sábado, 18 de junho de 2011

Espiritualidade

Recentemente li um artigo sobre espiritualidade. Inicia-se com esta frase: “Espiritualidade é um estado de consciência”. A seguir o autor cita muitos exemplos do que seja a espiritualidade, como, “é o que se leva no coração, é discernimento em ação, é o amor em profusão, é sentir a vida que pulsa em todas as coisas, é respeitar a si mesmo para respeitar o próximo, paz de espírito, e etc”. Tudo isso o autor conceitua como sendo espiritualidade. Discordo! Isso tudo só tem a ver com o modo de ser de um ser humano considerado normal. Mas, o que seria espiritualidade? É um conceito surgido da concepção da “parte” etérea do corpo chamada de alma. O homem esteve a definir que ela é imortal. Disso proveio a especulação sobre o existir de outro “mundo” onde a alma continuaria a existir tendo para si a eternidade. Lembrando, essa espiritualidade é um conceito subjetivo não comprovado objetivamente, embora, pela crença popular a maioria acredita na sua existência. Mantendo apenas por aqui a concentração de seus pensamentos e indiferentes ao que possa existir além deste planeta, os seres humanos se consideram exclusivos no universo. Acreditam ser especiais para um Deus, que, é onipresente em todo o planeta terra (se em outro planeta também, isso nem se fala). No ensejo para obter privilégios espirituais provenientes do Todo Poderoso, existem as organizações religiosas, místicas, esotéricas, gurus e outros. Para as “tentativas” são eficientes. Se os seres humanos esquecessem suas autoimportâncias, talvez, pudessem intuir que o universo com suas convulsões e explosões prossegue na criação, expansão e destruição de seus astros, indiferente ao que possa ocorrer na terra e, se existe Deus ou se as criaturas daqui morrem e continuam existindo, se existe um paraíso e etc. Essas coisas parecem não existir na imensidão, onde, estrelas e planetas surgem, crescem, diminuem, implodem, buracos negros sugam tudo que existe ao redor e etc. --Talvez, suguem até mesmo espiritualidade (risos). Então leitor, texto meio confuso este, não? Você não entendeu bem, não é? Não entendeu o texto, mas, pode entender tudo sobre alma, espírito, pra onde vão, se vão voltar e quando. Parabéns, isso é que é espiritualidade. É um poder espiritual esse de concretizar ou substantivar o abstrato. Sendo assim ninguém mais duvida da existência de outro mundo invisível para seres invisíveis.

Altino Olimpio

Mundo superlotado

Atualmente este mundo possui cerca de sete bilhões de seres humanos. Quantidade esta a estar criando problemas para a nossa existência, como dizem os entendidos sobre essa questão insolúvel. Somando-se todas as pessoas que existem com todas as que já morreram, por ocasião da ressurreição o mundo vai ficar tão pesado e abarrotado de gente que poderá se desviar de sua órbita em torno do sol podendo se chocar com o planeta marte. Aqui na terra as cidades se espalharão por todos os espaços ainda disponíveis sem deixar espaço para a agricultura e para o gado que alimenta os vegetarianos. As filas para sacar dinheiro dos bancos (que alegria) terão quilômetros e mais quilômetros de comprimento. Nas ruas, trombadas constantes entre pessoas (bom para os batedores de carteira) irão impedir a circulação delas. Bom é que as pessoas não mais vão envelhecer. Vão falir os institutos de beleza e as academias de “rejuvenescimento”. Será um paraíso na terra. Só será conjugado o verbo amar: Eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos, vós amais e eles amam.

Altino Olimpio

O mundo era mais infantil

Recordar é viver ou recordar é sofrer? Talvez recordar seja buscar na mente imagens do passado que comparadas com as imagens do presente, as do passado pareçam não ter existido e apenas terem sido belos sonhos. Hoje quase não vemos crianças pelas ruas nos seus folguedos. Antigamente elas ocupavam as ruas com seus brinquedos e seus alaridos ecoavam pelas imediações como sendo música para os adultos. Eram consideradas crianças até ao completarem quatorze anos, idade esta considerada propícia para se iniciarem no trabalho formal. Hoje, muitos dos brinquedos de outrora permanecem esquecidos. Crianças desta época nem imaginam que tais brinquedos existiram nem mesmo a liberdade que as crianças tinham de brincar com outras. Das “coisas que não voltam mais” minha memória reteve muito dos divertimentos daqueles tempos “inesquecíveis” esquecidos. Juntos, meninos e meninas se divertiam em pular corda, brincar de piques, queimado, amarelinha, cirandinha, rodar iô-iô, bater peteca, pula na mula, escravos de Jó, cabra cega, bolinha de sabão e etc. Mais para os meninos, futebol de rua com bola de meia. Jogo de taco ou de derrubar casinha, empinar papagaio no morro, construir cabana no mato, rodar pião, rodar arco ou pneu pelas ruas, jogo de malha, caxeta, jogo de botão, bolinha de gude, carrinho humano, jogo com figurinhas (jogar bafo), carrinho de quatro rodas fabricados em casa como também cata ou papa–vento. Possuir estilingue era comum entre os meninos. Nadar na lagoa, catar pinhão, frutos do mato e também as malvadezas faziam parte daqueles tempos de total integridade com a natureza. Explicar como eram aqueles brinquedos ocuparia muito espaço aqui. Tirava-se o “par ou ímpar” para se saber quem iria começar um jogo ou uma brincadeira e às vezes era assim: Alguém falava par e outro respondia “eu cago e você põe sar”, ou então, depois de um ímpar outro respondia “eu cago e você limpa” (risos). Era mesmo tudo na farra. Até antes dos quatorze anos, comum eram o meninos andarem descalços, inclusive ao irem pra escola onde, de fato, existia mesmo o aprendizado escolar.
Crianças daqueles tempos não ficavam doentes e doenças até pareciam que não existiam. Claro está que estas reminiscências são lá do extinto Bairro da Fábrica de Papel desta Caieiras onde nasci e me criei. O local parecia um mundo separado do mundo. Crianças se contatavam com crianças e seus pais não tinham com o que se preocupar. Quem no passado teve mesmo a felicidade de ter sido criança como criança deveria ser, talvez, se ressinta ao notar que seus filhos e netos não estão sendo crianças como deveriam ser. Às vezes me parece que homens que não foram crianças não sejam homens para o humano viver entre os homens. Falta-lhes aquela reciprocidade aprendida quando crianças entre as crianças. Voltando ao passado, lá sim éramos pegos de calça curta (risos) brincando nos balanços com as meninas tão atraentes com suas tranças nos cabelos.

Altino Olimpio