nos mostrar fatos quando pessoas afetadas pelas crueldades da vida, como, a pobreza extrema, elas não dispõem de discernimento ou vontade de pensar se o que de mal lhes ocorre é proveniente de seus carmas, de seus destinos e etc. Tais divagações mais são pertinentes às pessoas sem problemas com a alimentação do dia a dia e cujos problemas existenciais lhes sejam poucos. Dizem que “filosofar com o estômago cheio” é fácil. Agora vou discorrer sobre um fato do fim da década de setenta do século passado, que, ainda persiste na minha lembrança. Não se sabia de onde apareceu uma família paupérrima que se instalou por baixo do Elevado Costa e Silva (Minhocão) na Rua Amaral Gurgel da Vila Buarque de São Paulo e nas proximidades do Largo do Arouche. O casal com suas trouxas e vários filhos, estes crianças ainda, todos famintos, adentravam no bar ou na padaria das esquinas daquela rua para mendigarem um pedaço de pão dos fregueses daqueles estabelecimentos comerciais. Pareciam estar testando a tão falada solidariedade humana, que, naquele dia eu não vi. Aqueles pais com suas crianças, coitados, perdidos numa selva de pedra e entre o movimento incessante de veículos apressados e de pessoas indiferentes a passar por eles, eles se sentiram estando a sós e abandonados num mundo estranho. Desprezo bem que eles perceberam, talvez, até daqueles prosaicos do amor ao próximo. Estariam eles naquela situação por causa de seus carmas, por causa de seus destinos? Ou, poderia ter sido por causa da mãe natureza, que, negando-lhes a água do céu expulsou-lhes de suas terras? Melhor é deixar para os leitores opinarem se essas tristezas humanas são conseqüências de carmas ou do destino. Eu não posso opinar porque desconheço tudo sobre suposições.

Altino Olympio

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A mente é tudo

Digamos que para o nosso viver normal e comum nós temos dois estados de consciência, o objetivo e o subjetivo. Estado objetivo é quando estamos despertos e conscientes do que nos ocorre. Se estivermos pensando em algo e até distraídos do que ocorre a nossa volta, esse é um estado subjetivo. Diariamente os estados objetivos e subjetivos se substituem. Quando despertos vemos algo estamos no estado objetivo. Mas, o que vimos pode servir de estímulo a desalojar da memória uma lembrança do passado. Revivermos mentalmente tal lembrança por uns momentos, isso, é estarmos subjetivos. Nosso estado objetivo lida com realidades e nosso estado subjetivo pode lidar com irrealidades provenientes da imaginação. Podemos acreditar em algo que imaginamos existir, mas, sem correspondência com o mundo objetivo, o mundo das realidades. Se o algo em que acreditamos não pode ser visto, sentido, e ouvido, então, isso é uma abstração. Os seres humanos são dados a acreditar em abstrações e são influenciados por elas. Crer no invisível, no inaudível e crer no que a razão não consegue abarcar, isso, é uma fuga da realidade. Não existe para o ser humano o que ele não pode compreender e nem objetivamente vivenciar. Muitas coisas só existem nas cabeças dos seres humanos. Fora de suas cabeças elas são irreais para o mundo. Eles seriam mais livres e despreocupados se vivessem apenas com as suas possibilidades e não com as impossibilidades que querem alcançar. É melhor conviver com as capacidades para as quais fomos constituídos do que enveredar para as capacidades que iludidos pensamos possuir. Se o ser humano se preocupasse em sondar os desvarios com que sua mente é capaz de imaginar, de absorver e se envolver, ele estaria apto para manter sua sanidade mental distanciada da esquizofrenia. Saberia discernir, que, o que apenas só pode ter existência na mente, não deve se misturar com a realidade da existência. Esta é o que é e como é. Ela independe de “acessórios” psicológicos a enfeitá-la para ser além do que ela é. Resumindo, tudo é mente. O que pensamos e o que fazemos, o que vemos, o que ouvimos, o que sentimos, o que queremos, o acreditar ou não, o que nos agrada ou desagrada... Tudo é mente. Ela é como se fosse o mundo de cada um. É onde se manifesta a desigualdade humana. É onde o real ou o irreal encontram condições para se instalarem conforme seja o desenvolvimento mental de cada um, propício para o real ou para o irreal.
Altino Olimpio

