quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Mentiras triunfantes

Felizmente a natureza é provida com as autenticidades que não podem ser refutadas com “bonitas” palavras contrárias. Nesta época da tecnologia temos a internet a favorecer os dignos de pena pelas suas mensagens enganosas, que, são enviadas a outros. Como é um dos casos, com palavras e mais palavras querem distorcer a realidade imutável das consequências da velhice. A velhice significa a proximidade do fim. Faz parte dela qualquer um se depreender das ilusões e perder o interesse pelo que antes o interessava. Os hormônios enfraquecidos já não dominam mais os desejos por sensações ou tentações. O nada mais querer adquirir supera o antigo querer adquirir. A beleza corporal e facial foi embora e os disfarces para esconder essa “tragédia” são insuficientes. Nenhuma idosa ou nenhum idoso se sobressai quando está entre pessoas mais jovens. Nem sequer chama à atenção como sendo uma atração agradável como, isso possa ser quando está entre os da mesma idade avançada. Mas, os otimistas ou cegos estão a enaltecer essa fase indesejável da vida com subterfúgios favoráveis às suas autoilusões “vendo” vantagens onde elas não existem. Por trás do sorriso de um rosto feliz agora com dentes postiços, óculos, rugas, cabelos descoloridos, varizes e cintura desaparecida, muitos dos “estar sempre em evidência” estão a tentar esconder suas frustrações, seus problemas de saúde e outras mazelas a existir como consequência de suas idades. Querendo contrariar a natureza existem aqueles imbecís a proclamar a velhice como sendo a melhor fase da vida e “arrastam” outros com eles nessa distorção da realidade. Verdade é que na idade avançada, os aceitos dessa fase da vida como ela lhes é, são mais autênticos. Não estão naquele “tapar o sol com peneira” daqueles distorcidos da realidade. Estes ficam a inventar proezas da velhice quando na verdade a melhor proeza dela é saber se esquivar deles e de suas noções tão gratificantes sobre o que a vida é para os idosos. Hoje vemos tais noções a se expandir pela internet angariando ingênuos que retransmitem essas condições tão gratificantes esquecendo-se das opostas possíveis de existir para o dificultar das primeiras. Contrariá-los é o mesmo que “cutucar o bicho com vara curta” porque eles podem reagir contra quem os contraria taxando-o de pessimista, de retrógrado, de recalcado, de infeliz, de revoltado e etc. Para eles a verdade nunca é bem-vinda. Ela é um desmancha prazer daqueles a gostar de se iludirem. Entretanto, talvez seja melhor ser infeliz aceitando a realidade do que ser feliz enganado pela ilusão, como assim, muitos preferem. Contudo, a velhice ou “idosidade” (como muitos agora preferem dizer) é ótima para aqueles que não perderam suas sanidades mentais, porque está com eles o saber não acreditar nas idiotices melosas transmitidas. Está com eles o saber como se comportar no envelhecer sem as possibilidades “bonitas” que são apregoadas para as suas idades nas mensagens “maravilhosas” da internet. Esse meio moderno de comunicação veio mesmo a favorecer os rejuvenescidos pelas banalidades de suas existências. Como “acham” bonitinho qualquer coisa. Que sorte, parece que nunca irão envelhecer. Apenas poderão ficar idosos cheios de juventude.

