sexta-feira, 13 de maio de 2011

Autotraição

Autotraição

O que na realidade seria ser adulto? Adulto não seria quem resolve seus próprios problemas? Não estaria ele apto a se orientar pelo seu raciocínio? Sim, orientando-se por si mesmo, isso, seria ser adulto e deveria ser comum entre as pessoas. Mas, não! A maioria das pessoas tidas como adultas se expõe a acatar sugestões, costumes e conceitos provenientes de raciocínios de outros. Sendo assim, a maioria é massa de manobras. Quem se sujeita a reunir-se em grupo para ouvir apenas um a impor suas ladainhas a serem seguidas, trai a si mesmo por postar-se submisso às influências de outro. Sabe-se, quando crianças todas tiveram a necessidade e a obrigatoriedade de reunir-se a outras em salas de aulas para adquirirem o aprendizado, cujo objetivo era o desenvolvimento do raciocínio. Nessa circunstância pueril e depois juvenil estiveram a ouvir apenas uma pessoa por vez a instruí-las, um professor ou professora. Nesse caso a instrução esteve a ser comprovada como tendo praticidade geral. Podemos chamá-la de ciências exatas para o domínio público. Entretanto, muitos não tão adultos envolvem-se com ciências inexatas, aquelas a ter conclusões subjetivas sem ter correspondência objetiva ou real. Isto já é percorrer pela obscuridade das abstrações. Aceitar existências que não se pode sentir, tocar, ver, ouvir, comprovar e não ter a mesma conceituação delas por todos, tais “existências” são abstrações. Estas, diariamente têm seus difusores e seus receptivos concordantes. É comum o fato de muitos se reunirem para ouvir apenas uma pessoa transferindo sua “incontestável” convicção de como uma entidade incorpórea está a vigiar, dirigir e sanar as necessidades dos seres humanos. Ter que ouvir uma só pessoa a proferir conceitos foi necessário na infância e adolescência como acima exposto, mas, não no estado de adulto, quando, por si mesmo cada um deveria ter o poder de discernir sobre o que é viável ou inviável. Afastar o raciocínio para aceitar explanações quando elas podem ser duvidosas, isso é autotraição. A realidade é isenta de características atrativas. Por isso é costume geral gostar de “teatrá-la” com imaginações, superstições, inverdades e ilusões. Com essas “propriedades” subjetivas adquiridas o ser humano costuma dispensar a realidade. Contudo, diante de uma minoria de pessoas esclarecidas, para as menos tolerantes entre elas, as próximas e acima “propriedades” subjetivas e seus proprietários são motivos de desdém. Quanto ao que seria ser adulto de verdade, preponderante é que ele tenha clareza mental para evadir-se das armadilhas doutrinais falsas ou hipotéticas, para as quais, a maioria é aderente. Acompanhar a maioria por ser maioria pensando que ela sabe sobre o que de fato lhe convém, isso é absurdo. Existem pessoas incapazes de ler e entender este texto. Entretanto, arvoram-se como entendidas sobre fatos e “vida” existentes no além da fronteira onde suas consciências não conseguem definições e nem mesmo penetrar.

Altino Olimpio