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Homem, o escravo de si mesmo

O ser humano não percebe que é um joguete de sua natureza. Sua vida sempre foi dividida em fases e nelas foi seu escravo. Quando criança pode ter sido feliz. Isso é obvio! Ainda em formação, a criança carece do preparo físico para dar vazão ao instinto. Sua constituição fisiológica incompleta ainda não dispõe do poder que vão lhe exercer os seus hormônios. Sendo assim, ela ainda não é submissa aos desejos corporais que viciam e aprisionam os adultos. Como consequência ela é inocência e isso é considerado como sendo a pureza infantil.

A partir da juventude com sua constituição já quase completa, os hormônios aqui entendidos como a manifestação do instinto e da emoção, eles têm no adulto o meio para se expressarem. Isso no homem é a continuidade do seu se desconhecer. Muito do que faz é proveniente de uma reação, digamos, química e independente de sua volição. Num exemplo, a presença de uma mulher próxima a ele pode ocasionar uma reação em sua região pélvica tornando-o excitado mesmo ele estando num local de oração e sem intenção erótica. Tal reação pode lhe surgir espontaneamente mesmo sendo indesejada pela sua consciência na ocasião. Sua consciência apenas estaria a acusar um desejo sexual proveniente de um estímulo interior provocado pela presença da mulher próxima a ele, independente do seu querer. Quase sempre o homem é impulsionado por reações internas despercebidas por ele. Daí o pensar que seus atos são originários de seus próprios pensamentos quando podem não ser. Eles são muito influenciados pelos instintos e por outras sensações.

Os homens, imitadores como são, não se diferem muito dos macacos. São assim porque são joguetes de influências e como atendem a elas pensam estar exercendo suas próprias vontades. Se estas fossem mais predominantes seriam determinantes para cada um se conduzir como quer e não ser conduzido por influências invasoras tão em vigor atualmente. Teríamos maior diversidade entre os seres humanos e entre suas realizações. Mas, não! Em sua maioria eles são parecidos pelo que gostam, desejam e, as generalizadas sugestões repetidamente difundidas os tornam vítimas de suas tendências imitativas. Estas os tornam enfadonhos diante das mesmices exteriorizadas por eles e realçam suas disposições para serem massas de manobra.

Alguma liberdade para o homem ser ele mesmo só lhe vem com o avançar da idade quando seus hormônios estão enfraquecidos e seu estado sugestionável é mínimo. É quando o homem (não todos) percebe melhor as ilusões da vida, os erros consequentes ao ter sido direcionado pelo instinto e de ter sido facilmente influenciado por sugestões alheias aos seus desejos necessários. Mas, já é tarde para arrependimentos. Ele pode estar envolvido com responsabilidades que o torturam por nunca as tê-las desejado ou imaginado. Consequência de um inconsciente viver sob o domínio das influências externas e do poder com que os desejos corporais o dominaram sem ele discipliná-los com a razão ou raciocínio.

Concluindo, o homem não é a independência que promulga ser. Escravo dos instintos, escravo das emoções, escravo das influências, das imitações e etc. ele também é um acúmulo hereditário. É o resultado da união dos genes paternos a influir em sua vida e nele podem reaparecer sinais de atavismo. Ele não é uma integridade original própria. Mais ele é uma reprodução de seus antecessores. Nem sua constituição fisiológica lhe é própria. Nisto tudo se conclui que o homem é um aglomerado das tendências que o acompanham e o aprisionam na ilusão dele ser o único protagonista responsável por suas ações, desejos e vontades. Exagerando nesta explanação, o homem só por si mesmo nem existe sem os reflexos de outros que foram seus antecessores. Daí a expressão “ninguém é livre e independente como imagina ser.”

