quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Gataiada

--Miau, miau, miau.
--Miau... Que foi Lili?
--Que foi? Minha dona resolveu me capar. Aquela f... ... Agora não fico mais “naqueles dias” e até perdi o cheiro que atrai os gatos.
--Você também? Minha dona também me capou. Fiquei impotente. Agora tenho vergonha de sair na rua porque gatas e gatos riem de mim.
--Às vezes ouço minha dona falar que depois de capada eu engordei e fiquei mais bonita. Que me adianta isso se não sou mais engatinhada pelos gatos?
--Que coisa não? Eu também engordei, fiquei mais bonito, mas, as gatas esfregam o rabo no meu focinho e eu disfarço miando que vou ser gato padre e por isso sou celibatário.
--Cara de pau minha dona. Ela não é capada. Toma comprimido e até tem um que se chama pílula do dia seguinte.
--São mesmo uns caras de pau. Minha dona faz amor com o marido na minha frente. Eu sempre vejo porque fico na mesma cama olhando pra eles. Ela não se dá bem com comprimidos, então, pede pra ele usar camisinha e isso para os gatos eles não fabricam. Só eles é que querem gozar, fazer sexo seguro.
--Camisinha? Seria uma boa se existisse para nós. Mas, comprimido já existe. Parece que se toma um a cada seis meses, se estou certa.
--Estou sabendo, mas, dizem que dá câncer.
--Oh louco! Mas viu, vida de gato é triste, não? Os humanos não querem que façamos a coisa mais gostosa que existe na vida que é transar. Tomara que o nosso Deus, o Deus Gato os castigue.
--Mia pra mim Lili, você ainda sente vontade?
--Não, perdi a vontade e você?
--Perdi também. Às vezes olho pra uma peluda e me dá vontade de chorar.
--Que coisa não? Só nos restou comer ração, fazer cocô e dormir.
--Não Lili. O que fizeram conosco pode ter sido pro nosso bem. Como agora não mais somos escravos do sexo para nos atrapalhar, podemos animalmente evoluir. Pertenço a uma sociedade esotérica onde se aprende a meditar, miar sons vocálicos (mantras), concentrar-se no centro da cabeça e outras práticas para se atingir um estado superior de gatoconsciência igual ao atingido pelos gatos do Egito lá nas pirâmides do Gatofaraó.
--Verdade? Gostaria muito de pertencer a essa sociedade. Paga-se pra isso?
--Claro! Mensalmente e você terá umas palavras de passe e sinais para se fazer conhecer por algum outro irmão da sociedade. Olha se estou te convidando é porque você já é uma escolhida.
--Legal. Interessei-me sim. Agora preciso ir para dentro de casa.
--Pode ir. Gostaria que você fosse miando com o rabo levantado.
--Ora, ora por quê?
--Ah esquece, essas coisas não mais me atraem.
--Miau... Miau... Miau... Tchaumiauuuuuuuuuuuuuuuuuuu
--Tchaumiauuuuuuuu... Mau... Miau... Miau...

Altino Olimpio

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Gente que só irrita

“Falando” de velho pra velho a “coisa” está ruim. Haja paciência pra aguentar pessoas grudadas no sistema “educológico” da nação. Já tem gente aconselhando para, no falar ou escrever, o não se utilizar do vocábulo “velho”, porque é feio e agora é ofensivo. Essa gentinha tonta, ao invés de fazer cocô deveria “evacuar” para essa felicidade diária ficar mais poética e romântica. Na ancianidade (pra não dizer “velhonidade”) a ranzinzanidade dessa época fica sendo uma espécie de defesa. Ela torna as pessoas mais autênticas pouco importando se são ou não criticadas por isso. Elas são como são porque ninguém mais serve de interesse para favorecer alguma conveniência. Em alguns ela se torna inexistente com o avançar da idade e sem ela, pessoas que lhes eram interessantes e importantes deixam de ser, daí a desnecessidade de aturá-las, pois, diante delas fica fácil exclamar: Parem, chega, não estou a fim de ouvir essas cretinices que estão cotidianamente a emocionar os imbecilizados. Entretanto, a conveniência é funcional para quem está desperto para a obtenção de vantagens, embora, perceber ela nas pessoas, isso, provoque náuseas. Sabe-se que nos meios políticos a conveniência é muito amada e até é tida como a verdadeira religião. Em família ela também tem seu destaque. Muitas pessoas existem a suportar desaforos, ofensas e humilhações porque a conveniência lhe sussurra “calma, não reaja, não discuta, não brigue senão depois você não terá sexo para se satisfazer”. Quem se sujeita a isso em nome da conveniência é tido (a) como sendo uma pessoa boa e compreensiva. Que nada! A pessoa apenas é escrava dos instintos e por isso atura desacatos. Quem consegue viver sem ter conveniência (essa prostituta tão cobiçada) não tem a falsidade e a infelicidade de necessitar dos favores humanos, às vezes tão mundanos. Muitos relacionamentos entre as pessoas são por conveniência até se transformarem em inconveniências e isso não é incomum. Neste mundo de hoje tão perturbado pelo vozerio de tantos ignorantes, esses que tanto irritam com suas conversas fúteis, se não existe conveniência para suportá-los é fácil para quem já esteja na idade da ranzinzanidade desejar e mesmo falar para eles “que se danem”, pois, são mesmo “incuráveis”. Agora pra terminar, fiquei sabendo que um jogador de futebol “lindo de morrer” comprou um iate e está de namoro com uma moça famosa. Não considero conveniência por parte dela e pode ser mesmo um puro amor. Preciso muito saber mais detalhes sobre esse romance. Quem souber, por favor, me informe, senão não vou conseguir dormir. Altino Olimpio