Altino Olimpio

O tempo sempre desmente

Uma instituição do passado e ainda em vigor, embora, menos comentada agora esteve a atrair muitos desejosos de desenvolver o tal do poder mental. Numa rua do centro da cidade de São Paulo, os mais “evoluídos ou poderosos mentais” dessa instituição mantinham num prédio velho uma sala contendo uma mesa comprida com várias cadeiras de cada lado dela sendo uma defronte a outra e mais uma num dos extremos da mesa. Parecia uma referência ao Jesus e seus apóstolos. Os ocupantes dessas cadeiras bem intencionados que eram como também, eram crédulos em seus poderes, promoviam a distância pelo poder do pensamento, curas e soluções para seus peticionários. No centro da mesa (isso vi e alguns eu li), dum amontoado de papeis ou bilhetes, em cada um estava escrito o mal sofrido por alguém e o pedido para repará-lo ou afastá-lo. Essa mesma instituição todos os dias às dezoito horas, por alguns momentos mantinha uma comunhão de pensamentos entre seus afiliados com o intuito de “irradiar” ondas mentais de paz e harmonia entre os homens. Uma das propostas da instituição é o concorrer (na medida das forças de cada um) para que a harmonia, o amor, a verdade e a justiça se efetivem cada vez mais entre os homens. Poderosos não? Mas, vamos dar uma olhada rápida para ver como está este nosso país. Temos, conforme os noticiários, corruptos e bandidos por todos os lados. Assassinatos, estupros, assaltos, sequestros. Religiões cobrando pedágio para interceder junto a Deus e etc. Então, fracassou a vibração mental de paz e harmonia entre os homens? Não para aqueles xucros do sempre a dizer: Se não fossem eles a “coisa” estaria pior. Pior ainda? Isso seria possível? Sobre a verdade e a justiça... Por onde andam essas duas? E aqueles da mesa comprida? Diante de tantas doenças que afetam os brasileiros não teriam também alguns deles sucumbido por causa de algumas delas? Opa, isso não é ético questionar. Muitas sociedades esotéricas prometem desenvolver poderes em seus adeptos. Nunca vi alguém “afortunado” assim. Sei que muitos outros viram e vão continuar vendo, mas, eu não. Sabe-se que os “homens acreditam muito no que eles querem acreditar”. Essas crianças não sabem, mas, tudo é facilitado para se fundar legalmente qualquer organização, seja ela esotérica, mental, e etc. porque elas estão a colaborar com o distrair de uma parcela do povo. Aquela parcela dos “escolhidos, dos merecidos” a se sobressaírem dos demais, estes, até adjetivados de profanos por não almejarem a evolução mental ou a tal de evolução espiritual. Bem dizia o Rei Salomão: É tudo vaidade das vaidades (risos). Hoje em dia os meios de comunicação e o sistema vigente estão a arrebentar a capacidade mental do povo e este, parece feliz assim. Nenhuma vibração mental vinda dos bem intencionados e donos de “mentes poderosas” poderão reverter essa situação alarmante de desarmonia, doenças, mentiras e injustiças. Entretanto como estamos na situação do “faz de conta” que é, mas, não é, então, tudo é válido. Pelo menos a vida não fica tão monótona. Mas o tempo... Esse malvado inimigo das ambições humanas impossíveis, sempre estará a contrariá-las com o surgir dos efeitos adversos. Só não percebe quem não quer perceber.

Altino Olimpio

O apito da fábrica

Nenhuma notícia local ruim a aborrecer. Era um mundo dentro do mundo onde todo mundo daquele pequeno mundo vivia feliz nele, indiferente a amplidão do mundo externo. O rádio sonorizava a região com o cantor Francisco Alves, o rei da voz cantando a música Aquarela do Brasil: “Brasil, meu Brasil brasileiro, meu mulato risoneiro vou cantar-te nos meus versos...” Às dezessete horas era o programa de boleros quando se ouvia entre outros, o cantor Gregório Barrios a incitar devaneios de amor nos corações românticos. As ruas de terra tornavam visível o vento misturando poeira nele e ele era a orquestra para acompanhar o dançar das matas que, ao agitar, cantavam. As ruas mais eram para o transito de pessoas a pé e por onde mais se encontravam, paravam e conversavam. Era o tempo de quando todos se conheciam, todos se viam e todos se ouviam. Nos lares o silêncio dava destaque no marcar do tempo pelos relógios despertadores com os seus tique-taques. As seis, as sete, as onze, as doze, as quatorze, as dezessete e por último às vinte e duas horas, os apitos da fábrica de papel pareciam, por instantes, o recobrar da nossa consciência para nos lembrar da nossa existência. Pareciam também o marcar das horas, dos dias e dos meses a terem fim no dia de Natal e o tudo recomeçarem no primeiro dia do ano novo. Aqueles Natais dos manjares brancos caseiros com ameixas em calda são paladar memória. Naquele lugar onde a inocência em toda gente tinha a sua permanência, só de longe e pelo rádio se ouvia fatos de violência. “O crime não compensa” era o nome de um programa de rádio imitando um tribunal a julgar um assassino. Detalhes de seu crime eram “dramatizados” e ao fim ele era condenado. Sempre o programa terminava com esta advertência para o acusado: o crime não compensa. O rádio talvez fosse à única tecnologia ao ausentar um dos outros de seus convívios íntimos, naqueles idos tempos, quando, os tique-taques dos relógios nas residências e os apitos da fábrica provocavam maior percepção daqueles vividos presentes na consciência com o passar mais lentos deles como assim eram eles naqueles tempos de outrora.

Altino Olimpio