Altino Olimpio

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Perguntar já era

Antigamente naquele modo simples de viver tudo era mais esclarecido. As pessoas conversavam mais e o importante, perguntas eram feitas e respondidas. Hoje não, perdemos a capacidade humana de perguntar. Agora fomos habituados a ver e ouvir. Se estivermos a ler um jornal não há como perguntar pro causador de um crime porque ele cometeu tal absurdo. Se na televisão aparece à imagem de um ministro que desviou verba pública não temos como perguntar pra ele como ele conseguiu tal proeza. Quanto dinheiro ficou com ele, onde ele depositou o dinheiro, se ele vai devolver... Quando assistimos a uma novela vemos e ouvimos a conversa de uma mulher que traiu o marido e não podemos perguntar onde se deu o fato, se foi num carro, se foi num motel, quantas vezes ela se realizou. Na novela, outra só gosta de mulher e não há como perguntar pra ela se isso é gostoso, o que elas usam e como é que elas gostam de gozar. Ao ler um livro sobre uma guerra não há como perguntar pro autor do livro se alguns fatos são realidade ou se ele inventou. Então, com a incidência da comunicação das massas (mídia) nós fomos condicionados apenas para assistir e ouvir. Temos que acompanhar a sequência dos fatos sem a possibilidade de interromper e perguntar algo sobre os mesmos. Numa palestra, no final dela o palestrante costuma perguntar se alguém quer fazer alguma pergunta. Já é quase raro alguém se manifestar com uma pergunta. Claro, pra que? Ver e ouvir são mais cômodos. Certa vez estive numa palestra sobre esoterismo e ouvi esta conhecida frase: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida e ninguém vai ao pai ‘senão’ por mim”. O orador disse que essa frase foi Jesus quem disse. Ele foi afirmativo, mas, pensei: Há controvérsia. O citado não deixou nada por escrito e não há como comprovar, mas, é para acreditar. E eu continuei pensando “e todos aqueles que viveram antes da época de Jesus se não tinham Ele para ser-lhes o caminho, conseguiram eles chegar até o Pai?” Pensei em interromper a palestra e perguntar isso para o palestrante, mas, pensando melhor, todos iriam me chamar de polêmico. Então me lembrei que está na moda o só ouvir, acreditar e, nada perguntar. Por isso, me mantive calado. Conclusão: Fiquei sem saber o que aconteceu com eles e se por si mesmos encontraram o caminho. Depois o assunto mudou para o “ler pensamento” e o macaquinho da minha mente que pula pra cá e pra lá me falou “coitados dos analfabetos, esta palestra não serve pra eles” (risos). De todas as palestras onde estive ficou-me um grande aprendizado: O de se calar, nada perguntar e não revelar o que se venha a pensar. Isso sim é saber viver. E sempre ser querido entre os outros e a melhor forma de conquistar amigos inteligentes de verdade.