domingo, 6 de novembro de 2011

Persistência no nada saber

Nosso mundo, a terra, quando era despovoado das criaturas humanas se bastava por si mesmo. Nunca precisou e nunca precisará dos seres humanos para existir. Ao contrário, a espécie humana é que precisa do mundo para poder existir. Que criaturas são essas chamadas de homens? Nascem sem querer e sem querer morrem. Enquanto vivem tentam evitar a morte. Pensam que a morte não existe e que depois dela existe uma continuidade para a personalidade ou alma. Esta, invisível, sendo o ser real por dentro de um corpo visível e perecível. Os “entendidos” dessa hipótese estão a ensinar outros que a vida (existência) não se finaliza com a morte do corpo. Sem ele, ela continua existindo em algum lugar. Esse lugar seria o céu, mas, isso é muito vago. Na vastidão (no céu) existiria um lugar específico onde personalidades invisíveis poderiam se instalar? O querer saber o que não está ao alcance humano de saber, dá “azas” a imaginação inventar existências além da constatação humana. O homem, inconformado com o fim de sua vida inventou para substituir seu desespero, a continuidade dela depois da morte. Sobre ele mesmo enquanto vivo quase nada sabe, mas, pensa saber sobre o que está além da vida. Esse enfoque abstrato ao pensar numa existência ou “vida” inorgânica contradiz a realidade. Esta é a vida só se manifestando quando orgânica. Somente assim ela é percebida por todos. A vida como a percebemos é deste mundo. A “vida” a existir que ainda não percebemos é do mundo imaginado pelo homem. Nesse mundo ainda imperceptível (é preciso morrer para percebê-lo), as personalidades invisíveis existindo lá, como dizem, ficam aguardando o dia do Juízo Final quando serão julgadas pelas suas ações aqui na terra. No dizer de outros, tais personalidades ainda reencarnam aqui neste mundo para cumprirem alguma missão definida e para conseguirem a perfeição. Como agora somos sete bilhões de habitantes neste planeta temos sete bilhões de missões a serem cumprida. Mais na África a missão de muitos é nascer e logo depois morrer de fome. A missão do Hitler, do Stálin e de outros líderes carismáticos foi, em parte, despovoar o mundo, pois, este estava muito pesado não mais suportando o peso de tanta gente. As reencarnações talvez estejam em recesso nesta época, porque, ainda não nos deparamos com alguém que tenha evoluído até atingir a perfeição. Parece que todos ainda se encontram na primeira encarnação, daí termos pilantras por todos os lados. Felizmente temos entre nós, muitos pacíficos a viver de hipóteses propostas por outros sobre o propósito da existência ter como consequência no porvir de outra existência, punição ou recompensa. Nada no mundo supera esse apaziguador contágio psicológico das massas para que o mundo invisível idealizado pelos homens seja proficiente em paz e felicidade. E assim caminha a humanidade na persistência do nada saber como um pulo para o alcance do tudo saber. Altino Olimpio

Padre Marcelo e o "desagato"

Então o padre não gosta de um dos filhos de Deus? Publicamente falou que os gatos são traiçoeiros. Coitado, o balé, a vaidade e a Santa Mídia devem mesmo ter-lhe subido à cabeça. Se o acesso ao local fosse proibido aos traiçoeiros, somente os cachorros poderiam ter acesso. Criaturas humanas seriam duvidosas para participar do evento. Mesmo o padre não poderia porque atraiçoou a Deus não gostando dos mais bonitos, brincalhões e dóceis filhos Dele. Sabe-se que as pessoas tidas como “formadoras de opinião” também muitas vezes soltam fezes pela boca e isso neste país não é novidade. Não mais surpreende a ingenuidade ou despreparo de pessoas influentes quando verbalmente manifestam suas idiossincrasias. Um presidente, por exemplo, vociferou sua predileção por um time de futebol. Isso foi uma comprovação de sua falta de ética para com os demais times, mas, o povo parece não ter percebido essa hoje tão “elogiável” aptidão brasileira. O padre seguiu o exemplo, entretanto, ele foi “massacrado” na internet por muitas pessoas inconformadas com o despejo de preconceitos contra os gatos. Ingênuas também, muitas delas querem que o padre se retrate. Pra que essa ilusão? Por acaso palavras (isso o povo adora) vai mudar o que o padre falou e modificar seus sentimentos pelos felinos? Claro que não! Para o padre o culpado de tudo foi o Noé. Por que em sua arca ele salvou do dilúvio um casal de gatos? Para os mais evoluídos, aqueles a pensar que os gatos são do demônio, principalmente os gatos pretos a “atrair coisas ruins” para quem os possui, o padre está correto. Se não fossem do demônio não iriam aparecer em filmes de terror. Resta dizer o seguinte. É impossível viver sendo triste neste mundo. As palhaçadas sempre estão a provocar risos nesses nossos cotidianos e rir é a melhor solução para nós enfrentarmos, se e quando tivermos os dissabores. Altino Olimpio