Altino Olimpio

Verborragia

Puxa vida, nunca ouvi essa palavra, verborragia. Seria um palavrão, uma palavra de baixo calão que não se deve pronunciar? Isso me ficou no pensamento por uns dias até o dia quando num ritual fiquei sabendo do seu significado. Foi naquele dia à meia noite quando me isolei da família, tranquei portas e janelas e no escuro acendi uma vela preta (eu gosto de vela preta) e recitei uma oração mágica. Foram entre estrondos e mais estrondos e clarões que penetravam pelas frestas da janela que iniciei o ritual. Eram raios e trovões e eu ao ouvir a vizinhança assustada gritando que parecia o fim do mundo. Eu permanecia tranquilo, pois, nada pode contra um homem de fé. Na penumbra vi minha cama levitar, ela subia e descia. Era um aviso que eu não estava só. Logo a natureza se acalmou e o silêncio se fez presente. Foi quando me arrepiei todo. Apareceu-me um espírito e não me assustei porque ele era bonito. Se não fosse desencarnado eu até daria um beijo nele se ele fosse feminino, coisa incomum nas aparições de espíritos quando são requisitados para se manifestarem. Ai ele se pôs a falar por telepatia: “Você não sabe o que é verborragia? É abundância de palavras inúteis que exprimem poucas idéias. Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827) insistia com seus alunos para que eles não pronunciassem palavras em vão, palavras inúteis. Resumindo, conversas que não servem para nada. Pestalozzi foi também professor do francês Hippolyte Léon Denzard Rivail que iria ser famoso com o nome de Allan Kardec (1804-1869). Bem assessorado nos estudos pelo ótimo professor Pestalozzi, Allan Kardec assimilou bem os ensinamentos sobre o não se utilizar de verborragia, pois, em dezoito de abril de mil oitocentos e cinquenta e sete ele publicou um livro chamado de ‘O Livro dos Espíritos’. A partir disso e dele, se alastrou pelo mundo o “espiritismo”. O homem sabia tudo sobre os espíritos, como eles agem, o que eles fazem e etc. Nada no livro pode ser considerado verborrágico devido à seriedade e credulidade com que o autor expôs suas considerações e conhecimento autêntico sobre os seres invisíveis. Hoje isto é tudo o que eu tinha para lhe informar. Agora vou me retirar para o meu mundo. Pode agora apagar a tua vela preta. Namastê”.
Nossa, era o espírito de um yogui da Índia, então tudo o que ele disse é verdade. E que noite feliz me foi aquela dessa aparição. Mas, no dia seguinte... Por um motivo banal briguei com as minhas filhas. Foi palavrão pra cá, palavrão pra lá, pontapé em cadeira, chute no cachorro... O ambiente esteve carregado mesmo. Quando isso acontece à gente cai de nível. A gente se desarmoniza e é quando o diabo se aproveita para nos atormentar. Ele fica enfiando pensamentos ruins na cabeça da gente. Lembro-me de um que é assim: “A pior das loucuras é, sem dúvida, pretender ser sensato num mundo de doidos” (Erasmo de Rotterdam 1465-1536). O sempre estar em harmonia com o que a maioria acredita ou pratica evita que o diabo venha a colocar nas nossas cabeças pensamentos tão bobos e ofensivos, como, o supracitado do Erasmo de Rotterdam que devia ser meio louco, pois, escreveu o livro “Elogio da Loucura” onde se lê zombarias das pessoas pelo que elas acreditavam. Mas, por falar em doidos, nos que de fato são mesmo, parece que sempre existiram e isso não é só de agora.

Altino Olimpio

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Velório dos encontros

--Pronto, já fui dar uma mijada, mas, o que estávamos falando mesmo?
--Você estava falando dos velórios de antigamente.
--Orra meu! Que bom você ainda não está xarope como muitos já estão. Então, antigamente os velórios aqui em Caieiras eram todos nas casas dos falecidos. Às vezes ofereciam café com bolachas, às vezes não ofereciam nada. Era um respeito danado. Ninguém contava piadas. O enterro se era lá do Bairro da Fábrica ele vinha a pé até a maquininha de passageiros e por onde passava todos saiam na janela para olhar. Quando chegava ao ponto final da maquininha lá perto da estação dos trens de subúrbio, o enterro prosseguia a pé até aqui neste cemitério. Quando era do Bairro do Monjolinho ele vinha no caminhão pau de arara. Quando era daqui das redondezas não tinha outro jeito a não ser a pé. Vou te falar uma coisa, antigamente os enterros eram mais emocionantes e te digo mais... Sabe que às vezes sinto saudades daqueles enterros?
--(Risos) Nunca ouvi um disparate desses.
--Agora como você está podendo notar temos este velório bem aconchegante. É bonito, espaçoso e o atendimento é bom aqui. Você pode ir até a cozinha e tomar um café ou um chá e também comer umas bolachinhas. Digo-te mais, este velório é o melhor ponto turístico daqui. É só aqui que os conhecidos, os amigos e os parentes se encontram. Só aqui se abraçam, só aqui conversam, e tudo num “clima” alegre, pois, muitos até contam piadas, muitas eu já ouvi. Opa! Chegou uma conhecida que estimo muito. É a Roxana... Xi... Eu esqueci o sobrenome dela. Não faz mal... Você me dá licença? Vou puxar uma prosa com ela.
“Tomara que ela tenha vindo sem o marido, aquele chato”.
--Olá, mas que surpresa! Quanto tempo que eu não vejo a Xana. Como vai você?
--Nossa que milagre! Não imaginei te encontrar aqui. Estou bem e você?
--Meio capengando, mas está tudo bem. Você bonitona ainda, hein?
--Escuta, do que morreu o nosso amigo ai?
--Fiquei sabendo que complicou tudo. Já tinha tido um infarto, um AVC, tinha diabete, problema na próstata, reumatismo, cirrose, depressão, hipertensão e tudo isso não lhe importava, o pior, disse ele, foi ter ficado impotente.
--A vai tomar banho, até parece que tinha tudo isso. Enfim são coisas da vida.
--Bom, como dizem os mais entendidos, os só a falar o que sabem por comprovação, chegou a hora dele. Tem hora pra nascer (quando não for por cesariana), tem horas e horas pra se viver e tem hora pra morrer. Ouvi também que ele já está a caminho do céu. Agora do céu enviam para os mortos um GPS para que não se percam nessa última viagem.
--(Risos) Nossa como você tem senso de humor tragicômico. Mas, pensando bem, quantas coisas que inventam e acabam acreditando, não?
--(Risos) Viu, mudando de assunto vou te revelar um segredo. Eu fui gamado em você Xana. Durante muito tempo só pensei em você. Sempre antes de adormecer eu ficava imaginando “ai que bom se a Xana estivesse aqui comigo na cama. Eu acariciaria seus cabelos, beijaria seus lábios úmidos e lhe diria que sem ela jamais seria feliz”.
--Sério mesmo? Então posso te falar, já que me falou isso. Eu me simpatizava com você, mas, nunca dei a perceber porque tinha receio de ser desprezada.
--Que pena a tua falta de sensibilidade pra perceber. Se soubesses quantas vezes passei defronte a sua casa. Naquela época eu pertencia a uma sociedade esotérica e tinha aprendido a usar o poder mental. Enquanto eu fitava sua casa, com veemência eu repetia no pensamento “quero a Xana pra mim, a Xana tem que ser minha”, mas, que nada, não deu certo. Um dia até tive a ousadia de te chamar: Xanaaaaaaaaaaaa... E você não respondeu, não veio me atender. Fiquei com raiva e baixinho te xinguei: Xana surda, Xana convencida, Xana metida, Xana orgulhosa. Ai fui embora falando sozinho, desisto da Xana, Xana pra mim acabou, nunca mais vou perder tempo com a Xana.
--Mas você era louco? Se não te atendi é porque não estava em casa. Bem que teria gostado de te atender e... Ah meu marido chegou. Dá licença que agora eu vou lá perto do... Vou cumprimentar os...
--Isso, você ainda não foi lá, né? Olha, foi uma alegria ter-te encontrado. Tchau.
“Que pena, a conversa estava tão boa”
--Hei você se amarrou num papo gostoso com essa tua amiga Roxana hein?
--Ah sim, ela é uma amiga de longa data. Não venha você com insinuações ai. Nunca tive e nunca quis ter nada com ela. A amizade sempre foi sincera. Vamos lá tomar um cafezinho que agora um cigarrinho vai bem.
--O que? Você ainda fuma? Será que não sabe o mal que isso faz?
--Xiiiiii... Lá vem você me encher o saco. Que mania de se intrometer. Até parece que você não vai morrer porque deixou de fumar. Tomara que morra antes que eu morra (risos). Eta cafezinho gostoso.

Altino Olimpio

domingo, 22 de janeiro de 2012

Envelhecer é ficar insuportável

--Você me pergunta como me sinto nessa fase da melhor idade? Por favor, não me inclua nessa denominação pra enganar trouxa. Digamos que, na idade avançada mais somos dados a refletir, isso, quando se consegue nesta época repleta de interferências. Por exemplo, nesta era da internet temos os canalhas humanos nos invadindo com suas propagandas alheias ao nosso interesse. São chamadas de “spams”. Desertados da ética, da moral, considero-os todos como loucos. Também temos os amigos virtuais no mais das vezes a nos abarrotar com insignificâncias, embora, elas sendo muito significativas para eles. Enlouqueceram também. Reconheço a utilidade da internet quando ela é utilizada para utilidades. Para muitos, coitados, inutilidades lhes são utilidades.
--E você não ficou louco também? Basta você deletar o que não te interessa.
--E não é que você está certo. Fiquei louco sim. Também pudera estou perdido naquele “não sei mais o que fazer”, pois, no computador recebo técnicas para aumentar o tamanho do pinto, regras para emagrecer em poucos dias e tantas outras verdades que me empenho para colocar em prática (risos), tudo a interferir com as reflexões dessa fase “gloriosa” da minha idade. Ah, tem mais! Às vezes pra fugir dos pensamentos torturantes sobre a crueldade que a vida prepara para todos na velhice quando se fica “gagá” e um estorvo para outros, eu vou assistir televisão (Pai afasta de mim esse cálice). Na televisão chamada de aberta, os programas interessantes são sós para as pessoas desinteressantes. Que sofrimento são as propagandas, uma pior do que outra, ridículas e parecem ser mais direcionadas aos fracos de discernimento. Na TV por assinatura temos canais dedicados às educações sexuais para crianças, adultos e velhos. Chupadeira é o que mais se vê até entre mulheres. Excluindo alguns filmes interessantes baseados em fatos reais, a maioria é de uma porcaria bem digna das produções da Americana do Norte. Tais filmes são de ficção tão idiota, tão sem escrúpulos, me forçando a ficar de joelhos e orar para os sem cérebros que assistem a esses filmes.
--Você também está louco. Então não sabes que cada qual vê e assiste o que quer?
--Espera ai, não terminei. Nos noticiários nos despejam as falcatruas de alguns dos lindos galãs de lá do centro de nossa política. Diariamente ver os seus rostos na TV, alguns provocam vômitos ao vê-los insinuados ao se apropriarem no que não é deles e sim do povo. Os espetáculos noticiosos sobre bandidagens, crimes, assaltos, nos faz pensar estarmos vivendo no inferno contrariando o dizer que este mundo é o mundo de Deus. Ainda tem gente que acredita nisso.
--Bem, vou embora. Você além de louco é muito pessimista, revoltado, polêmico.
--Caramba, você perguntou como é o meu sentir nesta minha fase da melhor idade, então, apenas estive expondo como me sinto perante a atual situação. Tenho culpa se você é fraco de visão e audição? Tentei te explicar a loucura do povo aprisionado nesse condicionamento das massas. Tornaram-no condenado só a assistir, a absorver, a copiar, a imitar e muitas vezes até a praticar o que de ruim assiste. Diante dessa breve explanação te pergunto: Hoje em dia você conhece alguém que ainda tem a felicidade de ser mental normal?
--Nossa! Que exagero... Você está generalizando, nem todos estão assim afetados.
--Generalizando... É... Quase (risos). Mas, se você, mesmo de entremeio com esse bombardeio de promulgações (ou deformações) conseguiu evitar ficar louco poderá concluir como muitas pessoas ficaram “saídas de si” para conviver com as imbecilidades difundidas por outros.
--Puxavida! Apenas perguntei como é estar na melhor idade e você extrapolou. Estou indo embora, até mais ver.
--Até mais. Vai com Deus. Diariamente pedem para Ele acompanhar muita gente. Se Ele acompanha mesmo, quem sente isso é mais feliz.

Altino Olimpio

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Tempos modernos

--Batarde minha senhora. Gostaria de ver uma pistola?
--O que? Homem sem vergonha. Vou chamar meu marido.
--Calma dona. É que sou aposentado e para ganhar uns trocos sou vendedor ambulante de um Sex-shop. Hoje isso não tem nada de mais, até na televisão no programa do gordo, mulheres comparecem para exibir estes produtos.
--Ah sim eu já vi. Mas não estou interessada.
--Talvez seu marido esteja. Que tal uma pistola pra ele?
--Não, não e não. Meu marido é heterossexual viu?
--Legal né? Mas, como à senhora já está um pouco idosa, será que ele não iria gostar de uma xixa ou xoxa portátil? Também tenho aqui pra vender.
--Olha meu senhor, eu e meu marido não precisamos de meios artificiais, viu?
--Sim eu sei, mas, ele ou a senhora pode ficar viúva e pode precisar. O que é que tem né? Ninguém precisa ficar sabendo. Também tenho boneca inflável que é uma maravilha. Ela tem a vantagem de ser útil e não é de ficar falando depois como fazem as mulheres: compra-me isso, me compra aquilo e etc.
--O senhor já está passando dos limites. O senhor é muito depravado.
--A senhora é que é antiquada. Minha freguesia está aumentando e olha, já estou cansado de levar tanta pistola pelo caminho. Veja como pesa esta mala cheia de pistolas e de outros produtos necessários para o combate da carência. Compra uma vai? Está em oferta hoje. Se seu marido for pescar e ficar ausente por uma semana, a senhora não vai sentir falta dele.
--CHEGA! VAI EMBORA. Retire-se já daqui.
--“Puxa-vida, que mulher ignorante. Também, quem me manda querer ser útil pra quem não merece? Bem, ela ficou com o meu cartãozinho. Se ela precisar é só me telefonar”.

Altino Olimpio

A evolução humana

Quando se atinge essa tal de “melhor idade” pode se refletir sobre como o povo brasileiro evoluiu mentalmente. Isso foi perceptível na saudação ao ano novo quando milhões de reais foram gastos para enfeitar o céu com estrondos coloridos. Foi uma confraternização emocionante, visto que, no Estado do Rio de Janeiro, o dinheiro aplicado no majestoso evento foi com o que “sobrou das verbas” destinadas àquela calamidade ocorrida na região serrana provocada pelas chuvas. Naquelas cidades atingidas tudo foi carinhosamente restaurado e nenhum vestígio restou para a lembrança daquele acontecimento trágico. Mas, a confraternização nacional barulhenta por estouros e cores pelo céu mais esteve a anunciar para o mês de janeiro o melhor programa de televisão de nome “Big Brother” que, sem dúvida, nele se constata a inteligência brasileira entre seus promovedores, “atores” e seus telespectadores. O programa é levado “ao ar” por um canal de televisão, sendo ele o mais interessado e preparado para o evoluir da consciência do povo. O apresentador do programa, então, deveria ser beatificado pela importância que dedica ao programa tão benéfico para a população. Por isso ele é adorado por pais, mães, filhos, avós e por todas as pessoas intelectuais do Brasil. Duvida-se existir outro capacitado como ele para exercer tão nobre missão: a de transpassar conhecimentos úteis. Os “artistas” escolhidos para atuarem no programa, em suas conversas e atitudes transferem para quem os assiste os melhores exemplos de conduta humana. Infelizmente, ainda existem milhões de brasileiros, que, por serem ignorantes, não assistem ao programa. Não sabem o que estão perdendo. Talvez se intimidem ao pensar que o programa seja apenas para os mais inteligentes. Mas, como é irritante entabular conversa com quem não assiste o Big Brother. Quem não assiste nem devia ser considerado brasileiro. Não participa do progresso mental humano. “É uma carta fora do baralho”. Entretanto, devido ao bem que são para o povo, que sejam abençoados o programa, o apresentador e o canal de televisão que os promove. Pois, nós que somos pais já na melhor idade devemos ser-lhes gratos pelo respeito e consideração com que nos tratam e aos nossos dependentes.

Altino Olimpio